Nos últimos meses, o Observatório Nacional da
Coexistência Humano-Animal registrou uma sequência de notícias que, apesar de
chocantes, desapareceram rapidamente do debate público.
Em Manaus, cães permaneceram dias ao lado do
tutor morto dentro de uma residência.
https://d24am.com/amazonas/caes-que-ficaram-ao-lado-de-tutor-morto-buscam-adocao-saiba-mais/
Em Mato Grosso, um idoso foi encontrado morto
em uma fazenda, com cães consumindo partes do cadáver.
https://www.hnt.com.br/cidades/corpo-de-idoso-e-encontrado-sendo-devorado-por-caes-em-fazenda/554643
Mais recentemente, uma mulher desaparecida
foi encontrada morta dias após o óbito. Os cães que permaneciam confinados no
local alimentavam-se do corpo.
Também foram registrados episódios envolvendo
ataques de cães aos próprios tutores ou familiares.
O Observatório entende que existe um elefante
na sala que ninguém parece disposto a enxergar.
·
A
discussão não é sobre cães.
·
A
discussão não é sobre agressividade.
·
A
discussão não é sobre comportamento animal.
A discussão é sobre seres humanos que
passaram dias mortos sem que sua ausência fosse percebida.
ü
É
sobre idosos vivendo sozinhos.
ü
É
sobre isolamento social.
ü
É
sobre fragilidade das redes familiares.
ü
É
sobre saúde mental.
ü
É
sobre pessoas cuja única companhia diária talvez fosse justamente um cão ou um
gato.
Os cães encontrados nesses episódios não
atacaram a sociedade.
Apenas permaneceram onde sempre estiveram: ao
lado de seus tutores.
ü
Quando
a água acabou.
ü
Quando
a comida acabou.
ü
Quando
a ajuda não chegou.
Quando ninguém apareceu.
O resultado foi uma cena extrema que ocupou
manchetes por alguns dias e depois desapareceu.
Mas o fenômeno permanece.
Ø
Quantas
pessoas vivem hoje acompanhadas apenas por seus animais?
Ø
Quantas
passariam dias sem que alguém percebesse sua ausência?
Ø
Quantos
episódios semelhantes estão ocorrendo sem qualquer monitoramento sistemático?
O Observatório Nacional da Coexistência
Humano-Animal entende que eventos dessa natureza merecem atenção da imprensa,
das universidades, dos Ministérios Públicos, da assistência social, dos
gestores públicos e da sociedade.
Talvez
o verdadeiro escândalo não seja que cães famintos se alimentem de cadáveres.
Talvez o verdadeiro escândalo seja que ninguém tenha chegado antes deles.
Edilson Pereira da Silva & Rosie da ChatGPT
Médico Veterinário – CRMV-PE 1731
Iniciativa: Estatuto dos Cães e Gatos
Observatório Nacional da Coexistência Humano-Animal
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