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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Dia Nacional da Pessoa Idosa: revisão de medicamentos é importante para a saúde mental no envelhecimento

 Para o Dia Nacional da Pessoa Idosa, o psiquiatra Dr. Guido Boabaid May alerta para os riscos da polifarmácia e explica como a farmacogenética pode contribuir para tratamentos mais personalizados

 

Lembrado em 1º de outubro, o Dia Nacional da Pessoa Idosa chama a atenção para os cuidados necessários para promover saúde mental e qualidade de vida durante o envelhecimento. Aposentadoria, perdas, doenças crônicas, dor e isolamento social podem aumentar a vulnerabilidade a quadros como depressão e ansiedade. A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente 15% das pessoas com 70 anos ou mais vivam com algum transtorno mental, sendo depressão e ansiedade os mais frequentes. 

Nesse cenário, outro ponto merece atenção: o uso simultâneo de diversos medicamentos, realidade frequente entre idosos e que pode afetar a cognição e o bem-estar. “A principal razão é a multimorbidade: com o avanço da idade, torna-se mais comum uma mesma pessoa apresentar simultaneamente hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, dor crônica, alterações do sono, doenças osteoarticulares e transtornos psiquiátricos, por exemplo. Cada condição pode resultar na prescrição de um ou mais medicamentos, muitas vezes por diferentes especialistas”, explica o psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, CEO e fundador da GnTech. 

Segundo o especialista, o problema não está necessariamente na quantidade de medicamentos, mas na chamada polifarmácia inadequada, quando há interações, doses inadequadas ou medicamentos que já não são necessários. “Quanto maior a complexidade do esquema terapêutico, maior pode ser o risco de interações, efeitos adversos, dificuldade de adesão, quedas, confusão mental e hospitalizações”, aponta. 

Outro risco é a chamada cascata de prescrição, quando um efeito colateral é interpretado como um novo problema de saúde e leva à inclusão de outro medicamento. “Ela acontece quando o efeito adverso de um medicamento é interpretado como uma nova doença e, em vez de revisar o primeiro medicamento, acrescenta-se outro para tratar aquele sintoma”, explica o psiquiatra. 

Em um estudo publicado em 2025 com 13.670 adultos de 65 anos ou mais, 98,8% apresentavam pelo menos uma variante farmacogenética considerada acionável por alguma diretriz, e aproximadamente 27,5% chegaram a utilizar pelo menos um medicamento para o qual aquela informação genética poderia indicar uma mudança em relação à prescrição convencional. Nesse contexto, a farmacogenética pode contribuir para uma abordagem mais personalizada. 

Para Guido, a ferramenta pode ser especialmente relevante para pacientes idosos, que apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos adversos e frequentemente utilizam vários medicamentos. “Quando existe uma interação gene-medicamento respaldada por evidências e diretrizes farmacogenéticas, essa informação pode ajudar o médico a selecionar um medicamento ou ajustar sua dose de maneira mais individualizada”, afirma. 

O especialista ainda reforça que o objetivo não é simplesmente retirar medicamentos, mas otimizar o tratamento. “O conceito correto é otimizar a farmacoterapia: manter aquilo que oferece benefício, ajustar o que precisa ser ajustado e retirar, de forma segura e supervisionada, aquilo que já não faz sentido”, avalia. Além da medicação, Guido também alerta para a importância de não naturalizar alterações emocionais ou cognitivas como consequência do envelhecimento. “Talvez a mensagem mais importante seja que não devemos naturalizar sofrimento psíquico nem alterações cognitivas simplesmente porque a pessoa envelheceu”, conclui. 



Guido Boabaid May - Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 115 mil consultas realizadas, mais de 1.200 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 30 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro "Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.


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