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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Fim do Monopólio de Energia: como fica sua conta?

O Governo Federal oficializou o cronograma para a abertura do mercado livre de energia a consumidores de baixa tensão até 2028. Contudo, especialistas apontam que a energia solar segue como a única alternativa imediata e segura para reduzir custos na conta de luz.

 

O Governo Federal emitiu um decreto para preparar a abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão. A medida permitirá que pequenos comércios, indústrias e residências escolham livremente o seu fornecedor de eletricidade. 

O governo implementará a mudança em duas etapas principais. As indústrias e comércios atendidos em baixa tensão terão liberação a partir de 25 de novembro de 2027. Os demais consumidores, incluindo as residências, poderão migrar a partir de 25 de novembro de 2028.

Atualmente, o mercado livre atende apenas consumidores de média e alta tensão. Nesse modelo, o cliente negocia os preços diretamente com geradores ou comercializadores de energia. Contudo, o consumidor continua pagando a taxa de uso da rede para a distribuidora local. 

A proposta original integrava a MP 1.300, apresentada pelo Executivo em 2025. O Congresso dividiu o pacote para facilitar o processo de negociação. Dessa forma, a Lei 15.235 concentrou os benefícios da tarifa social no programa Luz do Povo. Já a Lei 15.269 definiu oficialmente os prazos para a abertura do mercado.

 

Regulamentação e Impacto no Setor 

A Agência Nacional de Energia Elétrica ainda regulamentará os procedimentos de migração e o Supridor de Última Instância. As distribuidoras exercerão esse papel até 2030 para garantir o fornecimento caso alguma comercializadora falhe. 

O Ministério de Minas e Energia estima uma redução entre 20% e 22% no custo da energia para pequenos negócios. Essa redução incide apenas sobre o valor da eletricidade consumida. As tarifas de distribuição e os tributos permanecerão inalterados na conta de luz.

Por fim, o pacote assinado pelo Governo Federal incluiu outros decretos importantes. Eles tratam de hidrogênio de baixa emissão, captura de carbono e sustentabilidade na aviação a partir de 2027.

 

Análise do setor e soluções imediatas de economia

A recente sinalização do Governo Federal sobre a abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão marca um passo relevante para a modernização do setor elétrico no país. Contudo, para especialistas da área, o horizonte temporal da medida exige atenção de quem busca reduzir custos a curto prazo.

 

Em entrevista sobre o tema, Anderson Oliveira, CEO do Grupo EcoPower Eficiência Energética, avaliou a iniciativa governamental de forma positiva, mas ponderou sobre os prazos estabelecidos para a efetivação das mudanças.

 

"A iniciativa do governo em expandir o mercado livre para a baixa tensão é um avanço institucional indiscutível para o Brasil. No entanto, estamos falando de um processo gradual cuja consolidação total só ocorrerá nos próximos anos. Para quem necessita de alívio financeiro imediato, esperar o calendário regulatório pode não ser a estratégia mais eficiente", destacou Anderson. 

Segundo o CEO, a transição para a energia solar fotovoltaica se consolida como a alternativa mais célebre e segura para a contenção de despesas energéticas no cenário atual. 

"Enquanto a migração para o mercado livre ainda depende de regulamentações complementares e prazos longos, a tecnologia solar fotovoltaica já está consolidada e disponível. Trata-se da única opção imediata e totalmente segura para a redução de custos operacionais e de custeio", afirmou. 

Anderson ressaltou ainda a abrangência e a versatilidade da fonte solar frente às transformações do setor elétrico nacional.

"A implementação da energia solar oferece uma resposta transversal. Ela gera economia real e previsibilidade orçamentária em todos os segmentos da sociedade, desde o orçamento familiar e pequenos comércios até grandes indústrias e o setor agronegócio no meio rural", concluiu.


