Pesquisar no Blog

terça-feira, 17 de março de 2026

Outono começa na sexta-feira e médicos alertam: é agora que as doenças respiratórias disparam

 Queda de temperatura, ar mais seco e ambientes fechados aumentam crises de rinite, sinusite e infecções respiratórias. Especialistas explicam os sinais de alerta e o que fazer para proteger crianças e adultos nesta época do ano

 

Com a chegada do outono na sexta-feira (20), especialistas já observam um movimento típico da estação: o aumento das queixas respiratórias. Espirros, nariz entupido, crises de rinite, sinusite e infecções virais começam a aparecer com mais frequência nos consultórios.

Segundo Dra. Roberta Pilla, Otorrinolaringologista, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), essa mudança acontece por uma combinação de fatores ambientais comuns nessa época do ano.

“No outono temos queda de temperatura, redução da umidade do ar e maior permanência em ambientes fechados. Isso aumenta a concentração de alérgenos dentro de casa, especialmente ácaros e fungos. Além disso, o ar mais seco irrita a mucosa nasal e deixa o nariz mais sensível e reativo”, explica.

Esse cenário favorece especialmente as crises alérgicas respiratórias, como as rinites, que passam a ser mais frequentes ou intensas durante a estação.

Entre os sintomas mais comuns estão espirros frequentes, coriza clara, coceira no nariz, olhos e garganta, além de nariz entupido e olhos lacrimejando. Muitas pessoas, no entanto, confundem esses sinais com resfriado.

“A principal diferença é que a alergia não costuma causar febre e pode persistir por semanas. Já o resfriado geralmente vem acompanhado de mal-estar, dor no corpo, às vezes febre baixa, e tende a durar entre cinco e sete dias”, explica a especialista.

Outro fator que contribui para o aumento das crises é o acúmulo de poeira dentro de casa. Durante o outono é comum manter janelas mais fechadas e começar a utilizar cobertores e roupas guardadas há meses.

“Os ácaros liberam partículas microscópicas que, quando inaladas, ativam o sistema imunológico de pessoas predispostas. O organismo interpreta essas partículas como uma ameaça e desencadeia inflamação na mucosa nasal, provocando espirros, coriza e obstrução nasal.” Explica a médica.

Quem já tem histórico de rinite alérgica ou sinusite precisa redobrar a atenção nesse período. “Pacientes que já têm essas condições costumam apresentar mucosa mais sensível e podem descompensar com mais facilidade no outono. Por isso, medidas simples de controle ambiental são muito importantes”, orienta.

Entre as principais recomendações estão lavar o nariz diariamente com soro fisiológico, evitar acúmulo de poeira em tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia, lavar roupas de cama semanalmente em água quente e manter o ambiente ventilado sempre que possível. Em dias muito secos, o uso de umidificadores também pode ajudar.

Outro cuidado importante é evitar a automedicação. O uso indiscriminado de descongestionantes nasais, por exemplo, pode piorar o quadro. “A automedicação pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico correto. Além disso, o uso prolongado de descongestionantes nasais pode causar efeito rebote e agravar a obstrução nasal”, explica.

Segundo a especialista, a avaliação médica é recomendada quando os sintomas persistem por mais de 10 a 14 dias, quando há piora progressiva, dor facial, secreção espessa ou quando o nariz entupido começa a interferir no sono.

No caso das crianças, a atenção precisa ser ainda maior. Dr. Paulo Telles Pediatra, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explica que muitas doenças respiratórias apresentam sintomas muito parecidos no início.

“Infelizmente a maioria dos quadros respiratórios começa de forma semelhante, o que reforça ainda mais a importância da avaliação médica para definir o diagnóstico correto e a conduta adequada em cada caso”, afirma.

Entre as doenças mais comuns nessa época estão gripe, resfriado, bronquiolite, Covid-19, rinite e sinusite, cada uma com características específicas. A gripe, causada pelo vírus influenza, costuma ter início súbito com febre e dor no corpo. Já o resfriado costuma evoluir de forma mais leve, com coriza, congestão nasal e tosse.

A bronquiolite, comum em bebês, geralmente começa como um resfriado e pode evoluir para chiado no peito e dificuldade respiratória, especialmente em crianças menores de um ano. “O quadro costuma ser mais grave em bebês menores de um ano e exige atenção especial nos menores de seis meses”, alerta o pediatra.

Diante do aumento esperado desses quadros nas próximas semanas, os especialistas reforçam que prevenção, higiene ambiental e acompanhamento médico são as principais estratégias para atravessar a estação com mais saúde respiratória.

 

Dra. Roberta Pilla  - torrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz. Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022). 2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF.

 

Dr. Paulo Nardy Telles - CRM 109556 @paulotelles - Formado pela Faculdade de medicina do ABC. Residência médica em pediatra e neonatologia pela Faculdade de medicina da USP. Preceptoria em Neonatologia pelo hospital Universitário da USP. Título de Especialista em Pediatria pela SBP. Título de Especialista em Neonatologia pela SBP. Atuou como Pediatra e Neonatologista no hospital israelita Albert Einstein 2008-2012. 18 anos atuando em sua clínica particular de pediatria, puericultura.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados