Pesquisar no Blog

sábado, 16 de maio de 2026

Ser mãe ou não? 5 perguntas para quem tem dúvidas sobre a maternidade

No mês em que o mundo celebra as mães, especialista alerta: a decisão mais importante da vida adulta feminina começa muito antes da gravidez

 

Maio é conhecido internacionalmente como o mês das mães e nesse contexto, é comum vir à tona as perguntas que muitas mulheres carregam em silêncio: quero ser mãe? Estou pronta? É isso que sinto ou é o que esperam de mim? Num mês carregado de homenagens e expectativas, a sociedade costuma celebrar a maternidade que já aconteceu, mas raramente abre espaço para falar sobre a maternidade que ainda está sendo considerada. Para o psicanalista e especialista em comportamento humano Lucas Scudeler, essa lacuna tem um custo alto. "A pergunta mais honesta que uma mulher pode se fazer não é se ela quer ou não parir. É o que ela quer nutrir, cuidar e deixar no mundo", afirma. 

A maternidade nunca foi um tema simples. Mas nas últimas décadas, ele se tornou ainda mais complexo: mais mulheres têm acesso à informação, mais liberdade de escolha e, ao mesmo tempo, mais pressão vinda de todos os lados. O resultado é uma geração de mulheres que, muitas vezes, não sabe distinguir o que deseja do que foi ensinada a desejar. Por isso, antes de chegar a qualquer resposta, Scudeler propõe cinco perguntas que toda mulher deveria se fazer com tempo, com calma e sem julgamento.


  1. O que você quer nutrir, cuidar e deixar no mundo?

Esta é, segundo Scudeler, a pergunta mais honesta que existe e a mais ignorada. Antes de pensar em gravidez, em filhos ou em maternidade biológica, há uma questão anterior e mais profunda: qual é o seu desejo de cuidado? "Uma mulher pode nunca ter engravidado e exercer maternidade de forma profunda, seja através de um legado, da adoção, do cuidado com quem precisa. E uma mulher pode ter cinco filhos e nunca ter sido mãe de verdade", explica o psicanalista. Perguntar o que se quer nutrir é perguntar sobre valores, sobre propósito, sobre o tipo de presença que você quer ter no mundo.


  1. Você quer ser mãe, ou sente que deveria querer?

A pressão sobre mulheres sem filhos é real e, muitas vezes, invisível. Ela vem da família que pergunta "é para quando?", das amigas que já são mães, das redes sociais que romantizam a maternidade e de uma cultura que ainda associa feminilidade à reprodução. Para Scudeler, distinguir um desejo genuíno de um condicionamento cultural é um dos exercícios mais difíceis e mais necessários que uma mulher pode fazer. "Existe uma diferença enorme entre querer ser mãe e sentir que se deve querer. Uma nasce de dentro. A outra nasce do olhar do outro", afirma.


  1. Você tem ou busca um ambiente seguro para exercer a maternidade?

O especialista aponta um dado que raramente entra no debate público: um número crescente de mulheres não rejeita a maternidade por falta de desejo, mas porque não encontra as condições mínimas para exercê-la com dignidade. "Quando a mulher sente que vai carregar tudo sozinha, a maternidade deixa de ser desejo e vira peso", alerta Scudeler. Ele complementa que parceria real, rede de apoio, estabilidade emocional e condições financeiras básicas não são luxo, mas sim parte da equação. 

Por isso, avaliar honestamente o ambiente em que se vive não significa adiar indefinidamente. Significa ter clareza sobre o que existe, o que pode ser construído e o que precisa mudar antes de dar um passo que não tem volta.


  1. Você está pronta para se transformar e ser transformada?

Existe um equívoco muito comum sobre a maternidade, de que ela se encaixa na vida que já existe. Na prática, ela reorganiza tudo: identidade, prioridades, relacionamentos, tempo, corpo, sonhos. Muitas mulheres chegam à maternidade esperando continuar sendo quem eram, mas com um bebê ao lado. No entanto, a transformação é inevitável. A prontidão para a maternidade, nesse sentido, tem menos a ver com condições externas e mais com a disposição interna de atravessar uma mudança radical.


  1. Você já fez as pazes com a sua própria infância?

Toda mulher chega à maternidade carregando a história que viveu como filha. "A transmissão geracional é um fenômeno real e silencioso. Repetimos o que não elaboramos. E, quando não entendemos de onde viemos, tendemos a reproduzir o que nem percebemos que carregamos", explica Scudeler. 

Isso não significa que é preciso ter uma infância perfeita para ser uma boa mãe. Significa que olhar para a própria história, de preferência com apoio terapêutico, é um dos gestos mais responsáveis que uma mulher pode ter antes, e não depois, de tomar a decisão. 

Nenhuma dessas cinco perguntas tem uma resposta certa. E esse é exatamente o ponto. Scudeler não propõe um roteiro para decidir se tornar mãe ou não, mas sim um convite ao autoconhecimento num momento em que a pressão cultural, o calendário biológico e o julgamento alheio costumam falar mais alto do que a própria voz interna. 

No mês em que o mundo para para celebrar as mães, talvez o gesto mais bonito que uma mulher possa fazer por si mesma seja sentar com as próprias perguntas antes de buscar respostas prontas. “Seja qual for a resposta que vier, o que importa é que ela nasça de dentro. Não da expectativa do outro, não da data no calendário, não do medo do julgamento”, finaliza.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados