Sociedade
Brasileira de Dermatologia - Secção do Rio Grande do Sul alerta para riscos da
automedicação e orienta sobre prevenção e tratamento das infecções fúngicas da
pele
As infecções fúngicas da pele, conhecidas
popularmente como micoses, tornam-se mais frequentes em períodos de calor
devido à combinação de temperatura elevada e umidade, condições ideais para a
proliferação de fungos. A Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio
Grande do Sul (SBD-RS) alerta que essas infecções podem atingir pele, unhas,
pés e couro cabeludo e que o diagnóstico correto é fundamental para evitar
complicações e recorrências. As orientações são da dermatologista e delegada da
SBD-RS, Dra. Vanessa Santos Cunha, que chama atenção para a importância de
evitar a automedicação e buscar avaliação médica quando surgirem sinais
suspeitos.
As manifestações mais comuns incluem manchas
avermelhadas e descamativas na pele, muitas vezes em formato circular e
acompanhadas de coceira intensa, quadro conhecido como tinea corporis ou tinea
cruris. Nas unhas, a onicomicose provoca espessamento, alteração de cor e
fragilidade. Já nos pés, a chamada frieira ou “pé de atleta” causa descamação,
fissuras e coceira entre os dedos. No couro cabeludo, as infecções podem
provocar áreas ressecadas, descamação e até falhas no cabelo.
De acordo com a dermatologista e delegada da
Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul, Dra.
Vanessa Santos Cunha, o calor favorece diretamente o desenvolvimento dos
fungos. “As micoses são muito comuns no verão porque os fungos se desenvolvem
melhor em ambientes quentes e úmidos. O suor, o uso prolongado de sapatos
fechados e a umidade da pele criam condições ideais para que essas infecções
apareçam. Na maioria das vezes são superficiais e podem ser tratadas com
antifúngicos tópicos, como cremes ou pomadas, mas em alguns casos mais extensos
ou em pessoas com imunidade comprometida pode ser necessário tratamento por via
oral”, explica.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as
micoses superficiais podem afetar até 25% da população mundial. O uso
inadequado de medicamentos, além de atrasar a recuperação, pode favorecer o
retorno da infecção. Outro ponto de atenção é que as fissuras provocadas por
micoses, especialmente nos pés, podem facilitar a entrada de bactérias na pele.
“A principal complicação ocorre quando surgem
fissuras ou pequenas lesões na pele. Por esses cortes podem entrar bactérias,
levando a infecções como a erisipela ou a celulite infecciosa, que já são
quadros mais graves e podem exigir tratamento médico imediato. Isso é ainda
mais preocupante em pessoas com diabetes, obesidade ou imunidade comprometida”,
alerta.
A recorrência também é comum quando o ambiente
continua favorável ao fungo. Por isso, medidas simples de prevenção fazem
diferença no controle das infecções. Entre as recomendações estão secar bem a
pele após o banho, especialmente entre os dedos dos pés, evitar permanecer com
roupas ou calçados úmidos por longos períodos, utilizar meias limpas e alternar
os sapatos para permitir ventilação adequada. Talcos antissépticos também podem
ajudar a reduzir a umidade em regiões como pés, virilhas e dobras da pele.
“Secar bem os pés depois do banho é uma das
orientações mais importantes. Muitas vezes recomendamos usar papel para retirar
a umidade entre os dedos ou até utilizar o secador de cabelo no modo frio.
Outra medida importante é fazer rodízio de sapatos, permitindo que eles fiquem
pelo menos 24 horas sem uso, já que os fungos não sobrevivem muito tempo fora
da temperatura do corpo humano”, orienta.
Em caso de suspeita de micose ou qualquer alteração
na pele, unhas ou couro cabeludo, a orientação é evitar receitas caseiras ou
automedicação e procurar avaliação especializada. Em casos de suspeita, procure
um médico dermatologista. Os profissionais habilitados podem ser conferidos no
site http://www.sbdrs.org.br/
Marcelo Matusiak

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