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segunda-feira, 15 de março de 2021

O que é reserva de emergência e onde investi-la?

A reserva de emergência é uma das ações mais importantes em um bom planejamento financeiro, vamos entender o porquê.

Todo investimento presume tempo, ou seja, normalmente investimos para ter benefícios financeiros em algum momento do futuro. A questão é que, entre hoje e essa data futura, podemos ter imprevistos financeiros na nossa vida, como: danos em bens materiais, desemprego, auxílio a familiares, entre outras situações.

Nessas situações, normalmente vamos precisar de dinheiro com certa urgência. O problema é que, normalmente na nossa carteira, existem vários investimentos que não permitem resgate no meio do caminho ou até mesmo investimentos como ações, por exemplo, que até permitem a venda a qualquer momento, mas dependendo do mercado podemos ter prejuízos.

Então, fica claro que se precisarmos resgatar os investimentos da nossa carteira sem planejamento, podemos ter altos prejuízos e comprometer a realização dos nossos objetivos.

Por isso, todos os investidores precisam ter uma reserva de emergências. Ela consiste em um valor que devemos ter aplicado em investimentos muito seguros e de alta liquidez (que permitem resgate a qualquer momento) para que possamos usá-lo no caso de imprevistos. Essa reserva é considerada separadamente de nossas carteiras para os outros objetivos.

Mas quanto devemos ter guardado na reserva de emergências?

É um consenso no mercado financeiro que um valor acumulado de aproximadamente 6 meses dos seus gastos básicos investidos para a reserva de emergências é suficiente para superar a maioria dos imprevistos. Investidores que querem ter ainda mais segurança podem ter até 1 ano de suas despesas básicas para esse tipo de reserva.

Todo investidor iniciante deveria ter como principal objetivo inicial consolidar sua reserva de emergências.

É extremamente comum, na empolgação inicial para investir em opções mais arriscadas e rentáveis, os iniciantes negligenciarem a reserva de emergência, apenas para verem suas carteiras destruídas nos próximos anos porque tiveram que resgatá-las por causa de algum imprevisto. Então, realmente precisamos consolidá-la antes de começarmos a investir para outros objetivos.

Quais investimentos são bons para a reserva de emergência?

Normalmente, buscamos investimentos que possuam 3 características principais:

1 - Alta liquidez: muitos investimentos não podem ser resgatados a qualquer momento. Isso seria um grande problema se tivéssemos algum imprevisto e precisássemos do dinheiro com urgência. Por isso, precisamos escolher apenas as opções que permitem resgate imediato, ou seja, que possuam alta liquidez.

2 - Estabilidade: se fizermos o cálculo para nossa reserva possuir o equivalente a 6 meses dos nossos gastos, ela precisa ter, no mínimo, sempre esse valor disponível para resgate. Não podemos usar opções onde o valor investido fica oscilando, como ações, por exemplo.

3 - Segurança: essa reserva é feita para emergências, logo, não podemos correr o risco de usarmos investimentos arriscados ou de procedência duvidosa, já que poderia acontecer uma situação delicada de o dinheiro “desaparecer” bem no momento que precisamos.

Notem que não citei rentabilidade. Para a reserva de emergência, ela é apenas um fator de desempate entre as opções que seguem os 3 fatores acima. Se um investimento é mais rentável, mas não possui alguma das 3 características principais, ele não é compatível e não deve ser utilizado.

Hoje, algumas das opções mais populares para a reserva de emergência, que possuem as 3 características, são:

- CDBs com liquidez diária: são investimentos emitidos por bancos que são considerados muito seguros porque são protegidos pelo FGC (uma espécie de seguro que reembolsa os investidores em até R$ 250.000,00 no caso de falência do banco). Porém, precisa ser a opção com liquidez diária, já que as outras só permitem resgate no vencimento.

- Tesouro Selic: é o título mais conservador do Tesouro Direto e o único que normalmente pode ser resgatado a qualquer momento sem perdas. É considerado por muitos o investimento mais seguro do país.

- Fundos DI: são fundos de investimento muito conservadores que investem praticamente todo seu patrimônio em investimentos muito seguros, como o próprio Tesouro Selic. Também podem ser resgatados a qualquer hora.

- Contas correntes remuneradas de bancos digitais: essa é uma modalidade muito recente, mas que está ganhando muito espaço por sua praticidade. Alguns bancos digitais possuem esse serviço, onde só de transferirmos nosso dinheiro para a conta corrente, ele automaticamente passa a render a taxa Selic diariamente. São considerados seguros porque esse dinheiro das contas fica separado do patrimônio do banco.

Então, fica aqui minha recomendação para quem está começando a investir agora: consolidem primeiramente a reserva de emergência para que possam depois investir para outros objetivos com mais tranquilidade e segurança.

 


Danilo Gato é um educador financeiro, autor do livro “Aprenda a Investir seu dinheiro”, criador do canal Finanças em desenho e possui mais de 5 anos de experiência atuando no mercado financeiro com planejamento de proteção financeira para mais de mil famílias e ensinando investidores a investir por conta própria através do seu curso de investimentos, que já conta com dezenas de alunos formados e capacitados a administrar seus próprios investimentos. Mais informações @financas_em_desenho


Detran.SP só vai atender casos urgentes durante o período de medidas mais restritivas

Com todo o Estado na fase vermelha do Plano São Paulo, atividades não essenciais seguem suspensas; Departamento oferece mais de 70 serviços digitais para os cidadãos 

 

A partir de segunda-feira, dia 15 de março, as unidades do Detran.SP permanecerão fechadas para atendimento presencial. Somente demandas de extrema urgência, que dependam de liberação de documento de transferência de veículos da parte do departamento, por exemplo, serão atendidas mediante agendamento.

