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| Alexbowmore |
Sociedade
Brasileira de Mastologia (SBM) destaca a falta de validação científica para uma
tecnologia que se propõe a detectar a doença de forma precoce
Testes chamados de “biópsias líquidas” ou “testes
genéticos” têm alcançado ampla visibilidade a partir de órgãos de imprensa e
redes sociais. Por meio de exame de sangue, a tecnologia se propõe a auxiliar
no rastreamento precoce do câncer de mama. Ao mesmo tempo, divulgações sobre o
método vêm mobilizando as mais importantes entidades médicas do País, entre
elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). “Na realidade, não existem
exames de sangue validados pela prática médica e por verificação científica como
métodos de detecção precoce da doença”, afirma Guilherme Novita, presidente da
SBM. A mamografia, ressalta o mastologista, é o único exame de rastreamento com
eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama em mulheres.
De acordo com o levantamento divulgado pelo INCA
(Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos por
ano no triênio 2026-2028. Diante de uma perspectiva desafiadora não apenas na
rede pública, mas também para a saúde suplementar que contempla planos e
seguros particulares, a SBM vê com preocupação a veiculação de informações
sobre testes conhecidos como “biópsia líquida” ou “testes genéticos”.
Por meio de exame de sangue, e sem a necessidade de
solicitação médica para a realização, a tecnologia que não tem validação se
propõe a detectar alterações ligadas ao crescimento de células tumorais que
possam indicar precocemente o câncer de mama.
De acordo com o mastologista Guilherme Novita,
testes não validados podem causar uma falsa sensação de segurança nas mulheres.
“Outro aspecto igualmente preocupante é a diminuição da adesão das pacientes às
formas consagradas pela ciência e prática médica para diagnóstico precoce da
doença.”
Como método, a mamografia de rastreamento permanece
como estratégia de saúde mais eficaz para a detecção do câncer de mama em
estágio inicial. Desde o ano passado, a recomendação do Ministério da Saúde
para a realização regular do exame foi ampliada com a inclusão de mulheres a
partir dos 40 anos de idade.
O diagnóstico precoce proporcionado pela
mamografia, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, está
associado a tratamentos cirúrgicos menos extensos, muitas vezes sem necessidade
de quimioterapia, maiores taxas de cirurgias conservadoras da mama e melhores
resultados estéticos, aspecto de extrema relevância, considerando que a mama é
um símbolo importante da feminilidade e da identidade corporal da mulher.
“Diante de tantos benefícios, ao invés de recorrer a testes sem validação, é
fundamental que as mulheres consultem um mastologista e sigam realizando a
mamografia de forma frequente e regular”, conclui Guilherme Novita.

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