O psicológico tem forte influência nas decisões de compra
que tomamos e pode, inclusive, nos endividar
Comprar coisas é normal. Seja uma coxinha na lanchonete, uma
camiseta no shopping, um celular novo na internet ou algumas frutas na feira
livre, a atividade faz parte do nosso cotidiano. Porém, você já parou para
pensar por que nós compramos?
É claro que alguns itens dessa lista são necessidades
básicas, como as frutas e as roupas, mas o que está por trás da atividade de
comprar algo? Existe algum momento ou fase da vida em que somos mais propícios
a gastar? É possível entender esses mecanismos para conseguir controlar a
vontade de comprar?
Essas e outras questões super importantes podem ser
respondidas com o auxílio da ciência. Afinal de contas, existe muita coisa por
trás da ação de comprar algo que está diretamente relacionado ao nosso
psicológico - pode acreditar!
O que a psicologia tem a ver com as compras?
Tudo! A psicóloga Angélica Monção, especializada em terapia
Gestalt, explica que gostamos tanto de comprar pois, de fato, ocorre uma
alegria eufórica de realização ao efetuar uma aquisição. “Por vezes, essa
alegria vem do fato de você ter se privado por muito tempo desse prazer
imediatista e ter economizado para comprar algo que desejava há muito tempo, e
o processo de escassez chega ao fim”, complementa ela.
Ou seja, comprar algo que você quer muito marca o fim do
sofrimento e o início de intensa alegria. Porém, por outro lado, essa
felicidade pode ser apenas um consolo para uma situação que te levou a pensar
no consumo como uma recompensa.
É o clássico pensamento “eu mereço”, quando, por exemplo,
você compra uma roupa nova após um dia estressante no trabalho. Nesse caso, a
alegria tende a passar mais rápido e, ainda, pode colocar as suas finanças em
risco.
A bagunça que o consumo sem medida pode trazer à vida
financeira está relacionado à recompensa imediata. “Quando estamos nessa busca
pelo prazer e satisfação, o cérebro tende a não controlar os mecanismos
impulsores, o que nos faz perder a noção e bom senso de colocar nossas
responsabilidades e necessidades a frente do nosso imediato prazer”, esclarece
a profissional.
O descontrole está ligado ao FOMO (Fear Of Missing Out,
que em tradução livre seria algo como “medo de perder”). As pessoas estão com
medo de perder ofertas e negócios aparentemente vantajosos, o que as impulsiona
a irem às compras.
O mesmo gatilho também aparece quando se está viajando de
férias, ocasião em que as pessoas querem comprar certos itens sem pensar tanto
sobre o tema, já que supostamente não poderiam fazê-lo em outro momento.
Ofertas com limite de tempo ou de quantidade também funcionam da mesma forma.
Produtos que vão de encontro às necessidades da sociedade
A forma com a qual a sociedade se comporta ou lida com
determinadas questões dita comportamentos de compra. Hoje, alguns itens chamam
mais a atenção das pessoas do que outros, e a valorização pelas experiências
está em alta.
“As pessoas estão ainda no processo de encontrar sentido
maior para sua existência, mas isso não se dará através de coisas. Ter
consciência dos processos de possíveis mudanças internas e que podem abrir o
olhar para si e para o mundo e, no final de tudo, para nossa existência é o que
realmente pode nos preencher”, acredita a psicóloga.
Um bom exemplo é a oportunidade de viajar, que coloca o
viajante em contato com outras pessoas e culturas, tornando as localizações e
os momentos únicos e especiais.
Por outro lado, artigos que prometem combater a ansiedade
também são muito buscados para melhorar a qualidade de vida da população.
Remédios para dormir e óculos que bloqueiam a luz azul são grandes destaques
atuais.
Consequentemente, isso também mostra que a ansiedade é um
problema comum na sociedade em que vivemos, o que leva as empresas a se
empenharem em criar produtos que possam ajudar no combate a tal situação,
iniciando um círculo vicioso.
O que mais influencia na decisão de compra?
Há outros fatores que também possuem um grande peso na
decisão de comprar ou não algo, bem como no momento em que isso será feito,
como os seguintes:
Impulsos emocionais X fatos lógicos
Comprar por impulso não pode ser considerado como algo raro
- longe disso, aliás. Uma pesquisa da Slickdeals.net mostrou que os consumidores dos Estados Unidos gastam até
US$ 5,4 mil por ano apenas em compras por impulso.
Essa não é uma exclusividade dos outros países, pois uma pesquisa do SPC Brasil e
da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostrou que 59% dos brasileiros fizeram compras por impulso
no mês de fevereiro.
Porém, embora pensemos que o impulso emocional seja algo
quase que irresistível, é importante entender que a lógica desempenha um papel
fundamental nas decisões.
É muito raro comprar algo única e exclusivamente pela
lógica, como o preço cobrado por aquele produto, por exemplo. É como olhar para
os comerciais de carros e se imaginar dirigindo aquela poderosa máquina: a
decisão não será unicamente racional, mas também passará pelos campos do
impulso e da emoção.
Evitar perdas X almejar ganhos
Mostrar o que um cliente ganhará ao comprar um produto de
determinada marca é algo que demanda muita imaginação, criatividade e testes,
além de ser algo cuja eficiência nem sempre será a desejada. Porém, quando se
mostra o que os potenciais clientes deixam de perder, as reações tendem a
mudar.
Em um exemplo simples, uma marca que vende shampoo
anti-caspa provavelmente obterá melhores resultados em suas iniciativas de
marketing ao dizer que os clientes deixarão de se deparar com essa situação,
por vezes complicada, do que ao falar que seus cabelos ficarão limpos e
saudáveis.
A linha de raciocínio se aplica a várias outras ocasiões e
sua eficácia pode ser comprovada até mesmo pela forma com a qual reagimos a
diferentes propagandas e comerciais. Deixar de perder realmente parece um ótimo
negócio, além de algo mais palpável à realidade de boa parte das pessoas.
Psicologia do consumidor: influências reais em nosso
cotidiano
O funcionamento do cérebro é objeto de estudo dos cientistas
há décadas. As empresas estudam a área com afinco para que consigam oferecer
produtos capazes de chamar a atenção dos consumidores e, assim, crescer em um
mercado cada vez mais competitivo.
Comprar está longe de ser algo meramente comercial e passa
por uma série de reações, emoções e comportamentos, ou seja, a psicologia
realmente explica muitas das decisões de compra feitas diariamente em todo o
mundo!
Fonte: Méliuz
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