Mudanças na pele, no
formato das mamas e nos mamilos merecem atenção
Magnific
O câncer de mama está entre os tipos de câncer mais incidentes entre as mulheres brasileiras. Para o triênio de 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 78,6 mil novos casos da doença, por ano, no país. Diante desse cenário, a atenção às mudanças no corpo e o reconhecimento dos sinais que podem passar despercebidos são importantes aliados na identificação precoce.
Um dos sinais mais conhecidos é a presença de um nódulo (caroço) fixo, endurecido e, na maioria das vezes, indolor. No entanto, outros sintomas também merecem atenção. Paulo São Bento, especialista em Enfermagem Obstétrica e professor do curso de Enfermagem da UNINASSAU Rio de Janeiro, explica quais mudanças podem ser observadas. “Alterações no formato e no tamanho do órgão; presença de sulcos e feridas; ondulações e/ou protuberâncias; aumento da vascularização; e alterações na pele, como vermelhidão, pele em ‘casca de laranja’ ou endurecida; retração dos mamilos; saída espontânea de secreção e sangue; e nódulos na região das axilas”, destaca.
Além de observar possíveis mudanças, é importante considerar que a doença pode não apresentar sintomas em seus estágios iniciais. Por isso, os exames de rastreamento têm um papel importante na identificação de alterações antes dos sinais serem percebidos. De acordo com o Ministério da Saúde, no Sistema Único de Saúde (SUS), a mamografia de rastreamento é recomendada a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Contudo, mulheres de 40 a 49 anos e com mais de 74 anos também podem ter acesso ao exame pelo SUS, mesmo sem sinais ou sintomas suspeitos, desde que recebam orientação dos profissionais de saúde sobre os possíveis benefícios e riscos do rastreamento.
A professora do curso de Enfermagem da UNINASSAU Rio de Janeiro, Carollina Casa, alerta para a importância de acompanhar as mudanças no próprio corpo e realizar os exames conforme as recomendações dos profissionais de saúde. Segundo ela, essas medidas podem contribuir para que possíveis alterações sejam investigadas precocemente. “Tanto o monitoramento quanto a prática da conscientização corporal permitem a investigação de anormalidades o mais cedo possível, tornando o cenário mais favorável, pois há a possibilidade de diminuir as chances de avanço da doença”, afirma.
Embora a idade média ao diagnóstico seja de 54 anos, de acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de mama também pode atingir mulheres mais jovens. “Embora não seja comum, cerca de 6% a 10% de todos os casos no Brasil ocorrem em mulheres com menos de 40 anos. Por isso, é importante conhecer o próprio corpo, manter hábitos de vida saudáveis e ficar atenta ao histórico familiar. Em caso de medo e dúvidas, procure um profissional de saúde”, orienta Paulo São Bento.
O receio de receber um diagnóstico também pode levar algumas mulheres a adiarem a procura por atendimento. Isso ocorre, entre outros fatores, porque as mamas estão relacionadas à sexualidade, identidade e autoestima. Segundo o especialista, esse medo pode estar relacionado aos impactos que o câncer e o tratamento provocam em diferentes áreas da vida. “Outras preocupações incluem o medo da doença, dos impactos, do tratamento, de cirurgias e da própria morte. Além disso, envolve preocupações quanto a relacionamentos afetivos, maternidade e repercussões nas vidas profissional e financeira”, ressalta.
Carollina Casa, por sua vez, chama atenção para a importância de buscar acompanhamento profissional para esclarecer dúvidas e avaliar possíveis alterações ao invés de adiar a procura por atendimento por medo do diagnóstico. Além disso, a doença não atinge apenas mulheres. “1% dos casos de câncer de mama afetam os homens, que também podem procurar o SUS para receber orientação e buscar atendimento”, ressalta.
A prevenção e diminuição
do risco envolvem hábitos saudáveis, como a prática regular de atividade física
e redução do consumo de bebidas alcoólicas. Manter o acompanhamento de saúde e
realizar os exames recomendados para cada faixa etária também são medidas
importantes para favorecer a identificação precoce da doença.
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