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quarta-feira, 13 de março de 2024

Dietas à base de vegetais de grávidas podem interferir na saúde fetal?

Médico de hospital israelense comenta achados de estudo que mostra indícios de impactos durante a gestação e após a gravidez


As dietas à base de vegetais estão ganhando popularidade em todo o mundo. Contudo, a mudança desse comportamento alimentar sempre traz dúvidas, principalmente quando a escolha é feita por mulheres gestantes. Nesse contexto, um estudo realizado na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, com dezenas de milhares de mulheres e que foi publicado recentemente no periódico científico Acta Obstetricia Et Gynecologica Scandinavica, revelou que indícios importantes de como esse tipo de dieta pode interferir na saúde do feto. Entre os riscos levantados estão a pré-eclâmpsia e o nascimento do bebê com peso mais baixo.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores do estudo, intitulado “Adesão a diferentes formas de dietas baseadas em vegetais e resultados de gravidez na coorte nacional dinamarquesa de nascimentos: um estudo observacional prospectivo que analisou dados fornecidos por dezenas de milhares de participantes”, acompanharam dezenas de milhares de mulheres através de um registo nacional de dados durante os anos 1996 e 2002, examinando seus estilos de vida e a dieta escolhida por elas durante idade reprodutiva. As mulheres responderam um abrangente questionário aplicado em dois momentos, na 25ª e na 30ª semana de gravidez, incluindo perguntas relacionadas à normalidade da gravidez e ao processo de parto, bem como a saúde tanto das mães quanto dos recém-nascidos. Todas foram devidamente separadas e categorizadas em grupos de mulheres onívoras, aquelas que se alimentam de peixe e frango, completamente vegetarianas e veganas.

As análises dos dados permitiram que os pesquisadores observassem que a gravidez das veganas é, em média, cinco dias mais longa do que daquelas que comem de tudo e, mesmo assim, seus bebês nasceram com peso em média 200 gramas menor em comparação aos bebês de mulheres onívoras. De acordo com o estudo, a dieta vegana entre as mulheres que dele participaram levou ao nascimento de mais crianças com peso inferior a 2,5 kg (2,5% entre as mulheres carnívoras, em comparação com 11% entre a população vegana). Este resultado indica maior potencial para problemas de desenvolvimento em recém-nascidos. Os pesquisadores notaram ainda que as mulheres grávidas que seguem uma dieta vegana ou vegetariana correm maior risco de pré-eclâmpsia.

Para Ido Sholt, diretor da Unidade de Medicina Materna e Fetal do Rambam Health Care Campus, maior hospital do norte de Israel, os dados reforçam que uma dieta vegana tem um preço. “As pessoas que subsistem com uma dieta vegana precisam de suplementos para manter o pleno funcionamento do corpo. A proteína é de grande importância, especialmente durante a gravidez, quando a preocupação com a ingestão de nutrientes é ainda mais essencial”.

Outro achado da pesquisa foi a informação de que a escolha alimentar também produz efeito no curso da gravidez. De acordo com o estudo, as mulheres que foram alimentadas com dieta vegana tiveram menos casos de diabetes gestacional. Por outro lado, em relação à pré-eclâmpsia, há inversão de resultados, com 11% de veganas tendo casos de pré-eclâmpsia, quase quatro vezes mais do que nas mulheres carnívoras, onde o valor era de 2,6%.

“Trata-se de mais uma informação preocupante, uma vez que a pré-eclâmpsia é um problema placentário que se desenvolve desde o início da gravidez e traz riscos para mãe e para o bebê”, alerta Sholt.

O especialista conclui: “o consumo de proteínas é um componente essencial para uma gravidez normal. Por isso, para quem deseja sem manter na dieta vegana mesmo durante a gravidez, é fundamental a suplementação com zinco, iodo, ferro, B12, cálcio, entre outros que podem ser ingeridos como multivitamínicos. Embora não contribuam na questão do peso dos recém-nascidos, certamente previnem complicações adicionais.”


Sensibilidade dentária, o que é e quais alimentos podem causar?

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Segundo dados da Associação Brasileira de Odontologia, cerca de 30% da população brasileira sofre de sensibilidade dentária 


A sensibilidade dentária é uma preocupação generalizada que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Esse desconforto ocorre quando o esmalte dental se desgasta ou a gengiva se retrai, expondo a dentina, uma área sensível dos dentes. Segundo o Dr. Alípio Guedes, professor do curso de Odontologia da Faculdade Anhanguera, quando essa exposição da dentina acontece, ocorre uma troca de líquidos entre o dente e o meio externo fazendo com que terminações nervosas no interior do dente sejam estimuladas, resultando em sensibilidade. Estímulos externos, como alimentos quentes, frios, doces, ácidos e até mesmo a escovação, podem gerar essa movimentação de líquidos dentro da dentina exposta e gerar dor. 

O Dr. Guedes também destaca que a erosão do esmalte dentário é um problema comum que pode surgir por várias razões. A principal delas é a abfração, cuja causa é o traumatismo dental provocado por uma oclusão (mordida) inadequada. Outras condições e hábitos do paciente podem contribuir também para o aparecimento das erosões ou abfrações como o refluxo gástrico e a bulimia. A escovação traumática hoje só é considerada fator causal se estiver associada as condições já citadas. "A sensibilidade dentária está sempre associada a algum problema específico, não sendo algo natural ou fisiológico", acrescenta ele. 

Alguns hábitos alimentares também podem ser citados como causa ou fatores coadjuvantes da sensibilidade dentária. “Frutas cítricas, refrigerantes, bebidas energéticas, sorvetes, café, chá, doces, sobremesas, todos com ph ácido ou com poder de acidificar o meio bucal podem ser considerados também fatores causais da sensibilidade”. Para lidar com essa condição, é essencial adotar cuidados específicos. O professor recomenda manter uma boa higiene bucal, usar creme dental fluoretado, cremes dentais formulados para dentes sensíveis também ajudam a diminuir os inconvenientes da sensibilidade. Evitar alimentos e bebidas ácidas, que possam causar irritabilidade também é uma recomendação, mas o principal é manter o hábito de consultar regularmente um dentista de confiança para a prevenção e orientação a respeito de condutas para evitar o problema. 

