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terça-feira, 12 de agosto de 2025

Entenda como as doenças respiratórias afetam nossos olhos no inverno

Levantamento da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostra que as doenças respiratórias triplicam no frio e alteram a visão. Entenda.

 

O maior desafio da saúde pública no inverno é prevenir as doenças respiratórias. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) revelam que a gripe, resfriado, rinite, sinusite, bronquite e asma triplicam na estação. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, a baixa umidade no frio diminui a lubrificação, primeira barreira de defesa dos olhos e todas as mucosas das vias respiratórias. “Pessoas que permanecem em locais fechados e pouco arejados durante o inverno têm o dobro de chance de contrair conjuntivite viral e alérgica”, salienta. Isso porque, este é o ambiente ideal para a multiplicação de diferentes cepas de vírus e acúmulo de partículas suspensas no ar que causam alergia respiratória e ocular. “Embora a conjuntivite seja causada por adenovírus, a gripe pelo influenza e o resfriado pelo rinovírus quando as vias respiratórias são atingidas por gripe ou resfriado, indica queda da imunidade e o risco de ter conjuntivite viral é maior. A doença, explica, altamente contagiosa é a inflamação da conjuntiva, membrana transparente que reveste as pálpebras e a superfície dos olhos. “Já a conjuntivite alérgica não é transmissível, mas causa coceira intensa e pode causar danos permanentes”, pontua.

 

Sinais de alerta

Queiroz Neto explica que para atravessar a estação com boa saúde ocular a primeira medida é garantir a lubrificação dos olhos e das vias respiratórias. Os sinais de alerta elencados pelo oftalmologista são:

  • Olho seco: Sensação de areia nos olhos, vermelhidão, coceira leve e vermelhidão, são os primeiros sinais de que você pode contrair conjuntivite por uma deficiência na lágrima. Queiroz Neto ressalta que em algumas pessoas os olhos derramam lágrima sem parar. Isso acontece, salienta, porque as glândulas nas bordas das pálpebras que produzem a lágrima estão obstruídas.
  • Conjuntivite viral: pálpebras inchadas, vermelhidão, coceira, ardência, sensação de areia nos olhos, lacrimejamento, secreção viscosa e fotofobia (aversão à luz). Por ser altamente contagiosa, observa, e representa importante fator de afastamento do trabalho que pode durar até quatro semanas.
  • Conjuntivite alérgica: Os olhos apresentam secreção aquosa, coceira mais intensa e todos os outros sintomas da viral.

 

Grupos de risco

O especialista que também é membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) afirma que os Os= grupos mais atingidos pela conjuntivite viral são as mulheres na menopausa que têm diminuição da lágrima causada pela queda da produção dos estrogênios, crianças que estão com o campo imunológico em desenvolvimento e idosos pelo desgaste do organismo. Dos três, comenta, as crianças são as que melhor reagem. Isso porque, todo o metabolismo é mais ativo e tomam diversas vacinas que as tornam mais resistentes.

Já a conjuntivite alérgica atinge 6 em cada 10 pessoas que convivem com outros tipos de alergia.

 

Contaminação

Queiroz Neto afirma que nas empresas os maiores veículos de contaminação viral são os teclados de computador, mouse e interruptores de luz. O especialista também chama a atenção para os carrinhos de supermercado e balcões do varejo. A dica para evitar o contágio é lavar as mãos com frequência, principalmente depois de usar objetos que foram manuseados por outras pessoas, manter o corpo hidratado, não compartilhar toalhas, fronhas, talheres, colírios e maquiagem .


Tratamento

O tratamento da conjuntivite viral é feito com compressas frias, lubrificação intensa e colírios anti-inflamatórios que aliviam os sintomas, mas só devem ser usados sob prescrição e acompanhamento médico. O especialista também recomenda uso de óculos escuros que melhoram o conforto evitam a proliferação de vírus pela exposição dos olhos à radiação ultravioleta. Queiroz Neto afirma que p vírus pode criar resistência mesmo sob medicação. Por isso, há casos em que se formam membranas na conjuntiva que exigem tratamento com corticoides e até aplicação de laser para remover opacidades na córnea que reduzem a acuidade visual. 

O oftalmologista ressalta que a conjuntivite alérgica leve é tratada com colírios anti-histamínicos e lubrificante. Para quadros mais graves é indicado colírio com corticoide que sempre requer acompanhamento médico. Isso porque, o uso não pode ser interrompido subitamente para evitar efeito rebote. Outro cuidado, afirma, é evitar a instilação indiscriminada que aumenta o risco de desenvolver glaucoma e catarata precoce. O acompanhamento do oftalmologista é crucial, salienta, porque a alergia ocular pode ser recorrente e necessitar de outras terapias nos casos em que evolui para o ceratocone. Os cuidados no dia a dia recomendados pelo oftalmologista são: evitar coçar os olhos, ambientes fechados, poeira, contato com animais e plantas.

 

Prevenção

As principais dicas de Queiroz Neto para proteger os olhos no inverno são:´

  • Tomar vacina anualmente para gripe no outono.
  • Lavar as mãos com frequência.
  • Praticar exercícios moderados e constantes.
  • Evitar exercícios muito intensos para manter a resistência.
  • Não permanecer muito tempo sem se alimentar.
  • Beber 30 ml de água/quilo de seu peso.
  • Evitar aglomerações em locais mal ventilados.
  • Dormir regularmente.

 

Principal causa de morte no país: cardiologistas debatem políticas para prevenção e tratamento de doenças

No Dia do Cardiologista, especialistas e autoridades debatem proposta de Política Nacional, o programa "Agora Tem Especialistas" e ações em torno do cuidado ao coração 


A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) vai reunir cardiologistas, representantes do Governo Federal e de entidades da saúde de todo o país para debater os principais desafios relacionados às doenças cardiovasculares, que seguem como a principal causa de morte no Brasil: elas são responsáveis por cerca de 400 mil mortes por ano – o equivalente a uma morte a cada 90 segundos. 

O evento ocorre no Dia do Cardiologista e marca os 82 anos da entidade na quinta-feira, dia 14, e será palco de importantes debates sobre políticas públicas relacionadas às doenças cardíacas. Entre elas, a proposta do Projeto de Lei 5475/2023, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle das Doenças Cardiovasculares, e o programa “Agora tem Especialistas”, do Governo Federal. 