Da IA Generativa à IA Governada: Por que os bancos precisam controlar (e não apenas criar) agentes inteligentes


Nos últimos três anos, a Inteligência Artificial (IA) Generativa deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade dentro das instituições financeiras. Assistentes de código, copilotos para atendimento, automação de processos e análise inteligente de dados passaram rapidamente dos laboratórios para as operações. Agora, porém, o setor entra em uma nova etapa. A pergunta deixou de ser “como usar IA?” e passou a ser “como garantir controle, auditabilidade e responsabilidade quando agentes inteligentes passam a tomar decisões e executar ações de forma cada vez mais autônoma dentro da organização?”.

 

Essa mudança está no centro dos debates da Febraban Tech 2026, que acontece neste mês em São Paulo (SP), e representa um dos maiores desafios tecnológicos dos próximos anos.

 

Os bancos brasileiros estão particularmente bem-posicionados para liderar essa transformação. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 mostra que a IA já produz ganhos concretos de eficiência em atendimento, desenvolvimento de software e operações internas. O avanço da digitalização criou uma base tecnológica sólida para que a IA deixe de executar tarefas isoladas e passe a assumir fluxos completos de trabalho. O desafio agora não é mais provar que a tecnologia funciona, mas garantir que ela opere com segurança, transparência, rastreabilidade e conformidade regulatória.

 

Essa mudança de paradigma também altera a forma como enxergamos plataformas de IA. Durante muito tempo, o mercado concentrou esforços em modelos de linguagem cada vez mais poderosos. Entretanto, à medida que diferentes modelos, provedores de nuvem e agentes especializados passam a coexistir, o diferencial competitivo deixa de estar apenas na capacidade de gerar respostas. O verdadeiro valor passa a estar na orquestração desse ecossistema: saber quais agentes podem executar cada tarefa, quais dados podem acessar, quais decisões exigem validação humana e como registrar cada etapa para garantir rastreabilidade, transparência e conformidade regulatória.

 

É justamente nesse contexto que soluções como o Wynxx evoluem. Concebido inicialmente para acelerar o desenvolvimento de software por meio da IA Generativa, o ambiente passa a atuar como uma plataforma corporativa capaz de integrar criação de agentes inteligentes, reutilização de ativos, gestão financeira da IA e governança operacional em uma arquitetura única. Mais do que permitir que agentes executem tarefas de forma autônoma, a proposta é garantir que toda ação permaneça auditável, sujeita a políticas corporativas e, quando necessário, validada por pessoas em fluxos de human-in-the-loop. Em um ambiente regulado como o financeiro, esse tipo de controle deixa de ser apenas uma boa prática tecnológica e passa a ser um requisito para escalar a IA com segurança.

 

Essa evolução também responde a uma preocupação crescente do mercado. Um estudo recente projeta que grandes empresas poderão operar mais de 150 mil agentes de IA até 2028, enquanto apenas uma pequena parcela das organizações acredita possuir mecanismos adequados para governá-los. Nesse cenário, frameworks regulatórios como a LGPD e o AI Act da União Europeia reforçam princípios como transparência, supervisão humana, prestação de contas e gerenciamento de riscos para aplicações de IA. Em outras palavras, o desafio já não está na ausência de agentes inteligentes, mas em garantir que eles atuem dentro de regras claras, produzindo decisões explicáveis, rastreáveis e compatíveis com os requisitos de IA confiável exigidos pelo setor financeiro.

 

Para o setor financeiro, essa discussão ganha importância ainda maior. Bancos operam em ambientes altamente regulados, administram infraestruturas críticas e precisam equilibrar inovação com disponibilidade, privacidade e confiança. Nesse cenário, governança deixa de ser um requisito operacional para se tornar um diferencial competitivo. Instituições que conseguirem integrar agentes inteligentes, dados em tempo real e sistemas legados sob uma estratégia única estarão mais preparadas para acelerar lançamentos, responder a mudanças regulatórias e oferecer experiências mais inteligentes aos clientes.

 

A própria engenharia de software passa por uma transformação semelhante. Em vez de utilizar IA apenas para escrever código, organizações começam a automatizar todo o ciclo de desenvolvimento, desde o levantamento de requisitos até testes, documentação, modernização de aplicações e migração para ambientes em nuvem. O resultado é uma TI mais produtiva, porém principalmente mais estratégica, capaz de direcionar seus profissionais para atividades de maior valor agregado enquanto agentes especializados executam tarefas repetitivas sob supervisão humana.

