Nova resolução do
Conselho Federal de Medicina estabelece limites para o uso da tecnologia e abre
espaço para aplicações que tornam o acompanhamento dos pacientes mais preciso,
seguro e personalizado
A inteligência artificial já faz parte da rotina de
hospitais e clínicas brasileiras, mas agora passa a contar com regras
específicas para sua utilização. Publicada pelo Conselho Federal de Medicina
(CFM), a Resolução nº 2.454/2026 estabelece que a IA pode ser utilizada como
ferramenta de apoio à decisão clínica, à gestão em saúde, à pesquisa científica
e à educação médica, desde que respeite princípios éticos, científicos e
legais. A norma também deixa claro que a decisão final sobre diagnóstico,
tratamento e prognóstico continua sendo exclusivamente do médico.
Para o cirurgião plástico Dr. Alexandre
Peruzzo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a
regulamentação representa um passo importante para acelerar a inovação sem
comprometer a segurança do paciente. Segundo ele, a inteligência artificial
tende a ampliar a capacidade de análise médica, mas jamais substituirá o
raciocínio clínico.
"A inteligência artificial consegue organizar
grandes volumes de informação, comparar exames, acompanhar indicadores e
identificar padrões que muitas vezes levariam mais tempo para serem avaliados
manualmente. Mas ela não enxerga o paciente como um todo. Quem interpreta essas
informações dentro da realidade clínica continua sendo o médico", afirma.
A resolução determina que toda utilização relevante
de IA no cuidado ao paciente deve ocorrer com supervisão humana obrigatória. O
médico pode aceitar ou rejeitar as recomendações produzidas pelo sistema, deve
registrar seu uso em prontuário e informar o paciente sempre que a tecnologia
participar de forma significativa do atendimento. Além disso, a norma proíbe
que a inteligência artificial comunique diagnósticos ou decisões terapêuticas
diretamente ao paciente.
Na cirurgia plástica, Peruzzo acredita que a tecnologia
tende a ganhar espaço principalmente no acompanhamento longitudinal dos
pacientes. Em vez de atuar apenas durante a consulta, a IA poderá integrar
informações obtidas ao longo do tratamento, permitindo uma visão mais ampla da
evolução clínica.
"Hoje já conseguimos reunir exames
laboratoriais, composição corporal, fotografias seriadas, ultrassonografias e
diversos indicadores de saúde. A inteligência artificial pode organizar esses
dados, identificar tendências e facilitar comparações objetivas entre
diferentes momentos do tratamento. Isso torna o acompanhamento mais preciso e
individualizado", destaca.
Essa aplicação também favorece o planejamento
cirúrgico. Com o apoio da tecnologia, torna-se possível analisar mudanças
metabólicas, acompanhar ganho ou perda de massa muscular, verificar alterações
na distribuição de gordura corporal e monitorar fatores que influenciam
diretamente a recuperação pós-operatória.
Segundo Peruzzo, a utilização da IA faz sentido
principalmente dentro de uma medicina que acompanha o paciente continuamente, e
não apenas no momento da cirurgia.
"A cirurgia é apenas uma etapa. O paciente
chega com um histórico, passa por exames, modifica hábitos e continua sendo
acompanhado depois do procedimento. Quando conseguimos integrar todas essas
informações, as decisões deixam de ser baseadas apenas em uma fotografia
daquele dia e passam a considerar toda a evolução clínica", ressalta.
A regulamentação também reforça a necessidade de
governança sobre os sistemas utilizados. A resolução estabelece critérios para
classificação de risco das aplicações de inteligência artificial, exige
observância integral da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e prevê mecanismos
de auditoria e monitoramento das soluções empregadas na prática médica.
Na avaliação do especialista, a tecnologia também
tende a reduzir tarefas operacionais que consomem tempo dos profissionais de
saúde, permitindo maior dedicação ao atendimento.
"Grande parte do potencial da inteligência
artificial está em automatizar atividades repetitivas, organizar informações e
gerar relatórios. Isso libera tempo para aquilo que nenhuma tecnologia consegue
substituir: ouvir o paciente, compreender suas expectativas, interpretar
detalhes do exame físico e construir uma relação de confiança", afirma.
Onde a inteligência artificial
pode contribuir na cirurgia plástica
Embora cada caso exija avaliação individual,
algumas aplicações já demonstram potencial para ampliar a eficiência do
acompanhamento médico:
- organização
e comparação de exames laboratoriais ao longo do tratamento;
- monitoramento
da composição corporal e da evolução metabólica;
- acompanhamento
da recuperação pós-operatória com análise de indicadores clínicos;
- integração
de fotografias, exames e histórico médico para apoiar o planejamento
cirúrgico;
- auxílio
na documentação clínica e na gestão das informações do paciente.
Para Peruzzo, a regulamentação do CFM consolida um
princípio que deve orientar toda inovação na saúde: a tecnologia deve ampliar a
capacidade do médico, nunca substituí-la.
"A inteligência artificial é uma ferramenta
extremamente poderosa quando utilizada de forma ética, transparente e baseada
em evidências. Ela melhora a qualidade das informações disponíveis para o
médico. Mas a responsabilidade pela decisão continuará sendo humana, porque
cada paciente possui características, expectativas e necessidades que nenhum
algoritmo consegue compreender integralmente", conclui.
Dr. Alexandre Peruzzo Cremers 26736 /Rqe 34441 - cirurgião plástico em Porto Alegre, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), mentor de médicos em gestão e marketing, proprietário de clínicas de alto padrão e ex-professor da ULBRA, onde atuou por cinco anos. Formado em Medicina em 2001 e em Cirurgia Plástica em 2008, construiu sua trajetória com foco em técnicas minimamente invasivas, recuperação rápida, personalização e integração entre estética, saúde e longevidade. Ao longo da carreira, desenvolveu a Minilipolaser, técnica minimamente invasiva para remoção de gordura localizada, baseada na adaptação do procedimento às necessidades reais de cada paciente. Sua atuação parte da tese de que a cirurgia plástica deve ser uma oportunidade de reaproximação do paciente com a própria saúde, com atenção à preservação do metabolismo, da massa muscular, da rotina e dos hábitos de vida.
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Clínica d Dr. Alexandre Peruzzo
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