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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Anvisa apreende pela terceira vez no ano toxina botulínica falsificada; saiba como se proteger

Lote 025155 do Dysport foi proibido em 19 de outubro; especialista explica o que conferir antes do procedimento 

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de mais um lote falsificado de Dysport, medicamento à base de toxina botulínica utilizado em procedimentos estéticos e terapêuticos. A medida, divulgada em 19 de outubro, proíbe a comercialização, a distribuição e o uso do lote 025155 em todo o território nacional. [1]

A decisão ocorreu após a Beaufour Ipsen Farmacêutica, detentora do registro do medicamento no Brasil, comunicar a identificação de unidades com características diferentes das do produto original. Entre as irregularidades estavam o formato do frasco, a data de validade incorreta e um código de barras correspondente a outro lote. A mesma marca já havia sido alvo de medidas semelhantes da Anvisa em agosto e setembro. [1, 2, 3]

A sucessão de apreensões chama a atenção para um risco que pode passar despercebido por quem procura tratamentos estéticos: a dificuldade de identificar produtos falsificados. Além da procedência desconhecida, essas substâncias podem apresentar composição, concentração e condições de armazenamento incompatíveis com as exigências de segurança.

A aparência do medicamento, isoladamente, não oferece garantias ao paciente. "Uma embalagem aparentemente normal não garante autenticidade", diz a biomédica especialista em estética Melissa Brum. Num produto falso, segundo ela, não há como saber a composição, a dose ou se houve contaminação.


Como verificar a segurança antes da aplicação

A escolha do profissional e do estabelecimento deve ser acompanhada da verificação do medicamento que será utilizado. Segundo a Anvisa, procedimentos com toxina botulínica devem ocorrer em serviços autorizados pela vigilância sanitária, com produtos registrados no país e respeitando as orientações da bula. [4]

O paciente deve conferir se o estabelecimento possui licença sanitária e se o responsável pelo procedimento tem registro ativo no conselho profissional competente, além da habilitação exigida para a atividade. A legislação e as normas aplicáveis a cada profissão também precisam ser observadas. [4, 5]

Outro cuidado é solicitar informações sobre o produto antes da aplicação. A Anvisa orienta que sejam verificados o nome comercial, o fabricante, o número do lote e o prazo de validade. Com esses dados, é possível consultar a regularidade do medicamento e identificar eventuais restrições ou determinações de apreensão. [4, 6]

O preço também merece atenção. Ofertas muito inferiores aos valores habitualmente praticados podem justificar uma verificação mais cuidadosa, principalmente quando o estabelecimento não fornece informações claras sobre o medicamento utilizado.

A orientação de Melissa Brum é considerar o conjunto dessas informações antes de escolher onde realizar o procedimento, especialmente quando a oferta é apresentada como uma oportunidade de economia. "A decisão não deve se basear só no preço. Transparência faz parte da segurança", afirma Brum.


Botulismo iatrogênico é uma complicação rara, mas grave

A preocupação com a procedência dos produtos também está relacionada aos riscos de complicações após a aplicação. Embora a toxina botulínica seja utilizada há anos em tratamentos estéticos e terapêuticos, seu uso inadequado pode provocar efeitos que ultrapassam a região tratada.

Uma dessas complicações é o botulismo iatrogênico, condição rara provocada pelos efeitos da toxina após sua administração para fins terapêuticos ou estéticos. O quadro pode estar associado a diferentes fatores, incluindo problemas na dose, na concentração ou na aplicação do medicamento. [7]

Em novembro de 2025, o Ministério da Saúde e a Anvisa publicaram uma nota técnica conjunta para orientar os serviços de saúde sobre a identificação, a notificação e o tratamento desses casos. Segundo o documento, o Brasil havia registrado dois casos confirmados em 2024 e 11 em 2025, até a data da publicação. [7]

Os sintomas podem surgir poucas horas ou até semanas depois da aplicação. Visão dupla ou turva, queda das pálpebras, dificuldade para falar ou engolir e falta de ar estão entre os sinais de alerta descritos pelas autoridades sanitárias. Diante de qualquer uma dessas manifestações, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. [7, 8]

A nota técnica também esclarece que os casos registrados no país estavam, em sua maioria, relacionados ao uso incorreto da toxina botulínica. A ocorrência de sintomas, portanto, não significa necessariamente que o medicamento utilizado tenha sido falsificado. [7]

Além de buscar assistência, o paciente deve informar à equipe de saúde o procedimento realizado, a data da aplicação e, sempre que possível, o nome e o lote do produto utilizado. Suspeitas de falsificação podem ser comunicadas à vigilância sanitária, enquanto possíveis reações adversas devem ser notificadas à Anvisa pelo sistema VigiMed. [7]

   

Melissa Brum Pereira da Mata -é biomédica esteta formada pela Faculdade Anhanguera de Brasília, com atuação na área desde 2015. É CEO do Instituto Melissa Brum e ministra cursos de harmonização orofacial desde 2018. Realizou mais de 20 cursos na área e possui certificações internacionais pela CTA Academy e pela NYU, em Nova York. Tem registro profissional CRBM-3/13008.

  

Referências

  1. Anvisa. Anvisa determina apreensão de lote falsificado de toxina botulínica. 19 de outubro de 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-apreensao-de-lote-falsificado-de-toxina-botulinica
  2. Anvisa. Anvisa determina apreensão de toxina botulínica falsificada. 27 de agosto de 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-apreensao-de-toxina-botulinica-falsificada
  3. Anvisa. Apreensão de medicamento falsificado para câncer de mama e toxina botulínica. 21 de setembro de 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-a-apreensao-de-medicamento-falsificado-para-cancer-de-mama-e-toxina-botulinica
  4. Anvisa. Alerta sobre risco de botulismo após administração de toxina botulínica. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-alerta-sobre-risco-de-botulismo-apos-administracao-de-toxina-botulinica
  5. Anvisa. Serviços de embelezamento: perguntas frequentes. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/acessoainformacao/perguntasfrequentes/servicos-de-saude/servicos-de-embelezamento/
  6. Anvisa. Como saber se um produto é autorizado pela Anvisa. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/comunicacao/campanhas/estetica/como-saber-se-um-produto-e-autorizado-pela-anvisa
  7. Ministério da Saúde e Anvisa. Nota Técnica Conjunta nº 405/2025-CGZV/DEDT/SVSA/MS e Anvisa. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/botulismo/notas-tecnicas/nota-tecnica-conjunta-no-405-2025-cgzv-dedt-svsa-ms-e-anvisa
  8. Ministério da Saúde. Botulismo. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/botulismo

 

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