Condição pode afetar diferentes órgãos e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e outros problemas de saúde
Muito além da questão estética, a obesidade é um problema de saúde
que pode afetar o bem-estar do indivíduo de múltiplas maneiras. No Brasil, o
cenário é ainda mais sério, já que o número de pessoas obesas com mais de 25
anos saltou de 7,8%, em 1990, para 27,7%, em 2023, como apontou estudo
publicado neste ano pela Revista Lancet.
“Estar acima do peso pode gerar problemas para o coração, fígado,
rins, articulações e sistema respiratório. A obesidade impacta todo o corpo e
pode gerar várias doenças. Por isso, é necessário se prevenir e buscar
tratamento”, afirma Edson Fontes, médico na área de clínica geral que atua no
AmorSaúde.
Problemas causados pela obesidade
Edson pontua que a obesidade interfere na vida de uma pessoa em
diferentes aspectos, impactando desde a saúde física e mental, com reflexos na
autoestima, por exemplo, até a vida sexual. O médico detalha alguns desses
fatores a seguir:
- Hipertensão arterial: “a obesidade
aumenta o depósito de gordura nas paredes das artérias, estreitando os
vasos e aumentando a pressão do sangue. Além disso, a obesidade eleva o
processo inflamatório sistêmico, causando ainda mais danos às paredes dos
vasos”, explica;
- Síndrome metabólica: “a gordura
acumulada libera ácidos graxos livres no organismo, o que contribui para o
processo inflamatório e gera síndrome metabólica, caracterizada pela
resistência à insulina. Por sua vez, a resistência à insulina faz com que
o organismo tenha mais dificuldade para controlar a glicose no sangue,
podendo levar ao diabetes”, esclarece;
- Doenças cardiovasculares: “a hipertensão força o coração a trabalhar mais. Com isso,
aumentam os riscos de doenças cardíacas, como infarto agudo do miocárdio
(IAM), aneurisma e acidente vascular cerebral (AVC)”, aponta;
- Infecções cutâneas: “o
excesso de gordura gera dobras na pele, que podem ficar em atrito
constante, gerando ferimentos e até infecções. O risco de infecções
fúngicas também é alto, devido à umidade e ao calor em certos locais”,
afirma;
- Osteoartrite: “nas
articulações, ocorre sobrecarga mecânica pelo excesso de peso e
inflamação, com desgaste da cartilagem, que pode evoluir para artrose e
artrite, causando limitação dos movimentos, principalmente nos joelhos e
na coluna”, detalha;
- Esteatose hepática: “no fígado, a
obesidade pode gerar o acúmulo de gordura e levar ao risco de doenças como
hepatite, cirrose hepática e câncer”, pontua;
- Câncer: “pesquisas
apontam que a obesidade é responsável pelo aumento do risco de
determinados tipos de câncer, como os de mama, cólon, útero e rim”,
alerta;
- Problemas respiratórios: “no sistema respiratório, a obesidade aumenta o risco de
infecções e a dificuldade de respirar profundamente, gerando hipoventilação.
Ela também pode agravar a asma e a apneia obstrutiva do sono”, sintetiza;
- Infertilidade e disfunção erétil: “o peso em excesso altera os hormônios do corpo, gerando
problemas como disfunção erétil para os homens e infertilidade, que nesse
caso impacta tanto homens quanto mulheres”, diz;
- Depressão e transtorno de ansiedade: “o desequilíbrio hormonal gerado pelo excesso de peso
aumenta o risco de depressão. Além disso, pessoas acima do peso podem
enfrentar problemas como bullying, que gera ansiedade e problemas
psíquicos”, indica.
Como manter a saúde sendo obeso?
Diante de todos os riscos à saúde relacionados à obesidade, Edson destaca que as pessoas que estão acima do peso devem procurar tratamento médico e adotar uma série de cuidados com a saúde. “É necessário adotar hábitos saudáveis, como dieta equilibrada, atividade física regular, não trabalhar em excesso e diminuir o estresse”, explica.
O médico ainda esclarece que pessoas acima do peso devem realizar exames para investigar complicações metabólicas, cardiovasculares e hormonais. “Os testes devem ser feitos semestralmente ou anualmente, de acordo com a recomendação do médico para cada paciente. O acompanhamento é importantíssimo para definir o melhor tratamento e avaliar a evolução clínica”, conta. Entre os exames recomendados, ele cita:
- Glicose, Hemoglobina glicada e Teste oral de tolerância à
glicose: avaliam se há risco de diabetes;
- Lipidograma completo: mede a gordura
no sangue e identifica o nível do colesterol;
- TGO TGP: coleta dados
sobre a saúde do fígado, que também pode ser afetada pela obesidade;
- Ureia, ácido úrico e creatinina: avalia o funcionamento dos rins de uma pessoa obesa,
entendendo se a gordura prejudica o órgão;
- PCR ultrassensível: mede a
inflamação crônica que pode ser causada pelo excesso de gordura no
organismo;
- Bioimpedância Elétrica: teste rápido
que mede gordura, massa magra, água e metabolismo basal em um organismo.
Por fim, Edson ressalta: “o emagrecimento deve ocorrer de forma
saudável e com acompanhamento multiprofissional, com médico, nutricionista e
educador físico”. De acordo com o profissional, optar por dietas restritivas ou
deixar de se alimentar corretamente pode gerar outros problemas à saúde.
AmorSaúde

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