No Paraná, 88% das famílias possuem dívidas e quase um quinto está com pagamentos atrasados; economista alerta que hábitos financeiros pessoais costumam acompanhar o empreendedor até a empresa
Antes de aparecer no caixa da empresa, o
descontrole financeiro costuma dar sinais dentro de casa: compras sem
planejamento, gastos pequenos ignorados, uso recorrente do cartão e empréstimos
contratados sem comparação. No Paraná, 88% das famílias possuíam algum tipo de
dívida em agosto, enquanto 18,5% estavam com contas atrasadas, segundo
levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
(CNC) e da Fecomércio PR. Os dados ajudam a ampliar a reflexão proposta pelo
Dia do Economista Doméstico, lembrado em 21 de outubro. A organização do
orçamento familiar não se resume a cortar despesas. Ela ensina a definir
prioridades, comparar preços, formar reservas e avaliar o custo de uma dívida,
conhecimentos que também sustentam a administração de uma empresa.
Para o economista Noé Santiago, da curitibana ANIDEA, o empreendedor dificilmente deixa
seus hábitos financeiros pessoais do lado de fora quando abre a porta do
negócio. “Quem não sabe quanto custa manter a própria casa provavelmente também
terá dificuldade para identificar o custo real da empresa. A escala muda, os valores
ficam maiores, mas o comportamento costuma ser o mesmo”, afirma.
Estar endividado não significa obrigatoriamente
estar inadimplente. Financiamentos, compras parceladas e empréstimos também
entram nas estatísticas de endividamento. O risco aparece quando as parcelas
não cabem no orçamento ou quando o crédito é utilizado repetidamente para
cobrir gastos recorrentes. No Paraná, as dívidas comprometem, em média, 32,5%
da renda mensal das famílias. Para 16,9% dos endividados, mais da metade da
renda já está comprometida. O cartão de crédito aparece em 88,2% dos casos,
enquanto 42,1% das famílias possuem compromissos financeiros com duração
superior a um ano.
A inadimplência também avançou. Em agosto de 2025,
12,4% dos consumidores paranaenses estavam com contas atrasadas. Um ano depois,
o índice chegou a 18,5%. Entre os inadimplentes, mais da metade acumulava
débitos vencidos havia mais de 90 dias. “Os pequenos gastos têm um efeito
silencioso. Isoladamente, parecem inofensivos, mas, quando se repetem,
comprometem a capacidade de poupar e obrigam a família a recorrer ao crédito.
Dentro de uma empresa, esse efeito pode ser ainda maior, porque entram folha de
pagamento, fornecedores, impostos, estoque e capital de giro”, explica
Santiago.
No ambiente empresarial, é comum que a atenção
fique concentrada nas vendas. No entanto, faturar mais não resolve
automaticamente problemas de margem, custos ou endividamento. Santiago compara
a gestão financeira ao cotidiano de um comerciante: não basta saber vender; é
preciso saber comprar. A mesma lógica se aplica ao crédito. Antes de contratar,
o empreendedor precisa entender o valor necessário, a finalidade dos recursos,
o prazo de retorno do investimento e o custo total da operação. “Crédito não
deveria ser contratado apenas porque foi aprovado ou porque o dinheiro pode ser
liberado rapidamente. É preciso saber para que ele será usado, quanto a empresa
consegue pagar e se o retorno esperado justifica a dívida. Pedir dinheiro
emprestado também exige planejamento”, observa o economista.
O risco aumenta quando o empresário procura uma
instituição financeira somente depois que o caixa já entrou em situação
crítica. Com pouco tempo para negociar, ele pode aceitar a primeira proposta
disponível, sem comparar taxas, prazos, garantias e o Custo Efetivo Total.
O Banco Central apontou que as condições de oferta
de crédito se tornaram mais restritivas ao longo de 2026, influenciadas pelo aumento
da inadimplência, pela menor tolerância ao risco e pelo elevado comprometimento
da renda das famílias. Em abril, a taxa média do crédito livre para empresas
chegou a 25,3% ao ano. “Assim como uma família precisa pesquisar antes de fazer
uma compra importante, a empresa deve comparar antes de contratar crédito. A
solução mais fácil nem sempre é a mais adequada, e uma taxa aparentemente menor
pode esconder prazo curto, parcela alta ou condições incompatíveis com o fluxo
de caixa”, afirma Santiago.
A própria legislação que regulamentou a profissão
de economista doméstico, sancionada em 21 de outubro de 1985, relaciona a
atividade ao planejamento das necessidades básicas das famílias e à orientação
para aquisição e uso de bens e serviços. Quatro décadas depois, princípios como
planejamento, consumo consciente e organização do orçamento continuam atuais —
inclusive para quem administra uma empresa. Entre os cuidados que podem começar
em casa e seguir para o negócio estão separar despesas essenciais das adiáveis,
registrar entradas e saídas, evitar comprometer toda a renda futura, criar uma
reserva e comparar alternativas antes de comprar ou tomar crédito. “Economizar
não é simplesmente escolher sempre o produto mais barato. É saber comprar,
compreender o impacto daquela decisão no orçamento e preservar capacidade
financeira para o futuro. Essa disciplina começa no mercado, na conta de
energia e no cartão, mas depois aparece na forma como o empresário negocia com
fornecedores, forma preços e contrata empréstimos”, diz Santiago.
A ANIDEA atua como correspondente bancário e
realiza a intermediação de propostas junto a instituições financeiras
autorizadas. Entre as modalidades trabalhadas está o crédito com garantia de
imóvel, também conhecido como home equity. Nesse tipo de operação, o imóvel é
oferecido como garantia, o que pode permitir prazos mais longos e condições
diferentes das modalidades sem garantia. Em contrapartida, o patrimônio fica
vinculado ao contrato e pode ser perdido em caso de inadimplência. Por isso, a
contratação exige análise de renda, finalidade, capacidade de pagamento e
riscos envolvidos. “Não existe crédito bom ou ruim fora do contexto. Existe
crédito adequado ou inadequado para determinada situação. Usar um imóvel para
garantir uma operação é uma decisão relevante e precisa estar sustentada por
planejamento, comparação e capacidade real de pagamento”, ressalta.
Fundada em Curitiba em julho de 2024, a ANIDEA
completou pouco mais de dois anos de atuação. A empresa está entre as indicadas
ao Prêmio Reclame AQUI 2026 na categoria Empréstimos e Consignados, concorrendo
com organizações de diferentes regiões do país. A votação popular permanece
aberta durante o período da campanha da premiação. Para Santiago, a pouca idade
da empresa reforça a necessidade de construir confiança desde o início. “Quando
o assunto é crédito, transparência não é detalhe. O cliente precisa compreender
o que está contratando, quanto vai pagar, quais são os riscos e quais
alternativas possui. A decisão só é consciente quando a informação está clara.”
No Dia do Economista Doméstico (21 de outubro), a
principal lição pode caber tanto na cozinha quanto na sala de reuniões: cuidar
do dinheiro não significa apenas gastar menos. Significa escolher melhor —
inclusive quando é necessário pedir emprestado.
ANIDEA
Noé Santiago - Economista
@anidea.br
www.anidea.com.br
Mal. Deodoro, 51, Sala 205B, Centro, Curitiba/PR.

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