 

A próxima geração da IA nos bancos não será medida apenas pela quantidade de modelos implementados ou pela velocidade com que produzem respostas. Ela será definida pela capacidade de transformar agentes inteligentes em parte integrante da estratégia corporativa sem perder controle sobre suas decisões. IA confiável, auditabilidade, supervisão humana e conformidade regulatória deixam de ser barreiras à inovação para se tornarem os elementos que permitirão escalar a IA com confiança.

 

Essa talvez seja a principal mensagem da Febraban Tech 2026: na nova era da IA, o diferencial competitivo não estará em possuir mais agentes, mas em garantir que cada um deles atue de forma segura, transparente e responsável.

 

Sergio Favarin - Business Vice President da GFT Technologies no Brasil


75,3 mil candidatos da capital e RMSP fazem neste domingo (16) provas do processo seletivo simplificado para professores do Ensino Fundamental e Médio

Profissionais aprovados vão atuar, a partir de 2027, em unidades de período parcial ou integral com contrato por tempo determinado

 

Neste domingo (16), 75,3 mil candidatos da capital e região metropolitana de São Paulo fazem as provas objetivas do processo seletivo simplificado para professores do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Os aprovados vão atuar, a partir de 2027, nas unidades de tempo parcial e integral da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP). Os locais de prova estão disponíveis para consulta no site da Fundação Getulio Vargas, instituição responsável pelo concurso. 

 

Há oportunidades nas 13 unidades regionais de ensino da capital (Centro, Centro Oeste, Centro Sul, Leste 1, Leste 2, Leste 3, Leste 4, Norte 1, Norte 2, Sul 1, Sul 2 e Sul 3), nas 15 da região metropolitana (Diadema, Mauá, Santo André, São Bernardo do Campo, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Suzano, Caieiras, Carapicuíba, Guarulhos Norte, Guarulhos Sul, Itapecerica da Serra, Itapevi, Osasco e Taboão da Serra). Os profissionais selecionados no processo irão compor o cadastro de reserva de docentes contratados por tempo determinado.

 

Para as vagas em classes dos anos finais do Ensino Fundamental, os candidatos devem ter diploma de curso normal superior, de licenciatura em Pedagogia, de habilitação específica para o magistério, de licenciatura em educação do campo ou do programa especial de formação pedagógica superior. Para as oportunidades nos anos finais do Fundamental e Médio, os interessados devem comprovar diploma de licenciatura plena em componente curricular integrante da matriz curricular do Estado de São Paulo.


 

Prova dividida em três etapas


A seleção é dividida em três etapas: prova objetiva, prova prática (videoaula) e avaliação de títulos. A prova objetiva, aplicada nesta semana, tem caráter eliminatório e classificatório. O exame é composto por 40 questões de múltipla escolha, sendo 10 itens relativos aos conhecimentos gerais e didático-pedagógicos e 30 itens aos conhecimentos específicos. Cada questão corresponde a um ponto em um total de 40. Será aprovado na fase objetiva aqueles que obtiverem, no mínimo, oito acertos.

 

As provas estão agendadas em dois períodos, de acordo com o ciclo/disciplina: manhã (9h às 12h) e tarde (15h às 18h).

 

Salário na rede estadual é de R$ 5.565,00


O processo seletivo da Seduc-SP oferece opção de contrato em escolas de tempo parcial, com carga horária mínima de 25 horas, e integral (Programa Escola Integral - PEI) com regime de dedicação exclusiva de 40 horas semanais.

 

O valor do subsídio correspondente à jornada de 40 horas semanais nas escolas de tempo parcial é de R$ 5.565,00, sendo garantida a remuneração proporcional nos casos de atribuição de carga horária inferior. Para professores das unidades do Programa Escola Integral, há gratificação adicional. 

