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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Varejo brasileiro recua 0,5% no terceiro trimestre, mostra Índice do Varejo Stone (IVS)

  • Em setembro, o comércio varejista cresceu 0,5%
  • Cinco dos oito setores analisados registraram alta mensal
  • No recorte regional, dez estados apresentaram resultados positivos


As vendas do comércio brasileiro registraram queda de 0,5% no terceiro trimestre deste ano em relação ao terceiro trimestre de 2024, de acordo com o Índice do Varejo Stone (IVS). Já frente ao segundo trimestre de 2025, o recuo foi de 0,2%. O estudo, que acompanha mensalmente a movimentação do varejo no país, é uma iniciativa da Stone, principal parceira do empreendedor brasileiro. 

Mesmo com o desempenho negativo do trimestre, no comparativo mensal, setembro apresentou crescimento de 0,5%. O resultado interrompe a queda de 1,2% registrada em agosto e sucede o avanço de 2,4% observado em julho. Já na comparação com o mesmo período de 2024, setembro mostrou estabilidade. 

Segundo Guilherme Freitas, economista e cientista de dados da Stone, “o leve crescimento das vendas em setembro não altera a leitura de que o varejo segue em processo de acomodação. O mês apresentou melhora frente a agosto, mas ainda não foi suficiente para reverter o cenário negativo do trimestre. O desempenho dos últimos três meses reforça essa dinâmica, o setor se manteve com resultado levemente negativo, refletindo um consumo mais contido e em linha com o que já havia sido observado no primeiro semestre, com queda acumulada de 0,5%.” 

“Apesar disso, o mercado de trabalho segue robusto e sustenta parte da demanda, embora já apresente sinais de moderação, com menor geração de vagas formais. Entre os fatores que limitam uma recuperação mais firme, o endividamento elevado das famílias e a inflação persistente continuam pesando sobre o orçamento doméstico, ajudando a explicar por que o varejo ainda opera abaixo dos níveis de 2024”, avalia Freitas.
 

Segmentos

No recorte mensal, cinco dos oito segmentos analisados registraram alta em setembro. O destaque foi o setor de Livros, Jornais, Revistas e Papelaria, com crescimento de 6,9%, seguido por Material de Construção (4,2%), Móveis e Eletrodomésticos (2,6%), Combustíveis e Lubrificantes (0,8%) e Artigos Farmacêuticos (0,7%). Entre os segmentos com retração, tiveram queda os setores de Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (2,9%), Tecidos, Vestuário e Calçados (1,1%) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,3%). 

No comparativo anual, registraram alta os setores de Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (3,6%), Combustíveis e Lubrificantes (2,8%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (1,3%) e Artigos Farmacêuticos (1,1%). Já os setores que apresentaram retração, foram: Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (2,4%), Material de Construção (1%), Móveis e Eletrodomésticos (0,9%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (0,5%). 

Na comparação trimestral, tiveram queda os setores de Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (4,3%), Móveis e Eletrodomésticos (1,4%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (1%), Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (0,9%), Material de Construção (0,7%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (0,6%). Tiveram desempenho positivo os segmentos de Combustíveis e Lubrificantes (0,7%) e Artigos Farmacêuticos (0,4%).
 

Destaques regionais 

No recorte regional, dez estados apresentaram crescimento no comparativo anual: Acre (6,5%), Amapá (5,1%), Espírito Santo (4%), Piauí (3,9%), Tocantins (2,5%), Mato Grosso (1,9%), Ceará (1,5%), Pará (0,9%), Minas Gerais (0,4%) e Roraima (0,2%). Pernambuco e Bahia registraram estabilidade no período. 

Entre os estados com retração nas vendas, os piores resultados foram observados no Rio Grande do Norte (4,8%), seguido por Alagoas (3,8%), Amazonas, Santa Catarina e Distrito Federal (3,4%), Rio Grande do Sul (3,2%), Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul (2,5%), Paraíba (2,4%), Goiás (2,3%), Sergipe (1,9%), Rondônia (1,7%), São Paulo (1,1%), Paraná (0,9%) e Maranhão (0,5%). 

“Na análise regional de setembro, o Norte se destacou novamente, com cinco dos sete estados apresentando crescimento no comparativo anual, indicando que a atividade varejista segue mais aquecida na região. O Sudeste teve comportamento misto, com pequenas altas e quedas, enquanto o Centro-Oeste registrou desempenho negativo em dois dos três estados, mais o Distrito Federal, refletindo menor dinamismo. Já o Sul apresentou retração generalizada, e o Nordeste mostrou desempenho diverso, com altas no Piauí e no Ceará, estabilidade em Pernambuco e Bahia e queda nos demais estados da região, evidenciando que o ambiente econômico ainda segue desafiador em parte do país”, explica o economista e cientista de dados da Stone. 

