Médica nutróloga explica por que a proteína é peça central do envelhecimento saudável, da manutenção da força à autonomia
O Brasil tem hoje cerca de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou
mais, aproximadamente 15%
da população, segundo o IBGE.
Mas do que somar anos de vida, envelhecer também significa preservar a
capacidade de levantar da cadeira, subir uma escada, carregar uma sacola,
caminhar e realizar tarefas cotidianas sem depender de outra pessoa. Neste mês de outubro, onde
celebramos o Dia
Internacional da Pessoa Idosa (1/10), um dado costuma ficar
fora da conversa sobre envelhecimento: que um dos nutrientes mais importantes
para manter a autonomia nessa faixa etária, pode estar faltando no prato da
população idosa.
Uma pesquisa
conduzida por pesquisadoras da Unicamp, publicada em junho de 2026, encontrou
inadequação no consumo de proteínas em 49%
dos idosos avaliados em Campinas
e região. O estudo identificou ainda outro problema: mesmo
entre aqueles que atingem uma quantidade razoável ao longo do dia, a proteína
não é necessariamente distribuída de maneira adequada entre as refeições.
Outro estudo
brasileiro, realizado em Viçosa
(MG) e publicado na Revista
Brasileira de Geriatria e Gerontologia, acompanhou 621 pessoas
idosas por nove anos. Nele, a prevalência de baixa ingestão proteica chegou a 60,9%, e os
participantes nessa condição apresentaram risco de morte significativamente
maior ao longo do período analisado. Este é um indicativo de que o tema
ultrapassa a esfera do desempenho físico e entra no terreno da longevidade.
Para a médica
nutróloga , cofundadora da Salty Way, Dra. Ana Luísa Vilela,
esses números revelam um ponto cego da nutrição brasileira. “Envelhecer bem não é apenas viver mais,
é manter força e autonomia. E a proteína participa diretamente desse processo”.
Segundo a médica, com o avanço da idade, o
organismo passa por um fenômeno conhecido como resistência anabólica: o músculo
responde menos ao mesmo estímulo nutricional do que respondia na juventude. Por
isso, pessoas idosas geralmente precisam de uma atenção maior à ingestão
proteica e à prática de exercícios de força.
Quando a ingestão não acompanha as
necessidades do organismo, uma das consequências mais conhecidas é a sarcopenia,
caracterizada pela perda progressiva de massa, força e função muscular. A literatura
sobre nutrição no envelhecimento tem discutido a importância de distribuir
fontes proteicas entre as principais refeições, em vez de deixar café da manhã
e jantar com quantidades muito pequenas.
Mas, a nutróloga faz uma alerta, de que o
problema pode aparecer antes de um diagnóstico formal.
“Cansaço, dificuldade para
levantar da cadeira, perda de força, quedas e recuperação mais lenta depois de
uma doença ou cirurgia muitas vezes são colocados automaticamente na conta da
idade. Nem sempre deveriam. Parte desse processo pode estar relacionada à perda
de massa muscular e à alimentação. Para o idoso, cada refeição pode ser uma
oportunidade de preservar músculos. O desafio é que justamente as refeições
mais leves costumam ser aquelas em que a proteína desaparece do prato ”,
explica.
Corrigir esse déficit, porém, não depende
apenas de recomendar que o idoso “coma mais proteína”. Com o envelhecimento,
podem surgir redução do apetite, alterações no paladar, dificuldades de
mastigação, uso de próteses, limitações financeiras e menor disposição para
preparar alimentos. Há ainda uma questão de aceitação. Shakes, bebidas e
suplementos tradicionalmente associados à proteína podem não fazer sentido para
quem já apresenta pouco apetite ou não tem o hábito de consumir preparações
doces.
Foi observando esse tipo de dificuldade no
consultório, que surgiu a Salty
Way: definida como uma proteína culinária salgada desenvolvida
para ser incorporada a alimentos que já fazem parte da rotina, como arroz,
feijão, sopas, purês e molhos. A proposta é transformar a suplementação em
parte da própria refeição, especialmente em momentos do dia em que a ingestão
proteica tende a ser menor. A estratégia, entretanto, não substitui uma
alimentação variada e deve ser individualizada, principalmente no caso de
idosos com doença renal ou outras condições que demandem ajustes na ingestão de
proteínas.
Para a médica, falar sobre proteína no Dia do
Idoso é também falar sobre prevenção.
“A massa muscular é uma reserva
para a velhice. Por isso, proteína e exercício de força não deveriam entrar na
rotina apenas quando a pessoa já perdeu a musculatura. Quanto maior a reserva
construída ao longo da vida, maior a capacidade de enfrentar os desafios do
envelhecimento”, afirma.
A Dra. ainda faz um alerta para os sinais que merecem atenção: emagrecimento não intencional, roupas ficando mais largas, perda de força nas mãos, dificuldade para se levantar sem apoio, redução da disposição e quedas recorrentes. A recomendação é que esses sinais não sejam tratados simplesmente como consequências inevitáveis da idade. Uma avaliação com médico, nutricionista ou outro profissional habilitado, pode ajudar a identificar perda de massa muscular, inadequações alimentares e a necessidade de ajustes na dieta e na atividade física.
“No envelhecimento, a pergunta
não deveria ser apenas quantos anos queremos viver, mas com quanta força e
autonomia queremos chegar lá”, concluiu a Dra. Ana Luísa.
https://www.saltywayproteina.com.br/
Instagram: @saltywayproteina

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