Data reforça importância da prevenção e do
diagnóstico precoce do Acidente Vascular Cerebral (AVC)
Celebrado em 29 de
outubro, o Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC) chama a
atenção para uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo1,2.
Embora fatores não modificáveis, como idade e predisposição individual, tenham
influência sobre o risco de AVC, uma parcela importante dos casos está
associada a fatores que podem ser prevenidos ou controlados, como pressão
arterial elevada, índice de massa corporal elevado, alterações da glicemia,
alimentação inadequada e pouca atividade física2,3.
No Brasil, o AVC também representa um importante problema de saúde pública. Um estudo epidemiológico que analisou as mortes relacionadas à doença no país entre 1996 e 2022 aponta o AVC como a segunda principal causa de morte no Brasil4. O cenário reforça a importância de estratégias que atuem tanto antes da ocorrência do primeiro episódio quanto na prevenção de novos eventos em pessoas que já tiveram um AVC2,3.
O AVC acontece quando o fluxo de sangue para determinada região do cérebro é interrompido, por obstrução de uma artéria ou por sangramento. No AVC isquêmico, que corresponde à forma mais frequente, uma artéria é obstruída por um trombo ou êmbolo, impedindo que oxigênio e nutrientes cheguem às células cerebrais5.
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| Dia Mundial do AVC é celebrado em 29 de outubro. Crédito: DC Studio/Freepik |
Os sinais podem surgir de forma súbita e incluem fraqueza ou formigamento, especialmente em um lado do corpo, alteração da fala ou da compreensão, confusão mental, alteração da visão, tontura, dificuldade para caminhar ou perda de equilíbrio e dor de cabeça intensa e sem causa aparente. A identificação desses sintomas deve ser seguida de busca imediata por atendimento médico5.
“O AVC é uma emergência médica e o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento é determinante para o tratamento. Por isso, é importante que a população reconheça os sinais e não espere que eles desapareçam espontaneamente. A avaliação hospitalar também permite identificar o tipo de AVC e definir a conduta mais adequada para cada caso”, afirma o cardiologista Jairo Lins Borges, médico consultor da Libbs.
Estilo de vida também faz parte da prevenção
A prevenção do AVC não se limita ao uso de medicamentos. Mudanças no estilo de vida podem contribuir para o controle de múltiplos fatores de risco simultaneamente2,3. Uma revisão publicada em 2024 destaca a importância da prática regular de atividade física, da alimentação saudável e da interrupção do tabagismo e do consumo de álcool como componentes da prevenção secundária do AVC3.
A alimentação é um dos pontos que merecem atenção. Uma dieta adequada contribui para o controle de fatores associados ao risco cardiovascular, como pressão arterial, peso corporal, glicemia e perfil lipídico. Da mesma forma, a prática regular de atividade física pode auxiliar no controle do peso e de fatores metabólicos e cardiovasculares relacionados ao AVC2,3.
“O estilo de vida
deve ser entendido como parte do tratamento e não como uma recomendação
isolada. Alimentação adequada, atividade física, controle do peso, abandono do
cigarro e acompanhamento regular de condições como hipertensão, dislipidemia e
diabetes atuam de maneira integrada. Para quem já teve um AVC, essas medidas
ganham ainda mais importância para reduzir o risco de recorrência”, diz o
cardiologista.
Referências bibliográficas
1. World Stroke Organization. World Stroke Day 2026 [Internet]. Geneva: World Stroke Organization; 2026 [Acesso em 16 set. 2026]. Disponível em: Link
2. GBD 2019 Stroke Collaborators. Global, regional, and national burden of stroke and its risk factors, 1990-2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. Lancet Neurol. 2021 Oct;20(10):795-820.
3. Govori V, Budinčević H, Morović S, Đerke F, Demarin V. Updated Perspectives on Lifestyle Interventions as Secondary Stroke Prevention Measures: A Narrative Review. Medicina (Kaunas). 2024;60(3):504.
4. Silva LDC S, Castanheira LYFA, Salim MDS, Rebouças ORPS, Viegas RFM. Epidemiological Profile and Comparison of Mortality Due to Stroke and Atrial Fibrillation in Brazil Over the Past 26 Years. Int J Cardiovasc Sci. 2024; 37:e20240155.
5. Brasil. Ministério da Saúde. Acidente Vascular Cerebral [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde; [Acesso em 1 set. 2026]. Disponível em: Link
Parágrafos não
referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do profissional de
saúde entrevistado.

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