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Infectologista do Hospital Municipal de Itu explica a origem, as formas de transmissão e por que não há risco para o Brasil
No início de 2026, autoridades de saúde da Índia notificaram a Organização
Mundial da Saúde (OMS) sobre a confirmação de dois casos de infecção pelo vírus
Nipah no estado de Bengala Ocidental. A notícia ganhou repercussão
internacional e levantou questionamentos sobre o risco de uma nova pandemia.
Até o momento, no entanto, não há indicação de disseminação do vírus fora do
território indiano.
Os
casos foram registrados entre profissionais de saúde do hospital Barasat. Um
dos pacientes apresentou melhora clínica, enquanto o outro permanece em estado
crítico. Desde a confirmação, mais de 190 contatos próximos foram monitorados e
testados, todos com resultados negativos. A OMS classifica o risco como
moderado apenas no âmbito subnacional e baixo nos níveis nacional, regional e
global.
O
vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto
ocorrido na Malásia e em Singapura. Na ocasião, a infecção esteve associada a
trabalhadores que tiveram contato com animais infectados. Desde então, novos
episódios foram registrados exclusivamente em países do Sudeste Asiático, como
Índia e Bangladesh, regiões que mantêm vigilância constante e protocolos
específicos para detecção precoce e controle da doença.
Segundo
a infectologista do Hospital Municipal de Itu, gerenciado pelo Grupo Chavantes,
Dra. Daniela Lopes, o vírus é considerado zoonótico e tem origem em morcegos
frutíferos, que atuam como reservatório natural. “São eles a fonte do vírus na
natureza. A infecção em humanos ocorre, principalmente, pelo contato com
secreções desses animais ou pelo consumo de alimentos contaminados, como
frutas”, explica.
A
especialista destaca que a transmissão entre pessoas é possível, mas incomum.
“Quando acontece, está restrita à fase aguda da doença, após o início dos
sintomas, e envolve contato direto com secreções corporais, especialmente em
ambientes hospitalares. Por isso, profissionais de saúde costumam concentrar a
maior parte dos casos de transmissão secundária”, afirma.
O
período de incubação do vírus varia, em geral, de 4 a 14 dias, podendo chegar a
até 45 dias em situações raras. Diferentemente de vírus respiratórios como os
da gripe e da Covid-19, o Nipah não é transmitido antes do início dos sintomas,
o que reduz o risco de disseminação ampla.
O
vírus é considerado especialmente agressivo por afetar o sistema nervoso
central. A infecção pode evoluir para encefalite, uma inflamação do cérebro que
pode levar a quadros graves, além de infecções respiratórias agudas. Os
sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dor muscular, fadiga e tontura.
Em alguns dias, o quadro pode evoluir para confusão mental, convulsões, coma e
risco de sequelas neurológicas permanentes.
O
diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica associada a exames
laboratoriais específicos, como RT-PCR em fluidos corporais e testes de
detecção de anticorpos. Não há vacina nem medicamento específico para a doença,
e o tratamento é de suporte. A taxa de mortalidade pode chegar a 70%,
principalmente nos casos com comprometimento neurológico.
De
acordo com a infectologista do Hospital Municipal de Itu, não há registros do
vírus Nipah no Brasil nem em outros países da América Latina. “A região não
apresenta o cenário epidemiológico necessário para a circulação do vírus, o que
faz com que o risco permaneça concentrado na Ásia”, explica.
Ao
final, a médica reforça que, apesar da gravidade da doença, o cenário atual não
indica risco para a população brasileira. “O vírus Nipah não se espalha com
facilidade entre pessoas e os casos seguem restritos a contextos específicos,
com monitoramento constante das autoridades de saúde internacionais”, conclui a
Dra. Daniela Lopes.
OSS - Organização Social de
Saúde - Grupo Chavantes

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