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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Osteoporose também afeta homens: estudo brasileiro aponta lacuna na avaliação da saúde óssea masculina

No Dia Internacional da Pessoa Idosa, especialista explica como identificar riscos antes da primeira fratura e por que o cuidado precisa continuar mesmo após uma cirurgia

 

Estudo brasileiro publicado em agosto no periódico Archives of Osteoporosis1 identificou uma diferença expressiva na realização de exames para avaliar a saúde dos ossos entre homens e mulheres. Nos registros do Sistema Único de Saúde (SUS) de 2022, foram realizadas 182 densitometrias por 100 mil homens com 50 anos ou mais, contra 2.177 por 100 mil mulheres. 

O exame auxilia no diagnóstico da osteoporose, doença que enfraquece os ossos e aumenta o risco de fraturas. Os resultados sugerem que ela pode estar sendo menos diagnosticada entre homens. 

A pesquisa analisou dados de 2008 a 2022 e identificou mais de 583 mil registros de fraturas na região do quadril nessa faixa etária. O levantamento não investigou os motivos individuais da diferença na realização de exames, mas reforça uma discussão importante para o Dia Internacional da Pessoa Idosa, celebrado 1º de outubro: por que a saúde óssea ainda recebe menos atenção no cuidado masculino? 

“A osteoporose ainda é muito associada às mulheres e à menopausa. Isso pode fazer com que o homem não se reconheça como alguém em risco e que a investigação seja menos lembrada nas consultas. Como a doença costuma avançar sem dor, a ausência de sintomas também pode transmitir uma falsa sensação de segurança”, explica o Dr. Daniel Daniachi, ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

 

Quem precisa avaliar a saúde dos ossos? 

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Osteoporose, do Ministério da Saúde, indica a densitometria para mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70, ou antes dessas idades quando existem fatores de risco. Entre eles estão baixo peso, fratura anterior e uso de medicamentos ou presença de doenças que afetam a saúde óssea. 

“Homens e mulheres devem informar ao médico sobre fraturas anteriores, histórico familiar de osteoporose, tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso prolongado de corticoides. Nos homens, também precisamos considerar alterações hormonais e alguns tratamentos para câncer de próstata que reduzem a ação da testosterona e podem favorecer a perda óssea”, orienta o ortopedista. 

A investigação não depende apenas de sintomas. “Uma fratura depois de uma queda simples já merece avaliação. Perder altura, ficar mais curvado ou apresentar dor persistente nas costas também exige atenção: esses sinais podem ter diferentes causas, entre elas fraturas nos ossos da coluna. Não sentir dor ou aparentar força física não exclui a possibilidade de osteoporose”, acrescenta.

 

Uma queda simples pode revelar fragilidade 

Uma fratura após cair da própria altura pode indicar que os ossos estão enfraquecidos. Quem já sofreu uma fratura por fragilidade tem maior risco de enfrentar outra, o que torna necessário investigar a causa e manter o acompanhamento. 

“O tombo explica como a lesão aconteceu, mas precisamos entender por que o osso se rompeu. Nos homens, é importante não encerrar o cuidado tratando apenas o acidente. Nas mulheres, mesmo quando a osteoporose já é conhecida, uma nova fratura exige reavaliar o tratamento”, ressalta o Dr. Daniachi. 

A prevenção reúne cuidados com os ossos e medidas para evitar quedas. “Exercícios de força e equilíbrio adaptados a cada pessoa e alimentação adequada fazem parte desse cuidado. Em casa, melhorar a iluminação e retirar obstáculos ajudam. Também vale revisar com o médico remédios que possam causar tontura. Suplementos de cálcio e vitamina D dependem da necessidade individual e não substituem os medicamentos para osteoporose quando indicados”, explica.

 

Quando uma fratura pode exigir prótese 

Uma das consequências mais graves é a fratura na parte superior do fêmur, o osso da coxa, próximo ao quadril. Essas lesões geralmente exigem cirurgia. Em algumas fraturas do colo do fêmur, o deslocamento dos fragmentos pode prejudicar a circulação de sangue e dificultar a cicatrização. Nesses casos, pode ser indicada uma prótese para substituir a parte comprometida da articulação. 

“Ter osteoporose não significa precisar de prótese. A doença pode favorecer uma fratura, e as características da lesão ajudam a definir se o tratamento será com prótese, placas, parafusos ou hastes. Também consideramos as outras doenças prévias do paciente e como ele caminhava antes”, esclarece o ortopedista. 

Em pacientes mais frágeis, o tratamento pode demandar atendimento de alta complexidade, com participação de ortopedistas, anestesiologistas, equipe clínica e profissionais de reabilitação. 

“Precisamos tratar a fratura, controlar as outras condições de saúde e ajudar a pessoa a voltar a se movimentar com segurança. A prótese não fortalece os demais ossos: o acompanhamento da osteoporose precisa continuar depois da alta, inclusive nos homens que nunca tinham sido investigados. O objetivo é evitar novas lesões e preservar a independência”, conclui.

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz


Dia do Idoso reforça cuidados com automedicação e uso excessivo de medicamentos

 

Erros nos horários, combinações inadequadas e uso de remédios por conta própria podem comprometer a segurança do tratamento na terceira idade  


 
O envelhecimento costuma vir acompanhado do uso contínuo de medicamentos para o controle de diferentes condições de saúde. Quando vários remédios fazem parte da rotina, manter a organização e o acompanhamento profissional é importante para reduzir o risco de erros, interações e efeitos indesejados. 

No Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro, a atenção se volta também para um hábito que pode trazer riscos: a automedicação. Tomar um medicamento por conta própria, reaproveitar uma prescrição antiga ou utilizar um produto indicado por amigos e familiares pode não ser seguro, especialmente quando a pessoa já faz uso de outros medicamentos. 

Outro ponto de atenção é a chamada polifarmácia, situação em que o paciente utiliza vários medicamentos simultaneamente. O uso de diferentes produtos não significa, por si só, que exista um problema. Em muitos casos, ele é necessário para o tratamento. O cuidado está em garantir que os medicamentos sejam utilizados nas doses e horários corretos e que o tratamento seja periodicamente acompanhado por profissionais de saúde. 

“É importante que o idoso tenha clareza sobre os medicamentos que utiliza e não tenha receio de perguntar quando surgir alguma dúvida. Muitas vezes, uma orientação simples sobre horário, forma de utilização ou armazenamento pode fazer diferença para a segurança do tratamento”, explica o farmacêutico Maurício Filizola, presidente da Rede de Farmácias Santa Branca, localizada no Ceará, e diretor da CDL Fortaleza.
 