O relatório completo pode ser encontrado na nova plataforma de conteúdo da Stone


O afastamento da Geração Z de fanatismos políticos, religiosos e esportivos


Se no passado o pertencimento a partidos, clubes de futebol ou religiões era um marcador de identidade coletiva, para a Geração Z esses vínculos se tornaram mais fluidos. Nascidos entre 1995 e 2010, os jovens dessa geração se conectam mais a causas do que a instituições. Essa mudança está, inclusive, redefinindo o que significa ter fé, ser torcedor ou ser eleitor.E quando dão crédito a um CNPJ, antes querem saber quem são as lideranças.

A Geração Z não se engaja em fanatismos partidários como as gerações anteriores. Prefere se mobilizar por causas específicas, como clima, igualdade racial, diversidade de gênero, proteção de minorias, em vez de aderir cegamente a siglas. Essa postura não significa apatia política, mas rejeição ao radicalismo. Eles rejeitam a ideia de “torcer” por partidos da mesma forma que se torce por times de futebol.

Ricardo Dalbosco, Doutor e especialista em comunicação multigeracional, explica que essa característica desafia o modelo tradicional de política, em que a fidelidade partidária era quase inquestionável. Agora, o engajamento é mais conectado a movimentos sociais, coletivos independentes e influenciadores digitais.

A religião perde espaço entre a Geração Z. No Brasil, pesquisas apontam crescimento de evangélicos sem filiação denominacional e de jovens que preferem se identificar apenas como “espirituais”. Isso não significa ausência de fé. O que se observa é a busca por espiritualidade personalizada, fora de dogmas rígidos. Em vez de abraçar instituições tradicionais, a Geração Z combina práticas, crenças e filosofias em um ecletismo espiritual que foge do fanatismo religioso.

O futebol, tradicional espaço de rivalidades extremas, também vive transformações. A Geração Z acompanha o esporte mais pelo entretenimento do que pela lealdade incondicional a clubes. Se antes era comum herdar a camisa de um clube como legado familiar, hoje muitos jovens transitam entre ligas, times e até esportes diferentes. O fanatismo, que gera violência e intolerância entre torcidas, perde força diante de uma relação mais crítica e globalizada com o esporte.

Três fatores principais explicam essa mudança:

  1. Hiperconectividade: o acesso a múltiplas vozes e fontes de informação quebrou monopólios narrativos de partidos, igrejas e clubes.
     
  2. Educação crítica: a Geração Z foi criada com mais estímulo ao questionamento e menos aceitação de verdades absolutas impostas por pais, professores, religiões, celebridades e mídias convencionais.
     
  3. Valorização da autenticidade: jovens preferem escolhas alinhadas a valores pessoais do que adesão cega a instituições ou doutrinações.

A Geração Z não abandonou a política, a fé ou o esporte. O que abandonou foi a postura de “seguidor sem informação”. Em vez de idolatrar partidos, líderes religiosos ou times de futebol, esses jovens preferem analisar, questionar e se conectar a causas que representam seus valores. Isso representa um desafio para instituições tradicionais, que precisam se reinventar para conquistar a lealdade de uma geração menos propensa a fanatismos e mais exigente quanto à coerência. No fim, o afastamento da Geração Z mostra que pertencimento pode existir sem idolatria e que inclusão e diversidade não combinam com radicalismo.

 

Ricardo Dalbosco, PhD. - Palestrante referência em Comunicação Multigeracional e o Futuro do Trabalho, sendo estrategista de marca pessoal, referência nacional e com experiência em projetar marcas pessoais de profissionais de sucesso de quatro continentes, além de marcas corporativas. É Doutor com foco em influência digital, escritor Best-Seller, conselheiro de empresas, vencedor de prêmios, além de colunista e consultado por diversas mídias de renome nacional. É o maior formador de LinkedIn Top Voices e Creators no Brasil, trabalhou em diversos lugares pelo mundo e é considerado o profissional de confiança de vários executivos, empresários e board members no país.
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Confiança das empresas varejistas de São Paulo atinge menor nível em quatro anos, aponta FecomercioSP

Expectativa dos empresários em relação ao futuro desaba em setembro, registrando menor patamar desde julho de 2020

 

O sentimento de pessimismo entre os empresários do varejo paulistano se aprofundou em setembro. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), produzido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), caiu 5,9%, ao passar de 99,8 pontos, em agosto, para 93,9 pontos, em setembro — é a segunda queda seguida atingindo a menor pontuação desde junho de 2021 [gráfico 1]. No comparativo anual, o indicador exibiu queda de 13,9%, a oitava consecutiva.

 

[GRÁFICO 1]

Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC)

Série histórica — 13 meses

Fonte: FecomercioSP

 

De acordo com a FecomercioSP, o cenário é marcado por incertezas e preocupações com a desaceleração da atividade econômica. Como a Entidade já havia alertado, embora as vendas estivessem apresentando bons resultados, o dia a dia das empresas ainda é de muita dificuldade, com margens apertadas, crédito caro, empréstimos contraídos durante a pandemia que ainda estão sendo pagos, entre outros fatores que afetam a rentabilidade e a lucratividade. Os dados de negócios em recuperação judicial ou que faliram comprovam esse quadro difícil, que reflete na confiança.