 

A medida é necessária devido à adoção de diretrizes mais restritivas adotadas pelo Governo de São Paulo para evitar novos casos de contaminação pelo coronavírus. Desta forma, apenas serviços essenciais podem permanecer em funcionamento. A medida será válida por 15 dias.

 

Mesmo com a maioria dos funcionários em regime de teletrabalho, conforme recomenda o Governo, os serviços internos não serão descontinuados. Os atendimentos de revistoria de veículos, entrega e recebimento de documentos aos cidadãos e malotes dos seus credenciados serão realizados para casos emergenciais, através de agendamento.

 

Além da suspensão do atendimento presencial, o fechamento das unidades implica ainda no cancelamento dos exames teóricos e práticos. As aulas práticas e teóricas presenciais também estão suspensas. Poderão ser mantidas apenas as aulas teóricas na modalidade remota.

 

É importante destacar que as equipes internas do Detran.SP continuam desenvolvendo suas atividades. Havendo reclassificação, de acordo com o Plano São Paulo, os atendimentos presenciais serão retomados.


 

Serviços digitais

 

Nos portais do Detran.SP (www.detran.sp.gov.br) e do Poupatempo (www.poupatempo.sp.gov.br), além do aplicativo Poupatempo Digital, o cidadão pode acessar mais de 70 opções de serviços online do departamento estadual de trânsito de São Paulo.

 

O Detran.SP ampliou em 72% a quantidade de serviços digitais disponíveis, saindo de 43 para 74, na comparação com 2019. O objetivo é oferecer ao cidadão, tecnologia e soluções inovadoras que tragam comodidade e autonomia. Entre os mais solicitados, estão a renovação simplificada e segunda via de CNH, licenciamento e transferência de veículo.

 

Tutoriais 

 

O Detran.SP possui um hotsite com conteúdo simples e didático para que o cidadão possa, por meio de vídeos tutoriais disponibilizados, aprender a realizar serviços que antes necessitavam de agendamento presencial e agora podem ser efetuados pela internet, com poucos cliques no aplicativo do Poupatempo Digital. Conheça aqui.

 

O conteúdo contempla tutoriais de aproximadamente um minuto cada, divididos por temas que abrangem serviços como Renovação de CNH, 1ª Habilitação, Licenciamento de veículos, 2ª Via da CNH, Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV-e), entre outros.

 

Mais de 80% das mulheres que trabalham com tecnologia já sofreram preconceito de gênero

 Dados são da pesquisa Mulheres em TI, realizada pela consultoria de recrutamento Yoctoo


O Dia Internacional da Mulher sempre nos leva a grandes reflexões sobre o papel feminino na sociedade. Apesar dos inúmeros avanços alcançados, ainda é nítida e diferença no tratamento entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Em algumas áreas, a discrepância é ainda maior, como é o caso do setor de tecnologia. Segundo uma pesquisa realizada pela Yoctoo, consultoria de recrutamento e seleção especializada nesse segmento, 81% das mulheres já sofreram preconceito de gênero, seja na escola ou no ambiente de trabalho.

A luta para se tornar uma mulher de TI começa muito cedo, ainda na educação infantil. A grande maioria das meninas é desencorajada a estudar matérias exatas, como física e matemática. As que desafiam as convenções sociais e se dedicam a essa área do conhecimento enfrentam grandes provações. Cerca de 43% afirmam sofrer preconceito na universidade, já que os cursos são majoritariamente masculinos. Mas, os maiores problemas estão mesmo no ambiente de trabalho.

De acordo com 63% das mulheres ouvidas pela pesquisa, é nas empresas onde o preconceito mais acontece. Para elas, o maior desafio é ter que provar sua própria competência técnica o tempo todo (82%). Na sequência, aparece a dificuldade em serem respeitadas por pares, superiores e subordinados do gênero masculino (51%). “Essa é uma triste realidade enfrentada por muitas mulheres que decidem abraçar a carreira de tecnologia no Brasil. Precisamos trabalhar para mudar isso, afinal, existe uma grande demanda reprimida por profissionais dessa área”, afirma Paulo Exel, diretor da Yoctoo.

Segundo dados da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), até o ano de 2024, o Brasil precisará de 420 mil profissionais de Tecnologia da Informação (TI). No entanto, são formados apenas 46 mil profissionais por ano. “Nesse ritmo, serão necessários nove anos para formar o que precisamos em apenas três”, acrescenta o diretor. De acordo o PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), temos mais de 580 mil profissionais de TI no país – sendo apenas 20% mulheres.

Como principais dificuldades, elas destacam em primeiro lugar (49%) o preconceito de gênero dentro das empresas, seguido pela falta de representatividade feminina na área, como forma de inspirar mais mulheres a trilharem carreiras de tecnologia (48%), e a falta de oportunidades nos processos seletivos (39%).