Atenção redobrada a alguns medicamentos

Alguns grupos de medicamentos exigem acompanhamento mais cuidadoso, principalmente quando utilizados por pessoas idosas. É o caso de anticoagulantes, medicamentos que atuam no sistema nervoso central, alguns sedativos, medicamentos para diabetes e pressão arterial, além de determinados analgésicos e anti-inflamatórios. 

A orientação não é interromper ou evitar esses tratamentos, mas utilizá-los exatamente conforme a prescrição. Alterar a dose, antecipar ou atrasar horários, combinar medicamentos ou suspender o uso por conta própria pode comprometer o tratamento. 

Também é importante informar ao médico e ao farmacêutico todos os produtos utilizados, incluindo medicamentos de uso contínuo, remédios tomados eventualmente, vitaminas, suplementos e fitoterápicos. Essa informação ajuda o profissional a avaliar possíveis interações e orientar o paciente de maneira mais segura.
 

Organização ajuda a evitar erros

Uma rotina simples e organizada pode facilitar o uso correto dos medicamentos. Entre os principais cuidados estão:

  • manter uma lista atualizada com todos os medicamentos, doses e horários;
  • conservar os produtos nas embalagens originais;
  • conferir o nome e a dose antes de tomar cada medicamento;
  • utilizar alarmes ou outros lembretes quando necessário;
  • não compartilhar medicamentos com outras pessoas;
  • manter os produtos armazenados de acordo com as orientações da embalagem;
  • pedir ajuda a familiares ou cuidadores quando houver dificuldade para organizar a rotina;
  • procurar orientação antes de iniciar, interromper ou modificar qualquer medicamento.


Farmacêutico pode ajudar nas dúvidas do dia a dia

Para facilitar o acesso à informação e contribuir para o uso mais seguro dos medicamentos, a Rede de Farmácias Santa Branca conta com consultório farmacêutico em todas as suas lojas. Os clientes podem conversar com os farmacêuticos da rede e esclarecer dúvidas relacionadas ao uso dos medicamentos, horários, formas de administração, armazenamento e outros aspectos da rotina de tratamento. 

“Nosso papel também é estar próximo do cliente e ajudá-lo a entender melhor o tratamento que já foi prescrito. O farmacêutico está disponível para orientar, identificar possíveis dúvidas e, quando necessário, direcionar o paciente para buscar avaliação médica”, frisa Maurício. 

“A orientação profissional é especialmente importante para idosos que utilizam vários medicamentos ou que contam com familiares e cuidadores para administrar o tratamento. Manter as informações organizadas e buscar esclarecimentos sempre que houver dúvida são atitudes simples que podem contribuir para uma rotina mais segura”, complementa o profissional.


Brasil envelhece rápido: estamos preparados para viver mais e melhor?

No mês dedicado à pessoa idosa, entidade destaca a importância de uma rede de cuidados preparada para as demandas da longevidade
 

A população brasileira com 60 anos ou mais passou de 15,2 milhões em 2000 para 33 milhões em 2023 e deve chegar a 75,3 milhões em 2070, segundo dados do IBGE. Diante desse crescimento, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) chama atenção, em 1º de outubro, Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, para a necessidade de preparar os serviços de saúde e as redes de cuidado para atender às necessidades das pessoas idosas e promover autonomia, independência e qualidade de vida. 

“O envelhecimento populacional no Brasil aconteceu muito mais rapidamente do que em diversos países europeus. Tivemos avanços importantes, mas eles não acompanharam a velocidade dessa transformação”, afirma Leonardo Oliva, geriatra e presidente da SBGG. 

A fragmentação dos serviços e a falta de uma rede contínua de cuidados estão entre os principais desafios. “Nosso sistema de saúde continua muito centrado na doença aguda. A pessoa idosa precisa de acompanhamento contínuo, prevenção e integração entre os serviços”, destaca Leonardo.
 

Envelhecer com saúde vai além dos diagnósticos 

Envelhecer com qualidade de vida não significa, necessariamente, viver sem doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e artrose. Mais do que a quantidade de diagnósticos, é importante considerar como essas condições afetam a autonomia e a rotina da pessoa idosa. 

“Duas pessoas podem ter exatamente os mesmos diagnósticos e apresentar níveis completamente diferentes de saúde. Enquanto uma continua independente, ativa e socialmente participativa, a outra pode apresentar limitações importantes. Isso acontece porque a saúde da pessoa idosa é determinada, principalmente, pela sua capacidade funcional, ou seja, pela habilidade de fazer aquilo que valoriza no cotidiano”, explica Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG. 

Preservar a capacidade funcional exige mais do que consultas e tratamentos. A prática de atividade física, alimentação equilibrada, prevenção de quedas, revisão periódica de medicamentos, os cuidados com a saúde mental e a manutenção dos vínculos sociais também contribuem para a independência e a qualidade de vida.
 

O cuidado também é um desafio para as famílias 

O envelhecimento populacional amplia a demanda por cuidados contínuos, uma responsabilidade que, no Brasil, ainda recai principalmente sobre familiares, especialmente mulheres. A falta de preparo, apoio psicológico e suporte institucional adequado reforça a necessidade de políticas e serviços que também ofereçam suporte a quem cuida. 

Para a SBGG, enfrentar os desafios do envelhecimento exige mudanças na organização da assistência, com investimentos em prevenção, formação de profissionais, suporte às famílias e estratégias que favoreçam a manutenção da funcionalidade ao longo da vida. 

“O Brasil precisa parar de pensar no envelhecimento apenas quando a dependência já está instalada. O cuidado precisa começar antes, com prevenção, acompanhamento e promoção de autonomia”, reforça Leonardo.

Mais do que ampliar a expectativa de vida, o desafio é garantir condições para que as pessoas mantenham suas escolhas, relações e atividades cotidianas. “Envelhecer com saúde não é envelhecer sem doenças. É preservar a capacidade de fazer escolhas, manter vínculos e continuar realizando aquilo que dá sentido à própria vida”, conclui Isabela.


Por que crises de rinite e alergias respiratórias aumentam na primavera? Entenda os fatores e saiba como se proteger

Mudanças climáticas da estação, proliferação de ácaros e dispersão de pólen exigem cuidados com o ambiente e a saúde nasal

 

A chegada da primavera costuma vir acompanhada de um aumento nas queixas de alergias respiratórias. Espirros frequentes, coceira intensa no nariz e nos olhos, secreção fluida e sensação de entupimento nasal passam a fazer parte da rotina de milhares de pessoas. O período de transição entre estações é marcado por oscilações térmicas e variações na umidade do ar, fatores que afetam diretamente o equilíbrio das vias aéreas e favorecem o surgimento de crises. 