 

Os três componentes do ICEC — o Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC), o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) e o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) — recuaram no comparativo mensal [gráfico 2]. A escala de pontuação varia de 0 (pessimismo total) a 200 pontos (otimismo total), sendo que a fronteira dos 100 pontos separa o pessimismo do otimismo.

 

[GRÁFICO 2]

Subíndices do ICEC — ICAEC, IEEC e IIEC

Agosto de 2024 a agosto de 2025

Fonte: FecomercioSP


 O recuo de 6,5% do ICAEC, marcando 69,1 pontos em setembro, evidencia

esse sentimento de insatisfação e de extrema dificuldade para manter as operações rotineiras, agravado pelos juros elevados e pela desaceleração e, até mesmo, pela queda nas vendas. É o menor patamar desde julho de 2021 e está 15,7% abaixo do registrado em setembro do ano passado. Além disso, é o item de pior avaliação do ICEC — é o 31º mês consecutivo em que o ICAEC se mantém na linha do pessimismo. 

 

A política econômica com aumento de impostos e os juros elevados também estão afetando as expectativas dos empresários quanto ao futuro, como mostra o IEEC. O indicador caiu pelo terceiro mês seguido, com variação negativa de 7,7% registrando  113,7 pontos em setembro, a menor pontuação desde julho de 2020, período da pandemia. No comparativo anual, a queda é ainda mais expressiva (-19%). 

 

Voltando para a zona de pessimismo, o IIEC passou de 102,3 pontos, em agosto, para 98,9 pontos, em setembro — queda de 3,2%. Na avaliação da FecomercioSP, com o indicador flutuando em torno dos 100 pontos nos últimos meses, os empresários estão adotando uma postura mais cautelosa em relação a novos investimentos frente à insegurança e aos juros elevados. 

 

Grandes empresas voltam para zona de pessimismo após 5 anos


Na segmentação por porte, a confiança das grandes empresas (acima de 50 funcionários) voltou a ficar na zona de  pessimismo após cinco anos, desde a pandemia. O ICEC das grandes companhias paulistas caiu 10,9%, ao passar de 107,3 pontos, em agosto, para 95,6 pontos, em setembro.

 

Esse recuo foi motivado, principalmente, pela deterioração das expectativas em relação ao futuro, que caiu 14,6% em setembro, registrando 104,2 pontos, menor patamar desde julho de 2020. Entre maio e setembro, essas expectativas desabaram 26,1%. 

 

Já a percepção das grandes empresas quanto ao momento atual, medida pelo ICAEC, está na zona de pessimismo pelo sétimo mês seguido. Em setembro, caiu 10,2%, passando de 82 para 73,7 pontos, menor patamar desde setembro de 2020. O IIEC também recuou: -7,6% em relação a agosto, marcando 108,8 pontos.

 

O ICEC das pequenas empresas (até 50 empregados) recuou 5,7%, ao passar de 99,6 pontos, em agosto, para 93,9 pontos, em setembro, assim como seus componentes. O ICAEC, por sua vez, retraiu 6,4%, marcando 69 pontos, menor nível desde julho de 2021. O IEEC sofreu queda de 7,5% (para 113,9 pontos) e o IIEC caiu 3,1% (para 98,7 pontos).

 

Um dado que chama a atenção é que as expectativas das grandes empresas em relação ao futuro estão piores do que as das menores. Em setembro, o indicador foi de 104,2 pontos para as grandes, contra 113,9 pontos para as pequenas. O resultado preocupa, já que, em geral, as grandes empresas costumam ser mais bem informadas sobre movimentos e tendências de mercado. Isso pode indicar que essas organizações já estejam antecipando um cenário de desaceleração — e até mesmo de crise — para 2026.

 

Expectativa de contratação de funcionários é a pior desde 2020

 

O Índice de Expansão do Comércio do Município de São Paulo (IEC), também medido pela FecomercioSP, registrou, em setembro, a segunda retração consecutiva. O indicador recuou 4,4%, passando de 105,7 para 101 pontos [gráfico 3].

 

[GRÁFICO 3]

Índice de Expansão do Comércio (IEC)

Agosto de 2024 a agosto de 2025

Fonte: FecomercioSP


Após as principais datas comemorativas do varejo no primeiro semestre — como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, além do Dia dos Pais, em agosto —, o subíndice que avalia a Expectativa de Contratação de Funcionários (ECF) apresentou queda de 6,2%, ao passar de 114,7 para 107,6 pontos. Esse resultado, que representa a segunda baixa seguida, marca a menor pontuação desde maio de 2021, durante o período mais crítico da pandemia. Na comparação anual, o recuo é ainda mais expressivo (-12,3%).

