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segunda-feira, 16 de março de 2026

Semana do consumidor: 49% dos brasileiros admitem que emoções comandam seus gastos online

62% dos brasileiros fazem compras não planejadas online. Descubra os gatilhos e aprenda estratégias práticas para uma relação mais saudável com o dinheiro.

 

A Semana do Consumidor chega em 2026 com um cenário promissor para o varejo online: segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o setor deve crescer entre 9% e 11%, superando o faturamento do ano anterior. Mas, por trás dos números otimistas, uma pesquisa da CNDL e do SPC Brasil acende um sinal de alerta: 62% dos brasileiros fazem compras não planejadas na internet, e 49% admitem que o impulso é movido por emoções como a busca por recompensa ou pertencimento. Na prática, o cartão de crédito acaba funcionando como uma "terapia" rápida, mas que pode cobrar um preço alto no final do mês.

 

Mas como diferenciar um gasto consciente de uma compra por impulso emocional? E mais importante: quais alternativas práticas existem para cuidar das emoções sem depender do cartão de crédito?


 

Entre o prazer e a armadilha

 

Uma compra emocional geralmente vem acompanhada de certos "sintomas" bem específicos. O impulso é súbito e urgente, muitas vezes estimulado por uma promoção relâmpago (54% citam promoções como estímulo) ou pelo frete grátis (45%). A decisão não passa por uma análise racional de necessidade ou cabimento no orçamento; ela é movida por uma sensação de “eu mereço” ou pela vontade de preencher um vazio, seja de tédio, estresse ou solidão. 

 

O pós-compra é um termômetro confiável. Enquanto um gasto consciente traz uma satisfação duradoura e alinhada com os objetivos financeiros, a compra por compensação emocional frequentemente é seguida por um misto de arrependimento (15%), indiferença (19%) ou, nos casos mais graves, pelo medo de não conseguir pagar as dívidas (15%). Isso porque as consequências financeiras são reais: 40% dos entrevistados na pesquisa CNDL/SPC já gastaram mais do que podiam online, e 35% contraíram dívidas ou atrasaram contas essenciais por causa desses gastos.

 

Thaíne Clemente, executiva de Estratégias e Operações da Simplic, fintech especializada em crédito pessoal, observa os efeitos desse ciclo: “O problema é que o alívio do novo produto dura horas, enquanto a fatura do cartão fica por meses. Por isso a importância em se entender que o dinheiro é um recurso finito, usá-lo para regular emoções não trata a causa”, afirma.


 

Do impulso ao autoconhecimento: alternativas que não passam pelo cartão

Reconhecer o padrão é o ponto de partida para mudá-lo. Em vez de buscar a solução momentânea na próxima aba do navegador, é possível adotar estratégias práticas que promovem um bem-estar genuíno e sustentável.

 

Uma das técnicas mais eficazes, defendida por planejadores financeiros, é a regra das 24 horas. Ao surgir o impulso de comprar algo não planejado, especialmente online, uma estratégia eficaz é comprometer-se a esperar um dia inteiro. Esse espaço entre o desejo e a ação quebra o ciclo de urgência criado pelo marketing digital e permite que a razão dialogue com a emoção. No dia seguinte, a reflexão sobre se o item é realmente desejado ou se vai comprometer o orçamento torna-se mais clara. 

 

Outra ferramenta é o diário financeiro-emocional. Além de anotar gastos, a proposta é registrar o que você estava sentindo no momento da compra. Era tédio durante um scroll infinito nas redes sociais? Era estresse após um dia difícil de trabalho? Era solidão? “O hábito de escrever o que te gerou o impulso ajuda a entender seu comportamento emocional, revelando os gatilhos pessoais e permitindo que você os antecipe e crie novas rotas”, explica a especialista. 

 

Paralelamente, considerar a construção de um repertório de autocuidado sem custo é valioso. Quando a vontade de comprar como válvula de escape surgir, é possível substituí-la por uma ação positiva: uma caminhada ao ar livre, uma ligação para um amigo, alguns minutos de meditação guiada, ou mesmo a leitura de um livro esquecido na estante, alguns minutos de meditação guiada, ou mesmo a leitura de um livro esquecido na estante. 

 

“A saúde financeira e a saúde mental são dois lados da mesma moeda. Cuidar de uma é investir na outra. Comece observando seus próprios impulsos com mais atenção. O objetivo não é a perfeição, mas o progresso em direção a uma relação mais consciente, poderosa e, acima de tudo, mais saudável com o seu dinheiro”, finaliza Thaíne.

  


Simplic


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