Acúmulo na
barriga, perda de musculatura e alterações no sono podem mudar a resposta do
organismo, e especialista explica quais cuidados merecem mais atenção nessa
fase
A barriga aumenta mesmo sem uma grande mudança na
balança, a roupa passa a vestir diferente e perder os mesmos três ou quatro
quilos parece mais difícil do que alguns anos atrás. Essas queixas são
frequentes na menopausa e não se resumem à percepção estética. Cerca de 17
milhões de brasileiras entre 40 e 65 anos vivem a fase de transição hormonal,
segundo a Febrasgo. Claudia Raia também já falou publicamente sobre ganho de
peso e dores articulares nesse período. Um estudo publicado em janeiro de 2026
no Journal of Clinical Medicine, com 325 mulheres, identificou menor quantidade
de massa magra e maior concentração de gordura visceral entre aquelas que já
haviam passado pela menopausa.
Bruna Makluf,
nutricionista e mestre em Saúde, é diretora de Nutrição da WeFit, healthtech brasileira
especializada em saúde personalizada e nutrição de precisão. Segundo ela,
tentar compensar essas mudanças apenas diminuindo a comida pode levar a uma
estratégia pouco eficiente. “Na menopausa, não é só o peso que muda. A mulher
pode perceber mais gordura na barriga, perder musculatura e ter alterações no
sono. Por isso, simplesmente comer menos nem sempre resolve o que ela está
tentando melhorar”, explica a nutricionista.
A barriga mudou mesmo sem
grande aumento de peso
Uma das mudanças mais características dessa etapa
acontece na distribuição da gordura. As recomendações atualizadas da
International Menopause Society mostram que o aumento de peso ao longo dos anos
está relacionado principalmente ao envelhecimento e à redução do gasto
energético. A queda do estrogênio, no entanto, favorece a concentração de
tecido adiposo na região abdominal.
Na prática, isso ajuda a entender por que uma
mulher pode continuar usando praticamente o mesmo número na balança e perceber
cintura maior, roupas mais apertadas no abdômen ou mudança no formato do corpo.
A The Menopause Society estima que a obesidade abdominal atinja mais de 60% das
mulheres na menopausa e alerta que a gordura visceral também está relacionada à
resistência à insulina, à hipertensão e ao risco cardiovascular.
“A medida da cintura pode contar uma história que o
peso não mostra. Se houve aumento abdominal acompanhado de perda de
musculatura, olhar apenas os quilos pode dar a impressão de que nada mudou,
quando a composição corporal já é diferente”, aponta Bruna.
Comer menos pode piorar o
problema se o músculo for esquecido
É nesse ponto que dietas muito restritivas podem se
tornar uma armadilha. Reduzir a ingestão energética pode ser necessário quando
existe excesso de gordura, mas o processo precisa preservar a massa muscular. O
estudo de 2026 encontrou menor quantidade de musculatura esquelética entre
mulheres depois da menopausa, além de maior adiposidade central.
Para a especialista, a pergunta deixa de ser apenas
“quantas calorias cortar” e passa a incluir “como perder gordura sem perder
músculo”. Proteínas em quantidade adequada, fibras, vegetais, alimentos
minimamente processados e uma distribuição alimentar compatível com a rotina
precisam entrar na avaliação, assim como exercícios de força.
As recomendações da International Menopause Society
indicam pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada,
associados a duas sessões de exercícios de resistência. Esse tipo de treino tem
papel importante na manutenção da musculatura, da força e da saúde óssea.
Sono ruim também entra na
conta
A menopausa pode vir acompanhada de ondas de calor,
despertares noturnos, insônia e cansaço, sintomas reconhecidos pela Febrasgo.
Para quem está tentando controlar o peso, ignorar o descanso pode dificultar a
adesão à alimentação planejada e à prática de exercícios.
“Não adianta olhar a alimentação de forma isolada.
Se a mulher dorme mal, está exausta, perdeu massa muscular e reduziu a
atividade física, simplesmente apertar ainda mais a dieta provavelmente não é a
melhor primeira resposta. É preciso entender quais fatores estão dificultando o
processo”, ressalta Bruna.
O que vale acompanhar além da
balança
Para quem percebe que o corpo mudou depois dos 50,
Bruna recomenda ampliar os parâmetros observados. Circunferência abdominal,
evolução da massa muscular, glicemia, colesterol, pressão arterial, sono, força
e disposição ajudam a formar uma visão mais completa.
A profissional conta que na WeFit, o acompanhamento
nutricional pode reunir composição corporal, exames laboratoriais, genética,
microbiota intestinal, alimentação, sono e rotina para orientar estratégias
individualizadas. A proposta é entender quais fatores têm maior peso para cada
mulher, em vez de repetir automaticamente a dieta que funcionava anos atrás.
“A menopausa não significa que a mulher deixou de
responder ao emagrecimento. Significa que o corpo mudou e a estratégia precisa
acompanhar essa mudança. O foco passa a ser reduzir gordura preservando músculo
e saúde, e não apenas perseguir um número menor na balança”, conclui a Bruna.
Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
Para mais informações, acesse: Linkedin e Instagram.
WeFit
Site Oficial WeFit I Instagram WeFit
Fontes de Pesquisa
Febrasgo — “Menopausa Cerca de 17 milhões de mulheres no Brasil estão no climatério”
https://www.febrasgo.org.br/noticia/menopausa-cerca-de-17-milhoes-de-mulheres-no-brasil-estao-no-climaterio/
Journal of Clinical Medicine / PubMed — “The Impact of the Menopausal Transition on Body Composition and Abdominal Fat Redistribution”
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41598677/
International Menopause Society — “IMS Recommendations and Key Messages on Women’s Midlife Health and Menopause”
https://www.imsociety.org/2026/03/25/ims-recommendations-and-key-messages-on-menopause/
The Menopause Society — “Abdominal Obesity May Lead to More Severe Menopause Symptoms”
https://menopause.org/press-releases/abdominal-obesity-may-lead-to-more-severe-menopause-symptoms
MenoTalks — “Claudia Raia ganhei peso e dores articulares na menopausa”
https://www.youtube.com/watch?v=Alxu8cKlEo8
Nenhum comentário:
Postar um comentário