Outro componente do índice, o Nível de Investimento do Empresário (NIE), também sofreu retração em setembro, caindo 2,3% e alcançando 94,5 pontos. O indicador segue abaixo da marca dos 100 pontos, na zona de pessimismo, refletindo a postura conservadora dos empresários quanto a investimentos em máquinas, equipamentos, reformas e abertura de lojas. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda acumulada é de 2,9%. 

 

Notas metodológicas


ICEC


O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) contempla a percepção do setor em relação ao seu segmento, à sua empresa e à economia do País. São entrevistas realizadas em painel fixo de empresas, com amostragem segmentada por setor — não duráveis, semiduráveis e duráveis — e por porte de empresa — até 50 empregados e mais de 50 empregados. As questões agrupadas formam o ICEC, que, por sua vez, pode ser decomposto em outros subíndices que avaliam as perspectivas futuras, a avaliação presente e as estratégias dos empresários mediante o cenário econômico. A pesquisa refere-se ao município de São Paulo, contudo sua base amostral reflete o cenário da região metropolitana.



IEC


O Índice de Expansão do Comércio (IEC) é apurado todo mês pela FecomercioSP, desde junho de 2011, com dados de cerca de 600 empresários. O indicador vai de 0 a 200 pontos, representando, respectivamente, desinteresse e interesse absolutos na expansão de seus negócios. A análise dos dados identifica a perspectiva dos empresários do Comércio em relação a contratações, compra de máquinas ou equipamentos, e abertura de novas lojas. Apesar de esta pesquisa também se referir ao município de São Paulo, sua base amostral abarca a região metropolitana.

  


FecomercioSP
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terça-feira, 14 de outubro de 2025

Dia Mundial do Pão: médico esclarece mitos e verdades sobre um dos alimentos mais polêmicos da mes



No Dia Mundial do Pão, celebrado em 16 de outubro, o médico Danilo Almeida explica o que a ciência realmente diz sobre o consumo desse alimento tão tradicional — e ainda cercado de mitos sobre inflamação, glúten e emagrecimento.

 

Celebrado em 16 de outubro, o Dia Mundial do Pão marca a importância de um alimento que atravessa séculos e fronteiras culturais. Do pão francês do café da manhã ao caseiro artesanal, ele é parte da rotina de milhões de brasileiros. Mas, ao mesmo tempo em que simboliza tradição e afeto, o pão também carrega fama de vilão das dietas. Afinal, ele engorda? Causa inflamação? Deve ser cortado para emagrecer? O médico Danilo Almeida, pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN e responsável pela Clínica Versio, explica o que é mito e o que é verdade entre as principais crenças sobre o alimento. 

Para começar, o especialista lembra que o pão é basicamente uma combinação de farinha, água, fermento e sal — ingredientes simples, que em si não representam um problema. “O que transforma o pão em uma opção mais ou menos saudável é o grau de processamento e a forma como ele é inserido na rotina alimentar. O vilão não é o pão, é o contexto”, afirma. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), cerca de 47 milhões de pessoas passam por padarias todos os dias no Brasil, e o pão francês continua sendo o campeão de vendas, respondendo por mais de um terço da produção nacional. 

Uma das crenças mais comuns é a de que o pão engorda. Para o Dr. Danilo, esse é um dos mitos mais persistentes: “O pão não tem uma característica intrínseca que o torne um alimento engordativo. O que leva ao ganho de peso é o excesso calórico total e a baixa qualidade da dieta. É perfeitamente possível emagrecer comendo pão, desde que ele caiba no plano alimentar e venha acompanhado de proteínas e boas gorduras”. Ele explica que associar o pão a alimentos ricos em proteína e fibra, como ovos, queijo ou abacate, ajuda a reduzir o impacto glicêmico e prolongar a saciedade. 

Mas estas não são as únicas dúvidas sobre o pãozinho nosso de cada dia. Na lista a seguir, o Dr. Danilo Almeida comenta outros mitos e verdades sobre o alimento.

 

1. Pão inflama o corpo

MITO. De acordo com o médico, não há evidências científicas de que isso aconteça em pessoas saudáveis. “A ideia de que o pão, ou o glúten, causa inflamação generalizada é uma simplificação perigosa. O que pode provocar sintomas inflamatórios é a intolerância individual, como a sensibilidade ao glúten ou a disbiose intestinal. Fora desses casos, o pão não inflama — e pode, inclusive, contribuir para uma dieta equilibrada, dependendo da sua composição”, explica.

 

2. Torrar o pão elimina o glúten

MITO. O médico explica que o glúten é uma proteína do trigo que se mantém estável ao calor, ou seja, não é destruída quando o pão é tostado. “O que muda ao torrar o pão é apenas a textura e, em alguns casos, o índice glicêmico, que tende a cair levemente quando o amido passa a se comportar como amido resistente”, diz o médico. Esse processo, de fato, pode trazer benefícios: o amido resistente funciona como uma fibra, alimentando as bactérias boas do intestino e auxiliando no controle da glicose.