O Fórum também abordará acesso ao cardiologista e a procedimentos e medicamentos, fila única do SUS, ampliação da Farmácia Popular, judicialização em saúde e formação do cardiologista, com participação do Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Ministério da Saúde (MS), entre outras entidades do setor.
 

Política nacional para o cuidado do coração e especialidades  

Apresentado pelo Deputado Zacharias Calil (União/GO), o Projeto de Lei 5475/2023, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle das Doenças Cardiovasculares, propõe sistematizar diretrizes para enfrentamento das DCVs no país, desde ações preventivas até o acesso a tratamentos de alta complexidade. 

A SBC defende o PLl para que a consolidação legal da responsabilidade dos gestores públicos no cuidado com a saúde do coração dos brasileiros e para a ampliação do acesso da população a tecnologias e tratamentos de ponta, a exemplo do Implante Transcateter de Válvula Aórtica (TAVI) e novos medicamentos para colesterol e obesidade. 

Segundo Ribeiro Jr., conselheiro da SBC, o PL beneficiará os médicos — que poderão atuar com mais recursos, maior produtividade e melhores resultados — e também os pacientes, que terão acesso a diagnósticos precisos, exames obrigatórios e terapias modernas: “É urgente elevar o patamar de atendimento da população brasileira. Precisamos envolver todos os envolvidos na cadeia de cuidados para garantir diálogo, controle dos conflitos de interesse e melhoria real na qualidade do atendimento”, ressalta. 

Ele destaca que, embora o SUS já contemple uma série de serviços previstos nessa proposta legislativa, a formalização por meio da lei permitirá cobrar responsabilidade dos gestores e garantir desde a prevenção até o tratamento cardiovascular mais sofisticado. 

Outro tema em pauta será o programa Agora Tem Especialistas, lançado pelo governo para ampliar o acesso a especialistas no SUS. A SBC alerta para o número crescente de vagas ociosas na residência médica, os baixos valores das bolsas de estudo e a criação de novas áreas dentro da cardiologia, que, segundo a entidade, podem fragmentar uma especialidade essencial ao sistema público de saúde. 

Estima-se que 14 milhões de brasileiros convivam com alguma doença cardiovascular, com impactos expressivos na produtividade e nos custos do sistema de saúde: apenas com infartos, o custo direto anual é estimado em R$ 22,4 bilhões, seguido por R$ 22,1 bilhões com insuficiência cardíaca (ICC), R$ 8 bilhões com hipertensão e R$ 3,9 bilhões com fibrilação atrial.

 

Sociedade Brasileira de Cardiologia -SBC

 

Serviço:  

III Fórum Coração em Foco 

Data: 14 de agosto de 2025

Local: Associação Médica de Brasília – Brasília (DF)

Horário: das 9h às 12h
 


Cigarros eletrônicos: A nova onda que causa dependência, doenças e pode matar

     A fumaça do tabaco libera milhares de substâncias, das quais 250 são prejudiciais à saúde e pelo menos 70 são cancerígenas. Fumar causa, agrava ou reduz a resposta do tratamento de dezenas de doenças, notadamente as cardiovasculares, respiratórias e diversos tipos de câncer.


    O tabagismo é maior causa de mortes evitáveis e pode reduzir a expectativa de vida em mais de dez anos. A chance de um fumante desde a adolescência viver até os 80 anos de idade é 50% menor do que a de um não fumante. O fumo passivo também causa doenças, especialmente nos extremos de vida e prejudica o feto de mães que continuam fumando na gravidez.

    As políticas públicas de controle do tabagismo, incluindo o programa de tratamento gratuito, coordenadas pelo Ministério da Saúde e o Instituto Nacional do Câncer (INCA), fizeram do Brasil um exemplo mundial de redução do consumo de cigarros, que passou de quase 35% na década de oitenta, para pouco mais de 11% em 2024.

    Nas últimas décadas a indústria do tabaco investiu em novas formas de consumo de nicotina sem fumaça, como os saches úmidos (snus) e principalmente os dispositivos eletrônicos para inalar nicotina, mais conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes.

     Os vapes consistem basicamente de um reservatório para o líquido com nicotina e outras substâncias, uma bateria de lítio e um atomizador (bonina) para aquecer o liquido e gerar aerossóis. Os cigarros eletrônicos não liberam fumaça, porque não há combustão de tabaco como no cigarro comum. Eles não liberam apenas um vapor branco e inofensivo, mas uma nuvem de aerossóis contendo substâncias com riscos para saúde como: propilenoglicol, glicerol, material particulado, metais pesados e cancerígenos.

    Os vapes atuais são bonitinhos (centenas de tipos e marcas), discretos (pequenos e sem odor), tecnológicos (recarregáveis ou descartáveis), podem ser usados com flavorantes com gosto agradável e são muito fáceis de adquirir, especialmente em compras on-line, quadro 1 e 2.

     Por estes motivos, em paralelo a lenta e progressiva redução do tabagismo em diversas regiões do mundo, o uso dos vapes aumenta de forma alarmante, em parte devido a curiosidade, a divulgação massiva nas redes sociais e por ser uma nova forma de socialização, afirmação e pertencimento dos jovens aos seus núcleos de relacionamentos. Em alguns países mais de 25% dos jovens fizeram uso de vapes nos últimos 30 dias. No Brasil houve aumento de 600% no consumo de vapes, especialmente entres jovens, e estima-se que tenhamos mais 3 milhões de usuários. Em um estudo que avaliou brasileiros com 14 ou mais anos de idade a taxa de usuários de vapes foi de 5,6% (3,7% consumo exclusivo).

     Os estudos validados e com grande força de evidência cientifica, assim como as recomendações nacionais e internacionais, incluindo as da Organização Mundial de Saúde, concluem que os vapes de última geração:

  • São mais fáceis de inalar, irritam menos a garganta, liberam maior quantidade de partículas finas, nicotina e metais pesados do que os cigarros comuns.
  • Podem ser acrescidos com mais de 16.000 tipos de flavorantes com riscos potenciais para a saúde.
  • Causam dependência, facilitada pela alta quantidade de nicotina liberada nos diversos tipos de dispositivos, muitas vezes maior do que a de um maço de 20 cigarros comuns.
  • Podem aumentar os riscos, causar e/ou agravar tosse, chiado e falta de ar, lesões orais e dentais, doenças cardiovasculares, neurovasculares, respiratórias (asma e bronquite+enfisema) e câncer.
  • Podem causar ferimentos e queimaduras graves devido à explosão das baterias.
  • Podem causar intoxicações acidentais em crianças por ingestão acidental do liquido com alta concentração de nicotina.
  • Causam sintomas de abstinência, como fissura, irritação, ansiedade, insônia, tontura e dificuldade de concentração, após redução do consumo e principalmente a falta de uso por muitas horas.
  • Podem causar, em geral quando acrescidos de derivados de maconha e/ou de vitamina-E, uma doença pulmonar difusa, febril, associada com manifestações gastrointestinais, com alto risco de gravidade denominada Desde 2019 a EVALI já causou milhares de internações e mais de uma centena de mortes nos Estados Unidos da América, e muitos casos já foram descritos no Brasil.
  • Podem causar poluição ambiental e especialmente de locais fechados, e podem contaminar o solo e a água com os milhões de vapes que são descartados inadequadamente. Além disso, podem causar incêndios após explosão de baterias.

