Pesquisar no Blog

quarta-feira, 25 de março de 2026

Cinco sinais de que o sedentarismo já está afetando sua saúde

Com mais de 60% dos brasileiros acima do peso, especialistas explicam como o sedentarismo afeta o organismo e quais exames ajudam na prevenção

 

Passar muitas horas sentado, negligenciar a atividade física e manter uma rotina com pouco movimento pode parecer inofensivo no dia a dia. No entanto, o sedentarismo está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares. 

O cenário preocupa especialistas. Dados do sistema de vigilância Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que, em 20241, 62,6% dos adultos brasileiros estavam acima do peso, reflexo de mudanças no estilo de vida da população, como alimentação inadequada e baixos níveis de atividade física. O excesso de peso associado ao sedentarismo aumenta significativamente o risco de desenvolver doenças metabólicas e cardiovasculares. 

De acordo com a dra. Flávia Pieroni, endocrinologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, da Dasa, o corpo costuma dar sinais de que algo não está funcionando bem antes mesmo do surgimento de doenças mais graves. 

“O sedentarismo afeta diretamente o metabolismo. Quando o organismo permanece por muito tempo sem atividade física regular, podem surgir alterações na glicemia, no colesterol, na pressão arterial e até na composição corporal. Muitas dessas mudanças começam de forma discreta, mas podem ser identificadas em exames laboratoriais e clínicos”, explica. 

A seguir, confira cinco sinais que podem indicar que o sedentarismo já está impactando a saúde.


  1. Cansaço frequente e perda de condicionamento

Sentir cansaço ao subir escadas ou caminhar pequenas distâncias pode ter várias causas, mas uma das mais comuns é o descondicionamento físico. A falta de atividade física reduz a capacidade cardiorrespiratória e faz com que tarefas do dia a dia se tornem mais cansativas.

Para o dr. Breno Giestal, cardiologista do Alta Diagnósticos, da Dasa, no Rio de Janeiro, esse cansaço pode ser um importante sinal de alerta. “Quando a pessoa perde condicionamento, atividades simples tornam-se muito mais difíceis, o que impacta a qualidade de vida e aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.” 

Segundo o especialista, o condicionamento físico está diretamente ligado ao VO máximo, indicador da capacidade do organismo de utilizar oxigênio durante o exercício. “Hoje sabemos que o VO máximo é um dos marcadores mais importantes de saúde e longevidade na medicina”, afirma. 

Ele explica que exames como teste ergométrico e ergoespirometria ajudam a avaliar essa capacidade de forma objetiva. “A ergoespirometria é considerada padrão ouro, pois mede diretamente o consumo de oxigênio durante o esforço.” 

“O condicionamento cardiorrespiratório é um marcador biológico fundamental. Diferente de fatores como colesterol ou glicose, não existe medicamento capaz de aumentar o VO máximo, assim, a verdadeira ‘pílula’ é o exercício físico”, comenta o dr. Breno.
 

2. Ganho de peso e aumento da gordura abdominal
A redução do gasto energético favorece o aumento do tecido adiposo na região abdominal. Parte desse acúmulo ocorre na forma de gordura visceral, que se deposita ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestino, e está associada ao maior risco de doenças cardiovasculares, resistência à insulina e diabetes tipo 2.

“O acúmulo de gordura na região abdominal também pode afetar o fígado e levar à esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado. Exames de sangue como TGO, TGP e Gama GT ajudam a avaliar possíveis alterações hepáticas, e o ultrassom abdominal pode identificar o acúmulo de gordura no órgão”, explica a dra. Flávia.
 

3. Alterações no colesterol e nos triglicerídeos

Mesmo sem sintomas aparentes, o sedentarismo pode contribuir para o aumento do colesterol LDL (considerado o “colesterol ruim”) e dos triglicerídeos, além da redução do HDL, que tem papel protetor para o coração.
 

4. Aumento da glicemia e risco de diabetes

A falta de atividades físicas reduz a sensibilidade do organismo à insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue. Com o tempo, isso pode favorecer o desenvolvimento de resistência à insulina e diabetes tipo 2.
 

5. Dores musculares e rigidez corporal

A ausência de movimento regular pode levar à perda de massa muscular, redução da flexibilidade e maior incidência de dores articulares ou musculares. 

Após a identificação desses sinais, a avaliação médica e a realização de exames ajudam a entender como o organismo está respondendo ao estilo de vida. “Entre os exames que costumam ser solicitados estão a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, que avaliam o metabolismo da glicose, e o perfil lipídico, que mede o colesterol e os triglicerídeos, além de exames clínicos e cardiológicos, quando necessário”, destaca a dra. Flávia Pieroni.

 

Referência:

1https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2006-2024.pdf/view1. Cansaço frequente e perda de condicionamento


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados