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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Casos de vírus Nipah na Índia acendem alerta, mas risco de disseminação global é considerado baix

 

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Infectologista do Hospital Municipal de Itu explica a origem, as formas de transmissão e por que não há risco para o Brasil 


No início de 2026, autoridades de saúde da Índia notificaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a confirmação de dois casos de infecção pelo vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental. A notícia ganhou repercussão internacional e levantou questionamentos sobre o risco de uma nova pandemia. Até o momento, no entanto, não há indicação de disseminação do vírus fora do território indiano. 

Os casos foram registrados entre profissionais de saúde do hospital Barasat. Um dos pacientes apresentou melhora clínica, enquanto o outro permanece em estado crítico. Desde a confirmação, mais de 190 contatos próximos foram monitorados e testados, todos com resultados negativos. A OMS classifica o risco como moderado apenas no âmbito subnacional e baixo nos níveis nacional, regional e global. 

O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto ocorrido na Malásia e em Singapura. Na ocasião, a infecção esteve associada a trabalhadores que tiveram contato com animais infectados. Desde então, novos episódios foram registrados exclusivamente em países do Sudeste Asiático, como Índia e Bangladesh, regiões que mantêm vigilância constante e protocolos específicos para detecção precoce e controle da doença. 

Segundo a infectologista do Hospital Municipal de Itu, gerenciado pelo Grupo Chavantes, Dra. Daniela Lopes, o vírus é considerado zoonótico e tem origem em morcegos frutíferos, que atuam como reservatório natural. “São eles a fonte do vírus na natureza. A infecção em humanos ocorre, principalmente, pelo contato com secreções desses animais ou pelo consumo de alimentos contaminados, como frutas”, explica. 

A especialista destaca que a transmissão entre pessoas é possível, mas incomum. “Quando acontece, está restrita à fase aguda da doença, após o início dos sintomas, e envolve contato direto com secreções corporais, especialmente em ambientes hospitalares. Por isso, profissionais de saúde costumam concentrar a maior parte dos casos de transmissão secundária”, afirma. 

O período de incubação do vírus varia, em geral, de 4 a 14 dias, podendo chegar a até 45 dias em situações raras. Diferentemente de vírus respiratórios como os da gripe e da Covid-19, o Nipah não é transmitido antes do início dos sintomas, o que reduz o risco de disseminação ampla. 

O vírus é considerado especialmente agressivo por afetar o sistema nervoso central. A infecção pode evoluir para encefalite, uma inflamação do cérebro que pode levar a quadros graves, além de infecções respiratórias agudas. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dor muscular, fadiga e tontura. Em alguns dias, o quadro pode evoluir para confusão mental, convulsões, coma e risco de sequelas neurológicas permanentes. 

O diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica associada a exames laboratoriais específicos, como RT-PCR em fluidos corporais e testes de detecção de anticorpos. Não há vacina nem medicamento específico para a doença, e o tratamento é de suporte. A taxa de mortalidade pode chegar a 70%, principalmente nos casos com comprometimento neurológico. 

De acordo com a infectologista do Hospital Municipal de Itu, não há registros do vírus Nipah no Brasil nem em outros países da América Latina. “A região não apresenta o cenário epidemiológico necessário para a circulação do vírus, o que faz com que o risco permaneça concentrado na Ásia”, explica. 

Ao final, a médica reforça que, apesar da gravidade da doença, o cenário atual não indica risco para a população brasileira. “O vírus Nipah não se espalha com facilidade entre pessoas e os casos seguem restritos a contextos específicos, com monitoramento constante das autoridades de saúde internacionais”, conclui a Dra. Daniela Lopes.
 

OSS - Organização Social de Saúde - Grupo Chavantes

 

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