Criminosos
aproveitam-se de formulários públicos em sites para indexar PDFs fraudulentos
que surgem em motores de busca e respostas geradas por IA
Uma
operação cibernética em grande escala explora resultados de pesquisa e
ferramentas de Inteligência Artificial para disseminar números de telefone
falsos de companhias aéreas, agências e empresas de transporte. O alerta é da
Check Point Software, que aponta que a tática se aproveita de momentos de alta
vulnerabilidade dos clientes, como voos cancelados, conexões perdidas ou
atrasos em reembolsos.
Em vez de
criar sites maliciosos do zero, os criminosos geram massivamente documentos em
formato PDF com guias falsos de contato, e conseguem alojá-los em plataformas
legítimas de alta autoridade, como portais governamentais, sistemas
universitários e formulários de empregos públicos.
Abuso de domínios de confiança para burlar motores de busca e IA
A Check
Point explica que os hackers se aproveitam de falhas de segurança e diretórios
expostos em componentes de gestão de conteúdos (como Drupal e WordPress) para
carregar ficheiros em domínios institucionais de prestígio. Como os PDFs passam
em validações comuns de formulários, e não contêm códigos maliciosos ou vírus,
passam ilesos por as antivírus tradicionais.
No entanto,
a autoridade desses domínios oficiais faz com que os motores de busca indexem
rapidamente os documentos fraudulentos. Além disso, a estratégia dos atacantes
— estruturada com títulos focados em perguntas (FAQs)
e repetição de palavras-chave — consegue envenenar os algoritmos de AEO (Answer Engine Optimization)
e GEO (Generative Engine
Optimization), fazendo com que os números falsos
apareçam diretamente em sumários gerados por IA, como os da Meta AI no
Facebook, e em anúncios em redes sociais.
"Quando
um viajante desesperado procura um canal de atendimento urgente, ele confia nos
primeiros resultados indexados em sites oficiais ou sugeridos por assistentes
de IA. Essa mesma confiança é instrumentalizada para capturar eventuais
vítimas”, diz a equipe de pesquisa da Check Point, em depoimento.
Proteção
Uma vez que
o cliente liga para o número falso exibido nos documentos ou anúncios,
inicia-se um golpe de retorno de chamada (também conhecido como callback-fraud), onde os falsos
atendentes pressionam as vítimas a pagar taxas fictícias ou a divulgar dados
confidenciais de pagamento e reservas utilizando métodos de difícil rastreio,
como criptomoedas, cartões oferta e transferências.
Para
mitigar este tipo de ameaça, a Check Point recomenda:
Para as marcas de viagens: monitorizar ativamente motores de busca, repositórios de ficheiros
públicos e respostas de IA em busca de desvios de marca, além de reforçar a
segurança e moderação em formulários de carregamento de ficheiros.
Para os viajantes: obter números de apoio ao cliente estritamente através dos canais
oficiais, aplicações móveis ou confirmações diretas de reserva, desconfiando de
contatos encontrados via pesquisas genéricas ou pedidos de pagamento de taxas
por meios alternativos.
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