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quarta-feira, 25 de março de 2026

Obesidade na adolescência aumenta risco de câncer colorretal precoce

Adolescentes obesos têm 1,45 mais
riscos de ter câncer colorretal precoce
Estudo alemão revela ainda que distúrbios metabólicos como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, hiperlipidemia e síndrome metabólica têm impacto sobre a doença em jovens.

 

O câncer colorretal é o segundo tumor mais comum em homens e mulheres, principalmente a partir dos 50 anos. Na última década, sua incidência cresceu 35%. Em 2016, eram 34.2801 casos. Em 2026, deverão ser 53.810 mil2. Recentemente, houve um aumento de casos entre os jovens. Um estudo alemão3, publicado em janeiro no European Journal of Epidemiology, sugeriu que os distúrbios metabólicos estejam por trás desse avanço. Os pesquisadores constataram, por exemplo, que a obesidade no final da adolescência, aos 20 e aos 30 anos resultou em um risco 1,45 vezes maior de câncer colorretal precoce. 

Ao rever 38 estudos, os pesquisadores da Universidade de Freiburg, na Alemanha, analisaram ainda associações desse tumor com o diabetes tipo 2, a hipertensão arterial, a síndrome metabólica e a hiperlipidemia (níveis elevados de gordura no sangue). O diabetes tipo 2 aumentou o risco de tumor em homens entre 20 e 49 anos. Associações positivas adicionais foram relatadas para hiperlipidemia e hipertensão arterial em homens de 20 a 39 anos.

A médica especializada em câncer gastrointestinal Mariana Bruno Siqueira, da Oncologia D’Or, classifica o aumento do câncer colorretal em pacientes jovens como um grande problema social e econômico. “Mesmo quando o diagnóstico é precoce, o paciente tem de passar por cirurgia e ficar afastado alguns dias do trabalho. Em muitos casos precisará passar por quimioterapia também, além de poder apresentar sequelas do tratamento.”, afirma a especialista. 
 

A doença

O câncer colorretal é uma doença heterogênea e multifatorial, que se desenvolve em geral a partir de mutações genéticas em lesões benignas, como pólipos. Os fatores de risco são a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo, a ingestão de bebidas alcoólicas e a alimentação rica em carnes vermelhas, gordura e produtos ultraprocessados e pobre em frutas, verduras e legumes. 

O aumento do câncer colorretal em adultos jovens ocorre
 
em razão da falta de controle dos fatores de risco,
 como o controle de peso
 

Na visão da oncologista Mariana Bruno Siqueira, o crescimento da incidência desta neoplasia se deve à falta de controle dos fatores de risco e ao aumento dos exames de rastreamento, como a colonoscopia. Em 2025, só o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 14.589.338 colonoscopias, superando em 26% as 11.527.712 contabilizadas em 20164. Nesse período, a população cresceu 3,3%, passando de 206 milhões5 para 213,4 milhões de pessoas6.

Nos últimos três anos, o rastreamento se intensificou, em parte, pela repercussão do enfrentamento da doença pela cantora Preta Gil, que conscientizou a população sobre a importância dos exames de rotina. “Foi algo semelhante ao que vem ocorrendo nos últimos anos com o câncer de mama”, pondera a oncologista. “Quando várias personalidades passaram a falar abertamente sobre a doença, os exames de mamografia aumentaram”, complementa. 

A especialista considera “inestimável” o impacto do câncer colorretal no paciente jovem. O tratamento por quimioterapia para o tumor intestinal e a radioterapia para o câncer no reto podem comprometer a fertilidade.

A quimioterapia também pode deixar sequelas permanentes, como a neuropatia. Essa dormência nas mãos e nos pés pode impedir que profissionais que precisam desenvolver movimentos manuais muito refinados — como cirurgiões, dentistas e artesãos — precisem suspender suas atividades laborativas e, em alguns casos, até se aposentar precocemente. “E precisamos lembrar que muitas pessoas com 50 anos são provedoras não só dos filhos, como também dos pais”, observa a oncologista.
 

Tratamento

A boa notícia é que o arsenal terapêutico contra o câncer colorretal evoluiu muito nos últimos anos. A cirurgia robótica e minimamente invasiva garantiu maior precisão na ressecção do tumor de reto e reduziu complicações e o tempo de recuperação. Estudos vêm demonstrando que pacientes com este tumor não necessariamente necessitem de radioterapia — procedimento que pode representar grande impacto sobre a qualidade de vida dos pacientes. 

Os testes de DNA do tumor circulante têm permitido aos médicos identificar os pacientes com maior risco de recidiva. São exames de sangue que buscam fragmentos do DNA que se soltam dos tumores e entram na corrente sanguínea. Esse teste também é usado para investigar se o paciente com o tumor ressecado em estágio 2 precisa ser submetido à quimioterapia. 

O tratamento da doença metastática teve grande avanço com foco na medicina personalizada. A administração da imunoterapia em tumores com alta instabilidade de microssatélite, que representam até 15% dos casos de câncer colorretal, apresentou bons resultados. Já a terapia-alvo voltada para tumores com a mutação do gene BRAF dobrou a sobrevida dos pacientes. 

Um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em 2025, comprovou que a atividade física em pacientes oncológicos operados teve um impacto no aumento de cura, semelhante ou praticamente igual ao resultado obtido com a quimioterapia. “Graças a esse trabalho, a atividade física passou a fazer parte da prescrição de muitos médicos para seus pacientes”, conclui a médica.

 

Oncologia D'Or

 

Referências

  1. Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer. José Alencar Gomes da Silva – Rio de Janeiro: INCA, 2015.
  2. Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro: INCA, 2026.
  3. Hilbert, J., Topfstedt, F., Matuschik, L. et al. O câncer colorretal de início precoce está associado a distúrbios metabólicos: uma revisão sistemática e meta-análise. Eur J Epidemiol (2026).
  4. Datasus. Disponível em: Link 
  5. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: Link.
  6. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: Link

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