 

3. Pão de forma é ultraprocessado

VERDADE. O pão de forma industrializado é um ultraprocessado. Segundo o Dr. Danilo, isso não significa que ele seja automaticamente nocivo, mas exige atenção. “O pão de forma costuma conter conservantes, emulsificantes, açúcar e gordura vegetal hidrogenada para aumentar a durabilidade e a textura. Esses aditivos, quando consumidos com frequência, podem prejudicar a microbiota intestinal e aumentar a inflamação sistêmica em pessoas sensíveis. Por isso, o ideal é priorizar versões mais simples, com poucos ingredientes e fermentação natural.” O pão artesanal, com farinha integral e fermentação lenta, tende a ser mais nutritivo e melhor tolerado.

 

4. A fermentação natural deixa o pão mais saudável

VERDADE. O especialista afirma que ao fermentar lentamente, os microorganismos da massa-mãe pré-digerem parte do glúten e dos açúcares, tornando o pão mais leve e de menor índice glicêmico. “Além de saboroso, esse processo favorece a digestibilidade e pode beneficiar o equilíbrio intestinal. É um tipo de pão que dialoga com o conceito de alimentação funcional”, explica o médico.

 

5. É ruim comer pão todos os dias

MITO. Quanto à frequência, Dr. Danilo explica que comer pão todos os dias não é, por si só, prejudicial. O problema, segundo o especialista, está na repetição e na falta de variedade alimentar. “Se a base da alimentação for sempre a mesma — pão de manhã, pão à tarde, pão à noite —, há risco de monotonia nutricional. Mas incluir pão diariamente dentro de uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais e proteínas, é perfeitamente possível e saudável”, afirma. O segredo, ele reforça, é a diversidade de fontes e o equilíbrio calórico.

 

6. Comer pão provoca gases e inchaço

PARCIALMENTE VERDADE. Algumas pessoas relatam desconforto, gases e inchaço após o consumo de pão, o que leva à crença de que ele é sempre mal tolerado. “Na maioria das vezes, o desconforto não vem do pão em si, mas de uma microbiota intestinal desequilibrada”, explica o Dr. Danilo. “Pães com fermentação natural e menos aditivos tendem a ser mais bem aceitos. Já versões ultraprocessadas podem agravar sintomas em pessoas predispostas”.

 

7. Comer pão à noite engorda

MITO. Há também quem evite o pão à noite por medo de engordar. Mas o médico explica que o corpo não “acumula gordura” de forma diferente conforme o horário da refeição. “O metabolismo continua ativo, mesmo à noite. O que importa é o total calórico e o equilíbrio ao longo do dia. O pão noturno só será um problema se estiver associado a exageros”, esclarece o médico.

 

8. Congelar e reaquecer o pão o torna mais saudável

PARCIALMENTE VERDADE. Isso ocorre porque o processo transforma parte do amido em amido resistente, que age como fibra. “É uma boa estratégia para quem quer controlar o índice glicêmico sem abrir mão do pão”, explica o médico. E complementa: “No fim das contas, o impacto do pão na saúde depende mais da qualidade e da quantidade do que de regras absolutas”.

O pão segue sendo um alimento histórico, acessível e afetivo, que pode e deve ter lugar na mesa — sem culpa e com consciência. “Não há motivo para demonizar o pão”, conclui o Dr. Danilo Almeida. “Ele é fonte de energia, tradição e prazer. O que precisamos é aprender a escolher melhor e respeitar os sinais do corpo”.

 


Danilo Nunes Almeida (CRM/ES 17592) -é médico pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) e pós-graduando em Metabolômica pela Academia Brasileira de Medicina Funcional Integrativa. Atua com foco em emagrecimento, saúde hormonal, saúde intestinal e medicina de precisão. Fundador da Clínica Versio, localizada em Vitória (ES), é especialista em transformar dados clínicos, como genética, microbiota e hipersensibilidades alimentares, em estratégias de tratamento personalizadas, com foco em resultados reais e sustentáveis.

 

Outubro Rosa: Mais de 2 milhões de mulheres vivem sem água encanada ou banheiro próprio, alerta Habitat Brasil

Organização destaca que sem moradia digna, água e saneamento, milhões de brasileiras não conseguem cuidar da própria saúde

 

A campanha Outubro Rosa é um convite à prevenção e ao cuidado com a saúde das mulheres. Mas para milhões de brasileiras, o simples ato de se cuidar ainda é um privilégio. A ONG Habitat para a Humanidade Brasil alerta que a falta de moradia digna, água e saneamento básico segue impactando diretamente a saúde física e mental das mulheres e, portanto, sua capacidade de prevenção e acesso ao tratamento de doenças como o câncer de mama.
 

O relatório “Sem moradia digna, não há justiça de gênero” da Habitat Brasil mostra que 62,6% dos domicílios em déficit habitacional são chefiados por mulheres. Desde 2020, mais de 938 mil mulheres e meninas foram despejadas ou ameaçadas de remoção forçada no país. 

