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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Depois do diagnóstico: preservar músculos pode ser tão importante quanto controlar o peso durante o tratamento do câncer de mama

Imagem gerada por IA - Divulgação
Especialista alerta que perda de massa muscular pode ocorrer durante o tratamento e impactar força, funcionalidade, tolerância às terapias e recuperação

 

Receber o diagnóstico de câncer de mama costuma desencadear uma série de preocupações, que vão desde entender o tratamento, até como lidar com os efeitos colaterais. Mas existe um indicador de saúde que frequentemente fica em segundo plano nessa equação: a quantidade e a qualidade da massa muscular.

 

Isso porque perder peso durante o tratamento não significa necessariamente perder apenas gordura. Parte dessa redução pode vir de músculos e essa perda pode passar despercebida, quando o acompanhamento se concentra exclusivamente no número mostrado pela balança.

 

A redução da massa e da função muscular vem ganhando espaço nas discussões sobre cuidados oncológicos. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024, que reuniu 17 estudos e quase 10 mil pacientes com câncer de mama, estimou prevalência média de sarcopenia de 32,5% entre mulheres com a doença nos estágios I a III. O trabalho também encontrou associação entre baixa massa muscular e maior ocorrência de toxicidades relacionadas à quimioterapia, redução ou atraso de doses e até interrupção do tratamento em alguns estudos.

 

Outra meta-análise, que avaliou 16 estudos e mais de 6 mil pacientes, encontrou sarcopenia em aproximadamente um terço das participantes e associação com maior risco de toxicidade grave relacionada ao tratamento. Os autores ressaltam, entretanto, que os resultados sobre sobrevida e outros desfechos ainda apresentam diferenças entre os estudos.

 

Durante o tratamento do câncer, alterações no apetite, náuseas, alterações no paladar, inflamação, redução da atividade física e os próprios efeitos das terapias podem dificultar a manutenção de uma alimentação adequada e favorecer a perda de tecido muscular.

 

“Em oncologia, olhar somente para o peso pode esconder mudanças importantes na composição corporal. Duas pessoas podem pesar o mesmo, mas ter quantidades muito diferentes de músculo e gordura. Por isso, preservar a massa muscular deve fazer parte de uma avaliação nutricional individualizada”, explica a médica nutróloga , cofundadora da Salty Way,  Dra. Ana Luísa Vilela.

 

A médica reforça que a preocupação não é apenas estética. O músculo está diretamente relacionado à força, mobilidade e capacidade de realizar atividades cotidianas. Além disso, o estado nutricional e a composição corporal podem influenciar a maneira como o organismo enfrenta o tratamento.

 

Diretrizes da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN) recomendam que pacientes com câncer sejam avaliados regularmente quanto ao risco ou à presença de desnutrição e perda de massa muscular. A entidade destaca que a perda muscular pode estar relacionada à ingestão inadequada de alimentos, redução da atividade física e alterações metabólicas provocadas pela própria doença. 


 

Proteína entra em cena


É nesse contexto que a alimentação ganha papel estratégico. A proteína fornece aminoácidos necessários para a manutenção e a recuperação dos tecidos, incluindo o músculo. Durante o tratamento oncológico, porém, a quantidade adequada deve ser definida individualmente, considerando estado nutricional, função renal, estágio da doença, tipo de tratamento, sintomas e demais condições clínicas.

 

“Por isso, a recomendação não é simplesmente “comer mais proteína”, mas garantir que a alimentação ofereça energia e proteína suficientes para as necessidades daquela paciente, dentro de um plano acompanhado por profissionais de saúde”, pondera a nutróloga.

 

A nutrição também não atua isoladamente. Evidências mais recentes apontam para uma abordagem multimodal, combinando estratégias nutricionais com atividade física, especialmente exercícios de resistência quando clinicamente indicados. Uma revisão publicada em 2026 destaca justamente a combinação entre otimização proteica, suporte nutricional e treinamento de força como uma das estratégias em investigação para preservar massa magra durante o tratamento do câncer de mama.

 

A médica complementa que, outro desafio é que a perda muscular nem sempre vem acompanhada de uma queda expressiva no peso. Uma mulher pode manter ou até aumentar o peso enquanto perde músculo e acumula gordura, fenômeno que torna o acompanhamento da composição corporal especialmente relevante.

 

Por isso, dependendo do caso, a avaliação pode envolver medidas antropométricas, testes de força e funcionalidade e exames de composição corporal. Em pacientes que já realizam exames de imagem como parte do acompanhamento oncológico, determinadas imagens também podem fornecer informações sobre a musculatura corporal.

 

“Precisamos mudar a pergunta de ‘quanto você pesa?’ para ‘como está a sua composição corporal e a sua capacidade funcional?’. O objetivo durante o tratamento não deve ser perseguir um determinado número na balança, mas preservar a saúde e a funcionalidade do organismo”, afirma

 

A atenção à massa muscular deve ser entendida como parte do cuidado integral da paciente e não como substituição ao tratamento oncológico. Também é importante evitar interpretações simplistas. Embora diversos estudos encontrem associação entre sarcopenia e resultados clínicos menos favoráveis, as evidências ainda não são uniformes. 

 

Uma meta-análise publicada em 2024, por exemplo, não encontrou associação estatisticamente significativa entre sarcopenia e sobrevida, ou recorrência em sua análise de massa muscular e desfechos de longo prazo. Uma revisão de 2026 também ressalta a necessidade de estudos prospectivos e padronizados para determinar melhor o impacto da sarcopenia nos diferentes tipos e estágios do câncer de mama.

 

O consenso, portanto, não está em considerar o músculo como um “tratamento” contra o câncer, mas em reconhecer que estado nutricional, força e composição corporal fazem parte da saúde da paciente e merecem atenção durante toda a jornada oncológica. 

 

“Para mulheres em tratamento, isso significa que alimentação adequada, ingestão suficiente de proteína, movimento e exercícios, quando liberados pela equipe médica, podem ter um papel importante na manutenção da capacidade funcional e na recuperação. Mais do que acompanhar apenas os quilos perdidos ou ganhos, o desafio passa a ser acompanhar o que está acontecendo dentro do corpo”, concluí Dra. Ana Luísa, que além de nutróloga é idealizadora da Salty Way.

 

Trata-se de uma marca brasileira que define-se como uma proteína culinária salgada, desenvolvida para ser incorporada às refeições do dia a dia sem alterar sabor ou textura, que nasceu com a finalidade de atender necessidades identificadas dentro do consultório, entre diferentes perfis de pacientes, atendidos diariamente.    



Salty Way
https://www.saltywayproteina.com.br/
Instagram da Marca: @saltywayproteina


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