Para a Yoctoo, a pesquisa retrata a importância de abordarmos a diversidade de gênero em vagas de tecnologia. “É nosso papel proporcionar processos seletivos mais justos, inclusivos e, principalmente, sem nenhum tipo de viés. Notamos que TI ainda é um mercado predominantemente masculino, entretanto, incentivamos nossa equipe em todos os processos de seleção, por mais desafiador que possa ser, a buscar candidatos qualificados de todos os gêneros. Acreditamos que com iniciativas como essa, é possível reverter esse cenário”, comenta Exel.

Apesar das dificuldades, as que seguiram por esse caminho não se arrependem. Mais de 63% das mulheres que participaram da pesquisa afirmam que o que mais as motiva é a paixão pela área de tecnologia. Em segundo lugar, aparece a remuneração e benefícios bastante atraentes (39%), embora os homens ainda tenham salários mais altos que elas nos mesmos cargos.

Quando questionadas sobre o que é preciso ser feito para que mais mulheres ocupem cadeiras de tecnologia, 52% dizem que é primordial o incentivo dos pais desde a infância, fazendo com que haja o interesse das meninas por brinquedos ligados à tecnologia, tais como jogos de vídeo game, celulares, tablets, entre outros. Em seguida, 48% dizem que a equiparação salarial em todos os níveis também ajudará a mudar esse cenário. Quando questionadas se elas percebem se o mercado está amadurecendo quanto à inclusão de mais mulheres nas áreas de tecnologia, a maioria (62%) diz que sim, mas ainda de forma bastante lenta.


IMPACTOS DA PANDEMIA PARA AS MULHERES DE TI

A pandemia parece não ter imposto grandes impactos à empregabilidade delas. Mais de 50% disseram não ter tido nenhuma mudança significativa em seus empregos. Outras 23% afirmam ter mudado de emprego, enquanto 15% foram demitidas. Já em relação ao desenvolvimento profissional das respondentes, das que se disseram impactadas, 32% disseram que o maior impacto foi o aumento na demanda de trabalho, sem nenhum tipo de reconhecimento da empresa, como promoções ou aumentos salariais. Os investimentos em capacitação, como cursos e treinamentos, também sofreram reduções para 20% delas.

Por outro lado, 37% afirmam que o home-office as tornou mais produtivas. A pandemia proporcionou um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional para 36%. Como maior benefício do trabalho remoto, elas apontam mais flexibilidade de horários (69%). Entretanto, 51% afirmam que o volume de trabalho aumentou e 49% afirma ter que participar de mais reuniões que antes. Os maiores desafios estão sendo a manutenção da saúde mental (61%) e o equilíbrio entre as atividades de casa e do trabalho (39%).

Mais de 125 mulheres participaram da pesquisa, entre elas, especialistas de TI, líderes de equipe técnica, executivas de TI (CTOs, CIOs,VPS, Diretoras), empreendedoras de tecnologia, freelancers e estudantes de tecnologia, entre os dias 22 e 28 de fevereiro de 2021.

 

 


Paulo Exel - administrador de empresas com MBA em Gestão Estratégica de Negócios e Certificação Profissional em Coach. Apaixonado por pessoas e tecnologia, há 12 anos atua como headhunter de TI. Desde 2017, está no comando da operação da Yoctoo na América Latina. É palestrante e tem diversos artigos publicados na mídia.

 

Yoctoo

https://www.yoctoo.com/pt


Um ano de pandemia: é urgente agir para evitar mais sofrimento

Mesmo para uma organização como Médicos Sem Fronteiras, que tem no combate a epidemias uma de suas tarefas centrais, a pandemia de COVID-19, declarada há exatamente um ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), representa um desafio sem precedentes.

No último ano, MSF tem respondido a uma demanda incessante por recursos materiais e humanos e buscado estar presente nos lugares onde as carências são mais urgentes. No Brasil, a necessidade por cuidados entre a população mais vulnerável ficou clara rapidamente, e começamos a atuar no país no começo de abril. Desde então, colocamos em marcha a maior resposta médica já realizada desde o início de nossas atividades no país, no começo dos anos 90.

Centenas de trabalhadores humanitários de nossa organização têm atuado na resposta à COVID no Brasil. Muitos deles são brasileiros, uma parte com grande experiência internacional em projetos de MSF, tendo a responsabilidade de trabalhar pela primeira vez em seu próprio país. Outros vieram de diversos países e já trouxeram a experiência de ter enfrentado antes o novo coronavírus em lugares como Europa, EUA ou Iêmen.

Começamos o nosso trabalho com pessoas em situação de rua em São Paulo e logo depois no Rio de Janeiro. Atendemos a populações migrantes, indígenas e pessoas privadas de liberdade. Estivemos presentes também nos estados de Roraima, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás e neste ano continuamos a atuar no Amazonas e em Roraima para mitigar os impactos da doença sobre os sistemas de saúde locais.   

Temos que admitir, entretanto, que o desafio que o Brasil vive hoje e continuará enfrentando ao menos pelas próximas semanas é simplesmente sem precedentes. Se em março do ano passado, quando havia menos de 300 mortos no total e cerca de 6 mil casos, os números já pareciam preocupantes, o que vemos agora é um quadro desolador: já ultrapassamos 2 mil mortes e mais de 70 mil novas infecções notificadas em um só dia. O cenário que enfrentamos é de uma epidemia fora de controle, com sistemas de saúde à beira do colapso ou já colapsados na maioria dos Estados brasileiros.

Diante disso, cabe uma reflexão sobre como chegamos até aqui. O Brasil é hoje o epicentro da doença no mundo, com o maior número de mortes diárias. Enquanto somos cerca de 3% da população mundial, atualmente respondemos por 15% dos novos casos. É óbvio que isso não é uma fatalidade.  

