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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Déficit energético provocado por dietas e treinos intensos pode desregular o sistema hormonal


Médico da Hapvida explica como o déficit calórico prolongado prejudica a tireoide e pode desencadear doenças tanto em atletas profissionais como em praticantes amadores de exercícios


Submeter o corpo a dietas extremamente restritivas e a rotinas intensas de treinos na busca por emagrecimento, definição muscular ou performance esportiva pode custar caro à saúde. Um exemplo aconteceu no último dia 1º de outubro, quando a tenista norte-americana Emma Navarro, número 24 do mundo, de 25 anos, anunciou uma pausa na carreira após diagnósticos de RED-S (Deficiência Relativa de Energia no Esporte) e Tireoidite de Hashimoto.

A atleta relatou que os distúrbios, decorrentes em parte de uma dieta inadequada, causavam tonturas, dores de cabeça, fadiga constante e dificuldade de concentração.

O endocrinologista Rodrigo Gomes de Souza, gerente médico corporativo de centros clínicos ambulatoriais da Hapvida, explica que quando o organismo recebe menos energia do que gasta por períodos prolongados, um mecanismo de defesa é acionado para entrar em modo de economia, reduzindo o ritmo do metabolismo e comprometendo o sistema hormonal.

Esse estresse metabólico está diretamente ligado à baixa disponibilidade energética. “Nessas situações, o organismo reduz a atividade do eixo que controla a tireoide. Na prática, é como se o organismo percebesse que 'está faltando combustível' e diminuísse o ritmo do metabolismo para gastar menos energia”, diz Souza.



Dietas restritivas são problema

A falta contínua de energia e a inflamação celular geradas por dietas severas também podem atuar como peças adicionais em um quebra-cabeça complexo, contribuindo para a manifestação ou o agravamento da Tireoidite de Hashimoto, doença autoimune mais comum da tireoide. Em pessoas geneticamente predispostas, a restrição alimentar extrema e o estresse biológico favorecem um ambiente inflamatório que faz com que um quadro silencioso passe a se manifestar.

“É possível que a tireoide já esteja funcionando abaixo do ideal, de forma discreta, antes mesmo de aparecerem sintomas claros. Nesse cenário, dietas muito restritivas ou rotinas de treino excessivamente intensas podem funcionar como um gatilho. É como se o organismo já estivesse no limite e, diante de uma grande falta de energia, essa situação se tornasse mais evidente”, pontua o médico.



Atenção aos sinais

Quando o organismo entra em colapso energético, os sinais vão além da falta de resultados na academia. Sintomas como cansaço persistente que não melhora com o descanso, dificuldade para perder peso mesmo com pouca comida, perda de massa muscular, queda de libido, falhas ou ausência do ciclo menstrual e lesões por estresse repetidas são alertas claros emitidos pelo corpo.

Nos casos em que o diagnóstico de Hashimoto coincide com a baixa disponibilidade energética, a conduta médica exige mais do que a simples prescrição de remédios. “Não basta simplesmente 'repor o hormônio'. É preciso também corrigir a falta de energia disponível para que o organismo volte a funcionar adequadamente”, afirma o especialista.

Para quem percebeu que o corpo parou de responder aos treinos ou dá sinais constantes de exaustão, o caminho é reajustar a rota imediatamente. O médico recomenda reduzir a intensidade dos treinos, reintroduzir nutrientes e carboidratos em proporções adequadas e buscar avaliação médica especializada para checar taxas hormonais e metabólicas como os primeiros passos para restabelecer a saúde do organismo.


Grupo Hapvida

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