Para o defensor público André Naves, o
livro é ferramenta essencial de cidadania e emancipação socioeconômica, mas
acesso ainda esbarra em barreiras estruturais
Nesta quinta-feira (29/10), comemora-se o Dia
Nacional do Livro, data instituída em homenagem à fundação da
Biblioteca Nacional. Muito além de uma celebração cultural, o marco traz à tona
um debate crucial sobre o papel da leitura como pilar de desenvolvimento
social, combate às desigualdades e garantia de direitos fundamentais no Brasil.
Apesar dos avanços observados no país - como a queda
na taxa de analfabetismo absoluto, que ficou em 4,9% em 2025 segundo o Módulo
Educação da PNAD Contínua/IBGE -, o desafio da plena alfabetização e formação
leitora continua expressivo. O Brasil ainda abriga cerca de 8,4 milhões de
pessoas que não sabem ler e escrever, com grandes diferenças regionais e
raciais: no grupo com 60 anos ou mais, por exemplo, a taxa de analfabetismo
entre pretos ou pardos (20,6%) é quase três vezes superior à de brancos (7,3%).
Além disso, dados da pesquisa Retratos da Leitura
no Brasil (IPL/2024) revelam que o país passou a registrar 53% de não
leitores na população, agravado pelo fato de que o analfabetismo funcional
atinge cerca de 29% dos brasileiros, limitando severamente a capacidade de
interpretação de textos e o exercício pleno do pensamento crítico no cotidiano.
Leitura e acessibilidade
As lacunas do acesso ao livro tornam-se ainda mais
acentuadas no recorte de Pessoas com Deficiência (PCDs). A falta de
bibliografia adaptada em formatos acessíveis (como Braille, audiolivros, fontes
ampliadas e Linguagem Simples) restringe drasticamente a autonomia e as
oportunidades no mercado de trabalho e no ensino superior.
Para o Defensor Público Federal André Naves,
especialista em direitos humanos, economia política e inclusão social, garantir
o acesso à leitura é urgente e fundamental para todos.
“A leitura não é mero entretenimento ou privilégio
acadêmico; é uma ferramenta indispensável de emancipação humana e cidadania.
Quando privamos uma parcela expressiva da população do letramento adequado e do
acesso a livros em formatos acessíveis, estamos alimentando um ciclo de
exclusão que trava o potencial produtivo e criativo do nosso país.”
O defensor destaca que a democratização do livro deve
estar no centro das estratégias de políticas públicas modernas e da transição
digital:
“A verdadeira inclusão passa pela democratização do
saber. Investir na infraestrutura de bibliotecas comunitárias, em material
didático acessível e na literatura como instrumento de transformação social é o
único caminho para construir uma sociedade de fato justa, democrática e
desenvolvida.”
Para saber mais sobre o trabalho de André Naves,
acesse o site andrenaves.com ou acompanhe pelas redes sociais: andrenaves.def.
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