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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Crescimento das canetas emagrecedoras e impactos na saúde capilar: como produtos podem auxiliar

A popularização das canetas injetáveis para emagrecimento trouxe resultados expressivos na balança e também novas dúvidas entre usuários. Nos ensaios clínicos da série STEP (Semaglutide Treatment Effect in People with obesity), a queda de cabelo foi relatada por cerca de 3% a 6% dos participantes. Embora o percentual seja considerado baixo em estudos controlados, ganha relevância diante da ampliação do uso dessas medicações em larga escala.

Impulsionadas pela promessa de perda de peso acelerada, canetas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro passaram a ocupar espaço central nas discussões sobre saúde e estética no Brasil. O movimento ocorre em um cenário de expansão do mercado farmacêutico nacional, que deve alcançar US$ 43,9 bilhões até o fim de 2026, segundo projeções da Abradilan. Ainda que os índices de queda capilar observados em estudos sejam limitados, o crescimento do consumo amplia a percepção do fenômeno na prática clínica.

Segundo Lívia Rodrigues, Diretora de Operações da Soft Hair e especialista em desenvolvimento e inovação de produtos capilares, a associação entre as canetas emagrecedoras e a queda de cabelo exige análise técnica. “As evidências indicam que não se trata de um efeito tóxico direto sobre o folículo, mas de um eflúvio telógeno, uma queda temporária desencadeada por estresse metabólico, perda de peso acelerada e possíveis carências nutricionais. A velocidade do emagrecimento é o principal fator envolvido. Na prática, a percepção de afinamento pode parecer mais intensa, mas os dados disponíveis permanecem dentro das taxas observadas nos estudos controlados”, explica.

A queda costuma surgir semanas após o início do tratamento, o que favorece associações equivocadas. Medicamentos agonistas de GLP-1 promovem redução significativa do apetite e, consequentemente, do peso corporal. Diante de um déficit calórico acentuado, o organismo tende a priorizar funções vitais, enquanto estruturas não essenciais, como os fios de cabelo, podem ter seu ciclo temporariamente alterado. Dietas restritivas associadas ao processo também podem comprometer a ingestão adequada de proteínas, ferro, zinco e vitaminas do complexo B, nutrientes diretamente relacionados à manutenção da fase de crescimento capilar.

Para Lívia Rodrigues, o enfrentamento do eflúvio exige abordagem integrada. “A saúde capilar depende de equilíbrio nutricional, adaptação metabólica e estímulos adequados ao couro cabeludo. Produtos cosméticos formulados com ativos voltados ao fortalecimento e ao suporte do ciclo capilar podem atuar como complemento nesse processo, sem substituir o acompanhamento médico nem prometer resultados imediatos”, afirma.


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