     Em 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), em sua Resolução de Diretoria Colegiada (RDC 855- 23/4/24), e após ampla revisão e discussão, ratificou a proibição da fabricação, importação, armazenamento, distribuição, comercialização, propaganda e uso dos vapes em locais coletivos fechados no Brasil.

     A indústria do tabaco defende a padronização e a regularização dos vapes no Brasil, baseado nas premissas que isso traria ganhos com a arrecadação de impostos e reduziria o consumo de vapes com altas concentrações de nicotina. São apenas falácias, pois mesmo nos países onde a comercialização é regularizada a venda de vapes ilegais persiste alta, devido ao menor custo e a opção dos usuários por dispositivos com muita nicotina.

    No Brasil, um terço dos cigarros consumidos são provenientes do contrabando e a soma de impostos arrecadados com a fabricação e comercialização do tabaco gera menos de um décimo do valor que o país gasta para tratar as doenças, pagar aposentadorias precoces e as perdas com as mortes devido ao tabagismo.

     Apesar da venda ilegal de cigarros comuns e de vapes ser muito grande, o trabalho da vigilância sanitária, PROCON e da Receita Federal, com fiscalizações, ações educativas, multas e apreensões é crescente e intenso.

      Um jovem que inicia o uso dos vapes triplica o risco de iniciar o consumo de cigarros comuns e aumenta o risco de iniciar outras drogas, inclusive ilícitas.

      O tratamento dos fumantes de cigarros comuns é eficaz e baseado no apoio comportamental combinado com a reposição de nicotina (adesivos e/ou gomas e pastilhas), vareniclina (temporariamente indisponível no Brasil) e/ou bupropiona. O tratamento é gratuito no Sistema Único de Saúde.

        Embora os vapes possam ter pequeno benefício na cessação do consumo de cigarros, esse pequeno ganho se perde diante do fato que mais da metade dos indivíduos que cessam o tabagismo não cessam o uso dos vapes,  devido a manutenção da sua alta dependência da nicotina, e muitos retornam para o uso isolado de  cigarros comuns. E para piorar, muitos pacientes que não cessam o uso dos cigarros continuam usando os vapes, uso dual, com aumento dos riscos para a sua saúde.

    A maior preocupação histórica da indústria do tabaco nunca foi a saúde dos seus usuários, muito pelo contrário, o seu principal objetivo sempre foi ganhar cada dia mais novos dependentes da nicotina, que sabidamente usarão seus produtos por décadas.

      Por estes motivos tanto a ANVISA, quanto as associações e sociedades médicas, tanto as nacionais, quanto as internacionais, mantém sua posição contra a liberação da fabricação, comercialização, divulgação e uso dos vapes em ambientes fechados.

      É urgente a necessidade de campanhas educacionais massivas, voltadas principalmente para os jovens, visando reverter o consumo crescente dos vapes no Brasil.

        Vapes não são avanço, são um retrocesso na busca contínua por mundo livre de tabaco e de nicotina. Nós não podemos deixar nossos jovens se tornarem dependentes de nicotina e adoecerem devido ao uso dos vapes.

   

Luiz Fernando Ferreira Pereira - Pneumologista do Hospital Biocor Rede D’Or e do H. das Clínicas da UFMG

 

Bibliografia

  1. Pereira LFF et al. Electronic smoking devices. We cannot let our young people go down this path of addiction and disease. J Bras Pneumol. 2025;51(3):e20250121
  2. Levatamento Nacional de Álcool e Drogas 2025 (LENAD III). Unifesp. Tabagismo e uso de dispositivos eletrônicos para fumar. https://lenad.uniad.org.br/sobre-o-lenad/caderno-tematico-lenad-iii-consumo-de-tabaco-e-defs/. Acesso 10/8/25.
  3. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Dados e números do tabagismo. Dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs). https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/dados-e-numeros-do-tabagismo/def-dados-e-numeros. Acesso em 18/2/25.
  4. Pereira LFF. Malefícios dos dispositivos eletrônicos para fumar. In - Pereira LFF et al. Tabagismo - Prevenção e Tratamento. DiLivros, RJ. 2021. pág 101-108.
  5. AMB, SBPT e entidades signatárias. Nota oficial – São totalmente contrárias à mudança na atual regulamentação dos cigarros eletrônicos no Brasil. https://amb.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Nota-Oficial_AMB-e-entidades_Votacao-CAE-Cigarros-eletronicos_final-1.pdf. Acesso em 5/3/25
  6. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer (INCA)- 2024. Dispositivos eletrônicos para fumar: conheça os danos que eles causam. http://www.inca.gov.br. Acesso 9/8/25.

 

Tecnologia no SUS: por que o hospital inteligente pode ser um divisor de águas


O mundo vive uma revolução digital que já transformou profundamente a forma como nos comunicamos, trabalhamos e consumimos serviços. O sistema público de saúde não pode ficar parado no tempo.

No início do mês, o Ministério da Saúde apresentou ao Novo Banco de Desenvolvimento — o banco do BRICS — um projeto para a construção do primeiro hospital inteligente do Brasil, que aguarda análise para receber um financiamento de 320 milhões de dólares.

Se sair do papel, será um marco. A inteligência artificial aplicada ao SUS tem potencial para revolucionar o atendimento público, trazendo mais eficiência, segurança e redução de riscos, como infecções hospitalares. É o tipo de avanço que a saúde pública brasileira precisa para dar um salto de qualidade.

O projeto prevê um hospital com 150 mil metros quadrados, em São Paulo, seguindo padrões internacionais de sustentabilidade e segurança. A arquitetura será pensada para se adaptar ao clima, garantir eficiência energética e proporcionar mais conforto a pacientes e profissionais. Além disso, toda a logística interna será planejada para que a unidade possa ser ampliada em situações emergenciais, como pandemias ou desastres.

