Doença
inflamatória é caracterizada por cólicas intensas e pode prejudicar a qualidade
de vida da mulher, bem como trazer dificuldades para engravidar
A
campanha Março Amarelo chama atenção para a endometriose, uma condição
inflamatória crônica em que tecido semelhante ao endométrio (que reveste o
interior do útero) se implanta fora do útero, podendo acometer ovários,
peritônio, bexiga e intestino. Esses focos podem desencadear inflamação
recorrente, dor e formação de aderências. De acordo com o Ministério da Saúde,
a prevalência estimada é de 5% a 15% das mulheres em idade reprodutiva no
Brasil.
O
ginecologista e especialista em cirurgia robótica do Grupo São Lucas de
Ribeirão Preto, Dr. José Vitor Zanardi (CRM-SP 130.097 | RQE 38308), explica
que os sintomas podem impactar intensamente a rotina. “A endometriose pode
limitar o trabalho, a prática de atividade física e a vida sexual, além de
afetar o sono e o bem-estar emocional. Em algumas pacientes, também
pode estar associada à dificuldade para engravidar”, comenta.
Segundo
o médico, os sinais mais comuns incluem cólicas menstruais intensas, dor
pélvica fora do período menstrual, dor na relação sexual, sintomas intestinais
cíclicos (como dor para evacuar, constipação ou diarreia) e sintomas urinários
(dor ao urinar, urgência e dor relacionada ao enchimento da bexiga).
“Quando
há atraso no diagnóstico, a doença pode progredir e envolver estruturas
importantes, como ureteres, intestino e bexiga, aumentando o risco de
complicações e de cronificação da dor. Por isso, cólica incapacitante não deve
ser normalizada”, detalha.
Para
o diagnóstico, a avaliação começa pela história clínica e exame ginecológico.
Os principais exames de imagem são o ultrassom transvaginal com protocolo
direcionado para endometriose e a ressonância magnética de pelve com protocolo
específico, que ajudam a mapear a extensão da doença, sobretudo na endometriose
profunda. Em muitos casos, clínica e imagem já permitem condução e planejamento
adequados.
Cirurgia robótica: quando pode ser indicada
O
tratamento é individualizado e pode incluir medidas clínicas e hormonais. A
cirurgia é considerada especialmente quando há dor persistente apesar do
tratamento, intolerância/contraindicação às medicações, suspeita de
comprometimento funcional de órgãos como ureter,
intestino e bexiga, ou quando a estratégia precisa levar em
conta o desejo reprodutivo da paciente.
A
cirurgia robótica é uma modalidade minimamente invasiva que pode ser
particularmente útil em casos mais complexos. Com visão 3D de alta definição e
instrumentos articulados, a tecnologia pode facilitar a dissecção em áreas
delicadas da pelve e suturas com maior controle. “Quando bem indicada e
realizada por equipe experiente, a robótica pode contribuir para um
procedimento mais preciso, especialmente ao redor de estruturas como ureteres,
nervos e intestino, além de favorecer recuperação mais rápida, com menos dor no
pós-operatório e menor tempo de internação”, reforça o especialista.
O
procedimento foi essencial para o tratamento de uma paciente de 32 anos, que
terá a identidade preservada por sigilo médico, com o quadro de
endometriose profunda com aderências e comprometimento em áreas delicadas da
pelve.
“Ela
chegou ao meu consultório exausta de conviver com dor e desconforto importante
na relação sexual. Próximo da menstruação, também surgiam sintomas intestinais,
e a vida foi ficando cada vez mais limitada. Havia um ponto que ela repetiu com
muita clareza naquela consulta. Ela queria engravidar, e sentia que a dor
estava roubando esse projeto”, relembra o médico.
Por
pretender engravidar e não ter o resultado esperado com o tratamento clínico, a
operação robótica foi realizada no Hospital São Lucas com o objetivo de
tratar os focos, liberar aderências e preservar estruturas.
“O
pós-operatório foi muito positivo, com alta precoce e recuperação progressiva.
No retorno, ela me disse algo simples e muito forte, que tinha voltado a fazer
planos. Alguns meses depois, ela voltou ao consultório com uma notícia que
empolga qualquer equipe, estava grávida”, relata.
O
recado é simples e direto, reforçando que cólicas intensas e dor
pélvica que atrapalham a rotina devem ser investigadas. “Endometriose tem
tratamento e, quando necessário, a cirurgia minimamente
invasiva, incluindo a robótica em casos selecionados, pode trazer
alívio importante e devolver qualidade de vida”, conclui.
Grupo São
Lucas de Ribeirão Preto (SP)
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