A reserva de emergência é uma das ações mais importantes em um bom planejamento financeiro, vamos entender o porquê.
Todo investimento presume
tempo, ou seja, normalmente investimos para ter benefícios financeiros em algum
momento do futuro. A questão é que, entre hoje e essa data futura, podemos ter
imprevistos financeiros na nossa vida, como: danos em bens materiais,
desemprego, auxílio a familiares, entre outras situações.
Nessas situações,
normalmente vamos precisar de dinheiro com certa urgência. O problema é que,
normalmente na nossa carteira, existem vários investimentos que não permitem
resgate no meio do caminho ou até mesmo investimentos como ações, por exemplo,
que até permitem a venda a qualquer momento, mas dependendo do mercado podemos
ter prejuízos.
Então, fica claro que se
precisarmos resgatar os investimentos da nossa carteira sem planejamento,
podemos ter altos prejuízos e comprometer a realização dos nossos objetivos.
Por isso, todos os
investidores precisam ter uma reserva de emergências. Ela consiste em um valor
que devemos ter aplicado em investimentos muito seguros e de alta liquidez (que
permitem resgate a qualquer momento) para que possamos usá-lo no caso de
imprevistos. Essa reserva é considerada separadamente de nossas carteiras para
os outros objetivos.
Mas quanto devemos ter
guardado na reserva de emergências?
É um consenso no mercado
financeiro que um valor acumulado de aproximadamente 6 meses dos seus gastos
básicos investidos para a reserva de emergências é suficiente para superar a
maioria dos imprevistos. Investidores que querem ter ainda mais segurança podem
ter até 1 ano de suas despesas básicas para esse tipo de reserva.
Todo investidor
iniciante deveria ter como principal objetivo inicial consolidar sua reserva de
emergências.
É extremamente comum, na
empolgação inicial para investir em opções mais arriscadas e rentáveis, os
iniciantes negligenciarem a reserva de emergência, apenas para verem suas
carteiras destruídas nos próximos anos porque tiveram que resgatá-las por causa
de algum imprevisto. Então, realmente precisamos consolidá-la antes de
começarmos a investir para outros objetivos.
Quais investimentos são
bons para a reserva de emergência?
Normalmente, buscamos
investimentos que possuam 3 características principais:
1 - Alta liquidez:
muitos investimentos não podem ser resgatados a qualquer momento. Isso seria um
grande problema se tivéssemos algum imprevisto e precisássemos do dinheiro com
urgência. Por isso, precisamos escolher apenas as opções que permitem resgate
imediato, ou seja, que possuam alta liquidez.
2 - Estabilidade: se
fizermos o cálculo para nossa reserva possuir o equivalente a 6 meses dos nossos
gastos, ela precisa ter, no mínimo, sempre esse valor disponível para resgate.
Não podemos usar opções onde o valor investido fica oscilando, como ações, por
exemplo.
3 - Segurança: essa
reserva é feita para emergências, logo, não podemos correr o risco de usarmos
investimentos arriscados ou de procedência duvidosa, já que poderia acontecer
uma situação delicada de o dinheiro “desaparecer” bem no momento que
precisamos.
Notem que não citei
rentabilidade. Para a reserva de emergência, ela é apenas um fator de desempate
entre as opções que seguem os 3 fatores acima. Se um investimento é mais
rentável, mas não possui alguma das 3 características principais, ele não é
compatível e não deve ser utilizado.
Hoje, algumas das opções
mais populares para a reserva de emergência, que possuem as 3 características,
são:
- CDBs com liquidez
diária: são investimentos emitidos por bancos que são considerados muito
seguros porque são protegidos pelo FGC (uma espécie de seguro que reembolsa os
investidores em até R$ 250.000,00 no caso de falência do banco). Porém, precisa
ser a opção com liquidez diária, já que as outras só permitem resgate no
vencimento.
- Tesouro Selic: é o
título mais conservador do Tesouro Direto e o único que normalmente pode ser
resgatado a qualquer momento sem perdas. É considerado por muitos o
investimento mais seguro do país.
- Fundos DI: são fundos de investimento muito
conservadores que investem praticamente todo seu patrimônio em investimentos
muito seguros, como o próprio Tesouro Selic. Também podem ser resgatados a
qualquer hora.
- Contas correntes
remuneradas de bancos digitais: essa é uma modalidade muito recente, mas que
está ganhando muito espaço por sua praticidade. Alguns bancos digitais possuem
esse serviço, onde só de transferirmos nosso dinheiro para a conta corrente,
ele automaticamente passa a render a taxa Selic diariamente. São considerados
seguros porque esse dinheiro das contas fica separado do patrimônio do banco.
Então, fica aqui minha recomendação para quem está
começando a investir agora: consolidem primeiramente a reserva de emergência
para que possam depois investir para outros objetivos com mais tranquilidade e
segurança.
Danilo Gato é um educador financeiro, autor do
livro “Aprenda a Investir seu dinheiro”, criador do canal Finanças em desenho e
possui mais de 5 anos de experiência atuando no mercado financeiro com
planejamento de proteção financeira para mais de mil famílias e ensinando
investidores a investir por conta própria através do seu curso de
investimentos, que já conta com dezenas de alunos formados e capacitados a
administrar seus próprios investimentos. Mais informações @financas_em_desenho
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