Embora o florescimento das plantas e a consequente dispersão de pólen sejam associados à estação, esse fator varia de acordo com a região do país. Na Região Sul, onde a presença de gramíneas e árvores com polinização pelo ar é mais acentuada, a alergia ao pólen (polinose) tem papel relevante. Contudo, nas demais regiões brasileiras, como Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o agravamento dos quadros alérgicos durante a primavera decorre principalmente da maior proliferação de alérgenos de ambientes fechados, como ácaros e fungos. Além disso, poluição atmosférica e fumaça também atuam como gatilhos para a inflamação da mucosa nasal. 

“Na primavera, a combinação de fatores ambientais e mudanças de temperatura pode sobrecarregar o sistema respiratório de pessoas com predisposição alérgica. Contudo, nem toda crise é provocada por plantas ou flores. A exposição a ácaros no ambiente doméstico, o acúmulo de poeira e a poluição urbana desempenham papéis decisivos. Como o clima e o perfil de vegetação variam entre as regiões brasileiras, a resposta do organismo e os agentes desencadeantes também mudam conforme a sensibilidade de cada paciente”, explica Dr. Gustavo Marcelo, supervisor da medicina do trabalho do Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM). 

Os sintomas da rinite alérgica são frequentemente confundidos com os de um resfriado comum, o que atrasa o cuidado adequado. A diferença principal é que o resfriado é uma infecção viral que costuma vir acompanhada de febre baixa, dores no corpo e melhora em poucos dias. Já a rinite alérgica cursa sem febre e os sintomas persistem enquanto houver contato com os alérgenos. Quando não controlados, esses episódios afetam a qualidade do sono, causam cansaço diurno e reduzem a concentração e o rendimento nas tarefas cotidianas, podendo complicar com infecções bacterianas como otites, sinusites e amigdalites/faringites.

A redução da exposição aos agentes desencadeantes exige cuidados práticos no dia a dia. A limpeza da casa deve ser feita preferencialmente com pano úmido, evitando o uso de vassouras ou espanadores que suspendem a poeira no ar. A lavagem regular de roupas de cama e a ventilação diária dos cômodos ajudam a conter o acúmulo de ácaros e mofo. O uso de umidificadores ou de ar-condicionado deve ser avaliado conforme o contexto: em dias muito secos, o umidificador auxilia na hidratação do ar, mas seu uso em excesso pode favorecer fungos; já o ar-condicionado requer manutenção constante e limpeza dos filtros. 

“Medidas simples de higiene ambiental e a lavagem nasal diária com solução fisiológica funcionam como uma primeira barreira física, ajudando a remover os alérgenos da mucosa antes que progridam para um quadro inflamatório mais intenso. No entanto, essas práticas de autocuidado devem ser adaptadas à rotina e ao ambiente em que a pessoa vive”, ressalta. 

Diante de crises frequentes ou prejuízos na qualidade de vida, a orientação é buscar atendimento médico. O uso de medicamentos por conta própria é contra-indicado, especialmente a utilização prolongada de descongestionantes nasais tópicos, que pode causar efeito rebote e agravamento do entupimento nasal. 

“Sintomas recorrentes de rinite não devem ser encarados como um desconforto normal da estação. Quando o quadro prejudica o sono ou as atividades diárias, é fundamental procurar a Unidade Básica de Saúde para uma avaliação médica adequada. O acompanhamento profissional permite controlar a inflamação nasal e prevenir as complicações”, conclui o especialista.
 

CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


Noites mal dormidas vão além do cansaço e afetam equilíbrio emocional

Telas, jornadas prolongadas e dificuldade para desacelerar reduzem o espaço dedicado ao descanso e podem contribuir para um ciclo de cansaço e tensão
 

Dormir menos para dar conta de uma rotina cada vez mais cheia pode parecer solução para a falta de tempo, mas o hábito cobra seu preço. Cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações de humor estão entre os efeitos associados a noites de sono insuficiente, e ajudam a explicar por que o descanso também deve ser tratado como parte do cuidado com a saúde emocional.
 

O impacto não se limita ao dia seguinte. Quando dormir mal se torna frequente, a capacidade de responder às demandas do cotidiano também pode ser prejudicada. Ao mesmo tempo, ansiedade, preocupações e estresse dificultam o relaxamento necessário para adormecer ou manter o sono durante a noite, criando uma relação de mão dupla entre descanso e equilíbrio emocional. 

Jornadas prolongadas, notificações, telas ligadas até poucos minutos antes de dormir e a sensação de estar permanentemente disponível reduzem o espaço destinado ao descanso. Na prática, o sono acaba tratado como uma parte negociável do dia. 

"Existe uma tendência de enxergarmos o descanso como o tempo que sobra depois de todas as outras obrigações, quando ele deveria fazer parte da rotina de cuidado com a saúde. Sono e equilíbrio emocional estão relacionados, e olhar para esses dois aspectos de forma conjunta é importante para entender o que o corpo está sinalizando", afirma Maria Claudia VillaBoim, diretora regional da Weleda América Latina. 

Mudanças de hábito costumam ser o primeiro caminho para melhorar a relação com o sono. Manter horários regulares, reduzir a exposição a estímulos no período noturno e criar uma rotina de desaceleração antes de deitar favorecem o descanso. Quando a dificuldade para dormir é recorrente ou vem acompanhada de sintomas de ansiedade, porém, é importante investigar as causas e buscar orientação profissional. 

Além de medidas relacionadas à higiene do sono, como manter horários regulares, reduzir estímulos antes de dormir e estabelecer uma rotina de desaceleração, alguns casos podem demandar recursos terapêuticos auxiliares. É nesse contexto que se insere o Ansiodoron®, medicamento antroposófico da Weleda indicado no tratamento auxiliar da insônia e da ansiedade. 

Em gotas ou comprimidos, o medicamento tem em sua composição Passiflora alata, Valeriana officinalis e Avena sativa. A proposta é atuar como tratamento auxiliar justamente em dois quadros que frequentemente aparecem relacionados: a dificuldade para dormir e a ansiedade. O uso deve respeitar as orientações previstas em bula ou ser acompanhado por um profissional de saúde. 

