Paralisação geral
contra reforma trabalhista cancela mais de 250 voos entre Brasil e Argentina; especialistas alertam para necessidade de planos de
contingência estruturados
A greve
geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Argentina contra a
reforma trabalhista do presidente Javier Milei paralisou operações
aeroportuárias em todo o país nesta quinta-feira, afetando aproximadamente 31
mil passageiros e cancelando mais de 255 voos — incluindo diversas rotas entre
Brasil e Argentina.
Segundo
levantamentos preliminares, os aeroportos mais impactados no Brasil foram
Guarulhos (GRU), RIOgaleão (GIG), Brasília (BSB) e Porto Alegre (POA), com
destinos principais em Buenos Aires (Ezeiza e Aeroparque), Córdoba, Mendoza e
Rosário. A Intercargo, empresa responsável pelos serviços de rampa em todos os
aeroportos argentinos, aderiu formalmente à greve, impossibilitando operações
de embarque, desembarque e manuseio de bagagens.
Impacto econômico e operacional
Para
empresas brasileiras com operações na Argentina, o impacto foi imediato:
reuniões comerciais canceladas, contratos adiados, auditorias interrompidas e
executivos retidos em aeroportos ou hotéis sem previsão de retorno.
"O
custo médio de um executivo retido por 24 a 48 horas varia entre R$ 2.300 e R$
4.600, considerando hospedagem extra, alimentação, remarcação e perda de
produtividade. Mas o prejuízo intangível — como perda de oportunidades
comerciais e penalidades contratuais — pode ser ainda maior", explica
Wilson Silva, diretor da R3 Viagens, agência especializada em gestão de viagens
corporativas.
Vulnerabilidade exposta
O evento
evidenciou a fragilidade de empresas que não possuem planos de contingência
para crises geopolíticas. Segundo Silva, muitas organizações dependem
exclusivamente de centrais de atendimento terceirizadas ou compram passagens
diretamente, sem acesso a canais prioritários ou tarifas diferenciadas.
"Durante
a greve, empresas sem parceria com agências especializadas enfrentaram tempo
médio de espera de 45 minutos a 2 horas para falar com um atendente, respostas
padronizadas e falta de autonomia para negociar alternativas urgentes. Em
contraste, clientes com suporte dedicado conseguiram reacomodação em menos de
40 minutos", compara o executivo.
Casos de reacomodação
bem-sucedida
A R3
Viagens reportou dois casos (com dados anonimizados) de reacomodação rápida
durante a crise:
- Cliente do setor farmacêutico com 3 executivos
retidos em Buenos Aires: reacomodados em voo alternativo via Santiago
em 38 minutos após o primeiro contato.
- Cliente do setor de tecnologia com reunião
crítica em Córdoba: rota alternativa via Montevidéu organizada em 52
minutos, incluindo hospedagem intermediária e transporte
terrestre.
Contexto político e risco de
novas paralisações
A greve foi
uma resposta à proposta de reforma trabalhista que prevê ampliação do período
de experiência para até 12 meses, jornadas de até 12 horas diárias, redução e parcelamento
de indenizações por demissão e restrições a greves em setores essenciais.
O texto, já
aprovado no Senado argentino, está em discussão na Câmara dos Deputados.
Sindicatos já sinalizaram que podem convocar novas paralisações caso a proposta
seja aprovada sem alterações, o que mantém o alerta para empresas com operações
frequentes no país vizinho.
Recomendações para gestores de
viagens
Especialistas
indicam cinco medidas essenciais para proteger operações corporativas contra
crises similares:
- Mapeamento de rotas de risco: identificar destinos
com histórico de greves e instabilidade política
- Política de antecedência mínima: estabelecer compras
com pelo menos 30 dias de antecedência para viagens internacionais
- Seguro-viagem corporativo ampliado: incluir cobertura para
greves, atrasos e hospedagem extra
- Parceria com agência especializada: garantir acesso a
canais prioritários e suporte 24/7
- Tecnologia de monitoramento: sistemas que
identifiquem viajantes afetados e enviem alertas automáticos
Ferramentas tecnológicas para
gestão de crises
A R3
Viagens destaca duas ferramentas desenvolvidas internamente para auxiliar
empresas em situações de crise:
R3 Alerts: sistema que envia automaticamente
aos viajantes dados completos da reserva, link para check-in online e
notificações sobre alterações de voo via e-mail e WhatsApp.
R3 Insights: plataforma de
inteligência artificial proprietária que analisa dados de viagens e envia
relatórios prontos via e-mail e WhatsApp, incluindo valor gasto por categoria,
cálculo de emissão de CO₂, árvores
necessárias para compensação ambiental, desvios da política de antecedência e
taxa de reemissões.
"Empresas
que utilizam o R3 Insights economizam entre 15 e 20 horas por mês que antes
gastavam compilando dados manualmente. As decisões passam a ser baseadas em
inteligência real, não em achismos", afirma Silva.
Previsão para os próximos dias
A greve foi
encerrada oficialmente às 23h59 (horário local argentino) de 19 de fevereiro.
No entanto, permanece um backlog de mais de 31 mil passageiros aguardando
reacomodação. Companhias aéreas como Latam e Gol informaram que aumentarão
frequências nos dias 20 e 21 de fevereiro para normalizar as operações.
Para
viagens já agendadas nos próximos 7 dias, especialistas recomendam confirmar o
status do voo 48 horas antes, chegar ao aeroporto com 3 horas de antecedência e
manter contato direto com a agência de viagens para atualizações em tempo real.
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