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terça-feira, 14 de outubro de 2025

Intoxicação por metanol: Brasil passa dos 30 casos confirmados

 

Após nota do Ministério da Saúde confirmando 29 casos no país, estado de Pernambuco registra mais 3 pacientes internados

 

O consumo de bebidas alcóolicas ganhou repercussão em todo país após notificações de intoxicações por metanol em diversos estados do Brasil. Após três dias da nota do Ministério da Saúde confirmando 29 casos, a Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco informou que mais 3 vítimas estão internadas. Com isso, o país passa de 30 casos confirmados e segue investigando casos de falsificação e adulteração de bebidas alcóolicas em comércios e estabelecimentos.  

Utilizado na indústria como solvente, combustível e matéria-prima para a produção de outros produtos químicos, a substância tem estrutura parecida com a do etanol, mas pode causar danos irreversíveis ao corpo humano. Segundo o infectologista do Grupo São Lucas em Ribeirão Preto, Dr. Luis Felipe Visconde (CRM: 201275/ RQE: 111506), os sintomas são inicialmente comuns aos da ingestão de etanol, como dor de cabeça, tontura, náuseas e vômitos. Entre 6 e 24h após ingestão, as tonturas e dores de cabeça se intensificam e surgem novos sintomas como dores abdominais importantes, respiração acelerada, visão embaçada ou escurecimento progressivo da visão.  

A toxicidade do metanol é muito elevada. Volumes relativamente pequenos já são letais. Cerca de 10 mL de metanol puro podem ser suficientes para causar cegueira permanente, enquanto 30 mL podem levar ao óbito se não houver intervenção médica imediata. A mortalidade pode variar entre 20% e 40%, conforme a rapidez no diagnóstico e o acesso a tratamento especializado. Mesmo quando sobrevive, a vítima pode ficar com sequelas irreversíveis, como cegueira e comprometimento neurológico”, explica o médico. 

O tratamento precisa ser imediato e intensivo. Além do suporte médico, existe a aplicação de antídotos para a intoxicação, que evitam a conversão do metanol para outras substâncias tóxicas, reduzindo as consequências no organismo. A hemodiálise, procedimento que imita a função dos rins na filtragem do sangue, é uma das etapas indicadas em casos graves. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitos pacientes podem se recuperar plenamente, mas atrasos no manejo reduzem significativamente a perspectiva de sucesso.   

“É uma corrida contra o tempo. A principal estratégia preventiva é evitar o consumo de bebidas alcoólicas de procedência desconhecida, sobretudo aquelas vendidas sem registro, em contextos de produção artesanal sem fiscalização sanitária. Preço muito abaixo do habitual, ausência de rótulo oficial, odor ou sabor estranhos, e relatos de sintomas após o consumo são sinais de alerta. No momento, ainda estamos com investigações em curso e, portanto, o consumo de bebidas destiladas, que são alvos mais frequentes de adulteração, deve ser evitado até que entendamos melhor a natureza e origem do problema”, conclui.  

  

Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)


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