 

Estudante sem saneamento perde, em média, 2 anos de escolaridade

Estudo do Trata Brasil mostra que o impacto vai além da sala de aula: 46,1% é a diferença de renda ao longo da vida de um jovem que teve acesso ao saneamento durante a infância e adolescência 

A falta do saneamento básico é um obstáculo real ao desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes. Estudantes que vivem em condições precárias de saneamento estão mais expostos a doenças de veiculação hídrica, como diarreia e hepatite A, que provocam faltas recorrentes às aulas e, em casos mais graves, podem levar à evasão escolar. 

De acordo com dados do IBGE (2024), presentes no Painel Saneamento Brasil, pessoas com acesso a saneamento básico completam, em média, mais anos de estudo do que aquelas sem acesso — uma diferença que se repete em todas as regiões do país.

 

Tabela 1 - Escolaridade média com e sem saneamento, Brasil e Regiões, 2024

Região

Com saneamento (anos)

Sem saneamento (anos)

Diferença (anos)

 

Brasil

9,50

7,50

2,00

Sudeste

9,95

7,81

2,14

Norte

9,10

7,96

1,14

Nordeste

8,58

6,81

1,77

Sul

9,66

8,04

1,62

Centro-Oeste

9,78

7,77

2,01

Fonte: IBGE, 2024 / Painel Saneamento Trata Brasil. Anos de educação formal.


Em média, no Brasil, jovens com acesso a água tratada e coleta de esgoto completam 9,5 anos de estudo, contra 7,5 anos entre os que não têm acesso — uma diferença de dois anos de educação formal.
 

Garantir saneamento básico para todas as crianças e adolescentes é um investimento direto no futuro educacional e econômico do país. Um estudo do Instituto Trata Brasil mostra que jovens que tiveram acesso a saneamento durante a infância e a adolescência apresentam, ao longo da vida, uma renda até 46,1% maior do que aqueles que cresceram sem esse acesso. Universalizar água tratada e coleta de esgoto é, portanto, também universalizar oportunidades, ou seja, menos faltas à escola, mais anos de estudo e, no fim, mais chances de um futuro melhor para milhões de crianças e adolescentes brasileiros.


Careta ou nojo? Especialista da Unifran explica por que os gatos ficam de boca aberta após cheirar algo

Conhecido como Reflexo de Flehmen, o hábito funciona como uma “rede social felina” que permite decodificar odores e feromônios do ambiente 

Se você é tutor de um felino, provavelmente já presenciou a cena: o gato cheira um sapato, a janela ou um objeto da casa e, em seguida, paralisa por alguns segundos com a boca entreaberta e um olhar distante. Embora a reação renda vídeos engraçados na internet e muitas pessoas a interpretem como uma expressão de "nojo", a explicação é puramente científica e biológica. 

Trata-se do Reflexo de Flehmen, um mecanismo sensorial apurado que também existe em outras espécies, como cavalos e bovinos. Segundo Valeska Rodrigues, docente do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Franca (Unifran), a cena nada tem a ver com repulsa. 

"Apesar de parecer estranho para os humanos, esse reflexo é uma forma mais apurada de identificar odores. Ao cheirar ou lamber algo, o gato prende partículas nas narinas. Quando ele dilata as narinas e abre a boca, sensibiliza o Órgão de Jacobson, também chamado de órgão vomeronasal, que envia informações químicas diretamente para o cérebro", explica a especialista.
 

A internet dos gatos

Esse canal de comunicação funciona como uma verdadeira rede social para os bichanos. Através dos feromônios captados por essa via olfativa especial, o gato consegue acessar dados que o nariz comum não é capaz de processar. 

"O reflexo ajuda na identificação de machos não castrados no território, fêmeas no cio ou próximas da época de acasalamento, e até mesmo na presença de um odor humano diferente do habitual. É uma ferramenta de comunicação e monitoramento muito útil para a espécie", destaca Valeska. 

É por esse motivo que roupas, sapatos de tutores e a brisa que entra pela janela despertam tanto interesse nos felinos. Na janela ou varanda, ao manter a boca entreaberta enquanto "cheira o ar", o animal está mapeando a presença de potenciais presas, outros gatos ou novos estímulos no ambiente. Manter a boca aberta ou a narina encostada por alguns segundos é a maneira que a espécie encontrou de otimizar essa captação sensorial.
 