Está claro que desde o início da pandemia tem faltado um direcionamento claro e coeso das autoridades em relação a medidas de distanciamento social, interrupção de atividades, uso de máscaras e até mesmo no que diz respeito à vacinação: em muitos momentos foram propagadas mensagens desestimulando a população a vacinar-se e a utilizar máscaras e  investidos recursos públicos para a disseminação de tratamentos sem eficácia contra a doença.

Valorizamos o papel essencial que o SUS (Sistema Único de Saúde) tem tido na resposta à crise sanitária que atravessamos. Observamos a excelência do trabalho e a excelência dos seus profissionais nos locais em que atuamos de maneira conjunta, mas sabemos que o sistema está sendo levado ao seu limite absoluto. Uma amostra disso é que, com a enorme sobrecarga a que estão submetidos, os reflexos sobre a saúde mental de trabalhadores da saúde de todas as especialidades já são evidentes.   

Mesmo diante de um quadro tão difícil, acreditamos que existem maneiras de diminuir o custo em vidas humanas que estamos pagando durante a pandemia.

É possível melhorar as práticas de testagem, adotando em maior escala os testes PCR ou, na ausência deles, testes rápidos de antígeno. Estes testes detectam se a pessoa tem efetivamente o vírus e permitem isolar de maneira mais eficiente quem está doente. Os testes rápidos de anticorpos, muito usados no Brasil, não são adequados em muitos casos, porque uma pessoa pode testar positivo e não ter mais o vírus ativo.

Como a própria vacinação infelizmente teve um início moroso e o prazo até que uma parcela considerável da população esteja imunizada é incerto, é essencial mantermos os cuidados de higiene e as medidas de distanciamento social e uso de máscaras. Além destas ações, que dependem do necessário engajamento de cada um, é preciso a adoção imediata de medidas coletivas que permitam a redução da circulação de pessoas, ao mesmo tempo em que sejam garantidos meios básicos de subsistência aos mais vulneráveis para compensar a interrupção de suas atividades.  Desta forma, diminuiremos agora os contágios que certamente vão causar em pouco tempo um aumento do número de casos que terão de ser acolhidos por um sistema de saúde já extremamente saturado.

Por isso, mais do que nunca, é preciso que todos estejamos unidos em torno das medidas necessárias para evitar uma escalada ainda maior no número de casos e mortes que pode acontecer em poucas semanas. Como organização médica, é nossa obrigação esclarecer que há mortes que são evitáveis. Todos, tanto no nível de decisão individual de cada um, assim como os detentores de poder na esfera pública, não têm mais tempo a perder. É mais do que hora de agir.

 


Ana de Lemos - Diretora executiva de MSF-Brasil


Receita Federal cria códigos específicos para declarar criptoativos na Declaração de Imposto de Renda

Investidores terão campos próprios para declarar Bitcoin, outros criptoativos, do tipo moeda digital, conhecido como altcoins e demais criptoativos não considerados criptomoedas (payment tokens)


A partir deste ano, a Receita Federal estabeleceu novos procedimentos para a declaração de criptoativos na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) para que os contribuintes possam declarar mais facilmente. Vale lembrar que a entrega da DIRPF deve ser realizada até o dia 30 de abril.

Segundo Ivana Marcon, advogada tributarista e sócia do Baptista Luz Advogados, desde 2019, por ser ativo que integra o patrimônio da pessoa, já havia a obrigação de declarar os criptoativos na Ficha de "Bens e Direitos" do Imposto de Renda (IR), sob o código “99 –" Outros Bens e Direitos”. O que muda agora é que foram criados três códigos específicos para declarar esses ativos 81, 82 e 89, ou seja, os criptoativos ganharam códigos próprios e deixarão de ser declarados sob um código genérico.  

Para facilitar, a tributarista esclareceu as principais dúvidas dos investidores de como declarar esses ativos:


  1. A partir de qual valor devo declarar?

 A declaração dos criptoativos é obrigatória para valor igual ou superior a R$ 1.000 (mil reais). Portanto, se tiver criptoativos de diferentes tipos e um deles possuir valor abaixo de mil reais, esse tipo não precisará ser declarado. O valor declarado corresponde ao custo de aquisição, ou seja, o valor da compra.

 

  1. Onde informo meus criptoativos? 

Vá na ficha “Bens e Direitos” e selecione a opção mais adequada ao seu criptoativo

  • Para Biticoin, o código é o 81
  • Já outros criptoativos, conhecidos como altcoins, devem ser informados no código 82. Entram nessa categoria, por exemplo, Ethereum (ETH), Ripple (XPR), Biticoin Cash (BCH), Litecoin (LTC), entre outros.
  • Demais criptoativos não considerados criptomoedas (payment tokens, utility tokens) usados para acesso a serviços específicos, como games e para fãs de clubes de futebol ou tokens vinculados a ativos reais ou direitos recebíveis, tais como imóveis, ações, precatórios, consórcios contemplados, passes de jogadores de futebol, entre outros, devem ser informados no código 89.

 

  1. Criptoativos que estejam fora do país devem ser declarados?

Sim. Eles devem ser declarados sob os mesmos códigos descritos no item 2. Além disso, caso o valor dos criptoativos no exterior seja de valor superior a U$ 1.000.000,00, o investidor também terá a obrigação de apresentar a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) junto ao Banco Central . Na CBE, as criptmoedas devem ser declaradas por seu valor de mercado, não por seu custo de aquisição, como ocorre na DIRPF.

