Outubro Rosa chama atenção para o câncer de mama,
mas colesterol, glicemia, creatinina, HPV e saúde óssea também entram no radar
conforme idade, sintomas e histórico familiar
Outubro chega e, com ele, aumenta a procura por informações sobre
mamografia e prevenção do câncer de mama. Mas o cuidado com a saúde feminina
não termina aí. Colesterol, glicemia, creatinina, HPV e saúde óssea são alguns
dos pontos que podem merecer atenção ao longo da vida, e nem todas as mulheres
precisam realizar os mesmos exames.
A idade é um dos fatores que orientam esse acompanhamento, mas não
o único. Histórico familiar, sintomas, hábitos de vida e doenças preexistentes
podem antecipar ou modificar a necessidade de determinadas investigações.
“Não existe uma lista de exames que sirva igualmente para todas as
mulheres. Uma paciente jovem com histórico familiar importante pode precisar de
um acompanhamento diferente de outra da mesma idade sem fatores de risco. A
prevenção precisa olhar para a pessoa, e não apenas para a data de nascimento”,
explica Maria Gabriela de Lucca, médica patologista clínica do Grupo DB.
Entre mulheres mais jovens, por exemplo, a prevenção do câncer do
colo do útero ganha importância. As atuais diretrizes brasileiras recomendam o
teste de DNA-HPV como método principal de rastreamento entre 25 e 64 anos para
quem já teve atividade sexual. Dependendo dos sintomas e do histórico
individual, exames de sangue também podem ajudar a investigar condições como
anemia e alterações metabólicas.
Com o passar dos anos, o olhar se amplia. Colesterol, glicemia,
creatinina e pressão arterial ajudam a avaliar a saúde cardiovascular, enquanto
a mamografia passa a integrar o rastreamento do câncer de mama. No SUS, o
Ministério da Saúde recomenda o exame a cada dois anos para mulheres de 50 a 74
anos. Histórico familiar de câncer pode levar a uma avaliação individualizada e
mudar a estratégia de acompanhamento.
“A mulher costuma associar prevenção feminina aos exames
ginecológicos, mas a saúde cardiovascular e metabólica também precisa estar no
radar. Alterações de colesterol, creatinina e glicemia, por exemplo, podem
permanecer silenciosas por bastante tempo. Os exames laboratoriais ajudam a
identificar mudanças antes que elas se transformem em problemas maiores”,
afirma a especialista.
Após a menopausa, a saúde dos ossos também ganha relevância. A
queda do estrogênio favorece a perda de massa óssea e aumenta o risco de
osteoporose. Nessa fase, o médico pode avaliar a necessidade de exames
específicos, como a densitometria óssea, além de manter o acompanhamento
cardiovascular e metabólico.
Mais do que aproveitar outubro para fazer uma bateria de exames, a
recomendação é usar o mês como um lembrete para revisar os cuidados que podem
ter ficado para trás.
“O Outubro Rosa é fundamental para chamar atenção para o câncer de mama, mas também pode abrir uma conversa maior sobre saúde. Prevenção não significa fazer todos os exames disponíveis. Significa saber quais fazem sentido para cada mulher e não esperar um sintoma aparecer para começar a cuidar da saúde”, conclui a médica.
Grupo DB
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