Com mais de 60% dos brasileiros acima do peso, especialistas explicam como o sedentarismo afeta o organismo e quais exames ajudam na prevenção
Passar
muitas horas sentado, negligenciar a atividade física e manter uma rotina com
pouco movimento pode parecer inofensivo no dia a dia. No entanto, o
sedentarismo está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento
de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas
cardiovasculares.
O
cenário preocupa especialistas. Dados do sistema de vigilância Vigitel, do
Ministério da Saúde, mostram que, em 20241, 62,6% dos adultos
brasileiros estavam acima do peso, reflexo de mudanças no estilo de vida da
população, como alimentação inadequada e baixos níveis de atividade física. O
excesso de peso associado ao sedentarismo aumenta significativamente o risco de
desenvolver doenças metabólicas e cardiovasculares.
De
acordo com a dra. Flávia Pieroni, endocrinologista do São Marcos Saúde e
Medicina Diagnóstica, da Dasa, o corpo costuma dar sinais de que algo não está
funcionando bem antes mesmo do surgimento de doenças mais graves.
“O
sedentarismo afeta diretamente o metabolismo. Quando o organismo permanece por
muito tempo sem atividade física regular, podem surgir alterações na glicemia,
no colesterol, na pressão arterial e até na composição corporal. Muitas dessas
mudanças começam de forma discreta, mas podem ser identificadas em exames
laboratoriais e clínicos”, explica.
A
seguir, confira cinco sinais que podem indicar que o sedentarismo já está
impactando a saúde.
- Cansaço
frequente e perda de condicionamento
Sentir cansaço ao subir escadas ou caminhar pequenas distâncias pode ter várias causas, mas uma das mais comuns é o descondicionamento físico. A falta de atividade física reduz a capacidade cardiorrespiratória e faz com que tarefas do dia a dia se tornem mais cansativas.
Para o dr. Breno Giestal, cardiologista do Alta Diagnósticos, da Dasa, no Rio
de Janeiro, esse cansaço pode ser um importante sinal de alerta. “Quando a
pessoa perde condicionamento, atividades simples tornam-se muito mais difíceis,
o que impacta a qualidade de vida e aumenta o risco de desenvolver doenças
cardiovasculares.”
Segundo o
especialista, o condicionamento físico está diretamente ligado ao VO₂
máximo, indicador da capacidade do organismo de utilizar oxigênio durante o
exercício. “Hoje sabemos que o VO₂ máximo é um dos marcadores mais importantes de
saúde e longevidade na medicina”, afirma.
Ele
explica que exames como teste ergométrico e ergoespirometria ajudam a avaliar
essa capacidade de forma objetiva. “A ergoespirometria é considerada padrão
ouro, pois mede diretamente o consumo de oxigênio durante o esforço.”
“O
condicionamento cardiorrespiratório é um marcador biológico fundamental. Diferente
de fatores como colesterol ou glicose, não existe medicamento capaz de aumentar
o VO₂
máximo, assim, a verdadeira ‘pílula’ é o exercício físico”, comenta o dr.
Breno.
2. Ganho de
peso e aumento da gordura abdominal
A redução do gasto energético favorece o aumento do tecido adiposo na região
abdominal. Parte desse acúmulo ocorre na forma de gordura visceral, que se
deposita ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestino, e está associada
ao maior risco de doenças cardiovasculares, resistência à insulina e diabetes
tipo 2.
“O
acúmulo de gordura na região abdominal também pode afetar o fígado e levar à
esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado. Exames de sangue como
TGO, TGP e Gama GT ajudam a avaliar possíveis alterações hepáticas, e o
ultrassom abdominal pode identificar o acúmulo de gordura no órgão”, explica a
dra. Flávia.
3. Alterações
no colesterol e nos triglicerídeos
Mesmo sem sintomas
aparentes, o sedentarismo pode contribuir para o aumento do colesterol LDL
(considerado o “colesterol ruim”) e dos triglicerídeos, além da redução do HDL,
que tem papel protetor para o coração.
4. Aumento da
glicemia e risco de diabetes
A
falta de atividades físicas reduz a sensibilidade do organismo à insulina,
hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue. Com o tempo,
isso pode favorecer o desenvolvimento de resistência à insulina e diabetes tipo
2.
5. Dores
musculares e rigidez corporal
A
ausência de movimento regular pode levar à perda de massa muscular, redução da
flexibilidade e maior incidência de dores articulares ou musculares.
Após
a identificação desses sinais, a avaliação médica e a realização de exames
ajudam a entender como o organismo está respondendo ao estilo de vida. “Entre
os exames que costumam ser solicitados estão a glicemia de jejum e a
hemoglobina glicada, que avaliam o metabolismo da glicose, e o perfil lipídico,
que mede o colesterol e os triglicerídeos, além de exames clínicos e cardiológicos,
quando necessário”, destaca a dra. Flávia Pieroni.
Referência:
1https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2006-2024.pdf/view1.
Cansaço frequente e perda de condicionamento
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