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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Matrículas para 2027 abrem debate sobre como as escolas usam tecnologia para ensinar

Com avanço das restrições ao celular, discussão envolve formação dos professores, participação dos alunos e avaliação da aprendizagem; em Ribeirão Preto, colégio relata uso de lousas digitais nas aulas


No período de matrículas e rematrículas para 2027, conhecer os equipamentos de uma escola é apenas uma etapa da avaliação das famílias. Entender como lousas digitais, soluções tecnológicas e ferramentas de inteligência artificial são utilizadas nas aulas ajuda a identificar sua relação com a proposta pedagógica e com o aprendizado dos estudantes.

A discussão ocorre após a ampliação das restrições ao celular nas escolas brasileiras. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 81% dos estudantes brasileiros frequentavam escolas que proibiam o uso de celulares nas dependências escolares, ante 37% em 2022. Nos países da organização, a média passou de 34% para 49% no mesmo intervalo.

O levantamento também mostra que os alunos brasileiros relataram utilizar dispositivos digitais na escola para atividades de aprendizagem durante, em média, 1,3 hora por dia, frente a 1,7 hora nos países da OCDE. O indicador mede o tempo de utilização, mas não permite concluir, isoladamente, se as ferramentas são bem empregadas ou se melhoram o aprendizado.

Para as famílias, esse cenário amplia os critérios de avaliação da escola. Além da estrutura disponível, cabe conhecer a preparação dos professores, as atividades realizadas com os recursos digitais e a forma como a instituição acompanha a aprendizagem.


Da lousa digital à participação dos alunos

Em Ribeirão Preto, o Colégio Bento Benedini utiliza lousas digitais para trabalhar conteúdos com imagens, gráficos e modelos tridimensionais. Segundo a instituição, os recursos permitem diversificar as explicações e ampliar a interação dos estudantes durante as aulas.

“A inserção das lousas digitais fez a diferença para tornar as aulas mais dinâmicas e colocar o aluno num processo ativo de aprendizado. Recursos como a visualização em 3D em matemática permitem que o professor vá além do que está no material didático, que é o que a gente sempre busca”, afirma Bruna Calil Ciconelli, head de inovação do Colégio Bento Benedini.

O exemplo da matemática mostra uma aplicação concreta: explorar formas e relações espaciais com apoio de modelos tridimensionais. A escolha do recurso está associada ao conteúdo da aula e à maneira como o professor conduz a atividade com a turma.


Inteligência artificial traz novos desafios à avaliação

O avanço das ferramentas digitais também altera as questões que chegam à sala de aula. Para o professor Sheldon Assis, consultor pedagógico da MOVPLAN, a capacidade da inteligência artificial de produzir textos, responder perguntas e elaborar apresentações exige atenção à forma como os estudantes constroem o conhecimento.

“Quando uma ferramenta consegue entregar uma resposta em segundos, precisamos observar como o aluno chegou àquela conclusão. Saber pesquisar, verificar fontes e explicar o próprio raciocínio faz parte do aprendizado. Cabe à escola ensinar o estudante a usar esses recursos com critério”, afirma.

Esse cenário também traz implicações para a avaliação escolar. Assis defende que, além do trabalho entregue, os professores observem como o estudante argumenta, resolve problemas e aplica os conteúdos. A formação continuada dos docentes é apontada por ele como uma condição para incorporar essas ferramentas ao planejamento pedagógico.

A preparação envolve relacionar os recursos aos objetivos de ensino e oferecer condições para seu uso cotidiano. Tempo para conhecer as ferramentas, orientação pedagógica e apoio diante de dificuldades fazem parte desse processo.


O que observar antes de confirmar a matrícula

Nas visitas e conversas com a coordenação, as famílias podem pedir exemplos de aulas e projetos que utilizam recursos digitais, conhecer a formação oferecida aos professores e perguntar como a instituição acompanha a compreensão dos conteúdos.

Também cabe verificar quais orientações a escola adota para o uso da inteligência artificial, especialmente em relação à checagem de informações e à autoria dos trabalhos. Essas respostas ajudam a entender como a instituição lida com ferramentas que já fazem parte da rotina de muitos estudantes.

Conhecer o equilíbrio entre atividades digitais, leitura, escrita, debates e práticas coletivas permite avaliar como a tecnologia se integra ao ensino. Para a escolha de 2027, exemplos do trabalho realizado com as turmas oferecem às famílias uma visão mais concreta da proposta apresentada pela escola.

 

MOVPLAN & CO
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