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De acordo com a nutricionista Alessandra Lovato, da
Wyden, os ultraprocessados não podem ser considerados alimentos de verdade.
“São formulações industriais ricas em corantes, conservantes, açúcar e gordura
saturada, com pouco ou nenhum valor nutricional”, explica. Entre os exemplos
mais consumidos estão biscoitos recheados, salgadinhos de pacote,
refrigerantes, macarrão instantâneo e nuggets.
O consumo frequente desses produtos está associado
a uma série de riscos à saúde, especialmente entre crianças. Um dos principais
é o vício ao paladar. “O excesso de realçadores de sabor ‘vicia’ o cérebro,
fazendo com que a criança passe a rejeitar o sabor natural de frutas e
vegetais”, alerta Alessandra.
Outro ponto de atenção é o surgimento precoce de
doenças crônicas. Estudos associam a alta ingestão de ultraprocessados ao
desenvolvimento antecipado de obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão ainda na
adolescência. Além disso, esses alimentos impactam diretamente a flora
intestinal, favorecendo processos inflamatórios, reduzindo a imunidade e
podendo até prejudicar o desempenho escolar.
Apesar de serem altamente calóricos, os
ultraprocessados oferecem o que especialistas chamam de “calorias vazias”. A
criança consome muita energia, mas apresenta deficiência de nutrientes
essenciais como ferro, vitaminas e fibras, fundamentais para o crescimento e o
desenvolvimento saudável.
Diante desse cenário, a nutricionista reforça que
pequenas mudanças no dia a dia fazem diferença. Ler os rótulos é um passo
essencial: listas longas de ingredientes ou nomes químicos são sinais de
alerta. A orientação é clara: “descascar mais e desembalar menos”, priorizando
alimentos in natura ou minimamente processados, como arroz, feijão, carnes,
ovos, frutas e legumes.
Entre as substituições inteligentes, Alessandra
destaca trocar sucos de caixinha por água saborizada ou frutas inteiras;
substituir iogurtes açucarados por versões naturais com frutas ou mel (para
crianças maiores de dois anos); e deixar de lado biscoitos recheados, optando
por bolos caseiros simples ou pipoca feita na panela.
O envolvimento da família também é decisivo. Levar
as crianças à feira, ao mercado e envolvê-las no preparo das refeições ajuda a
mudar a relação com a comida e amplia a aceitação dos alimentos naturais. “A
alimentação na infância é a base da saúde do adulto. Não estamos apenas
alimentando o corpo, estamos moldando hábitos que durarão a vida toda”, reforça
Alessandra Lovato

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