Curiosidade x alerta de saúde

Embora o Reflexo de Flehmen seja um comportamento natural e saudável, os tutores devem ficar atentos para não confundir a curiosidade do animal com sinais de desconforto respiratório ou estresse. 

A veterinária da Unifran aponta como diferenciar os dois cenários: 

"No Reflexo de Flehmen, a boca entreaberta dura poucos segundos, e logo o felino volta às suas atividades rotineiras de forma tranquila. Já em casos de problemas de saúde ou estresse grave, o animal apresentará frequência respiratória acelerada, inquietação, salivação excessiva, olhar parado e um esforço visível para buscar o ar (dispneia)", alerta Valeska Rodrigues. 

Um tutor bem-informado e atento consegue facilmente perceber quando seu gatinho está apenas seguindo seus instintos naturais ou quando é hora de buscar ajuda de um médico-veterinário.
  

Unifran
www.unifran.edu.br


Confiança das empresas de pequeno porte cai pelo sexto mês consecutivo e atinge menor nível em 5 anos, diz FecomercioSP

 Cenário político instável com o fim da ‘taxa das blusinhas’ e debate sobre escala 6x1 agravam pessimismo do empresariado

 

A confiança dos empresários do comércio paulistano permaneceu na zona pessimista, principalmente por causa da percepção das empresas de pequeno porte. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Índice de Confiança do Empresário do Comércio no Município de São Paulo (ICEC), avaliado mensalmente pela Entidade, registrou 93,9 pontos em julho — mantendo-se estável e interrompendo uma série de cinco quedas seguidas. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o recuo do indicador foi de 8,7% [gráfico 1].

 

[GRÁFICO 1]

Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC)

Série histórica (13 meses)

Fonte: FecomercioSP


 

Na análise por porte, o cenário das empresas de até 50 funcionários é preocupante, visto que o indicador recuou pelo sexto mês consecutivo, registrando 93,6 pontos em julho, menor patamar desde junho de 2021, período de pandemia; na comparação interanual, apontou queda de 8,8%. Já no caso das empresas acima de 50 funcionários, o ICEC subiu 3,9% em relação a junho e atingiu 106,4 pontos, mantendo-se em patamar levemente otimista — contudo, sofreu retração de 5,5% em relação a julho de 2025.

 

Empresariado está insatisfeito com as condições atuais

 

Dentre as três variáveis que compõem o ICEC, o Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) atingiu 69,1 pontos em julho, praticamente estável em relação a junho [gráfico 2], mas está 9,5% abaixo do apurado no mesmo período do ano passado. A FecomercioSP continua ressaltando o elevado grau de insatisfação do empresariado quanto às condições atuais. Mesmo que as vendas tenham crescido de maneira consistente até o fim de 2025, os empresários não estão satisfeitos com rentabilidade, pressão de custos, juros elevados, entre outros fatores. 

 

No caso das pequenas empresas, o ICAEC atingiu 68,7 pontos em julho, retração interanual de 9,6% — são 42 meses consecutivos abaixo dos 100 pontos, indicando pessimismo. A queda observada no período recente pode estar relacionada também às notícias do campo político, como a aprovação da redução de jornada e o fim da “taxa das blusinhas”, situação em que os pequenos negócios estão mais vulneráveis. Para as grandes, por sua vez, houve alta de 77,9 pontos, em junho, para 84,4 pontos, em julho.

 

[GRÁFICO 2]

ICAEC, IEEC E IIEC

Série histórica (13 meses)

Fonte: FecomercioSP

O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) das pequenas empresas também se deteriorou, ao passar de 99 pontos, em junho, para 97 pontos, em julho, o menor nível desde 2021. Segundo a Entidade, esse dado revela que as pequenas estão com um leve grau de pessimismo para investir com cenário econômico instável. No segmento das grandes, também caiu 3,5% em comparação com o mês de junho, marcando 107 pontos, mas permanecendo na zona de otimismo.  

