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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Mulheres na programação e na robótica: por que o interesse precisa ser despertado desde a educação básica?

Divulgação
Colégio Ábaco
Participação feminina em olimpíadas de informática e robótica cresce, mas queda na adesão a partir do 5º ano ainda desafia as escolas

 

Nas universidades brasileiras, cursos ligados à computação e à engenharia seguem com perfil majoritariamente masculino. Segundo o Resumo Técnico do Censo da Educação Superior 2022, do Inep, os homens respondem por 81,5% das matrículas em Sistemas de Informação e por 70,9% em Engenharia Civil. Essa diferença, porém, começa a se desenhar bem antes, na relação de garotas e garotos com a tecnologia durante a vida escolar. 

Para Davidson Gogora, coordenador de tecnologia educacional do Colégio Ábaco, o primeiro passo é desfazer uma ideia antiga. “Precisamos desconstruir que as Ciências Exatas são um universo predominantemente masculino. Mostrar na prática que não existe ‘habilidade de menino’ ou ‘habilidade de menina’, e o Espaço Maker pode ser um desses espaços seguros de experimentação, validando os percursos dos estudantes de forma igualitária”, afirma. 

O argumento vai além da escolha profissional. “Sabemos que a robótica e a programação na escola não servem apenas para formar engenheiras e cientistas da computação. Elas desenvolvem pensamento computacional, resiliência diante do erro, promovem o trabalho colaborativo, entre outros”, explica o coordenador.

 

Quem assume o robô?

No dia a dia, o estereótipo aparece de modo mais velado e se revela na dinâmica espontânea das aulas de Cultura Maker. “Logo que um desafio é lançado, é muito comum que os meninos tomem a frente dos kits de robótica e da programação de forma quase automática, enquanto as meninas tendem a assumir funções de organização ou estética do projeto”, detalha Davidson. 

A resposta do Colégio Ábaco é uma mediação pedagógica intencional, com rodízio de papéis nos grupos para que as alunas também liderem a montagem e o código. Ao apresentar novos conteúdos, a equipe ainda procura trazer mulheres com protagonismo na área. 

“Nos esforçamos justamente para não definir previamente quem vai colocar a mão na massa, criando um ambiente onde tanto meninos quanto meninas se sintam seguras para vivenciar o erro, a prototipagem e assumir de fato autoria no desenvolvimento dos projetos”, ressalta o educador.

 

Desafios superados geram avanços

Todo trabalho para que as meninas participem mais dessas atividades já está trazendo frutos. Nas olimpíadas do conhecimento, o Colégio Ábaco registra avanço. Entre 2025 e 2026, a participação feminina na Olimpíada Brasileira de Informática (OBI) passou de 322 para 361 alunas. Na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), subiu de 35 para 40, enquanto a masculina caiu de 94 para 77. Somadas as duas edições, elas conquistaram dois bronzes na OBI e três na OBR. “Os números provam que o esforço para atrair as estudantes tem dado resultado, embora em uma velocidade menor do que gostaríamos”, avalia Davidson.

 

Confiança construída na escola e em casa

Isolamento em ambientes acadêmicos e corporativos, questionamentos velados sobre a própria capacidade e escassez de lideranças femininas para mentoria estão entre os obstáculos que o coordenador aponta para mulheres em carreiras STEM. “O papel da escola é construir autoconfiança técnica e resiliência desde a base”, afirma. Por isso, as oficinas colocam as alunas diante de situações em que precisam defender o que criaram, negociar soluções e liderar sob pressão.

A família também pesa nesse percurso. Para o coordenador, a curiosidade científica e a desconstrução de vieses começam em casa, na escolha dos brinquedos e no encorajamento frente a desafios lógicos. Ele cita alunas que tiveram grande aproveitamento nas oficinas também por contarem com o incentivo de familiares que trabalham em áreas correlatas. “Quando os pais validam as aptidões da menina para as ciências exatas, ela chega ao Espaço Maker muito mais segura e disposta a arriscar”, finaliza.

 Colégio Ábaco

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