Pesquisa associa
IMC acima de 35 e queixas severas do climatério a maior risco de
comprometimento da memória e da atenção
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Um estudo conduzido em nove países da América
Latina identificou que obesidade grave e sintomas intensos da menopausa estão
associados a maior risco de comprometimento cognitivo em mulheres após a
menopausa. A pesquisa foi publicada em 2025 na revista científica Climacteric
e analisou 722 mulheres, avaliadas por meio do teste Montreal Cognitive
Assessment (MoCA), instrumento utilizado para rastrear alterações de memória,
atenção e raciocínio.
A média de idade das participantes foi de 56 anos.
O índice de massa corporal (IMC) médio foi de 26 kg/m² e o tempo médio de
estudo, de 13 anos. Entre as mulheres que apresentaram comprometimento
cognitivo, os pesquisadores observaram peso corporal mais elevado, maior número
de filhos, sintomas menopausais mais intensos, mais doenças associadas, menor
escolaridade, menor prática de atividade física e menor uso prévio de terapia
hormonal da menopausa.
Na análise estatística, mulheres com IMC igual ou
superior a 35 kg/m² apresentaram mais que o dobro do risco de comprometimento
cognitivo e sintomas menopausais graves também duplicaram esse risco. Por outro
lado, maior escolaridade e uso prévio de terapia hormonal apareceram como
fatores de proteção.
Para a médica, pesquisadora e mestranda em
climatério Fabiane Berta, os dados ajudam a explicar uma queixa cada vez mais
comum nos consultórios: a chamada “névoa mental” da menopausa. “Muitas mulheres
relatam dificuldade de concentração, esquecimentos frequentes e sensação de
lentidão no raciocínio. Isso não é frescura nem exagero, pois o cérebro também
sente a queda hormonal”, afirma.
Segundo ela, o excesso de peso agrava esse cenário.
“A obesidade não é apenas uma questão estética. O tecido de gordura produz
substâncias inflamatórias que circulam no organismo e podem afetar vasos
sanguíneos e funcionamento cerebral. Quando isso se soma às mudanças hormonais
da menopausa, o impacto pode ser maior.”
Fabiane ressalta que o estudo não estabelece causa
direta, mas reforça a importância de olhar para a menopausa de forma integral.
“Estamos falando de saúde metabólica, saúde cerebral e qualidade de vida.
Controlar o peso, manter atividade física regular, tratar sintomas intensos e
discutir, quando indicado, a terapia hormonal, são medidas que podem fazer
diferença no futuro cognitivo dessa mulher.”
Ela também chama atenção para o papel da educação e
do estímulo intelectual. “Anos de estudo estão relacionados à chamada reserva cognitiva,
que funciona como uma proteção adicional para o cérebro. Aprender, ler, se
manter intelectualmente ativa ao longo da vida tem impacto real.”
Para a especialista, o estudo tem relevância
especial para o Brasil, por trazer dados de mulheres latino-americanas, com
realidades sociais semelhantes às nossas. Mas ela faz uma provocação. “São nove
países analisados e o Brasil não está entre eles. Onde estão os nossos dados?
Onde está a menopausa brasileira nas grandes pesquisas? Se não produzimos
informação sobre as nossas mulheres, continuaremos importando respostas para
perguntas que talvez nem estejam sendo feitas aqui.”
Referência:
Severe obesity and menopause symptoms are associated with
cognitive impairment in postmenopausal women from Latin America. Climacteric.
2025. https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/13697137.2025.2491637
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