O Índice de Expectativas do Empresário do Comércio (IEEC) subiu nas empresas de ambos os portes. Nas pequenas, avançou 1,6% ao passar de 113,2 pontos em junho para 115 pontos em julho, porém apresenta queda de 10,4% em relação a julho de 2025. O IEEC das empresas acima de 50 funcionários, avançou 7,9%, passando de 118,4 para 127,7 pontos.

 

Cautela para investir e ampliar 

O Índice de Expansão do Comércio (IEC), pesquisa realizada também pela FecomercioSP, caiu 0,9% em julho, passando para 101,2 pontos. O indicador exibe queda interanual de 6,1%. A variável que mede a Expectativa de Contratação de Funcionários (ECF) atingiu 113,1 pontos; na comparação com julho de 2025, a queda foi de 4,5%. Segundo a Federação, o movimento é compatível com o aumento das incertezas presentes na economia, especialmente a desaceleração da atividade econômica, diante da inflação persistente, dos juros elevados e da queda do consumo.

 

[GRÁFICO 3]

Índice de Expansão do Comércio (IEC)

Série histórica (13 meses)

Fonte: FecomercioSP


 

O Nível de Investimento das Empresas (NIE) caiu pelo sexto mês seguido, ao passar de 91,5 pontos, em junho, para 89,3 pontos, em julho (-2,3%). O indicador segue em patamar historicamente baixo e na zona de pessimismo (menos de 100 pontos) há 20 meses consecutivos. Na comparação com julho do ano anterior, a queda foi de 8,8%, ampliando a leitura de cautela dos empresários quanto aos investimentos. Além disso, as questões econômicas continuam reduzindo a atratividade de projetos de expansão, modernização e ampliação da capacidade operacional das empresas.   

Confira os principais indicadores econômicos para o planejamento do seu negócio no Panorama do Comércio. Produzido mensalmente pela FecomercioSP, o boletim apresenta análises sobre o cenário econômico, o perfil de consumo e as principais tendências que impactam a atividade empresarial. 

 

Notas metodológicas


ICEC


O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) contempla a percepção do setor em relação ao seu segmento, à sua empresa e à economia do País. São entrevistas feitas em painel fixo de empresas, com amostragem segmentada por setor (não duráveis, semiduráveis e duráveis) e por porte de empresa (até 50 empregados e mais de 50 empregados). As questões agrupadas formam o ICEC, que, por sua vez, pode ser decomposto em outros subíndices que avaliam as perspectivas futuras, a avaliação presente e as estratégias dos empresários mediante o cenário econômico. A pesquisa refere-se ao município de São Paulo, contudo sua base amostral reflete o cenário da região metropolitana.

 


IEC


O Índice de Expansão do Comércio (IEC) é apurado todo mês pela FecomercioSP, desde junho de 2011, com dados de cerca de 600 empresários. O indicador vai de 0 a 200 pontos, representando, respectivamente, desinteresse e interesse absolutos na expansão de seus negócios. A análise dos dados identifica a perspectiva dos empresários do Comércio em relação a contratações, compra de máquinas ou equipamentos, e abertura de novas lojas. Apesar de esta pesquisa também se referir ao município de São Paulo, sua base amostral abarca a região metropolitana.

 

 

FecomercioSP

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O som da negligência: por que a segurança industrial não pode operar no mudo

Em conversas com gestores industriais, percebo que o sucesso de uma operação costuma ser medido apenas pela eficiência das máquinas, pelo volume de produção e pela otimização dos custos. São indicadores importantes, sem dúvida. Mas existe uma métrica que raramente entra nessa conta e que, em momentos críticos, pode fazer toda a diferença: a capacidade de reagir rapidamente a uma emergência. 

O problema é que essa questão geralmente só ganha atenção quando algo dá errado. E, quando falamos de segurança industrial, esperar o problema acontecer pode custar muito caro. 

No Brasil, infelizmente, a segurança do trabalho ainda é vista por muitas empresas como uma barreira burocrática. A Norma Regulamentadora 26 (NR-26), que estabelece as diretrizes para a sinalização de segurança, muitas vezes é tratada apenas como um checklist para evitar multas, e não como uma ferramenta para proteger vidas. 