 

  1. Vendi criptoativos – como apurar o ganho e pagar o IR?

Na venda dos criptoativos, o investidor deverá apurar o ganho de capital. O ganho corresponde à diferença positiva verificada entre o valor de venda e o valor de compra (ganho = valor de venda – custo de aquisição), e será tributado mediante aplicação de alíquotas progressivas estabelecidas em função do valor do ganho, conforme tabela abaixo:

 

Ganho de capital (R$)

Alíquota

até 5 milhões

15%

acima de 5 milhões até 10 milhões

17,5%

acima de 10 milhões até 30 milhões

20%

acima de 30 milhões

22,5%

Para calcular o imposto, é preciso gerar o demonstrativo da apuração do ganho de capital, utilizando o Programa de Apuração dos Ganhos de Capital (“GCAP”) disponibilizado pela Receita Federal, referente ao ano em que ocorreu a alienação. Essa declaração deverá ser exportada posteriormente para a DIRPF que será apresentada no ano seguinte ao da alienação. O recolhimento do imposto deve ser feito até o último dia útil do mês seguinte ao da venda, por meio de DARF, utilizando-se o código 4600. Caso as vendas de criptoativos (ainda que sejam moedas distintas, como por exemplo, bitcoins, litecoins, ether, etc.) no mês não superar o valor de R$ 35.000,00, a venda fica isenta de IR e o ganho não precisa ser declarado.


Veja os 10 principais erros que levam a Malha Fina

O prazo de entrega da DIRPF - Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda 2021, ano base 2020 - acaba no fim de abril e nesse período um dos maiores medos dos contribuintes é a Malha Fina.

"O contribuinte realmente deve se preocupar em não cair na malha fina, pois essa se refere ao processo de verificação de inconsistências da declaração do imposto IRPF, assim, caso o sistema da Receita Federal perceba alguma informação está errada, separa a declaração para uma análise mais apurada. Caso perceba erros, chama o contribuinte para ajustes ou até mesmo inicia investigações e cobra de atrasados e multas", explica o diretor executivo da Confirp Contabilidade Richard Domingos.

A malha fina é praticamente uma "peneira" para os processos de declarações que estão com pendências, impossibilitando a restituição ou processamento das declarações que possui tributo a pagar.

"Para evitar a malha fina, é interessante que o contribuinte inicie o quanto antes o processo de elaboração da declaração, pois poderá fazer com mais calma, buscando documentos que faltam e ajustando possíveis inconsistências", recomenda o diretor da Confirp.

Analisando as estatísticas de retenção de declaração em malha dos últimos anos, e tomando como base as 910 mil declarações que ficaram retidas em 2020, é possível detectar que os erros mais frequentes são:

• Omissão de rendimentos do Titular e/ou de Dependentes [46%];

• Valores incompatíveis lançados como despesas com saúde [26%];

• Informações divergentes das informadas pela fonte pagadora de rendimentos [21%];

• Dedução indevida de previdência privada, previdência social ou pensão alimentícia [7%];

Lembrando que pode ser que uma declaração fique presa por mais de um motivo simultaneamente. Mas, para exemplificar e facilitar a vida dos contribuintes, a Confirp detalhou melhor os 10 principais pontos que podem levar à essa situação:

• Não lançar na ficha de rendimentos tributáveis de pessoa jurídica, os rendimentos de:

• Resgate de previdências privadas, quando não optantes pelo plano regressivo de tributação;

• Do trabalho de empresas que o contribuinte tenha trabalhado durante o ano de 2020;

• Do trabalho referente a dependentes tais como: aposentadoria de pais, avós e bisavós, rendimentos de estágio de filhos e enteados, etc;

• Valor do rendimento isento excedente a r 24.751,74 referente a aposentadoria e pensões de contribuintes com mais de 65 anos;

• Não lançar na ficha de rendimentos tributáveis de pessoa física, os rendimentos de:

• Pensão alimentícia recebida recebidas em decorrência de acordo ou sentença judicial ou escritura pública, do titular ou dos dependentes;

• Aluguel recebido de pessoas físicas;

• Não abater comissões e despesas relacionadas a aluguéis recebidos na ficha de rendimentos recebidos de pessoas físicas ou na ficha de rendimentos recebidos de pessoa jurídica;

• Lançar na ficha de pagamentos efetuados na linha previdência complementar valores pagos a previdência privada do tipo VGBL, apenas PGBL é dedutível do imposto de renda;

• Deixar de relacionar na ficha de pagamentos efetuados os valores reembolsados pela assistência médica, seguro saúde ou outros, referente a despesa médica ou com saúde do contribuinte ou dependentes;

• Lançar na ficha de pagamentos efetuados valores de despesas com médica ou com saúde (ainda que pago pelo titular ou dependente) de pacientes que não estejam relacionados na declaração de imposto de renda;

• Não preencher a ficha de ganhos de renda variável se o contribuinte ou seus dependentes operaram em bolsa de valores;

• Relacionar na ficha de pagamentos efetuados pagamentos feitos como pensão alimentícia sem o amparo de uma decisão judicial, ou acordo judicial ou acordo lavrado por meio de escritura pública;

• Lançar os mesmos dependentes quando a declaração é feita em separado pelos cônjuges ou ex-cônjuges, companheiros ou ex-companheiros;

• Lançar como despesa de plano de saúde valores pagos por empresas a qual o contribuinte ou dependente é funcionário ou sócio sem que o mesmo tenha feito o reembolso financeiro à referida empresa;



Fonte - Confirp Contabilidade


Mercado agrícola continua promissor em 2021

 Apesar da pandemia da Covid-19 que criou dificuldades logísticas e de produção, o setor de máquinas e implementos agrícolas brasileiro não parou. As vendas devem apresentar crescimento real de 12% (descontada a inflação) e 20% de nominal em 2020 em relação ao ano passado e com faturamento estimado em R$ 40 bilhões.

