Pesquisar no Blog

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Dia Mundial do AVC: recuperação após o episódio exige cuidados que vão além da alta hospitalar

Neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz destaca a importância da reabilitação, da prevenção de novos episódios e do acompanhamento funcional para preservar a autonomia dos pacientes

 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) motivou cerca de 292 mil atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde3. Considerada a segunda principal causa de morte e incapacidade no mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS)4, a doença pode deixar consequências que se estendem por meses ou anos.

No Dia Mundial de Combate ao AVC, celebrado em 29 de outubro, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz chama a atenção para os desafios que permanecem após a emergência, desde a prevenção de novos episódios até a recuperação da independência e da qualidade de vida.

Popularmente conhecido como derrame, o AVC acontece quando o fornecimento de sangue a uma região do cérebro é interrompido ou quando um vaso sanguíneo se rompe. No tipo isquêmico, responsável por aproximadamente 85% dos casos, segundo o Ministério da Saúde1, a obstrução de uma artéria impede a chegada de oxigênio às células cerebrais. Já o hemorrágico ocorre quando há rompimento de um vaso, provocando sangramento dentro do cérebro ou em suas proximidades. Embora menos frequente, essa forma da doença costuma apresentar maior risco de morte.

A diferença entre os dois tipos determina a escolha do tratamento. Em determinados casos de AVC isquêmico, é possível administrar medicamentos para dissolver o coágulo ou realizar procedimentos para retirá-lo por meio de cateteres.

Já diante de uma hemorragia, as medidas podem incluir controle da pressão arterial, cuidados intensivos e, em algumas situações, intervenção cirúrgica4. Exames de imagem, como a tomografia, são fundamentais para identificar a natureza da lesão e orientar a conduta médica.

“O cérebro é extremamente sensível à falta de oxigênio, por isso cada minuto importa. Mas o prognóstico não depende apenas da rapidez do atendimento. A extensão da lesão, a região afetada e as condições de saúde de cada pessoa também influenciam as chances de recuperação. Há situações em que conseguimos limitar consideravelmente os danos e outras em que, mesmo com o tratamento adequado, podem permanecer sequelas importantes”, explica o neurologista Dr. Diogo Haddad, head do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.


O que determina a recuperação após um AVC?

As consequências de um episódio podem ir além das dificuldades para caminhar ou movimentar um dos lados do corpo. Dependendo da área cerebral comprometida, também podem surgir alterações na fala, memória, atenção, comportamento e deglutição. Algumas limitações são percebidas imediatamente, enquanto outras se tornam mais evidentes quando a pessoa tenta retomar suas atividades cotidianas.

Os primeiros meses costumam representar um período importante para a evolução funcional, embora os avanços possam continuar por mais tempo. O ritmo varia de acordo com a gravidade do quadro, as condições anteriores de saúde e as necessidades de cada indivíduo. Em alguns casos, é possível recuperar grande parte das habilidades comprometidas; em outros, será necessário adaptar a rotina e conviver com limitações permanentes.

A assistência nessa etapa pode envolver neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e outros profissionais. Mais do que recuperar movimentos, a abordagem multidisciplinar busca identificar complicações e oferecer condições para uma retomada segura das atividades. Uma dificuldade para engolir, por exemplo, pode favorecer a aspiração de alimentos e provocar pneumonia, enquanto alterações cognitivas podem comprometer o retorno ao trabalho e a participação social.


Resultados do tratamento também são avaliados após a alta

No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, os desfechos clínicos são utilizados para compreender os resultados da assistência para além da internação. Segundo os indicadores institucionais referentes a 2025, 94% dos pacientes avaliados após AVC isquêmico apresentaram nenhuma ou leve incapacidade funcional 90 dias depois da alta hospitalar, conforme a Escala Modificada de Rankin, instrumento que mede o grau de independência para realizar atividades do cotidiano.

O levantamento também registrou 100% de satisfação ou muita satisfação com os resultados do tratamento entre os participantes avaliados nesse indicador. As informações integram um programa institucional iniciado recentemente, que reúne avaliações clínicas e a percepção dos próprios pacientes sobre sua evolução. O objetivo é compreender como o cuidado recebido se reflete na qualidade de vida e identificar oportunidades de aprimoramento da assistência.

“Sobreviver ao AVC é o primeiro objetivo, mas é igualmente importante compreender em quais condições a pessoa consegue retomar sua rotina. Dois pacientes podem apresentar lesões semelhantes e evoluir de maneiras muito diferentes. Por isso, avaliar a capacidade funcional e identificar dificuldades que permanecem após a internação é fundamental para orientar as próximas etapas do cuidado”, destaca Haddad.


Como reconhecer os sinais e prevenir novos episódios?

O controle dos fatores de risco continua sendo uma das principais formas de prevenção. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e sedentarismo aumentam a probabilidade de ocorrência da doença. Alterações cardíacas, como a fibrilação atrial, também merecem atenção, pois podem favorecer a formação de coágulos capazes de atingir o cérebro. Para quem já sofreu um AVC, investigar sua causa e seguir o tratamento prescrito são medidas essenciais para reduzir o risco de recorrência.

O Ministério da Saúde orienta atenção a sintomas que surgem repentinamente, como perda de força ou sensibilidade em um lado do corpo, boca torta, dificuldade para falar ou compreender palavras, alterações da visão e perda de equilíbrio. Dor de cabeça muito intensa e de início súbito também pode representar um sinal de alerta1.

Uma forma simples de reconhecer possíveis alterações é pedir que a pessoa sorria, levante os dois braços e repita uma frase. Caso apresente assimetria facial, dificuldade para sustentar um dos braços ou mudanças na fala, é necessário procurar atendimento imediatamente. A ausência desses sinais, entretanto, não descarta a possibilidade da doença.

Diante de qualquer suspeita, a recomendação é buscar atendimento médico de emergência imediatamente, informando o horário em que os sintomas começaram. Não se deve esperar que os sinais desapareçam, administrar medicamentos por conta própria ou oferecer alimentos e bebidas. Mesmo quando há melhora espontânea, é necessária uma avaliação urgente, pois pode se tratar de um ataque isquêmico transitório, condição que também exige investigação médica.

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados