Ginecologista Camila Bolonhezi explica como estresse, alterações
hormonais e outros fatores podem afetar a disposição, o humor e o desejo sexual
feminino
Com a rotina cada vez mais intensa, muitas mulheres acabam
tratando o cansaço constante, a irritabilidade, as alterações no sono e a
diminuição do desejo sexual como consequências naturais do excesso de
compromissos. Embora o estresse e a sobrecarga possam, de fato, influenciar o
bem-estar, é importante observar quando esses sintomas persistem e começam a
interferir na qualidade de vida.
Segundo a ginecologista Camila Bolonhezi, o organismo dá sinais
quando algo não vai bem, mas nem sempre eles são percebidos ou valorizados. “A
mulher costuma acumular muitas responsabilidades e, em meio a tantas demandas,
acaba deixando as próprias necessidades em segundo plano. O problema é quando
sintomas persistentes passam a ser encarados como parte normal da rotina, sem
que se investigue o que pode estar por trás deles”, explica.
A queda da libido, por exemplo, é uma queixa relativamente comum
nos consultórios ginecológicos e pode ter diferentes causas. Alterações
hormonais, estresse, privação de sono, uso de determinados medicamentos,
desconfortos durante a relação sexual e questões emocionais ou relacionadas ao
relacionamento estão entre os fatores que podem influenciar o desejo. Por isso,
não é adequado atribuir automaticamente essa mudança a uma deficiência hormonal
ou considerar que ela seja inevitável com o passar dos anos.
O mesmo cuidado vale para o cansaço e as mudanças de humor.
Embora possam estar associados à sobrecarga emocional, esses sintomas também
podem aparecer em diferentes condições clínicas, incluindo anemia, alterações
da tireoide e distúrbios do sono. Em determinadas fases da vida, como o período
pré-menstrual, o pós-parto e a transição para a menopausa, as oscilações
hormonais também podem contribuir para mudanças físicas e emocionais.
“Não existe uma única explicação para todos esses sintomas. O
contexto de cada mulher, sua idade, seu histórico de saúde, o padrão menstrual,
os medicamentos utilizados e a duração das queixas precisam ser considerados. A
avaliação individualizada é o caminho para entender as possíveis causas e
definir a conduta mais adequada”, ressalta Camila.
Outro ponto de atenção é a tentativa de resolver o problema por
conta própria, especialmente com suplementos, vitaminas ou tratamentos
hormonais divulgados nas redes sociais. Sem uma avaliação adequada, a mulher
pode investir em soluções que não atendem à causa real dos sintomas ou adiar a
identificação de um problema que precisa de acompanhamento.
A ginecologista recomenda observar a frequência, a intensidade e a duração das mudanças percebidas no corpo, além de identificar se elas estão afetando o sono, a disposição, a vida sexual ou as atividades cotidianas. Sintomas persistentes, alterações menstruais importantes, dor durante as relações sexuais ou mudanças significativas no bem-estar justificam uma avaliação médica.
Mais do que esperar as férias ou o fim do ano para desacelerar, a proposta é olhar para a saúde de forma contínua. “Autocuidado não deve ser entendido apenas como uma pausa na rotina. Também significa reconhecer os próprios limites, prestar atenção aos sinais do organismo e procurar orientação quando necessário. Não é preciso esperar que o desconforto se torne insustentável para buscar ajuda”, conclui a médica.
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