Além disso, o especialista ressalta que esses problemas bucais não estão ligados a uma faixa etária específica ou genética. "Com o passar dos anos, diversos desequilíbrios podem ocorrer na boca, levando à erosão do esmalte e à retração gengival. E uma série de hábitos cotidianos, como citados acima, podem contribuir para a sensibilidade", explica. 

Buscar tratamento profissional é crucial para identificar a causa subjacente da sensibilidade e receber orientações específicas para cada caso. "Além disso, algumas práticas simples, como evitar a ingestão constante de alimentos ácidos, o uso de escovas macias, uso de creme dental fluoretado, procurar o dentista toda vez que perceber que sua mordida não está balanceada, podem ajudar a minimizar o desconforto". 

Dados da Associação Brasileira de Odontologia indicam que cerca de 30% da população brasileira sofre de sensibilidade dentária. No entanto, muitas pessoas tendem a ignorar os sintomas ou apenas evitam alimentos que desencadeiam a sensibilidade, sem buscar tratamento. O Dr. Alípio adverte que esse comportamento pode agravar o problema ao longo do tempo, levando até a perda dental e destaca a importância da consulta regular ao dentista para prevenir a erosão dentária e a retração gengival. 



Anhanguera
Acesse o site e o blog para mais informações.


Saúde visual ao longo da vida: o impacto da visão no bem-estar físico e mental

 Especialista do CROOSP fala sobre os sinais de alerta e as medidas preventivas para garantir a qualidade de vida


A saúde visual é um fator determinante para garantir uma qualidade de vida adequada, pois cerca de 80% das informações que recebemos do mundo ao nosso redor, provém dos olhos. Ter uma boa visão ao longo da vida não apenas permite experiências visuais, mas também está conectada à saúde física e emocional.

 

Camilla Martinez, optometrista e diretora de relações profissionais no Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo (CROOSP), nos explica que investir na saúde visual, por meio de exames regulares e cuidados adequados, é essencial para preservar a qualidade de vida e garantir o bem-estar ao longo dos anos.

 

Saúde visual, física e mental ao longo da vida 

Uma saúde visual adequada desempenha um papel essencial na manutenção da saúde física e mental por várias razões. Em primeiro lugar, está intimamente ligada à capacidade de realizar atividades cotidianas, como ler, dirigir e até mesmo caminhar com segurança, o que contribui para um estilo de vida ativo e independente. Além disso, problemas de visão não corrigidos podem levar a tensão ocular, dores de cabeça e fadiga, afetando diretamente o bem-estar físico. 

 

Em termos de saúde mental, a visão impacta na forma como percebemos e interagimos com o mundo ao nosso redor. Uma visão clara facilita a comunicação, a compreensão visual e a interpretação de estímulos, influenciando no humor e níveis de estresse. Por outro lado, problemas de visão não tratados podem levar à frustração, isolamento social e até mesmo depressão, especialmente se interferirem nas atividades do dia a dia ou nas relações interpessoais.

 

Sinais de alerta e medidas preventivas

Camila alerta sobre os sinais que devemos prestar atenção: “se ao fechar um olho e depois outro, a pessoa percebe que existe uma diferença considerável de nitidez entre eles, ou então ao fazer isso, percebe pontos pretos, como pedacinhos faltando na visão daquele olho, é preciso entrar em estado de alerta. Outra questão de atenção é quando os olhos estiverem muito vermelhos ou ver flashes de luzes”. 

Melhor do que perceber os sinais de alerta, é tomar medidas preventivas. Camilla pontua que “os benefícios de fazer consultas de rotina e seguir as orientações do Optometrista asseguram qualidade de visão contínua e previne diagnósticos tardios. O Optometrista tem condições de identificar quando um olho não está saudável e assim, fazer o encaminhamento em tempo para iniciarem um tratamento rápido. Com os exames periódicos, o paciente também fica atualizado com dicas para proteger os seus olhos dos raios nocivos e orientações para correção dos hábitos que prejudicam a visão”.

A especialista também dá dicas para quem usa excessivamente dispositivos eletrônicos como celular e computador. ”O ideal é reduzir o brilho, manter a distância mais afastada possível e usar filtro de luz azul nos óculos. Importante falar que o filtro elimina apenas o excesso da luz prejudicial, mas deixa passar o restante, por isso, é necessário cuidado com os bloqueadores, já que estes podem barrar 100% do espectro azul e isso não é bom  para o nosso organismo. Não esquecer de usar óculos de sol nos dias com forte radiação UV e de tempos em tempos, fazer exames mais complexos de fundo de olho e pressão ocular”, ressalta.

Reconhecer e valorizar a importância da saúde visual é essencial para garantir um estilo de vida pleno e equilibrado em todas as fases. “As pessoas precisam cuidar mais e melhor da visão, pois na sua ausência, a qualidade de vida muitas vezes vai embora junto”, conclui Camilla.

Sobre o Optometrista - Os profissionais Optometristas tiveram sua atuação reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu ser lícito aos que possuem formação de nível superior realizar a prescrição de óculos e lentes de contato. Em relação aos profissionais técnicos, foi facultado o exercício de todas as outras atividades previstas na Classificação Brasileira de Ocupações.


No Estado de São Paulo, o Centro de Vigilância Sanitária isenta o licenciamento de consultórios e gabinetes optométricos; além disso, não há proibição para a atuação de optometristas dentro de óticas.  


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) também reafirma a legalidade de optometristas de nível superior estabelecerem local de trabalho para atender pacientes e que estão autorizados a prescrever óculos e lentes de contato. 


