Dados são da pesquisa Mulheres em TI, realizada pela consultoria de recrutamento Yoctoo
O Dia Internacional da Mulher sempre nos leva a
grandes reflexões sobre o papel feminino na sociedade. Apesar dos inúmeros
avanços alcançados, ainda é nítida e diferença no tratamento entre homens e
mulheres no mercado de trabalho. Em algumas áreas, a discrepância é ainda
maior, como é o caso do setor de tecnologia. Segundo uma pesquisa realizada
pela Yoctoo, consultoria de recrutamento e seleção especializada nesse
segmento, 81% das mulheres já sofreram preconceito de gênero, seja na escola ou
no ambiente de trabalho.
A luta para se tornar uma mulher de TI começa muito
cedo, ainda na educação infantil. A grande maioria das meninas é desencorajada
a estudar matérias exatas, como física e matemática. As que desafiam as
convenções sociais e se dedicam a essa área do conhecimento enfrentam grandes
provações. Cerca de 43% afirmam sofrer preconceito na universidade, já que os
cursos são majoritariamente masculinos. Mas, os maiores problemas estão mesmo
no ambiente de trabalho.
De acordo com 63% das mulheres ouvidas pela
pesquisa, é nas empresas onde o preconceito mais acontece. Para elas, o maior
desafio é ter que provar sua própria competência técnica o tempo todo (82%). Na
sequência, aparece a dificuldade em serem respeitadas por pares, superiores e
subordinados do gênero masculino (51%). “Essa é uma triste realidade enfrentada
por muitas mulheres que decidem abraçar a carreira de tecnologia no Brasil.
Precisamos trabalhar para mudar isso, afinal, existe uma grande demanda
reprimida por profissionais dessa área”, afirma Paulo Exel, diretor da Yoctoo.
Segundo dados da Brasscom (Associação Brasileira
das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), até o ano de 2024, o
Brasil precisará de 420 mil profissionais de Tecnologia da Informação (TI). No
entanto, são formados apenas 46 mil profissionais por ano. “Nesse ritmo, serão
necessários nove anos para formar o que precisamos em apenas três”, acrescenta
o diretor. De acordo o PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios),
temos mais de 580 mil profissionais de TI no país – sendo apenas 20% mulheres.
Como principais dificuldades, elas destacam em
primeiro lugar (49%) o preconceito de gênero dentro das empresas, seguido pela
falta de representatividade feminina na área, como forma de inspirar mais
mulheres a trilharem carreiras de tecnologia (48%), e a falta de oportunidades
nos processos seletivos (39%).
Para a Yoctoo, a pesquisa retrata a importância de
abordarmos a diversidade de gênero em vagas de tecnologia. “É nosso papel
proporcionar processos seletivos mais justos, inclusivos e, principalmente, sem
nenhum tipo de viés. Notamos que TI ainda é um mercado predominantemente
masculino, entretanto, incentivamos nossa equipe em todos os processos de
seleção, por mais desafiador que possa ser, a buscar candidatos qualificados de
todos os gêneros. Acreditamos que com iniciativas como essa, é possível
reverter esse cenário”, comenta Exel.
Apesar das dificuldades, as que seguiram por esse
caminho não se arrependem. Mais de 63% das mulheres que participaram da
pesquisa afirmam que o que mais as motiva é a paixão pela área de tecnologia.
Em segundo lugar, aparece a remuneração e benefícios bastante atraentes (39%),
embora os homens ainda tenham salários mais altos que elas nos mesmos cargos.
Quando questionadas sobre o que é preciso ser feito
para que mais mulheres ocupem cadeiras de tecnologia, 52% dizem que é
primordial o incentivo dos pais desde a infância, fazendo com que haja o
interesse das meninas por brinquedos ligados à tecnologia, tais como jogos de
vídeo game, celulares, tablets, entre outros. Em seguida, 48% dizem que a
equiparação salarial em todos os níveis também ajudará a mudar esse cenário.
Quando questionadas se elas percebem se o mercado está amadurecendo quanto à
inclusão de mais mulheres nas áreas de tecnologia, a maioria (62%) diz que sim,
mas ainda de forma bastante lenta.
IMPACTOS DA PANDEMIA PARA AS MULHERES DE TI
A pandemia parece não ter imposto grandes impactos
à empregabilidade delas. Mais de 50% disseram não ter tido nenhuma mudança
significativa em seus empregos. Outras 23% afirmam ter mudado de emprego,
enquanto 15% foram demitidas. Já em relação ao desenvolvimento profissional das
respondentes, das que se disseram impactadas, 32% disseram que o maior impacto
foi o aumento na demanda de trabalho, sem nenhum tipo de reconhecimento da
empresa, como promoções ou aumentos salariais. Os investimentos em capacitação,
como cursos e treinamentos, também sofreram reduções para 20% delas.
Por outro lado, 37% afirmam que o home-office
as tornou mais produtivas. A pandemia proporcionou um maior equilíbrio entre a
vida pessoal e profissional para 36%. Como maior benefício do trabalho remoto,
elas apontam mais flexibilidade de horários (69%). Entretanto, 51% afirmam que
o volume de trabalho aumentou e 49% afirma ter que participar de mais reuniões
que antes. Os maiores desafios estão sendo a manutenção da saúde mental (61%) e
o equilíbrio entre as atividades de casa e do trabalho (39%).
Mais de 125 mulheres participaram da pesquisa,
entre elas, especialistas de TI, líderes de equipe técnica, executivas de TI
(CTOs, CIOs,VPS, Diretoras), empreendedoras de tecnologia, freelancers e
estudantes de tecnologia, entre os dias 22 e 28 de fevereiro de 2021.
Paulo
Exel - administrador de empresas com MBA em Gestão Estratégica de Negócios e
Certificação Profissional em Coach. Apaixonado por pessoas e tecnologia, há 12
anos atua como headhunter de TI. Desde 2017, está no comando da operação da
Yoctoo na América Latina. É palestrante e tem diversos artigos publicados na mídia.
Yoctoo
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