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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Refluxo e Obesidade: médico do Hospital 9 de Julho explica a relação entre as duas doenças



Fatores como o aumento de peso da população, sedentarismo e dietas gordurosas podem aumentar em até 50% as chances de desenvolver refluxo gastroesofágico


A obesidade no Brasil cresceu 60%* em dez anos. Com isso, doenças como o refluxo gastroesofágico tornam-se mais comuns segundo o Dr. Rodrigo Surjan, cirurgião do Centro de Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho. O médico afirma que um paciente obeso tem até 50% a mais de risco de ter refluxo do que uma pessoa com peso ideal devido aos maus hábitos alimentares, falta de exercícios físicos, gordura em excesso, entre outros fatores. 

O refluxo gastroesofágico (DRGE) ocorre  quando o ácido estomacal retorna para o esôfago causando irritação nas paredes do órgão. A falha acontece por uma deficiência do esfíncter, válvula entre o estômago e o esôfago. “Em pessoas obesas, essa válvula perde sua eficácia e isso causa o refluxo que, caso não seja tratado, pode levar a um câncer de esôfago, por exemplo” explica o Dr. Surjan.

Os principais sintomas do refluxo são azia, regurgitação, dor no peito, comprometimento vocal e complicações respiratórias. Para evitar alguns dos gatilhos que aumentam os riscos do problema, o Dr.Surjan listou algumas dicas: 


Comer e deitar: Segundo o Dr. Surjan, o ideal é ir deitar, no mínimo, após duas horas da última refeição para evitar a sensação de “comida na garganta” e permitir que o organismo complete a digestão. “Muitas pessoas jantam e vão dormir. Isso é um hábito muito comum, mas um dos principais ‘aliados’  do refluxo”. 


Gravidez e obesidade: Assim como as pessoas obesas, as grávidas têm um aumento da pressão intra-abdominal , que faz com que os ácidos “subam” e causem azia e mal-estar. “Pacientes que utilizam alguns tipos de medicamentos, idosos e hérnia de hiato também são mais propensos ao refluxo” esclarece o Dr. Surjan que completa “Para isso, é de extrema importância o acompanhamento médico”. 


Alimentação equilibrada: O Dr. Surjan explica que, na maioria dos casos, com a perda de peso, os episódios de refluxo diminuem. Por isso, manter uma dieta equilibrada e rica em fibras e alimentos mais leves fracionados ao longo do dia, além de evitar alimentos ácidos, bebidas alcoólicas e gasosas, café, chá mate, chá preto e chocolate,ajudar na melhora dos sintomas da doença  e, claro, na perda de peso.

O Dr. Surjan explica que os pilares para a mudança são a prática de exercícios físicos e a perda de peso, aliados a mudanças alimentares. “Apenas um entre três adultos consomem frutas e verduras com frequência. Outros não fazem uma refeição completa por meses. Por isso, o acompanhamento médico e a busca por uma vida efetivamente mais saudável podem sim fazer muita diferença.” finaliza o médico. 







A vida após o tratamento de câncer de mama


 Nos EUA 1.5 milhão de pessoas já sobreviveu a algum tipo de câncer

Passar por um câncer nunca é fácil. Para as mulheres, o câncer de mama vai além da saúde, há também a estética e muitas dúvidas sobre o futuro. Atualmente, com o avanço da medicina, é possível ter uma boa qualidade de vida durante e após o tratamento, já que se descoberto precocemente suas chances de cura chegam a 95%.  Nos Estados Unidos, por exemplo, segundo a American Society of Clinical Oncology, 1,5 milhão de pessoas já sobreviveu a algum tipo de câncer.
De acordo com o Dr. Rogério Fenile, mastologista pela Unifesp e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, atualmente é possível remover ou destruir o tumor por completo. Tudo isso, após uma avaliação detalhada sobre o tipo de câncer, estágio da doença, saúde em geral da paciente e uma conversa sobre todas as possibilidades de tratamento. “Hoje, temos mais casos de cura e controle da doença e esses números têm aumentado. Mas, sempre existe a preocupação da recidiva ou metástase, e essa possibilidade existe. No entanto, com o acompanhamento adequado, podemos ficar atentos e a mulher voltar a ter a sua vida normal”, conta o especialista.
Independente das mudanças que forem vivenciadas durante e depois da doença, o médico explica que é fundamental o apoio do parceiro e da família para o cuidado com a saúde emocional da mulher. Pois ela vivenciou um estresse grande e teve que lidar muitas vezes com a mudança de sua aparência, que, consequentemente, afetaram a sua autoestima. “Estudos mostram que a maioria das mulheres tem dificuldades de voltar a ter uma vida sexual, por exemplo. O acompanhamento psicológico é de extrema importância, para ajudá-la em tudo que ela passou, mas a maneira que ela será tratada pelas pessoas que estão mais próximas a ela e o apoio que ela vai receber faz muita diferença”, observa o médico.
Outro recurso muito útil para ajudar a paciente nessa etapa é participar de um grupo de apoio, pois ele permite compartilhar experiências, trocar conselhos e ter perspectivas que estão de fora de seu círculo familiar ou de amigos.

