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terça-feira, 27 de outubro de 2026

O segredo da Medicina do Estilo de Vida para resgatar a vitalidade e amenizar os piores sintomas da menopaus

No mês de conscientização da saúde da mulher e do Outubro Rosa, especialista do Rituaali Clínica & Spa explica como alimentação, sono, movimento e manejo do estresse ajudam a mulher a atravessar a transição hormonal com mais qualidade de vida


Durante muito tempo, a menopausa foi encarada apenas como o fim do período reprodutivo da mulher, frequentemente associada a um declínio inevitável na qualidade de vida e a sintomas subnotificados ou desvalorizados pela própria área da saúde. Hoje, sob a ótica da longevidade e da saúde integrativa, essa fase passa a ser vista como uma janela de oportunidade para a saúde futura, em que as escolhas de estilo de vida têm papel central. 

A dimensão do tema é global. Estimativas demográficas internacionais projetam que, até 2030, cerca de 1,2 bilhão de mulheres no mundo estarão na menopausa ou na pós-menopausa, com aproximadamente 47 milhões entrando nessa fase a cada ano. No Brasil, estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam cerca de 37 milhões de mulheres entre 40 e 65 anos, faixa etária em que ocorre o climatério. Com a expectativa de vida feminina próxima dos 80 anos, a pós-menopausa corresponde a cerca de um terço da vida da mulher. 

A queda hormonal impacta múltiplos sistemas do corpo feminino. Muito além das conhecidas ondas de calor (fogachos), a queda do estrogênio altera o metabolismo celular, a densidade óssea, a distribuição de gordura corporal, a saúde cardiovascular e tem impacto no sistema nervoso. Segundo dados do Estudo Brasileiro da Menopausa (Brazilian Menopause Study), primeiro levantamento nacional de base populacional sobre o tema, publicado em 2022 na revista Climacteric, 87,9% das 1.500 mulheres entrevistadas relataram ao menos um sintoma do climatério, e os fogachos começaram, em média, aos 47 anos. Insônia, cansaço, dores articulares, alterações de humor e dificuldade de concentração também são frequentes. As mucosas sofrem igualmente: o ressecamento vaginal e as queixas urinárias, conhecidos como síndrome geniturinária da menopausa, são comuns e subtratados, e há impacto ainda no olho seco e na saúde bucal. 

No entanto, a intensidade e o impacto desses sintomas não são determinados apenas pela biologia, mas estão ligados ao ambiente em que o corpo está inserido. O estresse crônico, a privação de sono, sedentarismo e uma alimentação baseada em ultraprocessados funcionam como "amplificadores" do desconforto. A saúde mental também entrou definitivamente na agenda: em 2026, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) publicou recomendações específicas sobre saúde mental na menopausa. O documento alerta que essas queixas costumam ser negligenciadas e defende uma abordagem que inclua alimentação, atividade física, práticas mente-corpo e suporte psicológico. Queixas cognitivas, como a sensação de “névoa mental” (brain fog), são comuns na transição e, embora geralmente transitórias, têm impacto real na rotina e no trabalho. O isolamento social e a falta de rede de apoio aparecem entre os fatores que agravam esse quadro. 

De acordo com a Dra. Gabriela Raimann, Médica Endocrinologista do Rituaali Clínica & Spa, atravessar o climatério com saúde, qualidade de vida e disposição exige olhar para a mulher como um todo. 

“A terapia hormonal, quando bem indicada, é o tratamento mais eficaz que temos para os fogachos e faz diferença real na vida de muitas mulheres. Mas nenhum tratamento age isolado da forma como essa mulher vive. Sono fragmentado, estresse crônico, sedentarismo e uma alimentação baseada em ultraprocessados intensificam a insônia, a irritabilidade, o cansaço e o ganho de peso. A Medicina do Estilo de Vida atua justamente nesses pontos: alimentação, sono, movimento, manejo do estresse e conexões sociais. Ela não substitui o tratamento médico. É a base sobre a qual qualquer tratamento funciona melhor”, explica a especialista.
 

O papel do estresse e do cortisol na transição hormonal

A transição menopáusica costuma coincidir com o auge das demandas profissionais e familiares, e muitas mulheres cuidam dos filhos e dos pais ao mesmo tempo. O estresse crônico e a sobrecarga do dia a dia, mantém o eixo do cortisol constantemente ativado, piora a qualidade do sono, favorece o acúmulo de gordura abdominal e a resistência à insulina e está associado a uma percepção mais intensa dos fogachos e das oscilações de humor. Por isso, a abordagem precisa ir além do consultório tradicional: a carga mental, a rede de apoio e a forma como a mulher se permite pausas influenciam diretamente como ela atravessa essa fase.
 

Os pilares para uma menopausa plena e envelhecimento ativo

Para as mulheres que buscam passar pelo climatério preservando a energia, a clareza mental e a saúde física, a Dra. Gabriela Raimann destaca pilares essenciais da Medicina do Estilo de Vida:

  • Alimentação baseada em plantas: priorizar alimentos integrais, fibras, leguminosas, frutas, vegetais e gorduras de boa qualidade, como o ômega-3. A soja e seus derivados são fonte de isoflavonas, que podem reduzir discretamente os fogachos em algumas mulheres. Evitar açúcares refinados, álcool e ultraprocessados ajuda a controlar o ganho de peso comum nessa fase e protege a saúde cardiovascular e cerebral.
  • Higiene do sono e ritmo circadiano: a insônia é uma das queixas mais frequentes e impacta o humor, a memória e o metabolismo. Rotinas de desconexão à noite, com menos telas e luz intensa, horários regulares e exposição à luz natural pela manhã ajudam a reorganizar o relógio biológico. Quando a insônia persiste, a terapia cognitivo-comportamental para insônia é o tratamento de primeira linha.
  • Preservação da massa muscular e óssea: o declínio do estrogênio acelera a perda óssea (osteopenia/osteoporose) e muscular (sarcopenia). A prática contínua de exercícios de força associados a atividades com impacto e treinos de mobilidade e equilíbrio, protegem o esqueleto, aliviam dores articulares e melhoram a sensibilidade à insulina.
  • A alimentação também é decisiva: após a menopausa, a recomendação é de cerca de 1.200 mg de cálcio por dia, de preferência vindos dos alimentos (na alimentação baseada em plantas, boas fontes são o tofu, as bebidas vegetais enriquecidas com cálcio, o gergelim e o tahine, a couve e o feijão). A vitamina D, essencial para a absorção do cálcio e para a função muscular, depende principalmente da exposição solar. Uma exposição curta e regular, em horários de menor intensidade, ajuda a manter níveis adequados. Quando a dosagem estiver baixa, a suplementação deve ser orientada pelo médico.
  • Gestão do estresse e descompressão: incorporar pausas reais e rotinas de relaxamento ao longo do dia, como mindfulness, terapias manuais, contato com a natureza e tempo de qualidade com as pessoas, reduzem a sobrecarga do sistema nervoso e protegem a saúde mental nessa fase.

No Rituaali Clínica & Spa, a saúde feminina e o cuidado durante o climatério são tratados de forma integral e personalizada. Durante as imersões, as hóspedes passam por programas com acompanhamento médico, nutricional e psicológico que aliam a ciência da longevidade a um ambiente terapêutico imersivo em meio à natureza de Penedo (RJ). Esse cuidado é combinado com uma gastronomia plant-based altamente nutritiva, terapias de relaxamento, rotinas que favorecem o sono e exercícios orientados. O resultado é a criação de um ambiente favorável para que a mulher atravesse essa transição com mais vitalidade e construa um envelhecimento ativamente saudável.


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