Mas o prédio, por si só, não é suficiente. O verdadeiro diferencial está na tecnologia. Telessaúde, automação hospitalar, inteligência artificial e prontuários eletrônicos são ferramentas capazes de destravar gargalos históricos do SUS, como o mau uso de leitos e os atendimentos lentos e desorganizados.


O O projeto prevê um hospital com 150 mil metros quadrados, em São Paulo e aplicação de tecnologia.

O Brasil tem um número relativamente alto de médicos por habitante — 2,81 por mil. O problema está na má distribuição: há regiões com excesso de profissionais e outras praticamente desassistidas. E é justamente aí que a tecnologia pode fazer a diferença.

Se o modelo de hospital inteligente for replicado, deve priorizar as áreas mais críticas, garantindo acesso onde hoje o SUS não consegue chegar. A telessaúde é um bom exemplo: com ela, um paciente de uma comunidade isolada pode ser atendido por um especialista a quilômetros de distância, sem precisar enfrentar filas ou realizar longas viagens. É um ganho real para quem mais precisa.

No entanto, não se pode ignorar o ponto central: inovação custa caro. O subfinanciamento crônico do SUS é um freio para qualquer avanço. Não adianta falar em inteligência artificial se faltam recursos para manter sequer o básico. É preciso modernizar, sim — mas com investimentos compatíveis com o tamanho do sistema e a urgência da demanda.

Outro aspecto positivo do projeto é a colaboração internacional. A proposta é que o hospital inteligente também funcione como um polo de intercâmbio entre gestores públicos, pesquisadores e profissionais de saúde do Brasil e dos países do BRICS. Essa parceria pode acelerar soluções que, sozinhos, levaríamos muito mais tempo para desenvolver.

O SUS atende mais de 140 milhões de brasileiros. É um sistema gigante, complexo e com problemas históricos — mas também é um patrimônio nacional. Se queremos que ele sobreviva e evolua, inovação não pode ser vista como luxo. É necessidade.

 

Michel Goya

 

EINSTEIN ALERTA QUE O RISCO QUE PERSISTE MESMO ENTRE EX-FUMANTES

Agosto Branco reforça a importância do rastreamento pulmonar mesmo após o abandono do cigarro


No mês dedicado à conscientização sobre o câncer de pulmão, especialistas reforçam um alerta importante: mesmo quem já parou de fumar continua sob risco elevado de desenvolver a doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco é responsável por 71% das mortes por câncer de pulmão no mundo1. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 428 pessoas morrem todos os dias por causas relacionadas ao tabagismo — o que representa quase 290 mil mortes por ano2.

Apesar da queda no número de fumantes ativos no país, ex-fumantes ainda representam uma parcela significativa dos casos diagnosticados. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o risco de desenvolver câncer de pulmão pode permanecer até seis vezes maior entre aqueles que já fumaram, mesmo após décadas de cessação. 

“Ao deixar de fumar, você já começa a diminur os riscos de doenças respiratórias, como enfisema e bronquite, e cardíacas, entre elas a do infarto. Mesmo parando de fumar, ainda existe o risco aumentado entre ex-fumantes, sendo perceptível a queda de incidência entre aqueles que deixaram de fumar por 15 anos ou mais. Assim, é importante que mesmo tendo parado de fumar, especialmente os que fumaram por muitos anos, que se mantenha acompanhamento médico contínuo e que se realize exames de rastreamento que possam detectar lesões em estágios iniciais” reforça o Dr. Oren Smaletz, oncologista do Einstein Hospital Israelita.

 


Fontes

1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Disponível em:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/fumo-e-responsavel-por-71-das-mortes-por-cancer-de-pulmao-e-42-das-doencas-respiratorias-cronicas-alerta-oms

2. Ministério da Saúde. “428 pessoas morrem por dia no Brasil por causas atribuíveis ao tabagismo.” Dados citados em:
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/dados-e-numeros-do-tabagismo/doencas-relacionadas-ao-tabagismo



Como a nutrição funcional pode ajudar mães no pós-parto? Especialista explica!

 Freepik 

Durante o Agosto Dourado, nutricionista da Puravida reforça a importância de uma alimentação funcional e equilibrada para apoiar a amamentação e o pós-parto 


O puerpério é um período intenso, delicado e profundamente transformador, e ainda é um período no qual a amamentação exige do corpo materno energia constante, equilíbrio emocional e reservas nutricionais adequadas. Durante o Agosto Dourado, mês da campanha nacional de incentivo ao aleitamento materno, a nutricionista e Coordenadora de Conteúdo do Professional HUB da Puravida, Carla Fiorillo, ressalta que neste período é extremamente importante prestar atenção no que as mães colocam no prato, afinal, alimentar quem alimenta é essencial. 

Segundo a especialista, esse é um fator que tem influência direta na produção de leite, na recuperação do corpo após o parto e na manutenção da imunidade e disposição. Nutrientes como ômega-3, ferro, cálcio, vitaminas do complexo B, vitamina D e magnésio são fundamentais para a saúde materna e, indiretamente, para o bebê. 

“Durante o pós-parto, a alimentação deve ser composta por alimentos naturais e densos em nutrientes, como frutas, verduras e legumes coloridos, proteínas magras como ovos, frango, peixes e leguminosas, gorduras boas como azeite, abacate e sementes, além de carboidratos complexos como arroz integral, batata-doce e aveia. Esses ingredientes ajudam a reduzir a inflamação, equilibrar hormônios e melhorar o humor, algo valioso em uma fase que sono e autocuidado são desafiadores”, explica Carla. 

Ela também ressalta que a hidratação é um ponto chave, pois a produção de leite depende diretamente da ingestão adequada de água. “Bebidas funcionais e chás digestivos ou calmantes, como os de camomila e erva-doce, também podem contribuir, desde que com orientação profissional”, conta. 

Além disso, a nutricionista destaca que mães vegetarianas ou com dietas específicas devem estar atentas à reposição de nutrientes críticos, como ferro, vitamina B12 e zinco. "Nesses casos os suplementos podem ser bons aliados, mas cada caso deve ser avaliado individualmente por um nutricionista ou médico”, diz, complementando que a hoje existem diversos ótimos suplementos, não só para esse público, como para todas as puérperas. 

 

Puravida
www.puravida.com.br


Dia do Psiquiatra é celebrado no dia 13 de agosto

Data reforça a importância do profissional e também marca o aniversário da Associação Brasileira de Psiquiatria

 

No dia 13 de agosto é celebrado o Dia do Psiquiatra no Brasil. Esta data foi instituída em 2016, na comemoração dos 50 anos da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Este ano, queremos fazer um convite para reflexão sobre a importância do psiquiatra no cuidado com a saúde mental da população e na reivindicação dos direitos dos padecentes de doenças mentais.

Para se tornar psiquiatra, é necessário ingressar na faculdade de Medicina. Após 6 anos dedicados ao curso, os médicos que desejam se tornar psiquiatra ingressam em uma Residência Médica em Psiquiatria, com duração média de três anos e carga horária de 2.880 horas anuais, totalizando 8.640 horas. Essa extensa formação oferece um treinamento aprofundado, tanto prático quanto teórico, preparando o médico para lidar com as complexidades da saúde mental. Além disso, o psiquiatra pode se especializar ainda mais em outras áreas da própria Psiquiatria como Psicoterapia, Psicogeriatria, Psiquiatria da Infância e Adolescência e Psiquiatria Forense.

Em 2024, o Brasil registrou quase meio milhão de afastamentos do trabalho por doenças psiquiátricas, um aumento de 68% em relação ao ano anterior. As principais doenças listadas foram os transtornos de ansiedade e depressão, condições altamente incapacitantes. A demanda por atendimento psiquiátrico cresce a cada ano, demonstrando a urgência de políticas públicas e conscientização sobre o tema. Neste cenário, o papel do psiquiatra tornou-se ainda mais relevante.

Apesar dos avanços na medicina e dos esforços dos psiquiatras em participar do debate público sobre saúde mental, o estigma associado à psiquiatria ainda persiste. Muitas pessoas ainda evitam procurar ajuda por medo de julgamentos ou por desinformação.

"É fundamental que a sociedade compreenda a importância do psiquiatra. Nosso papel vai além de realizar um diagnóstico e prescrever medicamentos. Nós escutamos, acolhemos, orientamos e buscamos sempre ajudar cada paciente a ter mais qualidade de vida", afirma Antônio Geraldo, presidente da ABP.

A data também marca o aniversário da Associação Brasileira de Psiquiatria, que há mais de cinco décadas se dedica a defender os direitos dos padecentes de doenças mentais e combater a psicofobia. A ABP é referência nacional e internacional na psiquiatria, promovendo o maior evento científico da especialidade na América Latina. Nesta data, a ABP reafirma o seu compromisso representativo com a especialidade, com a disseminação de informação de qualidade e com a defesa do tratamento acessível para toda a população.


Sesc Arsenal realiza mutirão de avaliação física do idoso

Inscrição é solidária e feita presencialmente na unidade 

 

O Sesc Arsenal irá realizar, no dia 30 de agosto, a partir das 8h, um mutirão de avaliação física para idosos. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas diretamente na academia da unidade, mediante a entrega de 2 kg de alimento, exceto sal e dentro do prazo por validade, por pessoa. Os idosos podem se inscrever até o dia 22 de agosto. 

A avaliação física em pessoas idosas é fundamental por diversos motivos, tanto para a manutenção quanto para a promoção da saúde e da qualidade de vida nessa faixa etária. Ela ajuda a identificar as capacidades e limitações do idoso, possibilita o planejamento individualizado conforme cada necessidade, previne doenças e complicações, além de monitorar a evolução quando realizada com frequência. 

A avaliação física é uma etapa indispensável para que o idoso possa se exercitar de maneira segura, alcançar melhores resultados e manter-se saudável e independente pelo maior tempo possível. Essa ação, realizada pelo Sesc-MT, que está vinculado à CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), visa promover maior acesso à saúde e à qualidade de vida para a pessoa idosa. 


SERVIÇO 

Mutirão de avaliação física do idoso  

Quando: 30 de agosto, a partir das 8h 

Onde: Academia do Sesc Arsenal 

Inscrições realizadas até o dia 22 de agosto, na academia, mediante a entrega de 2kg de alimentos não perecíveis 


Agosto Dourado: especialistas explicam como garantir leite materno na rotina da creche


Mesmo armazenado na geladeira ou no freezer, alimento pode ser dado à criança e não perde o valor nutricional

 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que a amamentação exclusiva ocorra até os seis meses de vida do bebê e a não exclusiva até dois anos ou mais. No entanto, devido à falta de rede de apoio, tarefas domésticas, rotina de trabalho, esse processo pode ser mais difícil e até frustrante para as mães, principalmente quando há necessidade de deixar a criança em creche, ou aos cuidados de terceiros.

 

A impossibilidade de dar o peito regularmente não significa privar o bebê do leite materno, como explicam Ana Maria Emiliano de Castro, Supervisora de Enfermagem da Neonatologia, e Luzinete dos Santos Aguiar, enfermeira do Banco de Leite do Hospital Regional de Cotia (HRC), administrado pelo Seconci-SP (Serviço Social da Construção). “A mãe pode tirar o leite, armazenar e encaminhar para a escola. Se o leite for armazenado na geladeira deve ser utilizado até 12 horas e, se guardado no freezer, deve ser utilizado em até 15 dias”. Elas ainda reforçam que é importante aquecer em banho maria antes de ofertar para o bebê e o leite deve estar em temperatura ambiente.

 

O leite extraído deve ser oferecido em um copinho, xícara, ou em colher, de forma segura à criança. “Essa prática permite que o bebê continue recebendo os benefícios nutricionais e imunológicos do leite materno, mesmo estando afastado da mãe por algumas horas do dia”, conta Roberta Barta, enfermeira do Hospital Geral de Itapecerica da Serra (HGIS), da Educação Continuada e Presidente da Comissão Hospital Amigo da Criança (IHAC).

 

Barta explica que o uso de mamadeira para oferecer leite materno ao bebê não é recomendado, já que a forma de sucção é diferente da sucção ao seio. “É possível que o uso de mamadeiras e bicos cause dificuldades na amamentação, especialmente quando o uso é prolongado”, completa.


 

Benefícios da amamentação


A amamentação é positiva tanto para o bebê quanto para a mãe. O leite materno protege a criança contra diarreia, infecções e alergias. A longo prazo, traz proteção contra doenças crônicas, reduz a probabilidade de obesidade e casos de morte súbita infantil. Além disso, a sucção do peito propicia o desenvolvimento adequado da cavidade oral da criança, beneficiando a dentição saudável e a fala.

 

Para a mãe, a amamentação ajuda o útero a retornar ao seu tamanho anterior, o que reduz o sangramento e previne a anemia, reduz risco de câncer de ovário e de mama e contribui para a recuperação do peso pós-parto.


 

Banco de leite


Os bancos de leite humano são essenciais para atender bebês prematuros e internados em UTIs neonatais, que necessitam dos nutrientes e da proteção imunológica proporcionados pelo leite materno. Toda mulher que amamenta e está em boas condições de saúde pode ser uma doadora.

 


Furúnculo pode matar? Dermatologista explica os perigos da manipulação caseira da infecção

O caso da jovem que ficou paraplégica após uma infecção repercute nas redes sociais sobre os riscos de tratar furúnculos em casa


Tema frequente de vídeos virais nas redes sociais, o furúnculo costuma ser retratado como uma “acne gigante”, e cenas em que pessoas tentam espremer a lesão em casa batem milhões de visualizações. Até que surge o caso de Jéssica Avelino, jovem de 26 anos que manipulou a lesão em casa e contraiu bactéria que se espalhou pela corrente sanguínea, atingiu a medula espinhal. O quadro evoluiu rapidamente, comprometendo os nervos da coluna e deixando a paciente paraplégica. Ademar Schultz, dermatologista e professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), explica que manipular furúnculo em casa não é seguro e pode gerar uma série de consequências graves. 

O dermatologista explica que o furúnculo é uma infecção causada pela bactéria Staphylococcus aureus. Segundo ele, ela penetra na pele por pequenos cortes, arranhões ou folículos inflamados e, ao encontrar um ambiente favorável, se multiplica. “A bactéria, que normalmente vive na pele sem causar problemas, pode penetrar na pele através de pequenas lesões, cortes ou feridas e causar a infecção. Isso gera uma inflamação local com acúmulo de pus, o que deixa a região inchada, dolorida, avermelhada e quente ao toque”, detalha. 

Apesar de ser uma condição comum, o furúnculo não deve ser subestimado. O docente do CEUB explica que o tratamento correto depende da gravidade da infecção. Segundo ele, em quadros mais leves, compressas mornas ajudam na drenagem espontânea da secreção. Já nos casos mais intensos, pode ser necessária a drenagem cirúrgica e o uso de antibióticos, sempre sob orientação médica. “Espremer a lesão com as mãos ou usar pomadas por conta própria é extremamente arriscado. Isso pode facilitar a entrada da bactéria na corrente sanguínea e causar complicações graves.” 

O professor adverte que, no caso da paciente, ao tentar drenar o furúnculo sozinha, a infecção se espalhou. Ademar explica que, nesses casos, a bactéria pode atingir qualquer parte do corpo, inclusive a medula espinhal, como no caso dela. “O nome disso é bacteremia, quando a bactéria circula pelo sangue e encontra outros locais para se instalar. Se ela atinge estruturas delicadas, como as vértebras ou os nervos da coluna, o risco de sequelas graves aumenta muito”, alerta. 

Sobre a possibilidade de reversão da paraplegia, o especialista afirma que tudo depende do estágio em que a infecção é detectada. “Se for tratada logo no início, há boas chances de recuperação. Mas, se o comprometimento nervoso for extenso, o dano pode se tornar permanente. Por isso, qualquer sinal de infecção deve ser levado a sério.” 

Para o dermatologista, casos como estes reforçam a importância da informação e da busca por atendimento especializado. “O corpo dá sinais. Dor forte, aumento da lesão, febre ou localização em áreas sensíveis como o rosto são alertas. Nesses momentos, o mais importante é deixar de lado as receitas caseiras e procurar ajuda médica”, completa o professor. 

Confira o relato da paciente Jéssica no TikTok: https://vm.tiktok.com/ZMBsNJq3V/

 

Contratação estratégica: sua empresa sabe quem precisa?

 

Quantas vezes sua empresa já contratou alguém que parecia perfeito no papel, mas que, na prática, não se encaixava? Esse cenário é mais comum do que se imagina e, na maioria das vezes, a raiz do problema não está no candidato, e sim na falta de clareza da própria organização quanto quem, realmente, precisa. Um recrutamento assertivo não é apenas preencher uma vaga, se trata de moldar o futuro da sua equipe – em um processo que envolve muitos cuidados somados para que atinja este êxito.

Um dos cenários mais comuns que encontramos nesse sentido é nos depararmos com divulgações de vagas bastante genéricas e superficiais, não se aprofundando em detalhes importantes como o momento e desafio atuais do negócio, e quais as maiores demandas que esperam solucionar com a contratação de um novo talento. Por mais que, muitas vezes, as empresas recebam um grande volume de aplicações, essa falta de informações pertinentes pode levar a uma baixa qualidade de profissionais que se encaixem nos requisitos desejados.

Outro equívoco bastante presente é na elaboração do processo seletivo em si. Muitas empresas trazem um excesso de etapas que, nem sempre, são bem definidas; além de uma série de interlocutores na expectativa de que essa ampla visão favoreça a escolha do candidato ideal a ser aprovado. Porém, na prática, isso mais tende a desgastar os profissionais do que elevar as chances de uma boa contratação, tornando o recrutamento algo cansativo e correndo sérios riscos de perderem ótimos talentos.

Focar essa análise de competências apenas nas hard skills e deixar de lado as habilidades comportamentais de cada um é outro empecilho bastante enfrentado pelo mercado, uma vez que ainda há uma crença, em alguns negócios, de que essas questões técnicas são mais importantes de serem levadas em consideração neste momento do que as soft skills – o que também pode ocasionar em uma falta de compatibilidade entre as partes.

Todos os problemas destacados acima costumam ser desencadeados de um claro desalinhamento dos gestores quanto quem realmente precisam em seus times, um verdadeiro calcanhar de Aquiles para o sucesso de qualquer empresa. Afinal, contratações erradas levam à perda de tempo, esforços e, claro, investimentos. Um estudo da Harvard Business Review aponta, como prova disso, que substituir um funcionário pode custar de 50% a 200% do salário anual, podendo chegar a 213% para cargos executivos.

Não há uma fórmula ou regra única de como estruturar um processo seletivo eficaz que sirva para todas as empresas. Isso dependerá de uma série de fatores, como o nível e exigência da vaga em aberto, o cenário atual da organização, assim como a disponibilidade dos tomadores de decisão para participar, ativamente, dessas avaliações. O que realmente pode fazer a diferença neste êxito é olhar para as contratações que não deram certo como referências de aprendizado e melhoria futura.

