Especialista explica como diferentes perfis visuais exigem soluções personalizadas para leitura, telas, direção e atividades do dia a dia
A dificuldade para ler mensagens no celular, enxergar
letras pequenas ou trabalhar diante de uma tela costuma aparecer a partir dos
40 anos. É quando começa a se manifestar com mais frequência a presbiopia,
conhecida como vista cansada, uma alteração natural do envelhecimento em que o
cristalino perde gradualmente a capacidade de mudar de forma para focalizar objetos
próximos.
Em uma atualização publicada em fevereiro de 2026,
a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 800 milhões de pessoas tenham
comprometimento da visão de perto associado à presbiopia e projeta que a
condição alcance 2,1 bilhões de pessoas até 2030. No Brasil, o envelhecimento
da população amplia a relevância do tema: dados divulgados pelo IBGE em
dezembro de 2025 mostram que o número de pessoas com 60 anos ou mais chegou a 34,1
milhões em 2024, crescimento de 53,3% em relação a 2012.
Para Arthur van den Berg, médico
oftalmologista, especialista em lentes intraoculares de alta tecnologia e
criador do Protocolo VDB, entender essa mudança é o primeiro passo para
discutir alternativas além da simples multiplicação dos óculos ao longo da
rotina. Com 20 anos de carreira e mais de 20 mil cirurgias realizadas, o médico
defende que a decisão deve começar pela avaliação das necessidades visuais de
cada paciente.
“Não existe uma única solução para todas as
pessoas. Antes de discutir qualquer procedimento, é preciso entender como
aquele paciente trabalha, dirige, pratica esportes, usa telas, lê e quais são
suas expectativas. A estratégia precisa acompanhar a vida do paciente, e não
apenas um número encontrado no exame”, afirma van den Berg.
O que acontece com a visão
depois dos 40
A presbiopia ocorre porque o cristalino, estrutura
natural localizada dentro do olho e responsável por ajudar no foco, torna-se
progressivamente menos flexível. Com isso, atividades como ler, usar o celular,
trabalhar diante do computador ou enxergar pequenos detalhes de perto podem
começar a exigir mais esforço. Entre os sinais mais comuns estão a necessidade
de afastar textos e telas, cansaço visual e dor de cabeça.
É nesse período que muitas pessoas passam a
incorporar diferentes óculos à rotina, seja para leitura, computador ou outras
atividades. Eles continuam sendo uma das principais formas de correção da
presbiopia, mas não são a única alternativa disponível. Dependendo das
características dos olhos, da idade, do grau, da condição do cristalino e das
necessidades visuais de cada paciente, outras estratégias podem ser avaliadas
pelo oftalmologista, incluindo lentes de contato, procedimentos a laser para
correção do grau em casos selecionados e, quando indicado, procedimentos
cirúrgicos com implante de lentes intraoculares.
Segundo Arthur van den Berg, a dificuldade para
enxergar de perto já é motivo para uma avaliação oftalmológica, principalmente
quando começa a interferir nas atividades cotidianas. “Quando a pessoa percebe
que precisa afastar o celular, aumentar constantemente a fonte da tela, buscar
mais iluminação para ler ou começa a depender dos óculos para tarefas que antes
realizava naturalmente, é importante investigar. Primeiro precisamos entender
se aquela dificuldade é realmente decorrente da presbiopia e avaliar toda a
saúde do olho. Só depois é possível discutir qual caminho faz sentido”,
explica.
A presbiopia pode ser tratada de diferentes formas,
e a cirurgia com lentes intraoculares é uma das opções para pacientes que
desejam reduzir a dependência dos óculos. A indicação é feita a partir de uma
avaliação individual, que considera aspectos como córnea, retina, grau,
características do cristalino, presença ou não de catarata, histórico ocular e
expectativas do paciente.
Embora o procedimento cirúrgico seja relativamente
rápido, van den Berg ressalta que o resultado começa muito antes do centro
cirúrgico, com a correta seleção do paciente, da lente e da estratégia para
cada olho.
“Para pacientes que buscam mais liberdade dos
óculos, a cirurgia com lentes intraoculares é uma alternativa que pode
proporcionar maior independência visual no dia a dia, quando houver indicação.
A escolha da lente e da técnica é personalizada de acordo com a saúde ocular,
as características do cristalino e a rotina de cada paciente”, afirma van den
Berg.