Essa vulnerabilidade se reflete também no acesso à água e saneamento. O estudo “Com sede de esperança” revela que 35 milhões de pessoas no Brasil não têm acesso à água tratada e 100 milhões vivem sem sistema de esgoto. Entre as mulheres, os impactos são ainda mais severos: 2,4 milhões não possuem água canalizada e 2,3 milhões não têm banheiro próprio. Sem infraestrutura básica, o cuidado com o corpo e a higiene menstrual se tornam desafios diários — agravando riscos de infecções e dificultando o diagnóstico precoce de doenças. 

Segundo o relatório “Percepção de Mudança 2023”, 98% das famílias que receberam melhorias habitacionais afirmam que suas casas ficaram mais saudáveis, e 94% disseram que as reformas ajudaram a prevenir doenças. Entre famílias com pessoas que sofriam de problemas respiratórios, 81% relataram melhora nos sintomas após as intervenções. 

“Não existe saúde integral sem moradia digna. A falta de ventilação, de iluminação e de saneamento afeta o corpo, a mente e a autoestima das mulheres. Quando olhamos para o Outubro Rosa, é fundamental lembrar que a prevenção começa com o acesso a condições básicas de vida”, destaca Mohema Rolim, Gerente de Programas da Habitat para a Humanidade Brasil. 

A campanha Outubro Rosa é um convite à prevenção e ao cuidado com a saúde das mulheres. Mas para milhões de brasileiras, o simples ato de se cuidar ainda é um privilégio. A ONG Habitat para a Humanidade Brasil alerta que a falta de moradia digna, água e saneamento básico segue impactando diretamente a saúde física e mental das mulheres e, portanto, sua capacidade de prevenção e acesso ao tratamento de doenças como o câncer de mama. 

O relatório “Sem moradia digna, não há justiça de gênero” da Habitat Brasil mostra que 62,6% dos domicílios em déficit habitacional são chefiados por mulheres. Desde 2020, mais de 938 mil mulheres e meninas foram despejadas ou ameaçadas de remoção forçada no país. 

Essa vulnerabilidade se reflete também no acesso à água e saneamento. O estudo “Com sede de esperança” revela que 35 milhões de pessoas no Brasil não têm acesso à água tratada e 100 milhões vivem sem sistema de esgoto. Entre as mulheres, os impactos são ainda mais severos: 2,4 milhões não possuem água canalizada e 2,3 milhões não têm banheiro próprio. Sem infraestrutura básica, o cuidado com o corpo e a higiene menstrual se tornam desafios diários — agravando riscos de infecções e dificultando o diagnóstico precoce de doenças. 

Segundo o relatório “Percepção de Mudança 2023”, 98% das famílias que receberam melhorias habitacionais afirmam que suas casas ficaram mais saudáveis, e 94% disseram que as reformas ajudaram a prevenir doenças. Entre famílias com pessoas que sofriam de problemas respiratórios, 81% relataram melhora nos sintomas após as intervenções. 

“Não existe saúde integral sem moradia digna. A falta de ventilação, de iluminação e de saneamento afeta o corpo, a mente e a autoestima das mulheres. Quando olhamos para o Outubro Rosa, é fundamental lembrar que a prevenção começa com o acesso a condições básicas de vida”, destaca Mohema Rolim, Gerente de Programas da Habitat para a Humanidade Brasil.


Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama: Ginecologistas explicam o que toda mulher precisa saber sobre exames e prevenção

Mulher jovem realizando exame de mamografia. Canva

Da idade certa para iniciar a mamografia aos sinais que exigem atenção, médicas detalham como o diagnóstico precoce pode salvar vidas.

 

O câncer de mama é o mais incidente entre mulheres no Brasil e no mundo (excluindo tumores de pele não melanoma), com estimativa de 70 mil novos casos por ano apenas no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Responsável por milhares de mortes anuais, a doença é também a que mais mobiliza campanhas de prevenção, como o Outubro Rosa. Este ano, a discussão ganhou novo impulso após o Ministério da Saúde anunciar a ampliação das diretrizes para a mamografia, que passa a ser recomendada a partir dos 40 anos, mediante indicação médica e vontade da paciente. 

A mudança reflete dados que mostram um número expressivo de diagnósticos em mulheres abaixo dos 50 anos. Entre 2018 e 2023, mais de 108 mil brasileiras nessa faixa etária foram diagnosticadas com câncer de mama, representando uma em cada três pacientes. A nova diretriz busca corrigir uma lacuna importante, já que até então a recomendação oficial restringia o rastreamento à faixa dos 50 aos 69 anos. Agora, além de estender a triagem para os 40 a 49 anos, o governo também ampliou a idade máxima para 74 anos e incorporou novos medicamentos ao SUS para o tratamento da doença. 

Para especialistas, essa é uma medida que pode salvar vidas, mas que precisa vir acompanhada de conscientização. Isso porque a prevenção não começa apenas no exame de imagem, mas também na rotina ginecológica e no cuidado que cada mulher tem com o próprio corpo. É nesse contexto que o Outubro Rosa segue essencial: informar, desmistificar e reforçar a importância do diagnóstico precoce, já que descobrir o câncer em estágio inicial aumenta em até 30% as chances de cura e permite tratamentos menos invasivos.