Por meio do Ofício Circular n° 4/2023/SEI/GGTES/DIRE3/ANVISA, a ANVISA reiterou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) proferida nos autos da ADPF 131, determinando que todas as autoridades sanitárias do país fossem comunicadas da validade imediata e vinculante da ordem emanada pela Suprema Corte.



CROOSP - O Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo

Dia Mundial do Rim: saiba como cuidar da saúde desse órgão

Data conscientiza sobre prevenção à doença renal crônica, diagnóstico precoce e tratamento


Você sabia que a doença renal crônica será a quinta maior causa de morte no mundo em 2040? É isso o que revelou um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cujos dados também apontam que, atualmente, cerca de dez milhões de pessoas no Brasil são diagnosticadas com doença renal crônica e 90 mil estão em diálise. Outros 50 mil, aproximadamente, morrem anualmente de forma precoce sem antes ter acesso a alguma forma de tratamento, seja diálise ou transplante renal. Estimativas do Ministério da Saúde mostram ainda que 10% da população mundial tem algum grau de doença renal crônica, o que equivale a 850 milhões de pessoas.

 

Todas essas informações ressaltam a importância de uma data pautada nas doenças renais, que neste ano é celebrada no dia 14. Comemorado toda segunda quinta-feira do mês de março, o Dia Mundial do Rim tem como objetivo conscientizar a população sobre as doenças renais, com foco na prevenção e na incorporação de práticas saudáveis. A campanha não só dissemina informações sobre a prevenção e o diagnóstico precoce, como também orienta acerca de hábitos que podem colaborar com a saúde dos rins, órgãos que desempenham funções imprescindíveis, das quais dependem o equilíbrio e o bom funcionamento do organismo.

 

Doenças renais 

De acordo com a nefrologista do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), Dra. Ana Cláudia S. Martins Rochel, inicialmente é necessário entender a diferença entre Insuficiência Renal Aguda e Crônica. "Quando a doença se instala de forma súbita e rápida, chamamos de Doença Renal Aguda, cujos sintomas mais comuns são redução da quantidade de urina, falta de ar, tosse, inchaços no corpo e na face", explica ela. Já a Doença Renal Crônica, segundo a médica, é conhecida como uma doença silenciosa, já que não apresenta sintomas e torna-se aparente somente em fase avançada, algo bastante preocupante. "O paciente apresenta vários sinais e sintomas, dentre eles, redução da quantidade de urina, inchaço no corpo e na face, falta de ar, associados também à fraqueza intensa, desânimo, sonolência, falta de apetite, náuseas, vômitos, emagrecimento, palidez, coceira no corpo, entre outros", explica ela.

 

Prevenção e atenção aos sinais 

De acordo com a nefrologista, o Diabetes Mellitus e a Hipertensão Arterial Sistêmica são as principais causas de Doença Renal Crônica. Dessa forma, a prevenção e o tratamento adequado dessas doenças constituem-se em medidas essenciais para que a condição não se manifeste. Ela afirma que é imprescindível o controle dos fatores de risco destas doenças, tais como sedentarismo, tabagismo, abuso de bebida alcoólica, obesidade, alimentação inadequada, com predomínio de alimentos processados e ultraprocessados, uso abusivo de açúcar e de sal na alimentação. A médica ainda salienta que é necessário atentar-se ao histórico familiar, pois, se há histórico de doença renal na família, a pessoa deverá consultar periodicamente o clínico geral ou nefrologista para avaliação. "Infecções repetidas de urina e pedra nos rins, quando não tratadas de forma adequada, também podem comprometer o funcionamento dos rins. Da mesma forma, doenças que acometem próstata, útero, ovários e intestino, sejam benignas ou malignas, podem comprometer o fluxo de urina no aparelho urinário, podendo causar Doença Renal Aguda", acrescenta Dra. Ana Cláudia.

 

Diagnóstico e tratamento precoce 

A avaliação básica inicial é composta de um exame de sangue chamado creatinina, que avalia a eficácia dos rins ao filtrar o sangue, e também um exame de urina, chamado Urina 1. A creatinina é resultante do metabolismo muscular e, no processo de filtração do sangue, essa substância é eliminada pelos rins na urina. "Quando a capacidade de filtração dos rins está comprometida, a creatinina se eleva de forma anormal no sangue. Portanto, quanto mais elevada for a creatinina no sangue, maior é o comprometimento da função renal", exemplifica a nefrologista. Já o exame Urina 1 detecta alterações como a presença de sangue e perda de proteínas pela urina. "Esses dados são de grande importância para o diagnóstico precoce de doenças renais", complementa ela. 

Uma forma de prevenir a perda da função renal e os impactos causados, é o diagnóstico e o tratamento precoce. "Avaliar a função renal periodicamente é mandatório para qualquer pessoa, independentemente da condição de saúde. Essa avaliação periódica deve ser realizada por clínico geral, ou por um médico de qualquer especialidade com o qual a pessoa faz seguimento", diz a médica. Ela ainda salienta que a periodicidade mínima é de uma vez por ano e, uma vez observada alteração da função renal, o paciente deverá consultar um nefrologista.

 

Uso inadequado de medicamentos 

Para finalizar, a médica alerta sobre o uso inadequado de medicamentos, algo que pode comprometer a função dos rins. É o caso de anti-inflamatórios não-esteroidais, tais como Ibuprofeno, Nimesulida, Diclofenaco, Cetoprofeno, Naproxeno e Piroxicam, remédios frequentemente usados pela população, sem orientação médica. "Os anti-inflamatórios não esteroidais, os AINEs, principalmente quando são utilizados cronicamente, podem comprometer a capacidade dos rins de filtrar o sangue, podendo evoluir para falência renal aguda ou crônica", finaliza a médica.

 

Hospital Evangélico de Sorocaba

 

10 mitos e verdades sobre lentes de contato


O uso de lentes de contato é cada vez mais comum, especialmente no caso de pessoas que não se adaptam ou não querem usar óculos. No entanto, existem inúmeras dúvidas a respeito do tema. Para ajudar na tarefa e sanar boa parte delas, o oftalmologista do Hospital CEMA, Leonardo Marculino, detalha abaixo quais são os mitos mais comuns envolvendo o assunto e quais são as recomendações para quem opta pelas lentes. Confira!

