Se no passado o pertencimento a partidos, clubes de futebol ou religiões era um marcador de identidade coletiva, para a Geração Z esses vínculos se tornaram mais fluidos. Nascidos entre 1995 e 2010, os jovens dessa geração se conectam mais a causas do que a instituições. Essa mudança está, inclusive, redefinindo o que significa ter fé, ser torcedor ou ser eleitor.E quando dão crédito a um CNPJ, antes querem saber quem são as lideranças.
A Geração Z não se engaja em fanatismos partidários como as gerações anteriores. Prefere se mobilizar por causas específicas, como clima, igualdade racial, diversidade de gênero, proteção de minorias, em vez de aderir cegamente a siglas. Essa postura não significa apatia política, mas rejeição ao radicalismo. Eles rejeitam a ideia de “torcer” por partidos da mesma forma que se torce por times de futebol.
Ricardo Dalbosco, Doutor e especialista em comunicação multigeracional, explica que essa característica desafia o modelo tradicional de política, em que a fidelidade partidária era quase inquestionável. Agora, o engajamento é mais conectado a movimentos sociais, coletivos independentes e influenciadores digitais.
A religião perde espaço entre a Geração Z. No Brasil, pesquisas apontam crescimento de evangélicos sem filiação denominacional e de jovens que preferem se identificar apenas como “espirituais”. Isso não significa ausência de fé. O que se observa é a busca por espiritualidade personalizada, fora de dogmas rígidos. Em vez de abraçar instituições tradicionais, a Geração Z combina práticas, crenças e filosofias em um ecletismo espiritual que foge do fanatismo religioso.
O futebol, tradicional espaço de rivalidades extremas, também vive transformações. A Geração Z acompanha o esporte mais pelo entretenimento do que pela lealdade incondicional a clubes. Se antes era comum herdar a camisa de um clube como legado familiar, hoje muitos jovens transitam entre ligas, times e até esportes diferentes. O fanatismo, que gera violência e intolerância entre torcidas, perde força diante de uma relação mais crítica e globalizada com o esporte.
Três fatores principais explicam essa mudança:
- Hiperconectividade: o acesso a múltiplas
vozes e fontes de informação quebrou monopólios narrativos de partidos,
igrejas e clubes.
- Educação crítica: a Geração Z foi
criada com mais estímulo ao questionamento e menos aceitação de verdades
absolutas impostas por pais, professores, religiões, celebridades e mídias
convencionais.
- Valorização da autenticidade: jovens preferem escolhas alinhadas a valores pessoais do que
adesão cega a instituições ou doutrinações.
A Geração Z não abandonou a política, a fé ou o esporte. O que
abandonou foi a postura de “seguidor sem informação”. Em vez de idolatrar
partidos, líderes religiosos ou times de futebol, esses jovens preferem analisar,
questionar e se conectar a causas que representam seus valores. Isso representa
um desafio para instituições tradicionais, que precisam se reinventar para
conquistar a lealdade de uma geração menos propensa a fanatismos e mais
exigente quanto à coerência. No fim, o afastamento da Geração Z mostra que
pertencimento pode existir sem idolatria e que inclusão e diversidade não
combinam com radicalismo.
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