 

Autoexame e consultas regulares: por onde começar? 

O autoexame das mamas não substitui a mamografia, mas é uma ferramenta importante de autoconhecimento. Ele deve ser feito mensalmente, de preferência alguns dias após o fim da menstruação. “O objetivo é que a mulher conheça o próprio corpo e perceba rapidamente qualquer alteração, como caroços, retrações, secreções ou mudanças na pele”, orienta a ginecologista e obstetra Paula Batista, do Studio Gorga Bem-Estar. Ao notar sinais suspeitos, a paciente deve procurar imediatamente seu médico. 

A Dra. Paula orienta ainda que as consultas ginecológicas devem ser anuais para mulheres sem fatores de risco, mas podem ser semestrais em casos de histórico familiar. “A frequência do acompanhamento depende do perfil de cada paciente. Mulheres com mãe ou irmãs diagnosticadas com câncer de mama, por exemplo, precisam começar a prevenção mais cedo e com intervalos menores entre os exames”, explica a especialista.

 

Quando fazer a mamografia e quais exames complementares? 

O Ministério da Saúde passou a recomendar a mamografia a partir dos 40 anos, medida defendida também por sociedades médicas. O exame continua indicado a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos, mas a ampliação permite incluir faixas que concentram parte significativa dos diagnósticos. “Detectar tumores no início pode reduzir em até 30% a mortalidade por câncer de mama. É um dado que mostra como o rastreamento salva vidas”, afirma a ginecologista e cirurgiã do Studio Gorga Bem-Estar Graziele Cervantes. 

Além da mamografia, a Dra. Graziele explica que exames como o ultrassom podem ser indicados em mulheres mais jovens ou com mamas densas, e em alguns casos específicos, a ressonância. O ideal, segundo ela, é que a estratégia seja individualizada.

 

Fatores de risco: hereditariedade, gestação tardia e escolhas de vida 

Embora ter familiares com câncer de mama aumente o risco, não significa que a doença seja exclusivamente hereditária. “Muitas mulheres sem histórico familiar também desenvolvem câncer. O que vemos é uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais”, explica a Dra. Gabriela Biava, ginecologista e obstetra do Studio Gorga Bem-Estar. 

Entre os fatores ligados à vida reprodutiva, a médica afirma que a gestação após os 35 anos pode elevar o risco. Isso acontece, segundo a especialista, porque a exposição prolongada aos hormônios estrogênio e progesterona aumenta a chance de mutações nas células da mama. “É um aspecto a ser considerado, mas não significa que toda mulher que engravida mais tarde terá câncer”, detalha a Dra. Gabriela. Já para as mulheres que optam por não engravidar, o risco também pode ser discretamente maior pelo mesmo motivo, mas hábitos como manter o peso adequado, praticar atividade física e evitar o consumo excessivo de álcool têm impacto direto na prevenção. 

No fim, o recado das especialistas é unânime: a prevenção combina acompanhamento médico regular, atenção ao corpo e escolhas de estilo de vida que favoreçam a saúde. Como resume a Dra. Graziele Cervantes, “quanto mais cedo descobrimos a doença, maiores são as chances de cura e de um tratamento menos agressivo”.

 

Studio Gorga Bem-Estar


Intoxicação por metanol: Brasil passa dos 30 casos confirmados

 

Após nota do Ministério da Saúde confirmando 29 casos no país, estado de Pernambuco registra mais 3 pacientes internados

 

O consumo de bebidas alcóolicas ganhou repercussão em todo país após notificações de intoxicações por metanol em diversos estados do Brasil. Após três dias da nota do Ministério da Saúde confirmando 29 casos, a Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco informou que mais 3 vítimas estão internadas. Com isso, o país passa de 30 casos confirmados e segue investigando casos de falsificação e adulteração de bebidas alcóolicas em comércios e estabelecimentos.  

Utilizado na indústria como solvente, combustível e matéria-prima para a produção de outros produtos químicos, a substância tem estrutura parecida com a do etanol, mas pode causar danos irreversíveis ao corpo humano. Segundo o infectologista do Grupo São Lucas em Ribeirão Preto, Dr. Luis Felipe Visconde (CRM: 201275/ RQE: 111506), os sintomas são inicialmente comuns aos da ingestão de etanol, como dor de cabeça, tontura, náuseas e vômitos. Entre 6 e 24h após ingestão, as tonturas e dores de cabeça se intensificam e surgem novos sintomas como dores abdominais importantes, respiração acelerada, visão embaçada ou escurecimento progressivo da visão.  

A toxicidade do metanol é muito elevada. Volumes relativamente pequenos já são letais. Cerca de 10 mL de metanol puro podem ser suficientes para causar cegueira permanente, enquanto 30 mL podem levar ao óbito se não houver intervenção médica imediata. A mortalidade pode variar entre 20% e 40%, conforme a rapidez no diagnóstico e o acesso a tratamento especializado. Mesmo quando sobrevive, a vítima pode ficar com sequelas irreversíveis, como cegueira e comprometimento neurológico”, explica o médico. 

