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| Divulgação COBEA |
Documento inédito desenvolvido pela COBEA
reúne progresso e práticas do setor produtivo e evidencia a importância da
temática para a estratégia corporativa responsável
Elaborado
pela Colaboração de Bem-Estar Animal (COBEA) e especialistas do setor, o
relatório inédito “Bem-Estar Animal na Cadeia Produtiva Brasileira – Evolução e
Ambições para o Futuro” apresenta um mapeamento da evolução do tema no país e
aponta oportunidades em bem-estar animal para aves, suínos e bovinos. O
documento foi apresentado durante o Fórum Estratégico de Bem-Estar Animal –
Alinhando Propósito, Mercado e Performance, evento organizado em conjunto com a
idealizadora da COBEA, a certificação Produtor do Bem, em 7 de maio em São
Paulo (SP).
“O
bem-estar animal na cadeia produtiva no Brasil está em constante avanço, porém
é uma questão multifacetada e difícil de mensurar. As informações disponíveis
hoje indicam um cenário heterogêneo entre espécies, sistemas produtivos e
regiões do país. Essas estimativas se baseiam principalmente em relatórios
setoriais, compromissos corporativos, certificações voluntárias e estudos
pontuais, não havendo um levantamento nacional único e padronizado que cubra
toda a base produtiva”, observa a diretora-executiva da COBEA, Elisa
Tjarnstrom.
Muitos
avanços ocorreram nos últimos anos, no campo, na pesquisa científica e nas
políticas empresariais e públicas. Ela destaca que, de forma geral, o bem-estar
animal está evoluindo de forma contínua e gradual e de maneira mais estruturada
dentro de cadeias organizadas, lideradas por empresas com compromissos públicos
e maior capacidade de investimento. “Entretanto, uma parcela significativa da
produção ainda está fora dessas iniciativas, o que resulta em um panorama
nacional marcado por grande diversidade de práticas e ritmos de adoção”,
aponta.
Compreender
a situação atual do bem-estar animal na agropecuária nacional é fundamental não
apenas para atender a padrões regulatórios e de mercado, mas também para
promover avanços que impactam diretamente a saúde pública, a qualidade de
alimentos e a sustentabilidade da produção. Ao mesmo tempo, o aumento da
conscientização da sociedade sobre bem-estar animal e consumo responsável
reforça a importância de olhar para o estágio atual dessa agenda – e para os
caminhos futuros do setor.
Avicultura
O
Brasil é hoje um dos gigantes mundiais na produção de ovos, tendo registrado em
2025 uma produção de ovos de 62.253.124.01, de acordo com os dados da
Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em seu Relatório Anual 2026. De
acordo com o relatório, no setor de ovos há evidências consistentes de
crescimento dos sistemas alternativos às gaiolas convencionais, como sistemas cage-free,
caipira e orgânico.
Uma
parte das granjas brasileiras atende a critérios mais amplos de bem-estar
animal, aplicando boas práticas em termos de, por exemplo, densidade, manejo,
enriquecimento ambiental e auditoria por terceiros. De acordo com o
levantamento feito pela COBEA, as principais oportunidades estão nos sistemas
de confinamento e na transição para modelos sem gaiolas. Porém, maior
alinhamento entre produtores e compradores é fundamental, junto a maior
padronização, auditoria independente e mecanismos de financiamento que viabilizem
a adaptação.
Já
na produção de frango de corte, o Brasil é o terceiro maior produtor e o
primeiro maior exportador, com cerca de 5,706 bilhões de frangos abatidos em
2026. Esses números podem ser maiores quando considerados os abates realizados
em estabelecimentos de inspeções estaduais e municiais. Nesse setor,
observa-se um movimento gradual de adoção de práticas mais alinhadas ao
bem-estar animal, por exemplo relacionado ao uso de enriquecimento ambiental e
melhorias na ambiência. Esses avanços são mais evidentes em cadeias integradas
e empresas de maior porte, enquanto a cobertura nacional de granjas auditadas
de forma independente ainda permanece limitada.
A
seleção genética voltada ao rápido ganho de peso permanece como um dos
principais fatores limitantes para o bem-estar de frangos de corte no Brasil e
no mundo. Porém, o relatório indica que estão em andamento novos projetos para
facilitar a produção comercial de linhagens de frango com maior potencial de
bem-estar no país.
Suinocultura
De
acordo com dados da ABPA, a cadeia de suinocultura brasileira registrou 48,5
milhões de animais abatidos em 2025, e esse número é ainda maior considerando
que estes dados trazem apenas os abates com Serviço de Inspeção Federal (SIF).
