Com avanço das restrições ao celular, discussão envolve formação dos professores, participação dos alunos e avaliação da aprendizagem; em Ribeirão Preto, colégio relata uso de lousas digitais nas aulas
No
período de matrículas e rematrículas para 2027, conhecer os equipamentos de uma
escola é apenas uma etapa da avaliação das famílias. Entender como lousas digitais,
soluções tecnológicas e ferramentas de inteligência artificial são utilizadas
nas aulas ajuda a identificar sua relação com a proposta pedagógica e com o
aprendizado dos estudantes.
A
discussão ocorre após a ampliação das restrições ao celular nas escolas
brasileiras. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa)
2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 81%
dos estudantes brasileiros frequentavam escolas que proibiam o uso de celulares
nas dependências escolares, ante 37% em 2022. Nos países da organização, a
média passou de 34% para 49% no mesmo intervalo.
O
levantamento também mostra que os alunos brasileiros relataram utilizar
dispositivos digitais na escola para atividades de aprendizagem durante, em
média, 1,3 hora por dia, frente a 1,7 hora nos países da OCDE. O indicador mede
o tempo de utilização, mas não permite concluir, isoladamente, se as
ferramentas são bem empregadas ou se melhoram o aprendizado.
Para
as famílias, esse cenário amplia os critérios de avaliação da escola. Além da
estrutura disponível, cabe conhecer a preparação dos professores, as atividades
realizadas com os recursos digitais e a forma como a instituição acompanha a
aprendizagem.
Da lousa digital à
participação dos alunos
Em
Ribeirão Preto, o Colégio Bento Benedini utiliza lousas digitais para trabalhar
conteúdos com imagens, gráficos e modelos tridimensionais. Segundo a
instituição, os recursos permitem diversificar as explicações e ampliar a
interação dos estudantes durante as aulas.
“A
inserção das lousas digitais fez a diferença para tornar as aulas mais
dinâmicas e colocar o aluno num processo ativo de aprendizado. Recursos como a
visualização em 3D em matemática permitem que o professor vá além do que está
no material didático, que é o que a gente sempre busca”, afirma Bruna Calil
Ciconelli, head de inovação do Colégio Bento Benedini.
O
exemplo da matemática mostra uma aplicação concreta: explorar formas e relações
espaciais com apoio de modelos tridimensionais. A escolha do recurso está
associada ao conteúdo da aula e à maneira como o professor conduz a atividade
com a turma.
Inteligência artificial traz
novos desafios à avaliação
O
avanço das ferramentas digitais também altera as questões que chegam à sala de
aula. Para o professor Sheldon Assis, consultor pedagógico da MOVPLAN, a
capacidade da inteligência artificial de produzir textos, responder perguntas e
elaborar apresentações exige atenção à forma como os estudantes constroem o
conhecimento.
“Quando
uma ferramenta consegue entregar uma resposta em segundos, precisamos observar
como o aluno chegou àquela conclusão. Saber pesquisar, verificar fontes e
explicar o próprio raciocínio faz parte do aprendizado. Cabe à escola ensinar o
estudante a usar esses recursos com critério”, afirma.
Esse
cenário também traz implicações para a avaliação escolar. Assis defende que,
além do trabalho entregue, os professores observem como o estudante argumenta,
resolve problemas e aplica os conteúdos. A formação continuada dos docentes é
apontada por ele como uma condição para incorporar essas ferramentas ao
planejamento pedagógico.
A
preparação envolve relacionar os recursos aos objetivos de ensino e oferecer
condições para seu uso cotidiano. Tempo para conhecer as ferramentas,
orientação pedagógica e apoio diante de dificuldades fazem parte desse
processo.
O que observar antes de
confirmar a matrícula
Nas
visitas e conversas com a coordenação, as famílias podem pedir exemplos de
aulas e projetos que utilizam recursos digitais, conhecer a formação oferecida
aos professores e perguntar como a instituição acompanha a compreensão dos
conteúdos.
Também
cabe verificar quais orientações a escola adota para o uso da inteligência
artificial, especialmente em relação à checagem de informações e à autoria dos
trabalhos. Essas respostas ajudam a entender como a instituição lida com
ferramentas que já fazem parte da rotina de muitos estudantes.
Conhecer
o equilíbrio entre atividades digitais, leitura, escrita, debates e práticas
coletivas permite avaliar como a tecnologia se integra ao ensino. Para a
escolha de 2027, exemplos do trabalho realizado com as turmas oferecem às
famílias uma visão mais concreta da proposta apresentada pela escola.
movplan.com.br
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