Ao longo dos anos, tenho visto empresas investirem em automação, modernização de processos e aumento de produtividade, enquanto os sistemas de alerta acabam ficando em segundo plano. Na prática, tratar a sinalização sonora como um simples item obrigatório significa ignorar que, no momento em que uma falha acontece, ela pode ser a diferença entre uma evacuação organizada e uma tragédia. 

Em uma situação de crise, seja um vazamento químico, um princípio de incêndio ou uma falha estrutural, a reação das pessoas depende da clareza do alerta que recebem. Se o sinal sonoro não for capaz de se destacar em meio ao ruído das máquinas e chamar a atenção da equipe imediatamente, o plano de evacuação já começa comprometido. Não adianta ter protocolos bem elaborados se, na hora mais importante, ninguém consegue ouvir o aviso. 

E os impactos dessa negligência são reais. Há diversos exemplos de acidentes que evidenciam as consequências de tratar a segurança apenas como uma exigência regulatória. Em 2013, um incêndio em uma fábrica de processamento de aves em Jilin, na China, deixou mais de 120 mortos e dezenas de feridos. As investigações apontaram uma série de falhas de segurança, incluindo dificuldades na evacuação devido à rápida propagação do fogo e da fumaça, além de rotas de fuga inadequadas. 

A fábrica também não contava com sistemas e procedimentos capazes de orientar os trabalhadores de forma eficiente durante a emergência. Na prática, os planos de prevenção existiam para atender exigências formais, mas não estavam preparados para funcionar diante de uma situação real. 

Esse tipo de caso mostra que criar uma cultura de segurança vai muito além de cumprir normas ou instalar equipamentos para atender à fiscalização. Significa incorporar a prevenção à rotina da empresa e compreender que nenhum patrimônio é mais valioso do que a vida das pessoas. 

Nenhuma empresa planeja enfrentar uma emergência grave. Mas toda empresa tem a responsabilidade de estar preparada para quando ela acontecer. E essa preparação não começa no momento do alerta. Ela começa muito antes, nas decisões sobre prevenção, treinamento e infraestrutura. 

Porque, quando uma emergência acontece, cada segundo importa. E a segurança industrial não pode se dar ao luxo de operar no mudo. 

 

Camila Vianna Brambila Kaiser - sócia da Beatek Indústria e Comércio de Eletroeletrônicos Ltda., formada em administração de empresas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Atua nas áreas de gestão empresarial, estratégia, desenvolvimento de negócios, licitações públicas, relacionamento institucional e expansão comercial, contribuindo para a consolidação da Beatek como referência nacional em tecnologia para sistemas de sinalização sonora e sinos e relógios.



Hidrogênio feito com luz solar e resíduos acelera descarbonização da indústria

Tecnologia pode colocar o Brasil na corrida por uma produção mais barata e sustentável de hidrogênio

 

A luz do sol e resíduos da produção de biodiesel, dois grandes ativos do Brasil, poderão gerar hidrogênio de baixo carbono de forma mais sustentável e barata. É o que demonstra uma tecnologia desenvolvida com apoio da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial). Intitulado de H2Genio, a solução transforma o glicerol, resíduo industrial que hoje tem baixo valor comercial, em hidrogênio por meio de um processo químico ativado pela luz do sol. O sistema ainda utiliza inteligência artificial e monitoramento remoto para aumentar a eficiência da produção e reduzir custos, abrindo caminho para aplicações na indústria, transporte e geração de energia. 

O H2Genio, desenvolvido pela Unidade Embrapii Instituto Federal do Ceará (IFCE) em parceria com a empresa THV, surge em um momento em que o hidrogênio verde se tornou uma das apostas globais para descarbonizar indústrias de alta emissão, como siderurgia, fertilizantes, mobilidade e geração de energia. Hoje, cerca de 95% do hidrogênio produzido no mundo ainda depende de fontes fósseis, principalmente gás natural e carvão, processos que geram elevadas emissões de gás carbônico (CO). 

