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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Estudo demonstra potencial para intenção curativa no tratamento de câncer de endométrio primário avançado ou recorrente com combinação de imunoterapia e quimioterapia

 Estudo RUBY de fase 3 evidenciou remissão sustentada e benefício de sobrevida global em quatro anos de 72,8% em pacientes tratadas com a combinação de dostarlimabe com quimioterapia


A biofarmacêutica GSK, apresentou no Encontro Anual da Sociedade de Oncologia Ginecológica (SGO 2026) em San Juan, Porto Rico, os resultados de quatro anos de sobrevida global do estudo fase 3 RUBY - a análise mais longa entre os estudos de fase 3 com imunoterapia para o tratamento de primeira linha do câncer de endométrio avançado/recorrente.1 O estudo evidenciou que 72,8% das pacientes com câncer de endométrio primário avançado ou recorrente dMMR/MSI-H (com deficiência na enzima de reparo do DNA) em tratamento com dostarlimabe em combinação com quimioterapia estavam vivas após 4 anos, em comparação com 40,3% das pacientes em uso de quimioterapia, com redução de 66% do risco de progressão ou morte, em comparação com quimioterapia isolada.1 

O câncer de endométrio é o sexto mais incidente entre as mulheres no Brasil, com 9.650 casos estimados para o ano de 2026.2 Cerca de 32% dos casos são diagnosticados em estágio avançado, com prognóstico desfavorável, visto que somente 22% das pacientes estarão vivas em 5 anos.3,4 Dentre as pacientes, cerca de 30% apresentam dMMR, sendo candidatas ideais ao tratamento com imunoterapia.5 Entretanto, há mais de uma década, o padrão de tratamento em primeira linha para câncer de endométrio primário avançado ou recorrente é a quimioterapia, mesmo com sobrevida global mediana sendo inferior a 3 anos.6,7 

“A apresentação dos dados atualizados do estudo Ruby com acompanhamento de 4 anos representa um avanço significativo no paradigma de tratamento para o câncer de endométrio primário avançado ou recorrente dMMR/MSI-H, sendo até então o único ensaio clínico com o maior tempo de acompanhamento nessa indicação a mostrar um benefício de sobrevida global clinicamente relevante e estatisticamente significativo, com controle duradouro da doença. Os resultados a longo prazo do uso de imunoterapia em combinação com quimioterapia nessa população desafiam o prognóstico desfavorável da doença, trazendo novas perspectivas com potencial de intenção de cura para algumas pacientes”, comenta Angelica Nogueira Rodrigues (CRM: 37003-MG), oncologista, professora e pesquisadora da UFMG e idealizadora e atual diretora de planejamento do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA). 

O benefício de sobrevida livre de progressão se manteve durante os quatro anos.1 Observou‑se um platô na curva de sobrevida livre de progressão, com apenas quatro eventos de progressão com o tratamento com dostarlimabe em combinação com quimioterapia nos adicionais dois anos e meio de seguimento, desde a última análise do RUBY, demonstrando controle duradouro da doença.1 Também foi possível observar pelo estudo que as estimativas de sobrevida condicional melhoram a cada ano em que os pacientes permanecem vivos, oferecendo uma alternativa relevante com probabilidade de sobrevida a longo prazo.1 

“Os resultados de 4 anos de sobrevida global nos deixam ainda mais confiantes do potencial de dostarlimabe em combinação com quimioterapia para o tratamento de uma doença que tem um prognóstico tão desfavorável quando descoberta em estágio avançado, trazendo uma nova perspectiva para pacientes pelo significativo potencial para intenção curativa. Esses achados reforçam o propósito da GSK na oncologia de liderar resultados transformadores no tratamento do câncer”, reforça Tatiana Pires, líder médica de Oncologia na GSK Brasil. 

Em comparação com estudo anteriores, não foi observado nenhum novo sinal de segurança, e as incidências de eventos adversos relacionados ao tratamento foram baixas no seguimento de longo prazo.1 Os cinco eventos adversos relacionados ao tratamento de qualquer grau mais comuns no braço dostarlimabe em combinação com quimioterapia versus quimioterapia isolada incluíram alopecia, fadiga, náusea, neuropatia periférica e artralgia.1

 

Sobre o RUBY

Ensaio global, randomizado, duplo‑cego, multicêntrico de fase 3 em duas partes, realizado com pacientes com câncer de endométrio primário avançado ou recorrente. A parte 1 investigou dostarlimabe em combinação com quimioterapia padrão (carboplatina‑paclitaxel), seguida de dostarlimabe, com participação de 245 pacientes com idade média de 61 anos, e compara com quimioterapia mais placebo, seguida de placebo, com participação de 249 pacientes com idade média de 66 anos. Os endopoints primários foram a sobrevida livre de progressão, avaliada pelo investigador com base nos Critérios de Avaliação de Resposta em Tumores Sólidos v1.1 (RECIST v1.1), e a sobrevida global.1 

O plano de análise estatística incluiu análises pré‑especificadas de sobrevida livre de progressão nas populações com deficiência do reparo por incompatibilidade/instabilidade elevada de microssatélites (dMMR/MSI‑H) e na população global, e de sobrevida global na população global.1

 

Referências:
1. Powell, M.A. et al. Four-Year Survival Outcomes with Dostarlimab Plus Chemotherapy in dMMR/MSI-H Primary Advanced or Recurrent Endometrial Cancer in the ENGOT-EN6-NSGO/GOG-3031/RUBY Trial. Estudo apresentado no Congresso SGO 2026 em Abril.

2. Instituto Nacional de Câncer. Incidência de Câncer no Brasil. Estimativa 2026. Disponível em: Link. Acesso em abril de 2026.

3. AMERICAN CANCER SOCIETY. Key Statistics for Endometrial Cancer. Disponível em: Link. Acesso em abril de 2026.

4. AMERICAN CANCER SOCIETY. Survival Rates for Endometrial Cancer. Disponível em: Link. Acesso em abril de 2026.

5. Han S, Guo C, Song Z, Ouyang L and Wang Y (2023), Effectiveness and safety of PD-1/PD-LI inhibitors in advanced or recurrent endometrial cancer: a systematic review and meta-analysis. Front. Pharmacol. 14:1330877.

6. MILLER, D. S. et al. Carboplatin and Paclitaxel for Advanced Endometrial Cancer: Final Overall Survival and Adverse Event Analysis of a Phase III Trial (NRG Oncology/GOG0209). Journal of Clinical Oncology: Official Journal of the American Society of Clinical Oncology, v. 38, n. 33, p. 3841–3850, 20 nov. 2020.

7. SORBE, B. et al. Treatment of primary advanced and recurrent endometrial carcinoma with a combination of carboplatin and paclitaxel—long-term follow-up. International Journal of Gynecological Cancer, v. 18, n. 4, p. 803–808, jul. 2008.


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