O setor tem avançado nas iniciativas de bem-estar animal como, por exemplo, a
adoção de sistemas melhores de alojamento, com destaque para a gestação
coletiva e, iniciando aos poucos, a maternidade livre de gaiola.
Segundo
o relatório da COBEA, estima-se que cerca de 45% das matrizes já estejam em
baias de gestação coletivas e que 62% do plantel esteja comprometido com essa
transição, impulsionada por compromissos empresariais e pela Instrução
Normativa 113/2020, que exige adequação total até 2045. A indústria também se
antecipa às exigências legais previstas para 2030 na eliminação de práticas
dolorosas, como a castração cirúrgica sem controle da dor. Esses movimentos
indicam que o setor está em uma fase de transição estrutural planejada, na qual
empresas pioneiras abrem caminho para a consolidação das melhores práticas em
toda a cadeia.
Adicionalmente,
o Brasil se destaca como líder mundial na adoção da imunocastração, com
cobertura superior a 90% em algumas integrações. A técnica melhora a qualidade
da carne, reduz gordura indesejada e contribui para menor impacto ambiental,
além de representar um avanço significativo para o bem-estar. O próximo passo
estratégico é fortalecer o manejo associado a essa técnica e universalizar sua
adoção, garantindo que seus benefícios se estendam a todos os segmentos de
produtores.
Bovinocultura de corte e
leite
O
Brasil mantém o segundo maior rebanho bovino do mundo, com quase 240 milhões de
animais em 2025 e 42,94 milhões abatidos no mesmo ano segundo o IBGE. Para os
bovinos de corte, a predominância histórica de sistemas extensivos a pasto no
Brasil é frequentemente associada a condições consideradas favoráveis em termos
de espaço disponível por animal e possibilidade de expressão de comportamentos
naturais. Ainda assim, a qualidade do bem-estar pode variar conforme o manejo,
as condições das pastagens, o período de confinamento e o transporte, e as
práticas adotadas nas fases finais de engorda e abate.
Já
na produção leiteira, a diversidade de sistemas produtivos torna difícil
qualquer estimativa agregada. Há crescimento de modelos mais intensivos e
tecnificados, como o compost barn, que tendem a oferecer
melhores condições de conforto quando bem manejados, especialmente entre
produtores de maior escala. Ao mesmo tempo, sistemas a pasto continuam presentes
em várias regiões, com níveis de bem-estar que variam conforme diferenças de
manejo, clima e investimento.
Cadeia de valor: caminhos
para o progresso
Segundo
a COBEA, o avanço do bem-estar animal depende de maior colaboração entre os
diferentes elos da cadeia de valor. Embora muitas empresas já tenham assumido
compromissos e promovido melhorias individuais, trata-se de um desafio complexo
e sistêmico, que exige ação coordenada para gerar mudanças consistentes e
duradouras.
Empresas
compradoras de proteína animal – como varejo, restaurantes e fabricantes de pet food
– têm um papel estratégico nesse processo, sobretudo devido à sua proximidade
com os consumidores de produtos de proteína animal. É necessário um
direcionamento, aliado ao diálogo com produtores, que permite criar incentivos
adequados e viabilizar as melhorias necessárias.
Outros
atores também são fundamentais. O setor financeiro pode impulsionar práticas
mais responsáveis por meio de crédito e investimentos, enquanto políticas
públicas e certificações independentes ajudam a criar um ambiente regulatório
claro e previsível. Sem coordenação e padronização, iniciativas isoladas tendem
a ter impacto limitado; já a ação coletiva permite ganhos de escala, estimula
inovação e fortalece avanços efetivos no bem-estar animal de forma sustentável.
Para
a diretora-executiva, é fundamental analisar os sistemas de produção a partir
de uma perspectiva mais ampla, indo além de respostas pontuais às falhas
atuais. “O bem-estar animal pode, muitas vezes, contar com soluções simples e
centradas nos próprios animais; ao mesmo tempo, alguns desafios exigem
abordagens de longo prazo e a adoção gradual de novas práticas”, afirma.
Nesse
contexto, a COBEA reforça que para que haja progresso real, é necessário
alinhar expectativas e ambições entre os diferentes elos da cadeia de valor,
criando uma visão comum e coordenada. “Nossas recomendações visam justamente
apoiar esse alinhamento e ajudar os setores a trabalharem com mais eficiência
na implementação de boas práticas”, finaliza.
O relatório completo pode ser acessado pelo link
Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal - COBEA
https://cobea.com.br/
https://www.linkedin.com/company/cobeabrasil/

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