Especialista da Dasa destaca que métodos mais
assertivos e acessíveis ganham espaço entre as pacientes, como é o caso do
ultrassom com preparo intestinal
O diagnóstico
precoce e preciso, realizado principalmente por meio do ultrassom transvaginal
com preparo intestinal, tornou-se um dos principais aliados para o tratamento
da endometriose, uma doença que afeta 1 em cada 10 mulheres no Brasil, segundo
a Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva (SBE)¹.
Nem sempre a
doença gera sintomas. É possível que a paciente tenha a doença e não sinta nada
específico. Porém, há muitos casos em que os sintomas estão presentes. A
principal manifestação é a cólica menstrual forte. Além disso, pode haver dores
pélvicas (mesmo fora do período menstrual) e dor durante relações sexuais.
Dependendo da
localização da endometriose, outros sintomas também podem surgir. Por exemplo:
a endometriose na bexiga pode resultar em ardor ao urinar, enquanto a
intestinal está associada à dificuldade para evacuar.
“O diagnóstico é
muito importante. A endometriose é uma doença progressiva, ela não estagna.
Começa em um pequeno foco e, dependendo de para onde vai, tem um comportamento
que se assemelha a de um tumor maligno. Apesar de ser benigna, ela se espalha e
pode penetrar órgãos como o intestino e a bexiga", explica Andrea Luíza
Mendes Sales, ginecologista e colposcopista do Delboni, da Dasa, líder em
medicina diagnóstica no Brasil.
Entendendo a
doença
A endometriose é
uma condição em que células semelhantes ao endométrio crescem fora do útero,
geralmente na região pélvica. Esse tecido inflama e sangra durante o ciclo
menstrual, causando dor e possíveis cicatrizes nos órgãos afetados. Estima-se
que a endometriose afete 10% (190 milhões) das mulheres em idade reprodutiva em
todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)².
A evolução
tecnológica tem sido determinante no diagnóstico e tratamento. Se antes o
acesso a exames como a ressonância magnética era restrito, hoje métodos mais
assertivos e acessíveis ganharam espaço, como é o caso do ultrassom com preparo
intestinal.
"Embora se
falasse menos, a endometriose sempre existiu; o problema é que o diagnóstico
era restrito. Hoje, somos capazes de detectar com precisão - e às vezes até
melhor que a ressonância - por meio do ultrassom transvaginal com preparo
intestinal. Estamos fazendo um diagnóstico de forma mais fácil e
assertiva", complementa Andrea Sales.
A especialista
conta que, historicamente, o diagnóstico da endometriose era retardado por
crenças culturais de que a dor menstrual era inerente à condição feminina.
“Frases como 'vai passar quando casar' ou 'melhora depois do primeiro filho'
impediram gerações de buscar ajuda precocemente”, lembra. "Pacientes com
endometriose às vezes têm a doença desde muito jovens, mas antigamente as
pessoas tinham uma resistência muito grande em encaminhá-las ao médico.
Ouvíamos que era apenas uma 'cólica de adolescência'. Essas crenças impediam o
diagnóstico antecipado", afirma a médica.
Atualmente, o
cenário mudou graças ao maior acesso à informação. "Meu consultório está
aberto há 20 anos. No início, nós é que questionávamos se não seria
endometriose; a paciente não falava sobre isso. Hoje, jovens de 15 ou 20 anos
já chegam perguntando se a cólica que sentem pode ser a doença. Esse é o 'pulo
do gato': prevenir para não chegar ao estágio severo, que exige cirurgias
complexas com múltiplos especialistas."
Impacto na
qualidade de vida
Segundo a
especialista, mesmo focos pequenos podem ser prejudiciais: "Como é uma
doença inflamatória, às vezes ela não precisa ser agressiva ou estar em muitos
lugares para prejudicar a fertilidade. Pequenas localizações já atrapalham o
processo de gestação".
Embora o
diagnóstico precoce não elimine a necessidade de cirurgia em todos os casos,
ele simplifica o procedimento e melhora a qualidade de vida. "No caso de a
endometriose ser profunda, mesmo inicial, os médicos podem optar por operar
justamente para evitar um processo mais complicado no futuro. O diagnóstico
precoce traz menos complicações, gera doenças mais leves e fáceis de tratar,
impedindo a progressão para estágios graves que afetariam o ureter, a bexiga e
o intestino", finaliza a coordenadora.
Referências
1. Sociedade Brasileira de Endometriose e
Cirurgia Minimamente Invasiva.
2.
Organização Mundial da Saúde (OMS).
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