A popularização das canetas injetáveis para emagrecimento trouxe resultados expressivos na balança e também novas dúvidas entre usuários. Nos ensaios clínicos da série STEP (Semaglutide Treatment Effect in People with obesity), a queda de cabelo foi relatada por cerca de 3% a 6% dos participantes. Embora o percentual seja considerado baixo em estudos controlados, ganha relevância diante da ampliação do uso dessas medicações em larga escala.
Impulsionadas pela promessa de perda de peso acelerada, canetas como
Ozempic, Wegovy e Mounjaro passaram a ocupar espaço central nas discussões
sobre saúde e estética no Brasil. O movimento ocorre em um cenário de expansão
do mercado farmacêutico nacional, que deve alcançar US$ 43,9 bilhões até o fim
de 2026, segundo projeções da Abradilan. Ainda que os índices de queda capilar
observados em estudos sejam limitados, o crescimento do consumo amplia a
percepção do fenômeno na prática clínica.
Segundo Lívia Rodrigues, Diretora de Operações da Soft Hair e especialista
em desenvolvimento e inovação de produtos capilares, a
associação entre as canetas emagrecedoras e a queda de cabelo exige análise
técnica. “As evidências indicam que não se trata de um efeito tóxico direto sobre
o folículo, mas de um eflúvio telógeno, uma queda temporária desencadeada por
estresse metabólico, perda de peso acelerada e possíveis carências
nutricionais. A velocidade do emagrecimento é o principal fator envolvido. Na
prática, a percepção de afinamento pode parecer mais intensa, mas os dados
disponíveis permanecem dentro das taxas observadas nos estudos controlados”,
explica.
A queda costuma surgir semanas após o início do tratamento, o que
favorece associações equivocadas. Medicamentos agonistas de GLP-1 promovem
redução significativa do apetite e, consequentemente, do peso corporal. Diante
de um déficit calórico acentuado, o organismo tende a priorizar funções vitais,
enquanto estruturas não essenciais, como os fios de cabelo, podem ter seu ciclo
temporariamente alterado. Dietas restritivas associadas ao processo também
podem comprometer a ingestão adequada de proteínas, ferro, zinco e vitaminas do
complexo B, nutrientes diretamente relacionados à manutenção da fase de
crescimento capilar.
Para Lívia Rodrigues, o enfrentamento do eflúvio exige
abordagem integrada. “A saúde capilar depende de equilíbrio nutricional,
adaptação metabólica e estímulos adequados ao couro cabeludo. Produtos
cosméticos formulados com ativos voltados ao fortalecimento e ao suporte do
ciclo capilar podem atuar como complemento nesse processo, sem substituir o
acompanhamento médico nem prometer resultados imediatos”, afirma.
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