Lentes intraoculares ampliaram
as possibilidades
As lentes intraoculares evoluíram para diferentes
desenhos ópticos. Hoje existem, entre outras opções, modelos monofocais,
multifocais, trifocais e de profundidade de foco estendida, conhecidos como
EDOF. Cada tecnologia apresenta características próprias e pode priorizar
diferentes distâncias de visão.
Uma revisão científica publicada em 2026 sobre as
tecnologias utilizadas para correção da presbiopia reforçou justamente a
necessidade de selecionar a lente de acordo com as necessidades individuais do
paciente. Os autores destacam que anatomia ocular, expectativas e demandas
visuais devem fazer parte da decisão e que tecnologias mais recentes ainda
precisam de acompanhamento contínuo por estudos clínicos.
“Quando o objetivo é buscar maior independência dos
óculos, a escolha da lente deve considerar as características de cada olho e a rotina
do paciente. Hoje, contamos com diferentes tecnologias que permitem personalizar
o tratamento e buscar o melhor resultado visual para cada perfil. Essa precisão
começa na avaliação e se estende à escolha da lente e ao planejamento da
cirurgia”, explica o oftalmologista.
No PROTOCOLO VDB®, essa avaliação é estruturada a
partir do Mapa da Sua Visão, que integra exames, características dos olhos e
demandas do estilo de vida para orientar um planejamento individualizado. A
proposta é avaliar não apenas a condição ocular, mas também as distâncias e
atividades que mais interferem no cotidiano do paciente.
Independência visual também
passa pela rotina
A busca por maior independência dos óculos se
relaciona ainda à mudança no perfil de quem atravessa os 40, 50 e 60 anos
mantendo uma rotina profissional, esportiva e social ativa. Trabalhar em
diferentes telas, dirigir, viajar, correr, cozinhar e acompanhar informações no
celular exigem transições frequentes entre visão de longe, intermediária e de
perto.
Para van den Berg, é nesse ponto que a discussão
deixa de ser exclusivamente sobre acuidade visual. “Enxergar bem também
significa ter autonomia para realizar atividades sem precisar interromper o
tempo todo o que está fazendo para procurar ou trocar os óculos. Quando existe
indicação médica, as lentes intraoculares podem proporcionar maior independência
visual e ampliar a liberdade no dia a dia”, ressalta.
Nesse contexto, a evolução das tecnologias para
correção da presbiopia amplia as possibilidades para quem deseja manter uma
rotina ativa com mais praticidade visual. Para quem começa a perceber que os
braços parecem “curtos demais” para afastar o celular ou o cardápio, portanto,
a mudança pode ser natural da idade. O que mudou foi o número de possibilidades
disponíveis para lidar com ela. Entre elas, estão as tecnologias que, quando
houver indicação médica, podem proporcionar maior independência visual,
liberdade no dia a dia e qualidade de vida.
Arthur van den Berg - médico oftalmologista, cirurgião e criador do PROTOCOLO VDB®, com 20 anos de atuação na medicina e mais de 20 mil cirurgias realizadas. Especializado em cirurgia do cristalino e lentes intraoculares de alta tecnologia, trabalha com planejamento individualizado para pacientes que buscam maior independência dos óculos, sempre de acordo com a indicação médica de cada caso. Realizou sua formação em Oftalmologia na Santa Casa de São Paulo, especializado em cirurgia de implante de lentes intraoculares de alta tecnologia pela Medical University of South Carolina, nos Estados Unidos, pós-graduado em Liderança Cirúrgica pela Universidade de Harvard e doutorando pela Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, onde desenvolve pesquisa relacionada a lentes intraoculares de alta tecnologia. Também participou, durante mais de cinco anos, da formação e do treinamento de novos cirurgiões na instituição e é autor de dezenas de artigos científicos publicados em revistas internacionais. À frente do PROTOCOLO VDB®, reúne exames de alta precisão, tecnologia, experiência cirúrgica e análise do estilo de vida de cada paciente para definir a estratégia mais adequada. Seu trabalho tem como principais áreas a cirurgia do cristalino, presbiopia, catarata, correção de astigmatismo e lentes intraoculares, com foco em independência visual, liberdade no dia a dia e qualidade de vida.
Para mais informações, acesse instagram e linkedin.

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