Observe quais armadilhas prejudicaram essa conquista, e quais insumos incorporar para construir um recrutamento mais assertivo. Se pergunte: qual problema essa contratação precisa resolver? O que esperam do profissional dentro de seu primeiro ano para ser bem-sucedido? Quais comportamentos, além dos técnicos, são inegociáveis para que performe bem, dentro deste contexto?

Garanta que os decisores estejam alinhados quanto a essas respostas, e sempre revisite essas informações em casos de mudanças relevantes da organização, como alguma atualização em sua cultura organizacional ou demais alterações de estratégia de negócio, como exemplo.

A assertividade neste processo não é um golpe de sorte, mas um resultado direto de um processo meticulosamente planejado. Ao investir tempo e esforço na compreensão de suas demandas e cultura, as organizações não apenas minimizam os riscos de contratações equivocadas, como também constroem equipes mais coesas, produtivas e, acima de tudo, alinhadas aos seus objetivos estratégicos.

Então, antes de olhar para fora em busca de um profissional “perfeito”, se autoanalisem primeiramente, para que saibam, exatamente, que tipo de pessoa precisam ao seu lado para que somem esforços rumo a um crescimento cada vez mais próspero.

 

Jordano Rischter - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.


Wide
https://wide.works/


Como aproveitar a oportunidade de reaprender com a IA?


Estamos em um tempo de transformações profundas, marcado por uma revolução que já não pertence mais ao futuro: a Inteligência Artificial (IA). Afinal, muito além de uma tendência, a IA representa uma nova cultura que impacta diretamente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. E, como toda grande mudança, ela desperta curiosidade, mas também receios – um comportamento natural do ser humano diante do novo.

Atualmente, vivemos na era do reaprendizado. Este é o momento de desenvolver novas habilidades, com os olhos voltados para o futuro. Por isso, ter uma mente aberta é fundamental para embarcar nesta jornada de evolução pessoal e profissional.

Nesta jornada, a IA vem sendo protagonista. A tecnologia já está presente em nosso cotidiano, transformando processos, otimizando tarefas, ampliando soluções e impulsionando a inovação. E, quando buscamos aprender mais sobre ela, estamos, na verdade, habilitando e expandindo nosso potencial humano.

Como prova de sua ampla adesão, principalmente no mundo corporativo, de acordo com a 28ª edição da Global CEO Survey, conduzida pela PwC, somente no Brasil, 51% dos líderes dizem confiar na integração da IA aos processos essenciais de suas empresas — quase o dobro da média global (33%). Além disso, em relação à IA generativa, que se concentra na criação de conteúdo novo e original, 52% dos CEOs brasileiros relataram ganhos de eficiência no uso do tempo dos funcionários, o que libera recursos humanos para atividades mais estratégicas.

Os resultados da pesquisa ajudam a comprovar que o desconhecido só se torna um desafio intransponível quando não é compreendido. Certamente, a teoria é importante, mas é a prática que faz a diferença. Sendo assim, aprender sobre IA exige testar modelos, desenvolver soluções, errar e acertar. É nesse processo de tentativa e erro que nascem as verdadeiras inovações, pois, mais do que uma ferramenta tecnológica, a Inteligência Artificial é um convite ao crescimento, à experimentação e à reinvenção.

Por isso, ao entender como a IA funciona, deixamos de temê-la e começamos a explorá-la com criatividade e estratégia. Mas, onde termina a capacidade das máquinas e começa o valor humano? Essa é a insegurança mais comum diante da combinação entre Inteligência Artificial e Inteligência Emocional (IE).

Se, por um lado, a IE envolve competências como empatia, criatividade, flexibilidade, sociabilidade e julgamento, por outro, a IA age com sua precisão, velocidade, escalabilidade e capacidade de análise. Desse modo, quando essas duas inteligências se unem, não há competição, mas complementaridade. É a partir dessa parceria que surgem os melhores resultados, com maior potencial de inovação e mais possibilidades.

É importante reforçar que a Inteligência Artificial não veio para substituir as pessoas, mas para potencializá-las. Ao compreendermos essa nova cultura, ganhamos a oportunidade de reaprender. É nesse novo cenário que surge a grande oportunidade: a de reaprender a aprender. Afinal, a IA não veio para nos substituir, mas para nos potencializar, exigindo de nós uma nova forma de pensar, agir e, acima de tudo, evoluir. 



Viviam Posterli - CEO do Grupo Skill.

Roubo dos aposentados, face mais cruel de um país anestesiado

 

A revelação de que milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foram lesados por meio descontos indevidos em seus contracheques entre 2019 e 2024 revela talvez o episódio recente de maior grau de perversidade contra a parcela mais vulnerável da população brasileira, da qual foram tiradas pelo menos R$ 6,3 bilhões. 

Choca pela sua crueldade e desfaçatez porque roubou dinheiro das já minguadas aposentadorias e pensões de quem depende desses recursos para sobreviver na fase mais crítica da existência - velhice, doença, invalidez, ou morte do ente querido. E é inaceitável por se concretizar justamente no pilar da seguridade social brasileira, o INSS, concebido para amparar os cidadãos nos momentos de maior necessidade e que, para isso, contribuíram a vida inteira para ter direito aos benefícios sociais. 

O que o país assistiu, estupefato, não foi um apenas um ato administrativo falho ou simples roubo. Foi um atentado à dignidade humana, praticado justamente contra aqueles que não possuem reservas financeiras, que não têm advogados caros à disposição, que dependem de cada centavo, afetando a própria capacidade de subsistência daqueles que não têm a quem mais recorrer. 

Estamos falando de pessoas que já sofreram demais com um sistema previdenciário lento e falho, caracterizado por filas intermináveis (reais ou virtuais), exigências burocráticas descabidas, sistema digitais inacessíveis para grande parte da população atendida, e análise de processos que levam meses, por vezes anos, enquanto a fome bate à porta e os remédios acabam. Um sistema que parece ter esquecido sua função social, transformando-se em um labirinto kafkaniano para os que mais precisam de um caminho direto e humano e, em vez de amparo social, veem, impotentes, benefícios negados ou postergados por erros grosseiros. Mais uma consequência de uma máquina burocrática que é gigante e, para o cidadão comum, impessoal e inatingível. 

