Especialista alerta que perda de
massa muscular pode ocorrer durante o tratamento e impactar força,
funcionalidade, tolerância às terapias e recuperação
Imagem gerada por IA - Divulgação
Receber o diagnóstico de câncer de mama costuma
desencadear uma série de preocupações, que vão desde entender o tratamento, até
como lidar com os efeitos colaterais. Mas existe um indicador de saúde que
frequentemente fica em segundo plano nessa equação: a quantidade e a qualidade
da massa muscular.
Isso porque perder peso durante o tratamento
não significa necessariamente perder apenas gordura. Parte dessa redução pode
vir de músculos e essa perda pode passar despercebida, quando o acompanhamento
se concentra exclusivamente no número mostrado pela balança.
A redução da massa e da função muscular vem
ganhando espaço nas discussões sobre cuidados oncológicos. Uma revisão sistemática e meta-análise
publicada em 2024, que reuniu 17 estudos e quase 10 mil pacientes com
câncer de mama, estimou prevalência média de sarcopenia de 32,5% entre mulheres com a
doença nos estágios I a III. O trabalho também encontrou associação entre baixa
massa muscular e maior ocorrência de toxicidades relacionadas à quimioterapia,
redução ou atraso de doses e até interrupção do tratamento em alguns estudos.
Outra meta-análise,
que avaliou 16 estudos e mais de 6 mil pacientes, encontrou
sarcopenia em aproximadamente um terço das participantes e associação com maior
risco de toxicidade grave relacionada ao tratamento. Os autores ressaltam,
entretanto, que os resultados sobre sobrevida e outros desfechos ainda
apresentam diferenças entre os estudos.
Durante o tratamento do câncer, alterações no
apetite, náuseas, alterações no paladar, inflamação, redução da atividade
física e os próprios efeitos das terapias podem dificultar a manutenção de uma
alimentação adequada e favorecer a perda de tecido muscular.
“Em oncologia, olhar somente para o
peso pode esconder mudanças importantes na composição corporal. Duas pessoas
podem pesar o mesmo, mas ter quantidades muito diferentes de músculo e gordura.
Por isso, preservar a massa muscular deve fazer parte de uma avaliação
nutricional individualizada”, explica a médica nutróloga , cofundadora da Salty
Way, Dra. Ana Luísa Vilela.
A médica reforça que a preocupação não é apenas
estética. O músculo está diretamente relacionado à força, mobilidade e
capacidade de realizar atividades cotidianas. Além disso, o estado nutricional
e a composição corporal podem influenciar a maneira como o organismo enfrenta o
tratamento.
Diretrizes da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism
(ESPEN) recomendam que pacientes com câncer sejam avaliados
regularmente quanto ao risco ou à presença de desnutrição e perda de massa
muscular. A entidade destaca que a perda muscular pode estar relacionada à ingestão
inadequada de alimentos, redução da atividade física e alterações metabólicas
provocadas pela própria doença.
Proteína entra em cena
É nesse contexto que a alimentação ganha papel
estratégico. A proteína fornece aminoácidos necessários para a manutenção e a
recuperação dos tecidos, incluindo o músculo. Durante o tratamento oncológico,
porém, a quantidade adequada deve ser definida individualmente, considerando
estado nutricional, função renal, estágio da doença, tipo de tratamento,
sintomas e demais condições clínicas.
“Por isso, a recomendação não é
simplesmente “comer mais proteína”, mas garantir que a alimentação ofereça
energia e proteína suficientes para as necessidades daquela paciente, dentro de
um plano acompanhado por profissionais de saúde”, pondera a
nutróloga.
A nutrição também não atua isoladamente.
Evidências mais recentes apontam para uma abordagem multimodal, combinando
estratégias nutricionais com atividade física, especialmente exercícios de
resistência quando clinicamente indicados. Uma revisão publicada em 2026
destaca justamente a combinação entre otimização proteica, suporte nutricional
e treinamento de força como uma das estratégias em investigação para preservar
massa magra durante o tratamento do câncer de mama.
A médica complementa que, outro desafio é que a
perda muscular nem sempre vem acompanhada de uma queda expressiva no peso. Uma
mulher pode manter ou até aumentar o peso enquanto perde músculo e acumula
gordura, fenômeno que torna o acompanhamento da composição corporal
especialmente relevante.
Por isso, dependendo do caso, a avaliação pode
envolver medidas antropométricas, testes de força e funcionalidade e exames de
composição corporal. Em pacientes que já realizam exames de imagem como parte
do acompanhamento oncológico, determinadas imagens também podem fornecer
informações sobre a musculatura corporal.
“Precisamos mudar a pergunta de
‘quanto você pesa?’ para ‘como está a sua composição corporal e a sua
capacidade funcional?’. O objetivo durante o tratamento não deve ser perseguir
um determinado número na balança, mas preservar a saúde e a funcionalidade do
organismo”, afirma
A atenção à massa muscular deve ser entendida
como parte do cuidado integral da paciente e não como substituição ao
tratamento oncológico. Também é importante evitar interpretações simplistas.
Embora diversos estudos encontrem associação entre sarcopenia e resultados
clínicos menos favoráveis, as evidências ainda não são uniformes.
Uma meta-análise
publicada em 2024, por exemplo, não encontrou associação
estatisticamente significativa entre sarcopenia e sobrevida, ou recorrência em
sua análise de massa muscular e desfechos de longo prazo. Uma revisão de 2026 também
ressalta a necessidade de estudos prospectivos e padronizados para determinar
melhor o impacto da sarcopenia nos diferentes tipos e estágios do câncer de
mama.
O consenso, portanto, não está em considerar o
músculo como um “tratamento” contra o câncer, mas em reconhecer que estado
nutricional, força e composição corporal fazem parte da saúde da paciente e
merecem atenção durante toda a jornada oncológica.
“Para mulheres em tratamento, isso
significa que alimentação adequada, ingestão suficiente de proteína, movimento
e exercícios, quando liberados pela equipe médica, podem ter um papel
importante na manutenção da capacidade funcional e na recuperação. Mais do que
acompanhar apenas os quilos perdidos ou ganhos, o desafio passa a ser
acompanhar o que está acontecendo dentro do corpo”, concluí Dra. Ana Luísa, que além de nutróloga é
idealizadora da Salty Way.
Trata-se de uma marca brasileira que define-se como uma proteína culinária salgada, desenvolvida para ser incorporada às refeições do dia a dia sem alterar sabor ou textura, que nasceu com a finalidade de atender necessidades identificadas dentro do consultório, entre diferentes perfis de pacientes, atendidos diariamente.
Salty Way
https://www.saltywayproteina.com.br/
Instagram da Marca: @saltywayproteina
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