Em uma rotina que estimula a disponibilidade constante, recuperar o espaço destinado ao sono é também uma questão de saúde. O desafio não está apenas em dormir mais, mas em reconhecer quando a dificuldade para descansar deixou de ser uma exceção e passou a interferir na qualidade de vida.
 

Weleda


Comer pouco nem sempre é sinal de saúde: quando o corpo entra em modo de sobrevivência

 

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Enquanto algumas mulheres vivem lutando contra a vontade de “comer tudo” em momentos de ansiedade, outras seguem o caminho oposto: comem muito pouco, passam horas sem sentir fome e acreditam que isso seja um sinal de equilíbrio ou até de um “bom metabolismo”. Mas, segundo a coordenadora de Nutrição e Dietética do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, essa relação com a alimentação pode esconder um organismo em estado de alerta constante.

““Tem aquela mulher que não resiste a um chocolate e aquela que acredita que comer pouco já é suficiente para a rotina. E é sobre essa que precisamos nos atentar”, explica a especialista.

De acordo com Cintya, muitas pacientes relatam que sempre comeram pouco, ficam longos períodos sem se alimentar e, mesmo assim, não conseguem emagrecer. Para ela, esse comportamento não significa necessariamente saúde metabólica. “Muitas vezes, o corpo só está pensando em sobreviver com o mínimo possível, porque essa mulher passou anos submetendo o organismo a dietas restritivas, baixa ingestão alimentar, ansiedade e substituição de refeições”, afirma.

A nutricionista destaca que a ausência de fome pode ser um sinal de que o organismo perdeu a capacidade de regular adequadamente os sinais naturais de alimentação e saciedade. “Existe uma diferença enorme entre não sentir fome e ter saúde metabólica. Quando o corpo recebe pouca energia por muito tempo, ele começa a desligar sinais importantes, inclusive o da fome”, explica.

Segundo ela, embora algumas mulheres consigam perder peso inicialmente, o custo para o organismo pode ser alto. “O que acontece muitas vezes é a perda de massa muscular, energia, força e disposição. O metabolismo fica cansado, adaptado e tentando sobreviver dentro da rotina que essa pessoa criou ao longo dos anos”, diz.

Cintya também chama atenção para o impacto emocional e físico desse comportamento. “Algumas mulheres chegam no meio da tarde completamente sem energia, sem concentração e sem vontade para nada. Ainda assim, acreditam que precisam comer menos ainda para emagrecer”, comenta.

A especialista reforça que emagrecimento saudável não está ligado apenas à redução da quantidade de comida, mas à qualidade da nutrição e ao equilíbrio metabólico. Ela também alerta para o risco de seguir orientações sem acompanhamento profissional, especialmente dicas disseminadas nas redes sociais por pessoas sem formação adequada, que incentivam longos períodos de jejum e restrições severas sem considerar as necessidades individuais de cada organismo. “Nem toda mulher precisa reduzir comida. Muitas precisam voltar a se nutrir direito para finalmente perder gordura de verdade”, conclui.

 

Grupo São Cristóvão Saúde

 

Doença cardiovascular silenciosa é identificada em 1 a cada 13 jovens; especialista explica condição

  Pesquisa apresentada no Congresso Europeu de Cardiologia identificou sinais da doença em pessoas sem sintomas e reforça importância da prevenção cardiovascular precoce

 

A aterosclerose é uma doença cardiovascular que pode começar muito antes da manifestação de sintomas. Um estudo internacional apresentado recentemente no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC 2026), em Munique, e publicado simultaneamente no New England Journal of Medicine, identificou sinais da condição em 57,1% de mais de 16 mil adultos que não tinham problemas cardiovasculares conhecidos. O dado chama atenção especialmente entre os mais jovens: aproximadamente uma em cada 13 pessoas entre 18 e 29 anos já apresentava sinais da doença. 

O estudo, chamado REACT, avaliou 16.808 homens e mulheres entre 18 e 70 anos, na Dinamarca e na Espanha, por meio de exames de imagem capazes de detectar placas de gordura nas artérias antes do surgimento de manifestações clínicas. A presença de aterosclerose aumentou progressivamente com a idade e chegou a cerca de nove em cada dez participantes entre 60 e 70 anos. 

Para o cardiologista, eletrofisiologista e especialista em estimulação cardíaca Dr. Tarcísio Vasconcelos, médico do Hospital Santa Catarina - Paulista, o resultado reforça a necessidade de antecipar os cuidados com a saúde cardiovascular: “A pesquisa mostra que a doença aterosclerótica pode estar presente muito antes de qualquer manifestação clínica. Isso denota a importância de identificar precocemente os fatores de risco e atuar sobre eles antes que ocorram eventos como infarto ou acidente vascular cerebral.” 

A aterosclerose ocorre quando placas de gordura se acumulam nas paredes das artérias e pode permanecer silenciosa durante anos. A patologia é responsável por parte significativa dos 20 milhões de óbitos anuais por doença cardiovascular e, muitas vezes, manifesta-se já tardiamente sob a forma de acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio ou morte súbita. 

“Os dados do REACT não significam que toda a população deva ser submetida a exames de imagem para rastreamento, mas reforçam a importância de estratégias preventivas capazes de identificar e controlar os fatores de risco antes que haja complicações. O conceito mais importante é que a prevenção não deve ter início apenas quando a doença aparece; precisa começar antes”, destaca o Dr. Tarcísio.

 

Medidas ajudam a proteger o coração

O alerta ganha força durante o Setembro Vermelho, período dedicado à conscientização sobre a prevenção das doenças cardiovasculares, mas deve ser encarado como uma preocupação permanente. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, abandono do cigarro, redução do consumo de bebidas alcoólicas e acompanhamento médico são algumas das principais medidas para proteger o coração. 

As ações preventivas valem para todos, no entanto são especialmente relevantes para pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares ou fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e tabagismo. Nesses casos, a avaliação individualizada permite identificar riscos e definir as estratégias mais adequadas para cada paciente. 

Segundo o especialista do Hospital Santa Catarina - Paulista, a antecipação dos cuidados ajuda a evitar maiores impactos à saúde. “As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. O que o REACT acrescenta é a percepção de que o processo de desenvolvimento da aterosclerose pode começar muito mais cedo e permanecer escondido por anos. Isso significa que a prevenção deve começar o quanto antes, com o controle dos fatores que aumentam o risco de doenças”, conclui. 