 

1 - Todas as pessoas que usam óculos podem trocar por lentes de contato.

MITO. A lente de contato não serve para todos. Existem algumas pessoas que podem ter alguma doença que impossibilite seu uso. Quem tem olho seco severo, por exemplo, não pode usar lentes. Há inúmeras outras causas e apenas um médico oftalmologista é capaz de avaliar caso a caso qual a melhor solução.

 

2 - Não é aconselhável dormir com lentes de contato.

VERDADE. Ao dormir com lentes de contato o risco de infecção é aumentado. O perigo existe porque dormir com a lente diminui a oxigenação da córnea, além de agravar o ressecamento ocular. O risco de ter infecção pode ser até 10 vezes maior do que o de uma pessoa que usa lente de contato apenas durante o dia, de maneira adequada.

 

3 - A lente de contato precisa ser limpa com produtos específicos e não com soro fisiológico.

VERDADE. Quem usa lentes não pode usar soro fisiológico para nada, nem para enxaguar, nem guardar. A única exceção é o uso de lentes de contato escleral. Mas, no geral, a manutenção das lentes de contato convencionais envolve guardá-las no seu produto específico para diminuir riscos de infecção e obter o tratamento adequado delas.

 

4 - A lente de contato pode ficar presa dentro do olho.

MITO. Não existe chance de isso acontecer. O que pode ocorrer é a lente escorregar para cima da pálpebra superior e ficar ali entre a conjuntiva e o globo ocular, mas ela não consegue ir para dentro do olho. Vale lembrar que se a lente ficar nesse espaço, às vezes, é necessário ir ao oftalmologista para retirar.

 

5 - A lente de contato pode causar infecções.

VERDADE. O uso inadequado das lentes de contato, sem a higienização necessária, sem a troca no período correto, pode causar infecções sérias, que podem levar até à cegueira.

 

6 - Lentes de contato são tão boas quanto os óculos.

VERDADE. Quando bem indicadas elas vão dar uma visão, muitas vezes, até melhor do que com o uso de óculos. Porém, a lente deve ser usada de maneira adequada e sob supervisão do médico oftalmologista, que vai fazer o teste de adaptação dessas lentes para que elas possam ser usadas com o menor risco possível.

 

7 - Não se deve nadar ou tomar banho usando lentes de contato.

VERDADE. Tomar banho, entrar no mar, piscina ou rio usando lente de contato é arriscado, pois pode ocorrer alguma infecção. Até mesmo ao lavar o rosto, é preciso tirar as lentes, pois os riscos envolvem, inclusive, quadros de perda visual, causados por processos infecciosos.

 

8 - Lentes de contato têm prazo de validade.

VERDADE. Cada tipo de lente tem um prazo específico de uso e validade. Esse período precisa ser respeitado de forma adequada. Muitas vezes pode ocorrer até mesmo uma irritação antes do prazo estipulado. Nesse caso, é melhor descartar a lente antes. Mas se chegar no prazo e estiver tudo bem, o ideal é fazer o descarte para diminuir o risco de ter alguma complicação nos olhos.

 

9 - Lentes de contato coloridas podem prejudicar os olhos.

VERDADE. Do mesmo jeito que lentes de contato que não são coloridas também podem. Porém, a lente colorida tem um risco maior para os olhos do que a não colorida. Isso porque esse pigmento que dá a cor da lente faz com que a troca de oxigênio entre o olho da pessoa e o ambiente seja diminuída e com isso há um aumento no risco de ter infecções, lesões na córnea, vascularização na córnea ou morte das células-tronco. O uso de lentes coloridas deve ser supervisionado pelo médico oftalmologista e as consultas precisam ser mais frequentes.

 

10 - O mau uso da lente de contato pode provocar cegueira.

VERDADE. A perda visual pode ocorrer tanto por infecção, que pode evoluir mal, perfurar o olho e até necessitar da retirada do globo ocular; como desestruturação da superfície do olho, com perda das células-tronco, além de uma conjuntivalização, que ocorre quando a parte branca do olho cresce em cima de todo olho, levando a um tipo de cegueira. Nos casos infecciosos, pode ocorrer cegueira irreversível. Por isso, o uso de lentes de contato envolve ter sempre supervisão de um médico oftalmologista.


Cientistas descobrem bactéria amazônica com potencial para combater doenças como herpes e câncer de mama

 

Composto estudado por cientistas do Instituto Tecnológico Vale (ITV), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e de instituições parceiras demonstrou propriedades viricidas, bactericidas e capaz de eliminar células cancerosas


 

Um estudo realizado por cientistas do Instituto Tecnológico Vale (ITV-DS), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e de instituições parceiras descreve de forma animadora o potencial terapêutico de um composto químico produzido por uma nova bactéria encontrada no solo amazônico na região de Paragominas, leste do Pará. O composto químico demonstrou propriedades viricidas, bactericidas e foi capaz de eliminar células cancerosas sem danificar células saudáveis, segundo os descobridores.

A pesquisa estudou o potencial farmacêutico de uma cepa de bactéria da espécie Pseudomonas aeruginosa. A bactéria produz um surfactante de origem microbiana ou biossurfactantes chamado de ramnolipídeo. Esse composto demonstrou resultados promissores contra microrganismos patogênicos de interesse médico e veterinário. O estudo avaliou também a toxicidade do composto em relação a três tipos de vírus (herpes simples, coronavírus murino e vírus sincicial respiratório). Uma solução do composto, com uma concentração de 250 μg/mL, inibiu 97% da atividade viral nos três tipos de vírus citados. Resultados semelhantes foram observados com uma solução de 50 μg/mL, por 15, 30 e 60 minutos, sugerindo que a eficácia viricida está relacionada ao tempo de exposição do vírus ao biossurfactante.

Sequenciamento genômico da bactéria foi realizado pelo ITV.
O instituto é referência em análises moleculares.
Em cinco anos, foram produzidos 12 mil marcadores
genéticos da fauna e flora da Amazônia.
Créditos: Miguel Aun

Um outro teste mostrou que o ramnolipídeo (biossurfactante), na concentração de 12,5 µg/mL, apresentou potencial seletividade na redução da proliferação de células tumorais de mama, após um minuto de exposição em laboratório. 

Para José Pires Bitencourt, do ITV e um dos autores do artigo, o composto “é uma substância que auxilia a bactéria a captar algum nutriente que seja interessante para o seu crescimento, além de auxiliar na comunicação entre bactérias da mesma espécie”. Segundo ele, durante o estudo, todas as concentrações do composto diminuíram a viabilidade das células cancerígenas para menos de 50% em 72 horas, demonstrando um potencial antitumoral comparável aos níveis alcançados pela quimioterapia padrão. 

Bitencourt explica que as condições ambientais do solo amazônico são propícias para compostos de interesse farmacêutico, como o estudado pela pesquisa. “Diferentes subespécies de bactérias encontradas em várias condições de solo produzem biossurfactantes, influenciadas por fatores como clima, evolução do solo, regime hídrico, interação com outros organismos e impacto humano”. 

Para Sidnei Cerqueira dos Santos, professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e um dos autores do artigo, o ramanolipídeo também “pode ser usado como estratégia de sobrevivência dessas bactérias em ambientes desfavoráveis, para reduzir ou inibir a toxicidade celular, como por exemplo solo contaminado por metais”. O composto apresenta grande potencial para o desenvolvimento de novas formulações para o controle de microrganismos, vírus e tratamento do câncer de mama.


No Dia Mundial do Sono, conheça os chás mais indicados para relaxar antes de dormir

 

Segundo a OMS, 40% dos brasileiros possuem algum distúrbio do sono e os chás por infusão são aliados na rotina para melhorar a qualidade do sono


Na sexta-feira anterior ao equinócio de primavera do hemisfério norte, comemora-se o Dia Mundial do Sono. Em 2024, é o dia 15 de março que destaca a importância de bons hábitos relacionados ao sono e seu impacto na saúde como um todo. O sono interfere diretamente no equilíbrio psíquico, emocional e metabólico, além de controle de humor. Uma noite mal dormida pode gerar estresse e contribuir para o aparecimento de doenças como a diabetes. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% da população brasileira possui algum distúrbio do sono, sendo o principal a insônia, que afeta cerca de 73 milhões de pessoas. O consumo regular de chá por infusão é um hábito histórico associado ao autocuidado e a um estilo de vida saudável, entre os benefícios que a bebida pode trazer está o impacto positivo na qualidade do sono ao ser consumida antes de dormir. 

“Um chazinho antes de dormir para ajudar a desacelerar é um excelente hábito, principalmente atrelado ao consumo de ervas com efeito calmante que podem promover uma maior sensação de relaxamento”, explica Isabela Xavier, nutricionista consultor da Leão Alimentos e Bebidas. “Chás de ervas em infusão são fontes de compostos bioativos, que associados a hábitos de vida saudáveis oferecem benefícios à saúde de forma geral.” 

Alguns chás podem auxiliar diretamente na redução do estresse, reduzindo os níveis do hormônio cortisol na corrente sanguínea e auxiliando no relaxamento. O consumo de chás, especialmente os conhecidos por seus efeitos naturais calmantes como os de ervas ajuda diretamente na melhoria da qualidade do sono. 

Entre esses componentes, o mais famoso é a camomila, erva tradicionalmente usada para acalmar. Além da camomila, outras opções são a erva cidreira e o maracujá. Ao promover o relaxamento do corpo, o chá feito com esses ingredientes ajuda no alívio de dores musculares e de cabeça. 

Antes de dormir, além das opções de ervas básicas, uma opção de infusão que mistura os componentes citados anteriormente é o Leão Relaxa de camomila e maracujá. Parte da linha Funcionais da Leão, o Relaxa é uma das quatro opções de infusões pensadas para os diferentes momentos do dia, que ainda conta com Reequilibra, Recarrega e Reanima. Cada uma com um benefício específico. 

Já na linha Frutas & Flores, a infusão mais indicada antes de dormir é Camomila, Cidreira & Maracujá. E, por fim, entre os produtos específicos para o autocuidado feminino, a infusão Mamãe Serena, com óleo de funcho, melissa e alcarávia, é um calmante natural, saboroso e aromático.


Leão Alimentos e Bebidas


Há condições ideais para se submeter a uma fertilização in vitro (FIV)?

Diretor da clínica Origen BH, ginecologista fala sobre o tema e a importância de se ter um bom histórico clínico


Muitas mulheres e casais que não conseguem engravidar têm buscado na medicina reprodutiva a realização do sonho de ser mãe ou pais. Mas para que seja mapeado e desenvolvido um plano de tratamento personalizado para engravidar, gestar e ter o bebê, o especialista em reprodução assistida e diretor da clínica Origen BH, Marcos Sampaio, considera alguns fatores, como por exemplo, o histórico de tentativas de engravidar; a idade da mulher e a urgência em conceber; o histórico clínico de cada parceiro; exames de fertilidade que já podem ter sido feitos, bem como outros tratamentos para engravidar realizados. 

A FIV (fertilização in vitro) é uma técnica de reprodução assistida indicada para o tratamento de infertilidade, feminina e masculina. O procedimento é realizado em diferentes etapas, desde a coleta e seleção dos gametas (óvulos e espermatozoides), à fecundação, que ocorre em laboratório, cultivo dos embriões e transferência para o útero materno. 

“Para se aumentar as chances de sucesso desse processo, é necessária uma investigação da infertilidade, iniciada com a anamnese, quando é feito o acolhimento do casal ou da mulher que deseja ter um filho de forma independente, a partir da escuta de suas necessidades e expectativas, sintomas físicos e emocionais”, diz.