Esse cenário deve-se a uma ótima safra agrícola, o recorde das exportações do agronegócio e a valorização do dólar em 30% que propiciou uma grande rentabilidade para os agricultores das culturas de exportação como soja, milho, café, algodão, laranja, celulose e carnes. Além disso, os produtores rurais aproveitaram os preços dos grãos em alta para aumentar a área plantada e investir em máquinas agrícolas, que são determinantes para extrair o melhor da lavoura.

Outro ponto que alavancou a comercialização no setor foi a defasagem tecnológica existente no Brasil devido 50% do parque industrial ter mais de 10 anos de uso e por isso precisa ser renovado e modernizado.

Já as exportações em 2020 foram impactadas negativamente pela Covid-19, pois as economias dos principais parceiros comerciais, principalmente da América do Sul, não tiveram boa performance.

Quanto as importações, o aumento de custo de 30% devido à desvalorização do Real restringiu a entrada de importados no país no ano passado.

Aliás, o mercado de máquinas agrícolas continuará promissor em 2021, pois os preços estão bons, dólar num bom patamar e as chuvas voltaram. Então temos a expectativa de ser um ano excelente com relação ao clima, que não faltará crédito com as suplementações que estão acontecendo dos bancos particulares e do próprio BNDES.  

Além disso, o Brasil se tornou um grande fornecedor de alimentos para o mundo, principalmente para Ásia onde as áreas aráveis para cultivo estão em grande parte tomadas. No entanto, a população cresce numericamente e aumenta sua renda, demandando alimentos e o Brasil prossegue como um dos grandes fornecedores desse mercado. Baseada nessa conjuntura, a previsão para o próximo ano é de um crescimento real de 3% (descontada a inflação) e nominal de 10% nas vendas, chegando a R$ 45 bilhões de faturamento.

Com relação as exportações acredito que com o fim da pandemia e com o retorno à normalidade deve acontecer uma reação neste ano.

Teremos um 2021 mais promissor caso o governo tome medidas urgentes no sentido de se organizar de forma a permitir o crescimento sustentado da economia de modo que a reversão da desindustrialização garanta emprego e renda para o cidadão. Para isso são necessárias ações que permitam a isonomia competitiva do setor produtivo, proporcionando ampliação de sua participação no mercado doméstico e internacional.

Para tanto, em 2021 devemos continuar articulando com o governo e lutando pela criação de uma política industrial condizente com a indústria brasileira de bens de capital mecânicos, que é o setor responsável pela difusão tecnológica em toda a cadeia produtiva, e que tem papel preponderante no aumento da produtividade nos setores agrícolas, de serviço e industrial.

Continuaremos ainda insistindo nas reformas, tributária, administrativa e política. Especialmente a tributária, já que precisamos com urgência de uma reforma que garanta ao sistema tributário nacional a simplificação, justiça e transparência desejada por todos os contribuintes. Os benefícios desta ação são muitos, mas destacamos a expressiva melhora do ambiente de negócios do país em razão da redução dos custos relacionados à administração dos tributos e dos litígios, aumento da segurança jurídica, ampliação da taxa de investimento por conta da redução do custo que ocorrerá nas máquinas e equipamentos ao eliminar a cumulatividade do sistema e garantir o crédito imediato. Todos fatores que permitirão aumento da produtividade, ganho de competitividade da produção nacional, expansão dos investimentos, redução do índice de desemprego e em aumento da renda do país.

Vamos enfrentar 2021 com atitude, positividade, protagonismo e otimistas para levar as demandas que os próximos doze meses nos trará.

 


João Marchesan - Administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.


Desmonte de políticas públicas e pandemia impactam muito mais as mulheres

Volume de empregos das mulheres regrediu ao patamar de 30 anos atrás. Somente no terceiro trimestre de 2020, 8,5 milhões perderam suas vagas no mercado de trabalho

 

No segundo dia em que o Brasil ultrapassa duas mil mortes pela covid-19 em 24 horas, concentrando 10% dos óbitos pela doença no mundo, totalizando 267 mil pessoas, ocorreu um debate sobre os impactos da pandemia na vida das mulheres. São elas as que mais perderam empregos, redobraram o trabalho em casa, sofrem violência doméstica, são as mais sobrecarregadas no cuidado com filhos e idosos e terão maior dificuldade de retornar ao mercado de trabalho. (Confira vídeo com os dados)

 

Essas constatações foram feitas pelas cinco convidadas da live “Pela Vida das Mulheres”, realizada nesta quinta-feira (11), 19h, promovida pelas organizações sociais que articulam a campanha “Tributar os Super-Ricos”.

