Após
nota do Ministério da Saúde confirmando 29 casos no país, estado de Pernambuco
registra mais 3 pacientes internados
O
consumo de bebidas alcóolicas ganhou repercussão em todo país após notificações
de intoxicações por metanol em diversos estados do Brasil. Após três dias
da nota do Ministério da Saúde confirmando 29 casos, a Secretaria de Defesa
Social (SDS) de Pernambuco informou que mais 3 vítimas estão internadas. Com
isso, o país passa de 30 casos confirmados e segue investigando casos
de falsificação e adulteração de bebidas alcóolicas em comércios e
estabelecimentos.
Utilizado
na indústria como solvente, combustível e matéria-prima para a produção de
outros produtos químicos, a substância tem estrutura parecida com a do
etanol, mas pode causar danos irreversíveis ao corpo humano. Segundo
o infectologista do Grupo São Lucas em Ribeirão Preto,
Dr. Luis Felipe Visconde (CRM: 201275/ RQE: 111506), os sintomas
são inicialmente comuns aos da ingestão de etanol, como dor de cabeça, tontura,
náuseas e vômitos. Entre 6 e 24h após ingestão, as tonturas e dores de
cabeça se intensificam e surgem novos
sintomas como dores abdominais importantes, respiração
acelerada, visão embaçada ou escurecimento progressivo da visão.
“A
toxicidade do metanol é muito elevada. Volumes relativamente pequenos já são
letais. Cerca de 10 mL de metanol puro podem ser suficientes para
causar cegueira permanente, enquanto 30 mL podem levar ao óbito se
não houver intervenção médica imediata. A mortalidade pode variar entre
20% e 40%, conforme a rapidez no diagnóstico e o acesso a tratamento
especializado. Mesmo quando sobrevive, a vítima pode ficar com sequelas
irreversíveis, como cegueira e comprometimento neurológico”, explica o médico.
O
tratamento precisa ser imediato e intensivo. Além do suporte médico,
existe a aplicação de antídotos para a intoxicação,
que evitam a conversão do metanol para outras
substâncias tóxicas, reduzindo as consequências no organismo. A
hemodiálise, procedimento que imita a função dos
rins na filtragem do sangue, é uma das etapas
indicadas em casos graves. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado,
muitos pacientes podem se recuperar plenamente, mas atrasos no manejo reduzem
significativamente a perspectiva de sucesso.
“É
uma corrida contra o tempo. A principal estratégia preventiva é evitar o
consumo de bebidas alcoólicas de procedência desconhecida, sobretudo aquelas
vendidas sem registro, em contextos de produção artesanal sem fiscalização
sanitária. Preço muito abaixo do habitual, ausência de rótulo oficial, odor ou
sabor estranhos, e relatos de sintomas após o consumo são sinais de alerta. No
momento, ainda estamos com investigações em curso e, portanto, o consumo de
bebidas destiladas, que são alvos mais frequentes de
adulteração, deve ser evitado até que entendamos melhor a natureza e
origem do problema”, conclui.
Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)
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