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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Menopausa muda o corpo depois dos 50 e pede outra estratégia para emagrecer

Acúmulo na barriga, perda de musculatura e alterações no sono podem mudar a resposta do organismo, e especialista explica quais cuidados merecem mais atenção nessa fase


A barriga aumenta mesmo sem uma grande mudança na balança, a roupa passa a vestir diferente e perder os mesmos três ou quatro quilos parece mais difícil do que alguns anos atrás. Essas queixas são frequentes na menopausa e não se resumem à percepção estética. Cerca de 17 milhões de brasileiras entre 40 e 65 anos vivem a fase de transição hormonal, segundo a Febrasgo. Claudia Raia também já falou publicamente sobre ganho de peso e dores articulares nesse período. Um estudo publicado em janeiro de 2026 no Journal of Clinical Medicine, com 325 mulheres, identificou menor quantidade de massa magra e maior concentração de gordura visceral entre aquelas que já haviam passado pela menopausa.

Bruna Makluf, nutricionista e mestre em Saúde, é diretora de Nutrição da WeFit, healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição de precisão. Segundo ela, tentar compensar essas mudanças apenas diminuindo a comida pode levar a uma estratégia pouco eficiente. “Na menopausa, não é só o peso que muda. A mulher pode perceber mais gordura na barriga, perder musculatura e ter alterações no sono. Por isso, simplesmente comer menos nem sempre resolve o que ela está tentando melhorar”, explica a nutricionista.


A barriga mudou mesmo sem grande aumento de peso

Uma das mudanças mais características dessa etapa acontece na distribuição da gordura. As recomendações atualizadas da International Menopause Society mostram que o aumento de peso ao longo dos anos está relacionado principalmente ao envelhecimento e à redução do gasto energético. A queda do estrogênio, no entanto, favorece a concentração de tecido adiposo na região abdominal.

Na prática, isso ajuda a entender por que uma mulher pode continuar usando praticamente o mesmo número na balança e perceber cintura maior, roupas mais apertadas no abdômen ou mudança no formato do corpo. A The Menopause Society estima que a obesidade abdominal atinja mais de 60% das mulheres na menopausa e alerta que a gordura visceral também está relacionada à resistência à insulina, à hipertensão e ao risco cardiovascular.

“A medida da cintura pode contar uma história que o peso não mostra. Se houve aumento abdominal acompanhado de perda de musculatura, olhar apenas os quilos pode dar a impressão de que nada mudou, quando a composição corporal já é diferente”, aponta Bruna.


Comer menos pode piorar o problema se o músculo for esquecido

É nesse ponto que dietas muito restritivas podem se tornar uma armadilha. Reduzir a ingestão energética pode ser necessário quando existe excesso de gordura, mas o processo precisa preservar a massa muscular. O estudo de 2026 encontrou menor quantidade de musculatura esquelética entre mulheres depois da menopausa, além de maior adiposidade central.

Para a especialista, a pergunta deixa de ser apenas “quantas calorias cortar” e passa a incluir “como perder gordura sem perder músculo”. Proteínas em quantidade adequada, fibras, vegetais, alimentos minimamente processados e uma distribuição alimentar compatível com a rotina precisam entrar na avaliação, assim como exercícios de força.

As recomendações da International Menopause Society indicam pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, associados a duas sessões de exercícios de resistência. Esse tipo de treino tem papel importante na manutenção da musculatura, da força e da saúde óssea.


Sono ruim também entra na conta

A menopausa pode vir acompanhada de ondas de calor, despertares noturnos, insônia e cansaço, sintomas reconhecidos pela Febrasgo. Para quem está tentando controlar o peso, ignorar o descanso pode dificultar a adesão à alimentação planejada e à prática de exercícios.

“Não adianta olhar a alimentação de forma isolada. Se a mulher dorme mal, está exausta, perdeu massa muscular e reduziu a atividade física, simplesmente apertar ainda mais a dieta provavelmente não é a melhor primeira resposta. É preciso entender quais fatores estão dificultando o processo”, ressalta Bruna.


O que vale acompanhar além da balança

Para quem percebe que o corpo mudou depois dos 50, Bruna recomenda ampliar os parâmetros observados. Circunferência abdominal, evolução da massa muscular, glicemia, colesterol, pressão arterial, sono, força e disposição ajudam a formar uma visão mais completa.

A profissional conta que na WeFit, o acompanhamento nutricional pode reunir composição corporal, exames laboratoriais, genética, microbiota intestinal, alimentação, sono e rotina para orientar estratégias individualizadas. A proposta é entender quais fatores têm maior peso para cada mulher, em vez de repetir automaticamente a dieta que funcionava anos atrás.

“A menopausa não significa que a mulher deixou de responder ao emagrecimento. Significa que o corpo mudou e a estratégia precisa acompanhar essa mudança. O foco passa a ser reduzir gordura preservando músculo e saúde, e não apenas perseguir um número menor na balança”, conclui a Bruna.

 



Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
Para mais informações, acesse: Linkedin e Instagram.

 

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Fontes de Pesquisa

Febrasgo — “Menopausa Cerca de 17 milhões de mulheres no Brasil estão no climatério”
https://www.febrasgo.org.br/noticia/menopausa-cerca-de-17-milhoes-de-mulheres-no-brasil-estao-no-climaterio/

Journal of Clinical Medicine / PubMed — “The Impact of the Menopausal Transition on Body Composition and Abdominal Fat Redistribution”
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41598677/

International Menopause Society — “IMS Recommendations and Key Messages on Women’s Midlife Health and Menopause”
https://www.imsociety.org/2026/03/25/ims-recommendations-and-key-messages-on-menopause/

The Menopause Society — “Abdominal Obesity May Lead to More Severe Menopause Symptoms”
https://menopause.org/press-releases/abdominal-obesity-may-lead-to-more-severe-menopause-symptoms

MenoTalks — “Claudia Raia ganhei peso e dores articulares na menopausa”
https://www.youtube.com/watch?v=Alxu8cKlEo8


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