 

As deputadas Erika Kokay (PT/DF), Fernanda Melchionna (PSOL/RS) e Gleisi Hoffmann (PT/PR) enfatizaram a importância deste movimento nacional para exigir que o Congresso Nacional aprove medidas que promovam justiça fiscal e a redução das desigualdades.

 

 

Desmonte de políticas

 

“As primeiras vítimas de uma crise como essa são as mulheres. São elas as que mais sofrem”, registrou Gleisi Hoffmann, lembrando que as gestões do PT foram muito importante para as mulheres pela criação do Bolsa Família, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Luz Para Todos, o programa de cisternas entre outras iniciativas com recorte de gênero.

 

A presidenta do Partido dos Trabalhadores destacou a anulação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e enfatizou que após o golpe de 2016 contra Dilma Rousseff, a primeira mulher presidenta do Brasil, várias conquistas foram desmontadas, como a desregulamentação do trabalho doméstico, que abrange mais de seis milhões de mulheres no Brasil, assim como outras políticas de proteção.


 

Milhões sem renda e ricos isentos

 

Para Erika Kokay, o recorte de gênero deve estar presente em todas as políticas públicas e nas grandes questões do país. “Taxar os super-ricos é o cerne da política. Temos milhões de brasileiros sem nenhum tipo de renda e os super-ricos continuam não taxados”, acentuou.

 

“Quando se fala em ajuste fiscal e se preserva os milionários você dirige suas armas para o servidor publico e no Estado de bem-estar social, como é essa PEC Emergencial votada hoje. Metade do orçamento é garfado pelo serviço da dívida. Quem ganha com o serviço da dívida, são os super-ricos na especulação dos recursos públicos. A Câmara e o governo são sabujos do mercado neste momento”, resume a parlamentar do Distrito Federal.


 

Retrocesso de 30 anos

 

O número de postos de trabalho ocupados por mulheres regrediu na pandemia ao patamar de 30 anos atrás, acentuou a líder do PSOL na Câmara, Fernanda Melchionna. “É inadimissível liberar R$ 350 bilhões para pagamentos de juros da dívidas em 2020, valor superior ao destinado ao auxilio emergencial”, comparou. A deputada gaúcha lembrou ainda que 42 bilionários brasileiros ficaram mais ricos na pandemia, faturando R$ 176 bilhões apenas de março a junho de 2020 (dados da Oxfam).


O percentual de mulheres que estavam trabalhando ficou em 45,8% no terceiro trimestre de 2020, segundo os dados mais recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O nível mais baixo desde 1990, quando a taxa ficou em 44,2%.


O país ocupa a segunda posição em concentração da renda total pelo 1% mais rico, perdendo apenas para o Catar. Também ostenta a sétima posição entre os países com maior número de bilionários e é o sétimo país mais desigual.


 

Pedido para tramitação urgente 

 

“É mais que urgente tributar os super-ricos e distribuir renda e riqueza para políticas públicas e pagar o auxilio emergencial enquanto durar a pandemia”, acentuou Maria Regina Paiva Duarte, presidente do Instituto Justiça Fiscal (IJF), uma das entidades que articula a campanha.

 

Em agosto de 2020 foram apresentados ao Congresso oito projetos que propõem reduzir impostos para os mais pobres e pequenas empresas e elevar para altas rendas e grandes fortunas, tributando 0,3% mais ricos e arrecadando cerca de R$ 300 bilhões ao ano.

 

Corrigir a tabela do IRPF com alíquotas mais altas para altas rendas, acabar com isenção de lucros e dividendos distribuídos e a dedução de juros sobre capital próprio, combinadas com a implementação do Imposto sobre Grandes Fortunas, revisão de benefícios fiscais e combate à sonegação são parte do conteúdo das propostas da campanha.

 

A dirigente do IJF solicitou apoio das bancadas de oposição na Câmara Federal para que esses projetos emergenciais sejam pautados com urgência diante da profunda crise sanitária, econômica e social. “Contamos com os partidos para avançar”, enfatizou.


 

Tributação e desigualdade

 

“A pandemia aprofundou as desigualdades entre homens e mulheres que é estrutural na sociedade capitalista”, analisa a doutora em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Unicamp, Juliane Furno. 

 

“Tributar os super-ricos é condição necessária para uma vida mais justa. Só nessas condições a gente pode reduzir as desigualdades de gênero”´, observa.

 

Para a economista, o sistema tributário regressivo é prejudicial para a receita pública e penaliza os mais pobres.” Mas é preciso derrubar o teto de gastos, ou não importa o nível de receita”, destaca.


 

Matar os pobres

 

“O governo tira tributos dos mais pobres e abona os mais ricos. Perdoa dívidas milionárias, como das igrejas, recurso que poderia servir para o auxílio emergencial, não esse auxilio miséria”, pontua a moradora da Baixada Santista, Débora Silva. Fundadora do movimento social Mães de Maio, coletivo de mulheres que tiveram os filhos assassinados pelas polícias. Ela observa que o valor de R$ 250,00 não mantém uma família de quatro pessoas nem por uma semana.

 

“A gente precisa defender a renda básica do cidadão. Somos a maioria que estamos na miséria. Os mais ricos não têm piedade dos mais pobres. A gente vê um ministro, como Paulo Guedes, odiar pobres. Todas as reformas são para nos eliminar desse país”, sintetiza Débora Silva.

 

Para a ativista de Direitos Humanos, o Congresso é recheado de empresários que votam leis para continuarem com privilégios.