Setembro Amarelo: exercício físico ganha espaço como ferramenta de cuidado com a saúde mental

Personal trainer e fisiologista Jauan Anselmo explica como atividades físicas, das mais variadas formas, atuam no organismo e podem contribuir para o bem-estar emocional. 

 

O Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a valorização da vida, amplia durante este mês o debate sobre saúde mental e as diferentes formas de cuidado e prevenção. Nesse contexto, o exercício físico aparece como uma ferramenta acessível que pode contribuir não apenas para a saúde cardiovascular e muscular, mas também para a regulação do estresse, da ansiedade e do humor.

 

Dados do Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia (Covitel) 2023 apontam que 26,8% dos brasileiros receberam diagnóstico médico de ansiedade, enquanto 12,7% foram diagnosticados com depressão. O país também aparece em levantamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS) entre aqueles com maior prevalência de transtornos de ansiedade.

 

Para o profissional de Educação Física e fisiologista Jauan Anselmo, o exercício deve ser compreendido como parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com a saúde mental. A prática regular provoca respostas fisiológicas e neuroquímicas que podem auxiliar o organismo na regulação do estresse e na percepção de bem-estar.

 

“Quando a pessoa treina, existe uma resposta fisiológica importante ao exercício, que envolve mecanismos relacionados ao estresse, ao humor e à ansiedade. Por isso, uma rotina de atividade física bem prescrita pode ser uma ferramenta importante para a saúde mental, principalmente quando entendemos o exercício como parte de um cuidado contínuo e não como uma solução isolada”, explica.

 

Entre as modalidades que podem contribuir nesse processo está o treinamento resistido, como a musculação, pois o estímulo provocado pelo exercício exige adaptações do organismo e pode influenciar mecanismos relacionados à regulação emocional.

 

Uma meta-análise publicada neste ano no British Journal of Sports Medicine, reunindo 800 estudos e 57.930 participantes, concluiu que o exercício físico é uma intervenção eficaz para estes sintomas mentais descritos, além de apresentar benefícios adicionais para a saúde geral. A análise reuniu participantes com idades entre 10 e 90 anos e avaliou diferentes modalidades e intensidades de atividade física.

 

Para Jauan, que atua como personal trainer de forma individualizada há mais de 10 anos, o resultado reforça que não existe uma única modalidade que deva ser adotada por todas as pessoas.

 

“A musculação é uma ferramenta muito eficiente, mas não precisamos limitar a discussão a ela. Caminhada, corrida, dança, esportes ou exercícios realizados em casa também podem produzir benefícios. O mais importante é encontrar uma atividade que faça sentido para aquela pessoa e que possa ser mantida com regularidade. A consistência é muito mais importante do que buscar um treino perfeito por alguns dias”, afirma o especialista.

 

Exercício e prevenção entre os mais jovens

 

A relação entre atividade física e saúde mental também foi observada em pesquisas envolvendo adolescentes. Um estudo publicado no Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, que analisou dados de mais de 13.500 jovens, identificou associação entre a prática regular de atividade física e uma redução de aproximadamente 23% na frequência de automutilação em determinados grupos.

 

O dado, segundo Jauan, deve ser interpretado dentro de seus limites: a atividade física não elimina fatores de risco nem substitui acompanhamento especializado, mas pode integrar uma rede de proteção e promoção da saúde.

 

“Precisamos ter muito cuidado para não transformar o exercício em uma promessa de cura. A saúde mental é algo complexo e envolve fatores individuais, sociais e psicológicos. O exercício pode ser uma ferramenta dentro dessa rede de cuidado, mas não substitui psicólogo, psiquiatra ou qualquer outro profissional quando existe sofrimento psíquico ou uma situação que exige acompanhamento”, ressalta.

 

Em meio à campanha de conscientização anual, o especialista defende uma mudança na forma como o treinamento é percebido pelo senso comum, saindo um pouco da visão exclusivamente estética.

 

“Quando colocamos o exercício apenas no campo da aparência, perdemos uma parte enorme do que ele representa, já que treinar é também cuidar da capacidade de lidar com o estresse e melhorar a disposição. No Setembro Amarelo, falar sobre movimento é falar sobre uma das ferramentas que podem contribuir para uma vida mais ativa e saudável, sempre entendendo que ela faz parte de um conjunto maior de cuidados”, conclui Jauan.



Baixa visão pode aumentar casos de queda entre idosos, apontam estudos

  A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) estima que a catarata atinja entre 70% e 75% dos brasileiros com mais de 70 anos — uma condição tratável

 

Um dado alarmante coloca a saúde ocular no centro do debate sobre segurança do idoso: 81,4% dos idosos institucionalizados apresentavam déficit visual; Destes, 54,2% relataram quedas, segundo estudo da Revista Brasileira de Oftalmologia. O número é o ponto de partida do alerta que o Hospital CEMA, referência em oftalmologia e otorrinolaringologia, com atuação há 50 anos no Brasil.

 

Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do problema no país: 11.801 idosos morreram em decorrência de acidentes domésticos entre 2023 e 2024, a maioria por quedas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a visão reduzida como um dos fatores associados às quedas em idosos, ao lado de alterações de mobilidade, equilíbrio, cognição, uso de medicamentos e características do ambiente.

Entre esses fatores, a baixa visão segue como um dos mais subestimados — e, segundo o Hospital CEMA, uma das mais fáceis de prevenir.

A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) estima que a catarata atinja entre 70% e 75% dos brasileiros com mais de 70 anos — uma condição tratável, mas que segue subdiagnosticada porque a visão embaçada costuma ser atribuída apenas à idade. No Brasil, cerca de 6 milhões de pessoas vivem com baixa visão, e outras 29 milhões relatam dificuldade permanente para enxergar mesmo usando óculos, segundo o IBGE. 

"A queda de um idoso raramente é acaso. É, na maioria das vezes, o resultado de um risco que se acumulou silenciosamente — e a visão é um dos fatores mais negligenciados nesse processo", afirma Dr. Luis Eduardo Braz S. Melo, oftalmologista do Hospital CEMA. "Quando o idoso deixa de enxergar bem um degrau ou um desnível no chão de casa, o risco de queda aumenta — especialmente quando essa dificuldade visual se soma a outros fatores, como perda de equilíbrio, fraqueza muscular ou uso de determinados medicamentos. E, na maioria dos casos, a perda visual pode ser identificada e tratada com uma avaliação oftalmológica adequada."