Diferente da eletrólise, principal rota atualmente utilizada para produção de hidrogênio, o sistema desenvolvido dispensa grandes estruturas eletrolíticas e aproveita diretamente a radiação solar para ativar catalisadores responsáveis pela reação química. Isso reduz a necessidade de equipamentos complexos e de alto consumo energético. 

Nesse cenário, a fotocatálise aparece como uma alternativa complementar para reduzir barreiras econômicas e ampliar o acesso ao hidrogênio verde em regiões com alta incidência solar e menor infraestrutura energética. O modelo também permite sistemas descentralizados, facilitando a instalação em áreas distantes de grandes hubs industriais. 

“O diferencial da tecnologia é aproveitar diretamente a luz solar e um resíduo industrial que hoje possui baixo valor agregado. Isso cria um ciclo mais sustentável e economicamente interessante para diferentes setores industriais”, destaca o coordenador do projeto da Unidade Embrapii IFCE, Igor Valente. 

A proposta não é substituir tecnologias já consolidadas, como a eletrólise, mas sim contribuir para a diversificação das rotas de produção de hidrogênio de baixo carbono. “O mercado de hidrogênio será composto por diferentes rotas tecnológicas coexistindo de forma complementar. Nesse sentido, investir em fotocatálise representa também ampliar as possibilidades de produção sustentável de hidrogênio”, disse o diretor-fundador da THV, Thiago Vieira. 

Além do hidrogênio, o processo gera compostos químicos de alto valor agregado, como di-hidroxiacetona, gliceraldeído e ácido fórmico, ampliando o potencial econômico da solução para a cadeia do biodiesel e da indústria química. 

“Cerca de 10% do volume total do biodiesel produzido resulta em glicerol residual. resíduo do processo. Levando-se em conta os incentivos à transição energética e as perspectivas de aumento da produção de biodiesel, tecnologias que permitam converter o glicerol residual desse processo em hidrogênio e compostos de alto valor agregado são de grande interesse da cadeia de valor do biodiesel”, analisa Valente. 

O sistema também incorpora sensores embarcados, monitoramento remoto em nuvem e inteligência artificial para ajustar automaticamente variáveis como vazão, temperatura e pH, aumentando a eficiência operacional da produção.
 

Aplicações 

A solução pode atender diferentes setores industriais. Entre as aplicações previstas estão a produção de matéria-prima (amônia verde) para fertilizantes, uso em siderúrgicas para substituição parcial de combustíveis fósseis, abastecimento de células a combustível para mobilidade e geração elétrica, além do uso como insumo na indústria química.  

“Existe uma tendência cada vez maior de valorização de tecnologias que promovam economia circular e reaproveitamento de resíduos. Investir agora nesse tipo de solução significa antecipar tendências de mercado”, observa o diretor-fundador da THV. 

Outro ponto considerado estratégico é o potencial brasileiro para liderar tecnologias ligadas ao hidrogênio verde. A combinação entre alta incidência solar, ampla produção de biocombustíveis e disponibilidade territorial cria condições favoráveis para o avanço de soluções de baixo carbono no país, especialmente no Nordeste. 

O projeto está atualmente em fase de validação em laboratório e deve avançar para testes em ambiente relevante. Os resultados já indicam viabilidade de escalonamento da tecnologia e renderam publicações científicas e reconhecimento internacional, incluindo premiação no XXIX Congresso Ibero-Americano de Catálise, realizado em Bilbao, na Espanha.
 

Parceria estratégica

De acordo com a empresa, a parceria com a Unidade Embrapii IFCE foi fundamental para viabilizar o desenvolvimento do projeto H2Genio. A colaboração permitiu acesso à infraestrutura laboratorial, equipe técnica qualificada e conhecimento científico especializado, fatores essenciais para acelerar as etapas de pesquisa, validação e desenvolvimento tecnológico. “Além disso, o modelo Embrapii contribuiu para reduzir riscos inerentes ao processo de inovação, compartilhando esforços entre academia e empresa e possibilitando maior segurança no desenvolvimento de uma tecnologia ainda em estágio de consolidação no mercado”, avalia o diretor da TVH.


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