“Nós mulheres de periferia e favela sabemos o que é miséria. Onde há miséria, há violência. É o Estado que nos violenta. Quando a gente fala em miséria, a gente fala da violência dos nossos corpos. Continuamos violentadas”, revela. Ela informou que o Movimento Mães de Maio exige um fundo para reparação psicológica, econômica e social para mães e familiares das vítimas do Estado.

 

Débora conclama para uma mudança urgente no país frente ao flagelo de 60 milhões na miséria, 14 milhões de desempregados e incerteza quanto à imunização. “Todo mundo precisa estourar suas bolhas de privilégios e dar as mãos para tirar Bolsonaro. Não podemos mais assistir a miséria, porque a fome tem pressa”.

 

A mediação como ferramenta para a resolução de conflitos familiares

A vida familiar é talvez a que mais nos desafia na busca de uma gestão positiva dos nossos conflitos. Pesquisas recentes demonstram que os atritos familiares aumentaram expressivamente neste momento de pandemia, tendo como um dos reflexos o incremento do número de divórcios.


O conflito pode ser definido como uma situação em que as pessoas têm objetivos, sentimentos, interesses, aparentemente considerados incompatíveis entre si. Diante dessas situações, corriqueiramente nossa reação é a de utilizar respostas não construtivas para tentar resolver as diferenças.

É comum nos depararmos com um movimento natural da vida em família que é, diante de um problema, sentimos tensão, polarizamos os pensamentos em certo e errado e não damos chance para a empatia (nossa capacidade de buscar compreender o ponto de vista do outro). Ou seja, atitudes que são geradoras de emoções negativas, como raiva, hostilidade, ciúmes, tristeza e medo; que aumentam a tensão e focam na pessoa, não na atitude causadora do problema.

A dissolução de um vínculo conjugal, por exemplo, é desafiadora, pois normalmente já existe um nível de estresse elevado e é mais fácil lançar mão de estratégias que podem não se mostrar benéficas a longo prazo, principalmente quando os relacionamentos envolvem filhos.

Quando não há mais possibilidade de continuação da convivência familiar e decisões importantes precisam ser tomadas, ou quando as tentativas de resolução direta entre os envolvidos foram frustradas, pode-se seguir alguns caminhos, sendo o mais comum o de buscar resolver a questão baseada na determinação de quem tem direito.

Alguns direitos estão consagrados na lei ou nos contratos. No entanto, existem obstáculos frequentes, inerentes à situação, que desmotivam as partes durante esse processo, isso porque o direito pode não ser tão claro, ou todos podem ter o mesmo direito. Então, como é possível entrar em um consenso sobre quem tem direito ao quê?

Um outro caminho disponível é a utilização do instrumento da mediação, mecanismo extremamente eficaz no auxílio de resolução de questões complexas, como as de cunho familiar, pois mais que tratar apenas dos direitos, visa conciliar os interesses comuns.

Uma das estratégias utilizadas em situações complexas é a interrupção da comunicação com o outro. Ocorre que, mesmo que haja ainda um mínimo de espaço para a comunicação, é recomendável que ele seja preservado.

Em uma mediação, as pessoas têm um lugar importante para o diálogo. O objetivo é criar aquela oportunidade que os envolvidos no conflito não tiveram anteriormente ou dela não conseguiram obter um resultado positivo, ou seja, de conversarem e/ou negociarem seus interesses e seus desejos para o futuro. O movimento do mediador é o de buscar um diálogo aberto, honesto e respeitoso, trabalhando ativamente com as partes nas soluções e sua viabilidade. Com o auxílio do mediador elas conseguem buscar opções de solução que sejam consideradas eficazes para ambos os lados.

Neste sentido, quando se trata, por exemplo, da guarda dos filhos, importantes aspectos podem ser discutidos, como o fato de um não inspirar a confiança necessária como pai ou mãe para cuidar de seu filho, porque isso pode gerar uma perda de controle na educação. Durante a mediação, o foco será na busca do entendimento aprofundado sobre essa questão e de uma solução que seja capaz de gerar compromissos.

Quando vários irmãos precisam decidir sobre a partilha dos bens deixados em herança por seus pais, quanto menos tempo eles gastarem discutindo, menos desgastante a questão será. A mediação propicia esse benefício, pois pode acontecer de um conflito considerado bastante complexo ser resolvido em uma sessão de mediação que pode durar poucas horas.

Importante destacar que este mecanismo propicia que as próprias partes definam aquilo que elas gostariam que acontecesse, ou as situações que elas se sentem mais confortáveis de manter, o que é extremamente motivador, tende a proporcionar resultados mais satisfatórios, já que há um maior controle sobre o procedimento, com custos inferiores aos de processos judiciais ou baseados em luta de direitos.

Nestes dois exemplos, um dos mais importantes benefícios da mediação é conseguir a preservação dos relacionamentos para o futuro, aspecto essencial quando tratamos de família. Aquela situação que se apresentava inicialmente como conflituosa, difícil, imbuída de carga emocional, pode ser reavaliada e modificada para o bem-estar de todos os envolvidos, fazendo com que sejam reestabelecidos o respeito e a tranquilidade. É claro que a mediação familiar abre espaço para conversas difíceis, mas as recompensas valem o esforço.




Maria Antonieta de Morais Prado - sócia, administradora e mediadora da CAMES Brasil com certificação internacional ICFML.

 

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