 

Prevenção começa pelo diagnóstico 

Entre as recomendações da instituição para reduzir o risco de quedas relacionadas à visão estão:

  • Avaliação oftalmológica periódica a partir dos 50–60 anos, ou conforme orientação médica;
  • Atualização periódica do grau dos óculos;
  • Reforço da iluminação em corredores, escadas e banheiros;
  • Remoção de tapetes soltos e obstáculos nas rotas de circulação mais usadas pelo idoso;
  • Avaliação geriátrica e revisão de medicamentos que possam afetar equilíbrio e estabilidade. 

"Cuidar da visão é, também, cuidar da segurança do paciente. O diagnóstico oftalmológico precoce é uma das formas mais simples e eficazes de reduzir o número de quedas e preservar a autonomia do idoso", finaliza especialista do Hospital CEMA.


Hospital CEMA


Catarata avança com a idade e pode comprometer a autonomia dos idosos

 

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Doença provoca perda progressiva da transparência do cristalino e dificulta atividades cotidianas, como ler, caminhar e dirigir; acompanhamento oftalmológico permite identificar o problema e indicar o tratamento adequado


Com o envelhecimento da população brasileira, os cuidados com a saúde ocular ganham ainda mais importância. No Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, a catarata chama atenção por estar diretamente relacionada ao avanço da idade e poder comprometer progressivamente a qualidade de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 94 milhões de pessoas apresentam comprometimento visual ou cegueira associados à doença no mundo. 

No Brasil, dados do IBGE mostram que a proporção de pessoas com 60 anos ou mais praticamente dobrou entre 2000 e 2023, passando de 8,7% para 15,6% da população. Acompanhar as mudanças naturais da visão ao longo dos anos é importante para identificar alterações que podem ser tratadas. 

A catarata acontece quando o cristalino, lente natural localizada dentro do olho e responsável por ajudar na focalização das imagens, perde sua transparência. Com isso, a visão pode ficar progressivamente embaçada, com redução da nitidez e alterações na percepção das cores. Como a evolução costuma ser lenta, a pessoa pode demorar para perceber que sua visão está diferente ou atribuir a dificuldade visual apenas à idade. 

“O envelhecimento provoca mudanças naturais em diversas estruturas do organismo, e o cristalino também sofre esse processo ao longo dos anos. Ele vai perdendo sua transparência de forma progressiva, o que caracteriza a catarata. Por isso, a idade é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da doença”, explica o Dr. Ivan Corso Teixeira, oftalmologista e especialista em cirurgia de catarata do H.Olhos. 

No início, os sinais podem ser discretos. A pessoa pode perceber dificuldade para enxergar detalhes, maior sensibilidade à luz, visão borrada ou dificuldade para dirigir à noite. Conforme a catarata avança, tarefas simples podem exigir mais esforço visual e até comprometer a independência do idoso. 

“É comum o paciente se adaptar gradualmente à piora da visão. Ele passa a aumentar a iluminação para ler, aproxima mais os objetos, evita dirigir à noite ou deixa de realizar algumas atividades sem necessariamente perceber que existe uma causa tratável por trás dessas mudanças”, afirma o especialista. 

Dificuldades para identificar obstáculos, perceber degraus ou distinguir objetos no caminho também podem tornar determinadas atividades menos seguras. Por isso, alterações na visão não devem ser consideradas uma consequência inevitável do envelhecimento. 

“Envelhecer não significa necessariamente enxergar mal. A catarata é uma alteração frequente nessa fase da vida, mas a redução da visão causada pela doença merece ser investigada. Quando o idoso percebe uma mudança, mesmo que gradual, o ideal é passar por uma avaliação oftalmológica para entender o que está acontecendo”, orienta o Dr. Ivan. 

Quando a catarata passa a interferir na rotina e na qualidade de vida, o tratamento é cirúrgico. O procedimento consiste na retirada do cristalino que perdeu sua transparência e na implantação de uma lente intraocular, que passa a exercer a função da lente natural do olho. 

“A indicação da cirurgia não depende apenas do grau da alteração visual, mas principalmente de quanto a catarata está impactando as atividades que o paciente deseja ou precisa realizar. A avaliação individual é fundamental para definir o momento adequado do procedimento e a estratégia mais indicada para cada caso”, explica o oftalmologista. 

Por ser uma condição de evolução geralmente lenta, consultas oftalmológicas regulares são importantes mesmo quando não há uma queixa visual significativa. O acompanhamento permite identificar alterações relacionadas ao envelhecimento e discutir as possibilidades de tratamento antes que a perda visual comprometa de maneira importante a rotina. 

“Cuidar da saúde ocular também significa manter a autonomia. Ler, caminhar, reconhecer pessoas, realizar atividades domésticas e continuar participando da vida social são ações que dependem de uma visão adequada. Por isso, qualquer mudança deve ser investigada, especialmente na terceira idade”, finaliza o Dr. Ivan Corso Teixeira.


Ozempic (semaglutida) 2 mg, da Novo, foi associado a menor risco de eventos cardiovasculares adversos maiores (morte, infarto e AVC) em adultos com diabetes tipo 2, em comparação com a troca para Mounjaro (tirzepatida), em análise de dados de vida real apresentada na EASD

   

  • Adultos com diabetes tipo 2 em tratamento com semaglutida injetável 1 mg cuja dose foi aumentada para 2 mg apresentaram risco 6% menor, estatisticamente significativo, de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE) em comparação com aqueles que trocaram o tratamento para tirzepatida (até 15 mg)¹.
  • Uma análise retrospectiva de dados de vida real, baseada em registros administrativos de saúde de 636.525 adultos com diabetes tipo 2, comparou os desfechos daqueles que aumentaram a dose de semaglutida para 2 mg com os daqueles que trocaram para tirzepatida¹
  • Os resultados do estudo “COMPETE SWITCH CV” oferecem informações sobre o ajuste do tratamento com agonistas do receptor de GLP-1 em adultos com diabetes tipo 2.

 

Plainsboro, Nova Jersey, e Bagsværd, Dinamarca, 29 de setembro de 2026 – A Novo Nordisk anunciou hoje novos dados retrospectivos de vida real sobre adultos com diabetes tipo 2 tratados com semaglutida injetável 1 mg uma vez por semana. Na análise, o aumento da dose para semaglutida injetável 2 mg foi associado a risco 6% menor, estatisticamente significativo, de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE), incluindo morte por qualquer causa, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), em comparação com a troca para tirzepatida em doses de até 15 mg (HR ajustado: 1,06; IC 95%: 1,04–1,08; p=0,005).¹ Os achados foram apresentados na Reunião Anual de 2026 da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, na Itália. 

