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| Famosos que passaram pela cirurgia bariátrica e antes tentaramn tratamento com medicamento, sem sucesso. divulgação |
A Sociedade Brasileira de Cirurgia
Bariátrica e Metabólica (SBCBM) informa que, ao contrário do que tem sido
veiculado nas redes sociais, a cirurgia bariátrica não vai acabar por conta dos
novos medicamentos e continua sendo indicada para pacientes com obesidade grave
que não obtêm resultados com tratamento clínico.
“Existe uma narrativa errada que se instalou nos
consultórios e nas redes sociais de que, com a chegada dos análogos de GLP-1 e
outros medicamentos, a cirurgia bariátrica perdeu sua vez. Isso não é verdade.
Existe um tratamento para cada tipo de paciente e os medicamentos e a cirurgia,
em muitos casos, devem ser complementares", afirma o presidente da SBCBM,
Dr Juliano Canavarros.
Ele explica que os novos medicamentos são
extraordinários mas ainda não são democráticos e que funcionam enquanto a pessoa
está utilizando.
“A cirurgia bariátrica não é a última
alternativa. Ela deve ser considerada nos consultórios antes que o paciente
acumule comorbidades aguardando pelo procedimento", reitera.
Brasil perde o controle no tratamento da
obesidade
Ele reforça que o uso desenfreado de canetas
emagrecedoras - sem acompanhamento médico, muitas vezes vindas de outros países
sem regulamentação e comercializadas por pessoas que não são médicas -, traz um
alerta: o Brasil está perdendo o controle no tratamento da obesidade.
“Não temos dados precisos sobre a fila para
cirurgia no país, a doença avança e há um descontrole no que se refere ao uso
de medicamentos clandestinos e sem acompanhamento médico", reforça
Juliano.
Queda nas cirurgias bariátricas
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar de
2025 ainda não foram divulgados, mas no ano de 2024 houve uma queda de 18% - se
comparado a 2023 - no número de cirurgias bariátricas realizadas. Já no ano
passado, a SBCBM acredita que a queda chegou a 20%.
“Embora não tenhamos estudado a causalidade, a preocupação é que
muitos pacientes estejam optando por terapias não cirúrgicas para obesidade sem
compreender totalmente todas as opções disponíveis. Além disso, milhares de
pessoas com indicação para a cirurgia aguardam na fila do SUS, acabam perdendo
todos os exames realizados, devido ao tempo de espera pelo procedimento,
vivendo com obesidade e não recebem nenhum tratamento”, disse o presidente da
SBCBM.
Outro grande problema, segundo a SBCBM, são as pessoas que
deixaram de ter convênios médicos devido à situação econômica atual.
Nos Estados Unidos o número de cirurgias caiu
para menos de 200 mil procedimentos pela primeira vez desde a pandemia. A
redução, superior a 20%, integra um estudo - que também traz
resultados de
pacientes submetidos à gastrectomia
vertical ou bypass gástrico : eles perderam aproximadamente cinco vezes mais
peso ao longo de dois anos do que aqueles que tomaram medicamentos GLP-1. Os resultados foram
apresentados, neste mês de maio, durante a reunião científica anual da
Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (ASMBS).
Segundo levantamento da SBCBM, entre 2020 e 2024, o Brasil
realizou 391.731 mil cirurgias bariátricas, sendo 260.380 cirurgias, segundo
dados da Agência Nacional de Saúde (ANS - até 2024), através dos planos de
saúde; e 31.351 procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O número de
cirurgias particulares gira em torno de 10 mil procedimentos.
Mas, apesar de o SUS ter
ultrapassado a marca de 5 mil cirurgias bariátricas realizadas em 2024, um
crescimento de 25% nos últimos dois anos, os números voltaram a cair em 2025.
Entre janeiro e setembro, houve retração de 14,5% em comparação com o mesmo
período do ano anterior, justamente durante o auge da popularização dos
medicamentos para perda de peso.
Para especialistas, a preocupação vai além da
queda nos procedimentos. Hoje, menos de 1% dos brasileiros com indicação para
cirurgia conseguem acesso ao tratamento. A SBCBM alerta que o sistema público
opera sem transparência sobre a capacidade real de atendimento em cada estado, criando
uma “fila invisível” que impede planejamento, prolonga o sofrimento dos
pacientes e agrava uma crise de saúde pública que já é considerada uma das
maiores do século.
A Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica mantém
um posicionamento alinhado ao defendido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia
Bariátrica e Metabólica. Para ambas as entidades, o avanço das discussões em
torno da obesidade, reconhecida mundialmente como uma doença crônica e
progressiva, representa uma oportunidade histórica para ampliar a
conscientização sobre todas as formas de tratamento com comprovação científica,
e não apenas sobre o uso de medicamentos para perda de peso.
“A cirurgia bariátrica é hoje o único tratamento efetivamente
disponível para obesidade dentro da rede pública de saúde e também o único
capaz de apresentar resultados consistentes a longo prazo. Os benefícios vão
muito além da perda de peso, incluindo impacto direto na redução de doenças associadas
e até nos custos do sistema de saúde”, afirma o presidente da SBCBM, Dr.
Juliano Canavarros.
Diante do avanço da obesidade no país e das dificuldades de acesso
ao tratamento especializado, a SBCBM tem intensificado sua atuação em defesa da
ampliação do atendimento no SUS. Na última semana, a entidade apresentou ao
Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília, um projeto
para criação dos Centros de Tratamento da Obesidade (CTOs). A proposta prevê a
estruturação de unidades especializadas e integradas para acompanhamento
contínuo dos pacientes, desde o diagnóstico até o tratamento clínico e
cirúrgico.
Obesidade no Brasil
O número de adultos brasileiros com obesidade cresceu 118% entre
2006 e 2024, segundo dados da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco
e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) 2025, divulgados
pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (28).
No mesmo período, também houve crescimento significativo de outras
condições crônicas, como diabetes (135%), excesso de peso (47%) e hipertensão
(31%). A pesquisa apresenta um retrato da população brasileira sobre fatores de
proteção e de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, com hábitos alimentares e prática de
atividades físicas.
Para mais informações, acesse: Link

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