Para se ter ideia, alimentação, fatores psicológicos e até climáticos podem influenciar nas chances de engravidar. Sem contar o fato de a mulher nascer com uma reserva de óvulos pré-determinada, o que tem a ver com suas chances, ao longo da vida, de desenvolver uma gravidez.


Reserva ovariana - “Toda mulher nasce com uma reserva ovariana definida ao nascer, ou seja, o estoque de óvulos finito, que não aumenta com o passar dos anos; pelo contrário: ele diminui e envelhece ao longo da vida. Este é um dos primeiros aspectos a ser avaliado quando a pessoa quer passar pela FIV”, esclarece o ginecologista. 

No caso das mulheres com baixo estoque de óvulos e que desejam engravidar, a Origen oferece tratamentos específicos, como a estimulação ovariana. “O procedimento tem por objetivo elevar as chances de sucesso nos tratamentos focados na gravidez, para quem apresenta dificuldades, pois estimula vários folículos a crescerem. Nesses casos, o especialista em fertilidade fica responsável por planejar uma forma controlada e segura de estimulação ovariana, indicando a dosagem hormonal ideal que a mulher deve receber”, acrescenta Sampaio.

 

Idade - Segundo o médico, a questão da idade dos pacientes é um fator importante na reprodução assistida, inclusive para a definição da técnica mais adequada para cada pessoa. 

 

Histórico clínico - Neste cenário, o histórico clínico de cada paciente é fundamental de ser conhecido. “Neste momento, coletamos informações sobre doenças infantis ou atuais e de cirurgias, assim como o uso de uso de medicamentos, o comportamento sexual, com informações, inclusive, de incidência de infecções sexualmente transmissíveis (IST) e, o estilo de vida, considerando hábitos como uso excessivo de álcool ou drogas recreativas, tabagismo, alimentação e prática de exercícios físicos. Tudo isso é avaliado”, acrescenta o ginecologista. 

Toda mulher em idade reprodutiva que tem o sonho de ter filhos ou pretende adiar a maternidade em função do momento de vida em que se encontra deve estar atenta primeiramente ao seu bem-estar e à manutenção da sua saúde reprodutiva. Algumas orientações são fazer um exame ginecológico anual preventivo ao câncer de colo do útero; conversar com seu(sua) médico(a) de confiança sobre o tema; e, em casos específicos, procurar ajuda com especialistas em medicina reprodutiva, no caso de interesse por congelamento de óvulos.


Disfunções podem surgir - Após a primeira menstruação, a mulher pode apresentar disfunções que podem dificultar a transcorrência natural do seu ciclo menstrual, afetando uma desejada gravidez espontânea”, esclarece o médico ginecologista.

São exemplos de disfunções a síndrome de ovários policísticos (SOP), que afeta cerca de 20% das mulheres em idade reprodutiva; a endometriose; a amenorreia, marcada pela ausência de três ciclos menstruais consecutivos; e a oligomenorreia, caracterizada pelo intervalo prolongado entre um ciclo e outro, normalmente superior a 35 dias.

“Além de todos esses quadros que podem impactar a saúde reprodutiva da mulher, muitas mulheres não sabem, mas miomas uterinos, ciclos menstruais irregulares e problemas na tireoide podem atrapalhar as chances de desenvolvimento de uma gravidez saudável. Grande parte delas suspende os métodos contraceptivos – pílulas, injeções e preservativo – e não se dão conta de que a dificuldade na fecundação pode estar ligada a outros fatores. Alimentação sem regras, a partir de alimentos ultraprocessados, estilo de vida, sedentarismo, desenvolvimento de doenças como hipertensão e diabetes na juventude e contato com muitos fatores poluentes também podem impactar o organismo e dificultar as tentativas de gravidez”, acrescenta Sampaio.

Segundo ele, com os avanços tecnológicos, a reprodução assistida consegue reunir diferentes técnicas que possibilitam o auxílio daqueles que têm dificuldade de engravidar naturalmente. Surgem novas técnicas ou aprimoramento das já existentes a cada ano. “Isso se deve à grande eficácia dos procedimentos, pois, são inovadores e seguros. Além da técnica em si, ao longo dos anos, a medicina reprodutiva avançou muito no quesito humano, no acolhimento das pessoas que têm dificuldades para realizar o sonho de ter filhos. Com isso, aprimoramos vários processos que englobam o atendimento aos pacientes que nos procuram, oferecendo cada vez mais segurança na escolha deles por qualquer um dos procedimentos”, complementa.


Origen


Joelhos tortos”: saiba o que são e como identificar sinais de joelhos varos e valgos

 

Médico ortopedista do Hospital Ortopédico AACD explica quais são as causas e tratamentos para desalinhamento de joelhos
 

O desalinhamento dos joelhos é uma condição que pode afetar pessoas em diferentes fases da vida, apresentando variações como joelho valgo e joelho varo. O médico ortopedista Dr. Rodrigo Zuccon, do Hospital Ortopédico AACD, ajuda a entender as diferenças entre essas condições, suas causas, métodos de tratamento e quando procurar ajuda é fundamental para garantir uma qualidade de vida saudável. “Joelho varo e valgo referem-se a alterações no eixo de alinhamento, conhecido como eixo mecânico, uma linha imaginária entre o quadril e o tornozelo. Quando os joelhos se afastam dessa linha central, temos o joelho varo (joelhos para fora), e quando se aproximam, é o joelho valgo (joelhos em "X")”, explica o ortopedista.

Segundo ele, o risco está relacionado ao grau da deformidade. Desvios mais acentuados podem levar a desgastes e lesões no menisco. Joelhos com desvios leves geralmente não apresentam riscos significativos, enquanto desvios mais pronunciados podem resultar em sintomas como dor, instabilidade na articulação, lesões de ligamento e luxações.