“Para pessoas com diabetes tipo 2, trocar de tratamento ou ajustar a dose muitas vezes é necessário para alcançar o controle glicêmico. Ainda assim, o risco cardiovascular também deve continuar sendo uma consideração importante”, afirmou Michael Radin, médico e diretor médico executivo da Novo. “Esses dados podem ajudar profissionais de saúde diante de uma decisão importante: aumentar a dose ou trocar a terapia de um adulto com diabetes tipo 2 que já utiliza semaglutida. Os achados de vida real ajudam a compreender como estratégias de intensificação do tratamento podem estar relacionadas aos desfechos cardiovasculares, um fator importante no cuidado dos pacientes.” 

Nesta análise de 636.525 adultos com diabetes tipo 2 que recebiam semaglutida 1 mg, 67,2% permaneceram nessa dose, 29,2% aumentaram a dose para semaglutida 2 mg e 3,6% trocaram para tirzepatida nos 365 dias após a data índice (data da primeira dispensação de semaglutida 1 mg). No acompanhamento de 720 dias, menos pacientes permaneciam em semaglutida 1 mg (57,4%), refletindo a continuidade da intensificação do tratamento ao longo do tempo: 36,9% haviam aumentado a dose para semaglutida 2 mg e 5,7% haviam trocado para tirzepatida.¹ Após a troca para uma dose inicial de tirzepatida de 2,5 mg ou 5 mg, os profissionais de saúde puderam ajustar a dose conforme o esquema posológico; aproximadamente 31% dos pacientes que trocaram para tirzepatida atingiram dose ≥10 mg durante o acompanhamento.¹ Uma análise de um subgrupo da coorte, composto por pacientes com diabetes tipo 2 com mais de uma medida basal de HbA1c e/ou peso, apresentou resultados consistentes (HR ajustado: 1,07 [IC 95%: 1,01–1,13]; p<0,035).¹ Os desfechos de segurança não foram avaliados nesta análise.> 

“A intensificação do tratamento é um desafio comum na prática clínica, especialmente para adultos com diabetes tipo 2 que ainda não atingiram suas metas terapêuticas, mas toleram bem o esquema atual”, afirmou Kathryn S. Tierney, MSN, APRN, FNP-BC, FAANP, do Middlesex Health MultiSpecialty Group, em Middletown, Connecticut. “Esses achados de vida real sugerem que o aumento da dose para semaglutida 2 mg pode ser uma opção relevante para pacientes elegíveis, já que a intensificação do tratamento foi associada a menor risco de eventos cardiovasculares adversos maiores em comparação com a troca de terapia. A análise reforça a importância de considerar os desfechos cardiovasculares, além do controle glicêmico, na tomada de decisões terapêuticas”. 

Esses achados complementam uma análise anterior dos mesmos dados, que examinou a HbA1c e a perda de peso². 

Dados de estudos de vida real podem oferecer informações valiosas sobre o desempenho dos tratamentos fora do ambiente controlado dos ensaios clínicos. Essas análises também apresentam limitações: os resultados podem refletir fatores de confusão residuais não medidos e, embora permitam identificar associações, não estabelecem definitivamente relações de causa e efeito. Além disso, o uso retrospectivo de registros administrativos de saúde pode excluir pacientes com cobertura de saúde intermitente ou populações com acesso insuficiente aos serviços, o que pode limitar a generalização dos resultados³. 

É importante observar que a bula norte-americana da semaglutida injetável contém um alerta em destaque sobre a possibilidade de tumores de tireoide, inclusive câncer, e que o medicamento não deve ser usado por pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide (CMT) ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2). Os efeitos adversos mais comuns incluem náusea, vômito, diarreia, dor abdominal e constipação.


Sobre o estudo COMPETE SWITCH Cardiovascular (CV)

O COMPETE SWITCH é um estudo retrospectivo de coorte que utilizou o Healthcare Map, da Komodo Health, uma ampla base de registros administrativos de saúde dos Estados Unidos vinculada a resultados laboratoriais (janeiro de 2018 a setembro de 2025). O estudo avaliou padrões de tratamento na prática clínica de adultos com diabetes tipo 2 que recebiam semaglutida 1 mg, comparando especificamente os desfechos após o aumento da dose para semaglutida 2 mg com os observados após a troca para tirzepatida². O componente cardiovascular do COMPETE SWITCH avaliou MACE por uma abordagem de intenção de tratar e incluiu 185.705 adultos que aumentaram a dose para semaglutida 2 mg e 23.104 que trocaram para tirzepatida. Todos foram acompanhados a partir do aumento da dose ou da troca de tratamento até o fim do período do estudo¹. Em conjunto, as análises do COMPETE SWITCH oferecem informações de vida real sobre os desfechos cardiometabólicos associados às estratégias e decisões terapêuticas em adultos com diabetes tipo 2. Como os efeitos do tratamento podem variar entre indivíduos (com respostas menores ou maiores), essa heterogeneidade pode ter impacto significativo em estudos de ajuste de dose e de múltiplas doses sequenciais.


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Referências

1. COMPETE SWITCH CV. Dados arquivados pela Novo Nordisk.

2. Fang G, Muhammad C, Swift C, et al. Desfechos cardiometabólicos em adultos com diabetes tipo 2 tratados com semaglutida 1 mg que aumentaram a dose para semaglutida 2 mg versus aqueles que trocaram para tirzepatida. Pôster apresentado nas Sessões Científicas da American Diabetes Association; 5 a 8 de junho de 2026, Nova Orleans, Louisiana.

3. Dang A. Evidências de vida real: uma introdução. Pharm Med 37, 25–36 (2023). https://doi.org/10.1007/s40290-022-00456-6


Hipertensão resistente: quando a pressão alta continua fora de controle apesar do tratamento

 

Controlar adequadamente a pressão arterial representa uma grande
 oportunidade para evitar eventos que podem provocar morte
ou incapacidade permanente
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Condição aumenta o risco de AVC, infarto, insuficiência cardíaca e doença renal; Rede Brasil AVC reforça a importância do diagnóstico adequado, acompanhamento médico e adesão ao tratamento 


A hipertensão arterial é uma das condições de saúde mais comuns no mundo e, ao mesmo tempo, uma das mais perigosas. Estima-se que 1,4 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos vivam com hipertensão, mas apenas cerca de 23% tenham a pressão arterial controlada. 