Principais acompanhamentos
As consultas de acompanhamento, após o câncer de mama, costumam ser regulares e vão reduzindo continuamente. Depois de cinco anos, elas passam a ser anuais. Boa parte dos tratamentos contra o câncer podem ter efeitos colaterais, sendo que alguns podem ser temporários e outros durarem muito tempo. Têm ainda os efeitos que aparecem anos após o tratamento e passam a ser acompanhados depois. “Quando o tratamento termina, acompanhamos a paciente de perto para examinar, conversar a respeito de qualquer sintoma ou receio que a paciente esteja sentido, pedir alguns exames para acompanhamento da doença e ficar atento com os efeitos colaterais posteriores”, diz o especialista.
Já os exames ginecológicos devem ser feitos anualmente, pois muitas mulheres passam a fazer tratamentos hormonais com medicamentos que podem ter efeitos colaterais, como o câncer uterino-- que tem risco aumentado após a menopausa.
As pacientes que precisaram de cirurgia nas mamas devem realizar a mamografia anualmente. Nos casos de uma cirurgia conservadora, ela é iniciada seis meses após a cirurgia, depois que a paciente já terminou a radioterapia. Como alguns tratamentos de câncer de mama também podem levar a uma menopausa precoce é importante medir regularmente a densidade óssea para prevenir uma possível perda óssea.
“Embora existam diversos cuidados necessários em um acompanhamento posterior ao câncer de mama, isso não deve ser motivo para a mulher em questão desanimar, pois, com o acompanhamento adequado podemos manter o cuidado com a saúde e fazer o diagnóstico precoce caso haja alguma recidiva ou um segundo câncer”, finaliza.



Dr. Rogério Fenile - Mestre e Doutor em Ciências Médicas pela Disciplina de Mastologia do Departamento de Ginecologia da UNIFESP e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia. É especialista em cirurgia de reconstrução mamária, com mais de 20 anos de experiência médica. Além de ser especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO. Instagram: @drrogeriofenile  


O que você faz para aliviar dores?


Durante o inverno, os ventos que cortam as noites de Brasília costumam ser intensos. O clima seco dificulta a respiração e piora a sensação de quem precisa estar nas ruas até mais tarde da noite.


Durante o inverno, os ventos que cortam as noites de Brasília costumam ser intensos. O clima seco dificulta a respiração e piora a sensação de quem precisa estar nas ruas até mais tarde da noite. E uma noite dessas, eu precisei. Não foi nada de mais. Fui convidado para dar uma palestra em uma universidade e acabei perdendo uma carona de volta para casa, então tive de encarar uma viagem de metrô e depois pegar um ônibus para chegar até minha casa. 

A primeira parte da viagem foi bem sossegada. Sai da estação do metrô por volta das 23h30 e andei tranquilamente até o ponto de ônibus mais próximo e me sentei ouvindo música. Talvez eu tenha aguardado por uns 20 minutos até que um senhor de cabelos completamente grisalhos surgiu, trazendo uma sacola de plástico esverdeada. Ele sentou na extremidade oposta de onde eu me encontrava e no breve momento em que olhei, percebi que apesar de não estar agasalhado o suficiente para o frio que fazia naquela noite, não demonstrava qualquer sinal de incomodo. 

Foi quando suas mãos deram uma leve tremida e ele remexeu a sacola, retirando uma garrafa de cachaça barata e, ali mesmo, sorveu longos goles. Isso foi o que mais me chamou atenção, mas quem sou eu para aprovar ou não os hábitos e vícios de outra pessoa que não de meus filhos? O senhor percebeu, tampou a garrafa e se virou para mim. Ele chegou ao meu lado e pude encarar seus olhos embaçados, que mostravam a juventude abandonada há tempos. “O que você faz para aliviar as dores?”, perguntou ele em uma voz rouca, mas nada embriagada. 

Eu devo ter demonstrado surpresa e incompreensão ao mesmo tempo, pois ele a repetiu: “O que você faz para aliviar as dores que vem do coração, para aliviar os sofrimentos dos dias tristes?”. E antes que eu pudesse responder, ele contou que por anos trabalhou como lavador de carros, o que poderia não parecer grande coisa, mas o salário pagava a maior parte das contas em casa. A mulher ajudava nas demais contas e eles vivam sem faltar nada, mas um dia alguma coisa mudou. A esposa resolveu ir embora. Ela queria uma vida melhor que ele não podia dar. Desde então, começara a beber descontroladamente e agora estava com cirrose. A doença é uma inflamação no fígado e não tem cura, pode ser controlada, mas se não for, ela mata. 

Passei uma hora ouvindo a história das amarguras e tristezas daquele homem. Pelo que me falou, não conseguia mais largar a bebida e isso poderia causar sua morte em pouco tempo. E agora estava com medo. Não queria deixar aquela tristeza ser responsável por sua morte. Fiz o que estava ao meu alcance: esvaziei no chão da rua a garrafa que ele trazia na sacola e achei o número dos “Alcoólicos Anônimos” mais próximo para que tentassem ajuda-lo.
Despedimo-nos e cada um seguiu seu destino. Espero que aquele senhor tenha encontrado ajuda. Mas fiquei pensando no que me perguntou. Em meio à conversa, acabei não respondendo seu questionamento. Deveria ter falado: Eu alivio minhas dores escrevendo. E quando acho que ainda me dói, eu escrevo mais até traduzir todos os sentimentos em palavras. 





Fonte: www.agenciadoradio.com.br/ 


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