Zuccon aponta que as causas dos desvios nos joelhos podem variar. Enquanto desvios leves podem ser relacionados ao biotipo e simetria individual, desvios mais acentuados podem ser causados por artrose, lesões de ligamento, fraturas ou condições como raquitismo, principalmente na infância. O desalinhamento pode ocorrer tanto na fase inicial do crescimento quanto ao longo da vida.

“É preciso ter uma atenção especial quando o desalinhamento é acentuado, assimétrico, afetando apenas uma perna, porque dessa forma a condição não tende a se corrigir naturalmente. Dor e instabilidade na articulação são sinais cruciais para avaliação desse estado. É essencial uma abordagem eficaz desde o diagnóstico precoce até o tratamento adequado”, observa o ortopedista.

Ainda conforme o especialista, para o caso de desvios leves, tratamentos conservadores, como fortalecimento muscular e uso de palmilhas, podem ser eficazes. Já em casos mais graves, a cirurgia pode ser indicada, com opções como osteotomia (corte do osso para correção) ou, em casos extremos, próteses de desgaste. “A cirurgia é essencial em casos extremos, principalmente quando há lesões associadas. A recuperação vai variar conforme o tipo de procedimento, mas a fisioterapia é fundamental para todas as modalidades cirúrgicas, adaptada ao tipo de intervenção realizada”, ponderou.


A AACD
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Estudo revela relação entre COVID longa e declínio cognitivo

Dr. Fabiano de Abreu Agrela, neurocientista e especialista em doenças neurodegenerativas, comenta sobre pesquisa publicada na Nature Neuroscience

Um estudo recente publicado na revista Nature Neuroscience encontrou uma ligação entre a COVID-19 persistente, também conhecida como COVID longa, e o declínio cognitivo. A pesquisa, que envolveu indivíduos com COVID longa e comprometimento cognitivo, identificou três alterações importantes:

  • Disrupção da barreira hematoencefálica: Essa estrutura protege o cérebro de toxinas e células inflamatórias no sangue. A ruptura da barreira pode permitir que essas substâncias nocivas entrem no cérebro, causando danos e disfunção.
  • Inflamação sistêmica: Níveis elevados de marcadores inflamatórios foram encontrados no sangue de pessoas com COVID longa e declínio cognitivo. A inflamação sistêmica crônica pode contribuir para a disfunção cerebral e os sintomas cognitivos.
  • Alterações na estrutura cerebral: O estudo observou alterações na estrutura da substância branca cerebral, que é responsável pela comunicação entre os neurônios. Essas alterações podem estar relacionadas à desmielinização, que prejudica a transmissão de sinais nervosos.


O que isso significa?

O Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós PhD em Neurociências membro da Society for Neuroscience nos Estados Unidos, comenta sobre as implicações do estudo:

"Esses achados são preocupantes, pois sugerem que a COVID longa pode ter efeitos duradouros no cérebro. A ruptura da barreira hematoencefálica e a inflamação sistêmica podem ser mecanismos que contribuem para o declínio cognitivo observado em alguns pacientes."


Ainda há muito a ser aprendido

O Dr. Agrela ressalta que o estudo é um passo importante na compreensão da COVID longa, mas ainda há muito a ser pesquisado:

"Ainda não sabemos como essas alterações se traduzem em sintomas específicos ou qual é o impacto a longo prazo da COVID-19 no cérebro. Mais pesquisas são necessárias para determinar se esses achados são generalizáveis para todos os pacientes com COVID longa e para desenvolver intervenções eficazes."

O Dr. Agrela acredita que o estudo abre caminho para novas pesquisas sobre os efeitos da COVID-19 no cérebro:

"Esses achados auxiliam os mecanismos subjacentes ao declínio cognitivo na COVID longa e podem levar ao desenvolvimento de novas terapias para essa condição. É importante que continuemos a investigar as consequências da COVID-19 para a saúde mental e neurológica dos pacientes."

Observações importantes comentadas pelo Dr Agrela: Este estudo é um estudo observacional e não pode provar causalidade. Os resultados do estudo podem não ser generalizáveis para todos os indivíduos com COVID longa e mais pesquisas são necessárias para confirmar esses achados e determinar o impacto a longo prazo da COVID-19 no cérebro.


https://www.nature.com/articles/s41593-024-01576-9


Reclamações contra planos de saúde seguem na ponta do ranking do Idec e atingem maior índice dos últimos 5 anos

Com exceção do primeiro ano da pandemia, quando serviços financeiros lideraram levantamento, planos de saúde são o setor com mais problemas entre os associados do Idec


O Idec (Instituto de Defesa de Consumidores) divulgou nesta quarta-feira (13), durante a semana do consumidor, o seu tradicional levantamento com números de queixas e reclamações registrados no ano passado. E, para manter uma triste tradição, o setor de planos de saúde segue na ponta do ranking de 2023, atingindo o maior percentual em relação aos outros temas deste 2018.

As reclamações contra as empresas de planos de saúde tiveram a maior porcentagem entre os associados da Instituição, com 29,3% do total. Serviços financeiros (19,4%), demais serviços (13,7%), problemas com produtos (9,5%), e telecomunicações (8,2%) completam o topo do levantamento.

Esses cinco primeiros temas somam mais de 80% das demandas de consumo do ano. As demais reclamações concentram 19,9%, divididas entre água, energia e gás, transportes, turismo/viagens, alimentos, educação, entre outros.

No tema líder do ranking, as principais queixas apontadas pelos associados da instituição são dúvidas e reclamações a respeito de contratos (envolvendo, principalmente, descredenciamentos e problemas com reembolsos), e reajustes de planos de saúde, ambos com 29,7%, seguido por negativa de cobertura com 8,74%. Essas três questões estão entre os principais pontos de atuação da entidade de defesa de consumidores, como por exemplo a campanha pela regulamentação dos planos coletivos, a pesquisa sobre as diferenças entre os reajustes do setor, a cobrança por regras mais justas de descredenciamento, e a defesa pelo entendimento mais amplo do rol de procedimentos da ANS.



No segundo lugar do ranking, a categoria de Serviços Financeiros foi responsável por 19,4% dos registros. Dentro desse segmento, o maior número de reclamações se deve novamente a problemas relacionados à segurança das transações bancárias e golpes, que ficaram disparados em primeiro lugar (21,6%), seguido de cobranças indevidas (14,7%) e renegociação de dívidas (14,2%). Só esses três primeiros grupos de problemas representam mais de 50% das demandas de serviços financeiros no ano e também estiveram no radar do Idec, que cobrou mais segurança dos bancos contra golpes, entrou na Justiça contra o bloqueio de celulares em contratos de pessoas endividadas e cobrou a efetiva implementação da lei do superendividamento no país.

Subindo uma colocação em relação ao ano passado, o setor de serviços em geral ficou com 13,7% dos atendimentos, sendo que na primeira posição do tema ficaram as reclamações sobre vício de qualidade (18,7%), seguido de perto por problemas com contrato (17,2%), e com prática abusivas (11,9%) na terceira colocação. Na quarta colocação, ficaram as dúvidas e queixas relacionadas a problemas com produtos em geral. As reclamações mais apontadas foram descumprimento de oferta, com 33,3%, seguido vício de qualidade (23,7%), que tinha ficado em primeiro lugar no ano passado. Em terceiro lugar apareceram as queixas sobre cláusulas contratuais (10,7%). Na área de Dicas e Direitos do site do Idec, há diversos conteúdos que ajudam os consumidores a se protegerem contra essas reclamações.

Na quinta posição, a mesma do ano passado, ficaram as dúvidas e queixas sobre o setor de telecomunicações, com 8,2%. Dentro deste segmento, foi registrada a manutenção dos problemas de cobrança indevida (23,7%) na liderança, mas, diferentemente de outros anos, em que vício de qualidade aparecia em segundo, agora temos problemas com cláusulas contratuais (20%) na segunda posição e prática abusiva (13,7%) aparecendo em terceiro. Como integrante do Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel), esses são temas que o Idec leva às autoridades para que medidas de proteção aos consumidores sejam tomadas.


Pisa revela que oito entre dez estudantes brasileiros têm concentração prejudicada nas aulas de Matemática por uso de celular

 É uma proporção maior que a da OCDE que aponta seis em cada dez estudantes da mesma faixa etária


O Pisa, principal avaliação mundial da educação, aponta que o uso do celular nas aulas prejudica o aprendizado. A mais recente pesquisa, divulgada em dezembro de 2023, revela que oito em cada dez estudantes brasileiros de 15 anos admitiram que se distraem com o uso de celulares nas aulas de Matemática.

É uma proporção maior que a da OCDE, onde seis em cada dez estudantes da mesma faixa etária se desconcentram com o uso dos aparelhos. Este é um dos motivos pelos quais as escolas começam a proibir o uso de celulares durante a aula.

Na Escola Lourenço Castanho, rede privada de Ensino Infantil, Fundamental e Médio de São Paulo, a proibição entrou em vigor neste ano com resultados já considerados “muito positivos” por Daniela Coccaro, diretora do Ensino Médio da Escola Lourenço Castanho.

“Os alunos encararam melhor do que a gente imaginava e avaliamos como uma decisão acertada. Ao longo do ano passado, discutimos com toda a comunidade escolar a presença desses dispositivos nos espaços da escola, inclusive com o apoio de psicólogos e especialistas em educação. Acreditamos que a transição esteja sendo suave e tendo boa aceitação por ser o resultado de um processo construído conjuntamente. 


Decisão é para todos

No comunicado distribuído no fim do ano letivo de 2023, a escola informou que, a partir deste ano, os alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental Anos Iniciais (1º ao 5º ano) não poderiam levar o celular para a escola. 

Estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) só podem usar o aparelho nos horários de entrada e saída e a proibição se estende a todo o período de aulas, incluindo o intervalo. Para os alunos do Ensino Médio, a escola autoriza o uso do celular apenas durante o período do lanche, por razões de autonomia progressiva.

A regra também vigora entre professores, educadores, inspetores e colaboradores, que não podem mais usar o dispositivo nos espaços de aprendizagem nem nos corredores.


Mundo está proibindo o celular na aula

Para Daniela, a medida vai ao encontro de um movimento adotado por algumas escolas em países considerados referência em educação, como Finlândia e Suécia. “Já antes da pandemia o uso exacerbado do celular chamava a atenção pela distração gerada em sala de aula quando usado sem mediação adequada e por seus impactos nas relações humanas. Hoje, após um longo período de confinamento compulsório, em que as interações foram maciçamente conduzidas por meio de telas, ainda vivemos um momento de resgate e reconstrução da convivência presencial coletiva.”

Para reforçar o convívio e oferecer alternativa ao celular, a escola promove atividades no intervalo, como oficinas de trabalho manual e de criatividade. “Tomamos esse cuidado principalmente com os alunos mais novos, para promover momentos de integração e fortalecer vínculos que o celular amorteceu”, segundo Daniela.


Parceria família-escola

Para que a medida funcione, as famílias precisam se envolver. A escola criou e está aplicando as regras com base nas consultas à comunidade escolar, mas os pais precisam apoiar a decisão chamando a atenção dos filhos quando eles descumprem o combinado, disse a diretora.

“Os alunos precisam de limites claros e francos, embasados em argumentos. É o que fazemos na escola e, como nas demais propostas educacionais, o apoio das famílias faz toda a diferença.”

 

Daniela Coccaro - Graduada em Química e mestre em Biomonitoração Ambiental e Tecnologia Nuclear pela Universidade de São Paulo. É professora de Química desde 1996. Foi coordenadora de série e de Projeto Científico do Ensino Médio da Escola Lourenço Castanho e hoje atua como diretora pedagógica do Ensino Médio na mesma instituição.

 

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