Um dos grandes desafios é que a hipertensão geralmente não provoca sintomas. Uma pessoa pode permanecer durante anos com a pressão elevada sem perceber qualquer alteração e, ainda assim, estar exposta progressivamente a danos nos vasos sanguíneos, coração, cérebro e rins. Por isso, a hipertensão é frequentemente chamada de “assassina silenciosa”. 

Quando não identificada ou adequadamente controlada, a pressão alta aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, entre elas o acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e doença renal crônica. 

“Um dos maiores perigos da hipertensão é justamente o fato de que, na maioria das vezes, ela não provoca sintomas. A pessoa pode se sentir perfeitamente bem e estar com a pressão muito elevada. Sentir-se bem não significa que a pressão esteja bem. Por isso, medir a pressão regularmente é fundamental”, explica a neurologista e presidente da Rede Brasil AVC, Sheila Martins. “A hipertensão é o principal fator de risco para o AVC. Isso significa que identificar e controlar adequadamente a pressão arterial representa uma grande oportunidade para evitar eventos que podem provocar morte ou incapacidade permanente”, reforça.
 

 

Quando controlar a pressão se torna mais difícil 

Embora muitas pessoas com hipertensão consigam alcançar níveis adequados de pressão com mudanças no estilo de vida e tratamento indicado pelo médico, existe um grupo em que esse controle é particularmente difícil. 

A chamada hipertensão resistente ocorre quando a pressão permanece acima da meta apesar do uso adequado de três classes diferentes de medicamentos anti-hipertensivos, em doses máximas ou máximas toleradas, incluindo um diurético. Também são considerados portadores de hipertensão resistente aqueles que conseguem atingir a meta de pressão, mas necessitam de quatro ou mais medicamentos para isso. 

Estudos apontam que a hipertensão resistente pode estar presente em uma parcela relevante das pessoas com hipertensão, com estimativas que variam de acordo com a população estudada, os critérios diagnósticos e as metas de pressão utilizadas. 

Entretanto, a especialista ressalta que é importante confirmar se existe realmente resistência ao tratamento.

“Antes de estabelecer o diagnóstico, o médico precisa avaliar fatores como a técnica utilizada para medir a pressão, o chamado ‘efeito do avental branco’ (quando a pressão arterial de uma pessoa aumenta durante uma consulta ou exame médico, geralmente por ansiedade, estresse ou nervosismo), a adesão correta ao tratamento, hábitos de vida, uso de outras substâncias ou medicamentos que possam elevar a pressão e a presença de doenças que provoquem hipertensão secundária”, pontua. 

Por isso, a médica lembra que uma pressão persistentemente elevada apesar do tratamento não significa automaticamente que o paciente tenha hipertensão resistente, mas é um sinal de que a situação precisa ser investigada.

 

Hipertensão refratária: ainda mais difícil de controlar 

Existe ainda um grupo menor de pacientes com uma forma extrema de dificuldade de controle, denominada hipertensão refratária. 

De acordo com a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, trata-se de um subgrupo de pacientes com hipertensão resistente verdadeira cuja pressão permanece acima das metas individualizadas apesar de uma estratégia terapêutica intensiva, envolvendo cinco ou mais medicamentos anti-hipertensivos. 

Embora seja menos frequente que a hipertensão resistente, a hipertensão refratária merece especial atenção pela dificuldade de controle e pelo elevado risco cardiovascular associado.
  
 

Controle difícil exige atenção 

A hipertensão resistente não deve ser vista apenas como “uma pressão um pouco mais alta”. Pessoas com essa condição apresentam um risco 50% maior de complicações cardiovasculares e renais do que o de pacientes hipertensos cuja pressão é mais facilmente controlada. 

Entre as possíveis consequências estão AVC, infarto, insuficiência cardíaca, comprometimento dos rins e morte cardiovascular. 

Isso torna fundamental identificar precocemente quem permanece fora das metas de pressão arterial e compreender por que o tratamento não está funcionando como esperado. 

A investigação pode envolver medidas da pressão fora do consultório, avaliação da adesão ao tratamento, análise de hábitos de vida e fatores de risco, além da pesquisa de causas secundárias de hipertensão. Em casos de difícil controle, a avaliação por profissionais com experiência no manejo da hipertensão pode ser necessária. 

“Quando uma pessoa está fazendo o tratamento e a pressão permanece elevada, não devemos simplesmente aceitar que ‘a pressão dela é alta mesmo’. É preciso investigar por que isso está acontecendo, confirmar se realmente existe hipertensão resistente, procurar possíveis causas e definir a melhor estratégia para conseguir o controle. Quanto mais cedo conseguirmos controlar a pressão, maior será a nossa oportunidade de prevenir AVC, infarto, doença renal e outras complicações graves”, destaca Sheila. 

 

Medir a pressão e seguir o tratamento são fundamentais 

Como a hipertensão frequentemente não apresenta sintomas, não é possível saber se a pressão está controlada apenas pela maneira como a pessoa se sente. “A única forma de saber é medir”, frisa Sheila. 

Além do acompanhamento médico regular, medidas relacionadas ao estilo de vida têm papel importante no controle da pressão arterial, como alimentação saudável, redução do consumo excessivo de sal, atividade física regular, controle do peso, evitar o tabagismo e limitar o consumo de bebidas alcoólicas. 

Para quem já recebeu o diagnóstico de hipertensão, outro ponto essencial é seguir corretamente o tratamento prescrito. Interromper ou modificar medicamentos porque a pressão melhorou, ou porque a pessoa está se sentindo bem, pode fazer com que ela volte a subir sem provocar qualquer sintoma perceptível. 

Da mesma forma, quem utiliza o tratamento regularmente e continua apresentando pressão elevada deve procurar avaliação médica em vez de simplesmente aceitar que “a pressão é alta mesmo”. 

 

Pressão alta persistente precisa ser investigada 

A presidente da Rede Brasil AVC ressalta que ampliar a identificação das pessoas com hipertensão, melhorar o controle da pressão arterial e reconhecer precocemente os casos de hipertensão resistente ou refratária são estratégias importantes para reduzir a ocorrência de AVC, doenças cardiovasculares, doença renal e mortes evitáveis. 

“A mensagem para a população é simples: meça sua pressão regularmente, conheça seus números, procure orientação médica quando eles estiverem elevados e, se já estiver em tratamento, siga as recomendações e mantenha o acompanhamento. Mesmo sem sintomas, a hipertensão precisa ser levada a sério”, conclui.

  

Rede Brasil AVC
www.redebrasilavc.org.br


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