O tratamento precisa ser imediato e intensivo. Além do suporte médico, existe a aplicação de antídotos para a intoxicação, que evitam a conversão do metanol para outras substâncias tóxicas, reduzindo as consequências no organismo. A hemodiálise, procedimento que imita a função dos rins na filtragem do sangue, é uma das etapas indicadas em casos graves. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitos pacientes podem se recuperar plenamente, mas atrasos no manejo reduzem significativamente a perspectiva de sucesso.   

“É uma corrida contra o tempo. A principal estratégia preventiva é evitar o consumo de bebidas alcoólicas de procedência desconhecida, sobretudo aquelas vendidas sem registro, em contextos de produção artesanal sem fiscalização sanitária. Preço muito abaixo do habitual, ausência de rótulo oficial, odor ou sabor estranhos, e relatos de sintomas após o consumo são sinais de alerta. No momento, ainda estamos com investigações em curso e, portanto, o consumo de bebidas destiladas, que são alvos mais frequentes de adulteração, deve ser evitado até que entendamos melhor a natureza e origem do problema”, conclui.  

  

Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)


Bioestimuladores de colágeno ganham espaço além da estética no cuidado pós-cânce

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| CO Assessoria

Em meio à campanha do Outubro Rosa, especialistas destacam que os bioestimuladores de colágeno podem ser aliados na recuperação da pele de mulheres após o tratamento do câncer de mama.


O Outubro Rosa é um período que reforça não apenas a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, mas também o olhar para o que vem depois da cura. O tratamento oncológico deixa marcas que vão além da cicatriz cirúrgica: muitas mulheres relatam alterações na textura e firmeza da pele, ressecamento e perda de elasticidade após sessões de radioterapia e quimioterapia. Esses efeitos, somados ao impacto físico do processo, exigem cuidados específicos para a restauração do tecido cutâneo. 

Nos últimos anos, os bioestimuladores de colágeno têm ganhado espaço na dermatologia como aliados na revitalização da pele de pacientes que passaram por cirurgias ou tratamentos intensos. Diferente de outros injetáveis, como os preenchedores tradicionais, eles não têm efeito imediato. O que fazem é estimular os fibroblastos, responsáveis pela produção de colágeno, a reconstruírem a estrutura natural da pele, devolvendo gradualmente firmeza, elasticidade e vitalidade. 

De acordo com a Dra. Danuza Alves, profissional com 15 anos de atuação em estética médica e saúde da mulher, Medical Director & Owner da Clínica Leger Porto Alegre, depois do tratamento do câncer a pele costuma ficar mais fina, sensível e com menos colágeno. A médica, que é referência nacional em tratamentos corporais avançados, explica que recebe muitas pacientes em remissão que buscam alternativas seguras para recuperar a textura e o aspecto natural. “Os bioestimuladores podem ser uma boa opção nesses casos, desde que haja liberação do oncologista. Eles atuam estimulando a regeneração do tecido e fortalecendo a estrutura da pele, o que auxilia na recuperação e na hidratação. Existem vários tipos de substâncias com essa função, como as à base de hidroxiapatita de cálcio, a exemplo do Harmonize Gold, que promovem resultados progressivos e naturais quando bem indicados.” 

Estudos clínicos publicados na revista Dermatologic Surgery mostram que bioestimuladores à base de hidroxiapatita de cálcio apresentam alta taxa de tolerância e eficácia na melhora da textura da pele, com resultados visíveis entre seis e doze semanas após o início do tratamento. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reconhece o uso dessas substâncias como um dos principais recursos para estimular a regeneração cutânea em pacientes que perderam colágeno por processos fisiológicos ou tratamentos agressivos. Pesquisas indicam que cerca de 80% das pacientes relatam melhora perceptível da firmeza e da uniformidade da pele em até três meses, quando o protocolo é realizado com acompanhamento médico. 

Na prática, o tecido tratado ganha mais sustentação, e áreas que antes apresentavam flacidez ou irregularidade passam a ter aspecto mais uniforme e saudável. Além disso, os bioestimuladores podem contribuir para reduzir o ressecamento em regiões sensibilizadas por cirurgias, radioterapia ou perda de colágeno. 

Embora o foco do Outubro Rosa seja o câncer de mama, o mesmo princípio vem sendo utilizado em pacientes que enfrentaram outros tipos de câncer, especialmente quando há perda significativa de colágeno ou alterações no tecido cutâneo. O acompanhamento dermatológico é essencial para definir o momento ideal e o tipo de produto mais indicado para cada caso. 

O avanço desses protocolos tem ampliado o papel da dermatologia no acompanhamento de pacientes oncológicos, colocando a ciência em prol do bem-estar e da recuperação da pele de forma segura e eficaz.
 

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