Mas como esse país chegou a tal nível de crueldade? A resposta, dolorosamente evidente, parece estar na certeza da impunidade. Poucos servidores são de fato responsabilidades pelos atrasos, pelos erros, pela falta de atendimento humanizado. As decisões que prejudicam milhares de pessoas raras vezes resultam em consequências severas para os tomadores de decisão ou aprimoramento da estrutura que permite tais falhas. Cria-se um ciclo vicioso onde o descaso é normalizado, pois não há punição efetiva. 

É só mais um retrato de uma nação leniente com a corrupção e indiferente a seguidas práticas que visam apenas ao incremento de benefícios a uns poucos privilegiados. Enquanto o aposentado é escandalosamente roubado, o Congresso aprova o aumento de 18 cadeiras na Câmara dos Deputados, as assembleias estaduais pegam carona e já articulam a mesma proposta; o Judiciário aumenta desavergonhadamente os penduricalhos que permitem ganhos dos magistrados muito acima do teto constitucional e boa parte isenta do Imposto de Renda, além de garantir mais folgas que posteriormente serão indenizadas, e o governo tira dinheiro do salário-mínimo por meio de uma nova fórmula de reajuste que o trabalhadora somente compreenderá quando perceber menos comida na mesa. 

Não há nação que prospere tratando seus cidadãos dessa maneira e se omitindo quando à necessidade de atacar urgentemente essas questões. 

A indignação da sociedade não é sem razão, pois o argumento do governo de que o problema do INSS teve início do governo passado não o exime da responsabilidade, porque o escândalo só aumentou e seria obrigação de quem prega moralidade apoiar todas as iniciativas, inclusive instauração de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), para investigar, punir, prender e confiscar bens para a recuperação do dinheiro roubado de quem ganha mísero um salário-mínimo de aposentadoria ou pensão.

Qualquer posicionamento em contrário leva a crer que o governo está mais interessado em manter a divisão da sociedade brasileira – direita x esquerda, ricos x pobres -, em aumentar a arrecadação – com mais tributos, mais inflação e juros altos -, e ainda retirando dinheiro dos pobres via redução dos benefícios sociais (com a não correção do Bolsa Família e do BPC, mais inflação (imposto perverso) e alteração da fórmula de reajuste do salário-mínimo), tudo agravado agora com a falta de firmeza e transparência para a apuração do assalto do INSS, provavelmente cobrindo o rombo com o dinheiro de toda a população, quando o ressarcimento deveria ser feito exclusivamente pelas associações e sindicatos beneficiados com a fraude. 

É essencial e inadiável que a sociedade brasileira – hoje aparentemente anestesiada - reflita sobre o que está acontecendo no INSS. Não como um problema técnico-administrativo menor, mas como mais um triste episódio da grave crise ética e social que se aprofunda no Brasil. A audácia e a insensibilidade de subtrair dos mais pobres e vulneráveis, amparadas pela perversa certeza da impunidade, corrói os alicerces da justiça social e desumaniza as relações entre o Estado e o cidadão. Exigir transparência, responsabilização exemplar e devolução do dinheiro roubado é o mínimo que se pode fazer para resgatar a confiança no INSS e, mais importante, a dignidade de seus segurados. 

 

Samuel Hanan - engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva” e “Caminhos para um país sem rumo”. Site: https://samuelhanan.com.br


Faltam dez dias para o fim do credenciamento de empresas para política de patrocínio do CFMV


Empresas interessadas em prestar serviços ao Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) no âmbito da sua Política de Patrocínio Institucional têm apenas dez dias para se credenciar. O prazo termina em 22 de agosto e o processo está disponível no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). Acesse o endereço eletrônico: cfmv.gov.br/licitacoes-e-contratos/credenciamento/ 

O credenciamento é regulado pela Resolução CFMV nº 1.577/2023 e tem como objetivo criar um banco de fornecedores aptos a desenvolver ações, projetos e eventos com apoio institucional. O edital contempla serviços como produção de conteúdo, criação de materiais gráficos e audiovisuais, organização de eventos, entre outros voltados à comunicação e promoção institucional.

A habilitação no PNCP é obrigatória e o credenciamento não garante contratação automática, mas é pré-requisito para participação em futuras seleções feitas pelo conselho, conforme as demandas institucionais.


Violência contra profissionais da saúde cresce e acende alerta por leis mais rigorosas no país

Advogado defende urgência na aprovação de lei que aumenta penas para agressores 

 

Mais da metade dos trabalhadores de saúde no Brasil já sofreram algum tipo de violência no ambiente de trabalho. Os dados, divulgados pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) em outubro de 2024, revelam a gravidade da situação: agressões físicas, ameaças verbais e assédio moral têm sido frequentes na rotina desses profissionais. Os relatos incluem desde agressões físicas e ameaças verbais até casos de assédio moral, ocorridos em hospitais, clínicas e UPAs. A origem desses ataques, segundo especialistas, está frequentemente relacionada ao contexto de tensão enfrentado pelos usuários dos serviços de saúde. 

Superlotação das unidades, escassez de recursos, longas filas de espera e a sobrecarga emocional de familiares agravam o ambiente hospitalar e acabam direcionando a frustração para quem está na linha de frente: médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares. As situações vão desde gritos e xingamentos até empurrões, socos e ameaças com armas. Em muitos casos, as agressões partem de pacientes, mas, frequentemente, também envolvem familiares ou acompanhantes.

“É inadmissível que profissionais que se dedicam a salvar vidas estejam expostos à violência como se fosse algo normal. Precisamos de leis mais duras e, principalmente, de ações práticas para garantir a segurança desses trabalhadores”, afirma o advogado Thayan Fernando Ferreira, especialista em direito público e direito de saúde, membro da comissão de direito médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados.

Em maio deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que endurece as penas para crimes cometidos contra profissionais da saúde. Pelo texto, a PL dobra as penas para os crimes de constrangimento por violência ou grave ameaça (detenção de 3 meses a 1 ano) e incitação pública ao crime (detenção de 3 a 6 meses), quando cometidos contra profissionais da saúde durante o trabalho. O projeto está em análise no Senado. 

Thayan reforça a importância da iniciativa legislativa, mas alerta que ela deve ser acompanhada de medidas práticas. “A lei é um avanço, mas não pode ser a única resposta. É fundamental investir em segurança nas unidades de saúde, promover campanhas de conscientização da população e criar canais de denúncia acessíveis para os profissionais. Só assim haverá mudança nesse cenário de medo e insegurança”, acrescenta o advogado.

 

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